O Príncipe das Sombras de Gelo
2 CAPITULO I: O Príncipe
Para todos que viviam no castelo, o príncipe Robert vivia trancado no quarto e saia somente para realizar seus afazeres, como o treino com espadas, que estava prestes a começar.
— Caspian batia na porta e falava de fora do quarto – Principe Robert, já esta pronto pro nosso treino?
Rei Augusto, desde que Robert alcançou idade de homem, tinha deixado o falecido César encarregado do treinamento de Robert, todavia, agora seu mentor passara a ser Caspian, o melhor guerreiro de todo o reino, consagrado por vencer os 7 jogos.
— Robert abre a porta e diz – Desculpa a demora, ainda não me acostumei com o novo horário das aulas.
— Se preferir, meu príncipe, podemos mudar o horário para um que o cóvem!
— Fique calmo Caspian, eu me acostumo rápido.
Ambos continuaram andando em silencio através do mórbido saguão negro do castelo ate que chegassem ao pátio central, local que usavam para seus treinos. Robert não tinha dom com espadas, mas após anos de treinos adquiriu certa habilidade, nada espetacular, porem útil.
Apesar dos anciões dizerem ao rei que Robert não tinha a genética da família e que seria um filho bastardo da Rainha falecida, Leoni, vitima de uma hemorragia pós-parto, Augusto ignorou os comentários, ele sabia que nunca amaria alguém como Leoni e ela também o amava como nunca amou outro, de uma forma ou outra ele sabia que aquele menino era dele sim.
— Caspian, chega por hoje, não estou me sentindo muito bem
— O que esta sentindo? Quer que eu chame um ancião para te medicar? – disse Caspian com um tom de preocupação –
— Não será preciso, não é nada serio, nada que uma soneca não resolva!
— Certo, qualquer coisa é só chamar. GUARDAS!! Acompanhem o Príncipe ate seus aposentos.
Caspian não sabia, mas aquele menino que passava horas trancado dentro do quarto tinha mais segredos do que qualquer um imaginava. Robert voltou rapidamente ao seu quarto, disse aos guardas que não queria ser incomodado por ninguém e trancou a porta do quarto. Vestiu uma túnica com capuz e se dirigiu ate uma mobília velha que abaixo escondia uma pequena passagem que atravessava todos os grandes muros do castelo e terminava nos burgos, chegando la ele se depara com Daniel.
— Vamos Robert, o que há com você? Sempre se atrasado
— Me desculpe, não pude fazer nada, tive treinamento hoje cedo
— Perda de tempo, ambos sabemos que você é um horror com espadas
Ambos caíram na gargalhada e continuaram andando ate passarem um pouco as plantações e chegarem as grandes árvores, símbolo da família real.
— Essas árvores são tão bonitas e ao mesmo tempo tão fortes e firmes, realmente é o símbolo ideal para uma familia.
— Sei que está tentando me elogiar, mas símbolos são apenas símbolos, eles não sustentam um reino, deve ser por isso que o reino esta caindo e meu pai ainda não enxergou – Disse Caspian com uma voz triste –
— Vamos parar de falar disso e fazer algo bom? – Disse Daniel enquanto colocava sua mão sobre a mão de Robert.
Robert não entendia muito bem o que acontecia entre ele e Daniel, ele sabia que eram mais do que amigos, mas o quão além de amigos eles eram era complexo de entender para ele, porém em vez de se sentir culpado por fugir do castelo e se encontrar com alguém impuro dos burgos, como diria o Rei, ele se sentia bem, ele sabia que ali não havia condolências, era algo sincero e verdadeiramente nobre, algo que o fazia bem e que ele não queria perder de forma alguma.
— Fazer algo bom? – Robert riu – Estar aqui já é bom o suficiente para mim!
— Olha só no que se tornou, uma pessoa fria e insensível – disse Daniel em tom de brincadeira –
— Acho que devo voltar pro castelo, logo mais sentiram minha falta.
— Daniel subiu em cima de Robert e o imobilizou – Só deixo você ir depois de me dar um beijo – disse rindo –
Robert se assustou, ele já tinha beijado Daniel outras vezes, porém ele nunca tinha feito uma abordagem tão agressiva, mas não resistiu e acabou o beijando.
Voltando ao seu quarto Robert se deparou com seu Pai batendo loucamente em sua porta.
— Robert? Robert? Você esta ai? Vou mandar os homens derrubarem a porta!
— Calma pai, já vou abrir – disse Robert destrancando a porta –
— Caspian me disse que você estava se sentindo mal, vim correndo para ver o que esta sentindo, trouxe dois anciões comigo.
O histórico de doenças da família do Rei era extremamente grande, por isso tamanha preocupação, seu irmão morreu com 17 anos vitima de um ataque cardíaco e seu primo tinha morrido a pouco menos de 3 meses pelo mesmo motivo.
— Já estou melhor pai, foi apenas um mal súbito qualquer. Sabe pai, preciso de um conselho do senhor, pode pedir para todos saírem?
— Guardas por favor, esperem do lado de fora, Mestres Anciões podem voltar aos seus aposentos, desculpe o incomodo.
— Após todos saírem e trancar a porta o Rei disse – Diga meu filho, o que te deixas tão mal?
— Pai o senhor já sentiu algo no coração? Não uma doença, uma espécie de sentimento...
— Isso se chama paixão meu filho, ocorre quando amamos muito uma pessoa e desejamos ela pra nos. Você esta apaixonado? Por quem? Conheceu alguém no reino?
— Paixão? – disse com um sorriso no canto da boca – conheci uma pessoa, já a algum tempo, mas acho que é melhor eu desistir dessa historia pai.
— Sempre siga o que seu coração mandar filho, estou sempre torcendo por você.
— Obrigado, vou pensar um pouco mais e ver o que faço.
Ambos deram um grande abraço e Robert voltou a ficar sozinho em seu quarto. Rei Augusto após sair disse à um guarda: — Fique vigiando Robert, quero descobrir com quem ele anda se encontrando pelo reino.
Robert passou o resto do dia deitado em sua cama e só conseguia pensar no que fazer a respeito do seu relacionamento com Daniel, estar tão perto e ao mesmo tempo tão longe de uma pessoa simplesmente estava acabando com seu sono, porém ele não conseguia pensar em outra coisa além disso.
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