O Príncipe Solitário.
6 Capítulo 6 - Desculpas?
Capítulo 6
Desculpas?
Olhei para meu pulso lembrando da terrível cena na câmara de gravidade, como eu fui patética e estupidamente burra. Como eu podia por um segundo supor que Vegeta queria me beijar? O que eu tinha afinal para estar com esses pensamentos voando em minha cabeça? Por que eu me sentia assim na sua presença? Vegeta era um grosso sádico, no passado havia matados meus amigos e só continuava na Terra por que agora nossos inimigos eram em comum, além da sua rivalidade chata com Goku, fora isso nada mais o importava.
— Droga de vida! – toquei no pequeno gesso em meu pulso quebrado. – Nem bater nele eu posso sem me machucar!... Que raiva!!!
Deitei na minha cama e mordi um travesseiro ao mesmo tempo abafando um grito de dor e raiva.
— Está tudo bem, minha querida?
Mamãe apareceu de repente no meu quarto muito preocupada.
— Hã... estou bem, mamãe, não se preocupe o médico disse que meu pulso vai sarar rápido, basta eu seguir suas orientações.
— Bulminha... mas o que aconteceu para se machucar desta forma?
— Foi um acidente, mamãe – menti, pois não conseguia contar o ocorrido. – Sem querer deixei uma parte pesada da nave que papai está construindo cair na minha mão, então meu pulso se quebrou.
— Querida tenha mais cuidado, não quero que se machuque, mas agora vou preparar aquela torta de maçã que tanto gosta! – ela sorriu e antes de sair me beijou na testa.
Mais uma vez me peguei pensando naquele crápula do Vegeta, ele havia sido tão tosco comigo e eu continuava com o seu rosto, o seu cheiro, o seu toque na minha mente. Eu precisava urgentemente de uma lavagem cerebral!
Desanimada e sem vontade de sair do quarto, fui até a sacada e observei a cidade. Eu pensava que dentro de dois anos aqueles tais andróides iriam assombrar nossa paz causando muita destruição e perdas. Porém eu acreditava em Goku e nos outros, sabia que ele nos salvaria de novo e quantas vezes fossem necessárias. Mesmo ele sendo um sayajin, Goku era bondoso, generoso como poucas pessoas, possuía uma alma pura, enquanto Vegeta era cruel e egoísta demais. Como eles podiam ser tão diferentes? Claro, Vegeta era um nobre príncipe, enquanto Goku um subalterno enviado a Terra para nos destruir.
Aquilo até parecia um roteiro de filme.
E onde eu entrava nessa história? Qual era o meu papel nessa jornada? Era a cientista que criara o radar do Dragão para encontrar as “Esferas do Dragão” ou só mais uma personagem secundária qualquer? Não, eu deveria ter um papel fundamental nesse enredo que era as nossas vidas.
— Eu não sou uma inútil! – estava convicta.
Entrei e fechei as portas duplas inclusive as cortinas, decidi que iria trabalhar aquela semana em meu quarto mesmo, pois lá ninguém entrava sem minha permissão. Começaria por um projeto que rascunhava há muitos anos, mas que nunca iniciara realmente, tentaria fazer uma máquina do tempo! Talvez levasse anos para terminá-la ou conseguir fazê-la do jeito imaginado e talvez fosse a tecnologia mais importante depois do radar do dragão que eu já criara. Animada para iniciar meu trabalho, equipei meu quarto com alguns computadores de última geração, montando meu próprio laboratório.
— Está perfeito para começar meus estudos!
Então comecei fazendo alguns cálculos primordiais.
A semana havia passado como um piscar de olhos, nem havia percebido que passara tantos dias somente no meu quarto. Mamãe levava as minhas refeições e se preocupava com minha saúde, mas eu lhe explicara que estava no meio de um importante estudo, assim ela se convencera. Vez por outra papai também me visitava e trocávamos algumas idéias sobre meu projeto.
Havia conseguido esquecer o mundo naqueles últimos dias e isso me deixava muito satisfeita, meu pulso já não doía tanto e meu humor estava bom. As coisas caminhavam bem, como deveriam ser.
Naquela noite de sábado, optei por ir comer alguma coisa na cozinha, pois gostaria de algumas frutas, no entanto não iria atrapalhar a folga dos empregados, então desci e caminhei pela casa que estava tranqüila.
— Hum vejamos o que temos – abri a geladeira e procurei por algo mais além das frutas. – Mousse de chocolate! Ou torta de maçã?... Os dois!
Coloquei sobre a mesa o que iria comer e me alimentei com vontade. Não demorando, voltei para meu quarto, ansiosa para retomar ao meu trabalho, foi que vi Vegeta parado próximo meus computadores.
— Quem lhe deu permissão para entrar no meu quarto??
— Eu vou onde quiser, ninguém me dá ordens!
Ele vestia uma calça preta e uma camisa azul, deixando-o bem terráqueo.
— Negativo, esse é o meu quarto e não permito que entre aqui!
— Vejo que está fugindo de mim? – sua expressão era estranha, menos austera.
— Fugindo? – ri daquela idiotice. – Essa é a minha casa, eu fico onde quiser!
Vegeta continuou somente me fitando calado, suas mãos estavam dentro dos bolsos frontais e isso me intrigou.
— O que quer aqui? Não vê que estou ocupada? – sentei na cadeira de frente para os monitores.
— Como está seu pulso?
— Vai ficar bom, principalmente se ficar bem longe de você!
Dei as costas para ele e abri a janela dos gráficos da máquina do tempo.
— Me desculpe... eu não queria que se machucasse.
Petrificada, parei com tudo e prendi a respiração totalmente incrédula.
— Está me pedindo desculpas, é isso? – virei rapidamente e o encarei sem piscar.
— Quer que eu repita? Ou está surda?
— Sempre um grosso.
— Eu nem deveria estar fazendo isso, pois a verdadeira culpada de você ter se machucado foi você mesma!
— Ai santa paciência!... Já acabou com seu discurso? Então pode se retirar por gentileza?
— Você me subestima, mulher! – Vegeta mais uma vez me segurou forte, pelos braços. – Não tem medo de mim?
— Por quê? – olhei em seus olhos com altivez. – Por que eu deveria ter medo, só porque és o “poderoso” príncipe dos sayajins?!
— Porque sou muito poderoso sim e poderia matá-la da mesma forma que se mata uma barata!
Ele me puxou para mais perto de si, fazendo nossos corpos se roçarem.
— Então faça!!! Vai, me mate!!! – desafiei, mesmo temendo-o. – Você não consegue não é mesmo?
Contudo, Vegeta nada fez, somente me largou e saiu a passos largos do meu quarto.
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