O Príncipe Solitário.

10 Capítulo 10 - Aceitação.


Capítulo 10

Aceitação

Abri meus olhos bem devagar e preguiçosamente, havia tido um sono doce e tranquilo, mesmo após uma madrugada atribulada na usina termonuclear da costa leste, e, após uma manhã quente e ofegante com Vegeta.

— Ainda está aqui? – perguntei baixinho e surpresa ao vê-lo deitado ao meu lado.

— Quer que eu vá embora?

— Não!

Sorri me aconchegando em seu peito. Era muito bom estar com ele assim, eu não imaginava que um dia poderia apreciar a presença daquele sayajin frio e arrogante na minha cama.

— Não queria acordá-la.

— Achei que não iria querer mais olhar na minha cara depois... do que fizemos?!

Esperei por uma resposta, mas ela não veio e para quebrar um pouco o silêncio me levantei.

— Estou faminta!

Lembrei da torta de maçã que mamãe havia feito para mim, então peguei a cápsula de armazenamento, assim levei até minha cama para dividi-la com Vegeta.

— Torta de maçã! – sorri animada e comendo um pedaço com vontade.

— Há quanto tempo você conhece Kakaroto? – sem mais nem menos ele perguntou também tirando um pedaço da torta.

— Bem... – engoli para respondê-lo melhor – conheci o Goku quando fui em busca das Esferas do Dragão pela primeira vez, nossa faz muitas anos isso... Eu tinha quatorze anos e ele dez.

Vegeta fez uma cara estranha, parecendo não acreditar que eu era mais velha que Goku.

— Eu sei, eu sei... Admito que sou mais velha que ele! Vocês sayajins são de uma raça que parece não envelhecer como os humanos – sorri, jogando meus cabelos para trás ainda me convencendo de que eu era bem jovem. – Enfim... o radar do dragão me levou até a casa dele, a qual morava com o seu avô Gohan, então soube que ele possuía uma das esferas e desde desse dia saímos em busca das demais juntos.

— E por que... você nunca se casou com aquele verme que eu matei uma vez?

Pega de surpresa, pisquei meio confusa, porém não me deixei intimidar.

— Bom... eu... entendi que ele não poderia me fazer feliz como um dia pensei – coloquei a torta sobre a mesinha de cabeceira e prossegui num tom sério. – Yamcha não é exatamente um homem com quem uma mulher possa se casar. Em pensar que quando o conhecemos, Goku e eu, Yamcha era um ladrão e tentou nos roubar.

— No meu planeta... as pessoas não se casavam como vocês se casam aqui na Terra, mas o membros da realeza eram obrigados a ter companheiros para poderem gerar herdeiros – ele revelou aquilo com o olhar baixo. – Provavelmente eu já deveria estar casado e com filhos se o planeta Vegeta ainda existisse... e seria o “Rei dos Sayajins”.

— Você sente muita falta do seu planeta? – arrisquei perguntar.

— Quem não sente falta de sua casa?

Olhei para Vegeta com uma compaixão que não havia sentido antes e segurei sua mão com carinho.

— Deve ter sido muito duro para você crescer sem uma família, sem pais ou irmãos?!

— Não seja tola!

Como em um passe de mágica seu humor mudou drasticamente e largou minha mão.

— Eu não tenho esses sentimentos humanos idiotas! Eu sou o poderoso “Príncipe dos Sayajins”, não me importo com essas futilidades! – seu olhar era gélido.

— Então porque está aqui? Por que veio até meu quarto e fez o que fez?? – fiquei furiosa.

Envergonhada, me embrulhei com o lençol e fui até a porta para abri-la.

— Saia do meu quarto!

— Mulher... vulgar!

Sem hesitar ele saiu rapidamente e nu do meu quarto sem se dar o trabalho de recolher as suas roupas pelo chão.

— Idiota desprezível!!! – berrei antes de bater a porta.

“Como ele podia ser assim?”, eu me perguntava e não conseguia compreender. Definitivamente Vegeta era um tosco cretino, não possuía nenhum tipo de sensibilidade mesmo. Como podia ter me apaixonado por ele? O pior, como podia ter feito amor loucamente com aquele ser ordinário? Estava me detestando naquele instante, por isso chorei, chorei feito uma boba que amava o homem errado.

— Eu te odeio Vegeta!

Passei o restante da noite em meu quarto, chorando e lamentando o fato de sentir amor por Vegeta.

Três dias se passaram e eu continuava em meu quarto isolada do mundo, não queria contato com ninguém e com nada, estava completamente inconsolável. Entretanto, mamãe levava minhas refeições e tentava entender que “doença” eu tinha (ela acreditava que eu havia contraído algum tipo de doença nova!). Mal sabia que minha doença fora de amor.

— Minha querida Bulminha, porque você não sai para tomar um pouco de sol na piscina, está um dia tão lindo?! – mamãe entrou em meu quarto com meu café da manhã.

— Não, obrigada, mamãe.

Eu não possuía vontade para fazer nada, não possuía ânimo para continuar com a minha vida. Ele havia me machucado profundamente e bem no coração. Preferia que Vegeta tivesse me matado como um verdadeiro assassino que fora quando chegou pela primeira vez na Terra, mas não, ele me matava a cada dia passado, torturava-me com cada lembrança não esquecida, fazia-me sofrer com seus beijos e carícias em minhas dilacerantes recordações. Eu o odiava plenamente o fato de amá-lo tanto!

— Bulminha eu fiz aquela torta de maçã que tanto gosta!

— Estou sem fome.

— Mas querida, você nunca recusou um pedaço de torta de maçã?! – ele me encarou incrédula.

Incrível fora mamãe, nunca se abatia por nada, em situação nenhuma, não se deixava esmorecer em momento algum, possuía sempre um sorriso em seu rosto bonito. As pessoas até podiam dizer que ela era meio maluca de pedra e eu não podia negar, no entanto, jamais podiam dizer que mamãe era mal humorada ou infeliz. Eu a admirava muito e gostaria no fundo de ter um pouco da sua garra um tanto incompreendida.

— Está bem... eu vou comer um pedacinho.

— Verá que está uma delícia, meu bem!

Um terço animada, comi meu café da manhã e fui tomar um banho para poder sair da cama um pouquinho. Mamãe deixou-me sozinha, porém prometeu voltar com meu almoço e não tardou sair com a bandeja nas mãos. Enquanto me olhava no espelho do banheiro, refleti sobre tudo que estava acontecendo.

— O que você fez comigo, Vegeta? – limpei o espelho que havia embaçado com meu banho quente. – Eu deveria expulsá-lo da minha casa... da minha vida!

Observei bem meu rosto, analisando cada olheira deixada por noites em branco causadas por prantos desmedidos, eu parecia ter envelhecido anos em somente três dias. Como uma mulher bonita igual a mim deixou que isso acontecesse? Pelo que eu lembrava, prezava a minha beleza acima de tudo e não permitia que nenhum homem fosse superior à minha auto-estima.

— Não!... O que está fazendo consigo mesmo, Bulma?

Peguei nos meus cabelos e decidi que a partir daquele momento iria mudar de postura, para o meu próprio bem. Não seria Vegeta que me faria sofrer feito uma garotinha inocente, eu sabia que podia ficar muito bem sem ele na minha vida ou entrar em seu joguinho.

Quando abri a porta da cozinha naquele fim de tarde, deparei-me com Vegeta sentado à mesa comendo um grande pedaço de torta de maçã, imediatamente meu sangue gelou e meu coração bateu como um louco.

Sem perder a pose, fui até a geladeira caminhando a passos de modelo e peguei uma garrafa de água, então bebi o líquido da maneira mais sensual possível e só depois percebi que ele me olhava intensamente.

— Resolveu sair da toca? – ele possuía um sorriso sínico nos lábios e seus olhos eram cruéis.

— Estou na minha casa, saio quando bem entender do meu quarto!

Coloquei a garrafa de água sobre a mesa e o encarei com um sorriso torto, fingindo não ter acontecido nada entre nós há noites atrás.

— Eu não sou uma mulher de me entocar, Vegeta.

Ele pareceu enfim notar que eu cortara os cabelos deixando-os na altura dos ombros, então franziu a testa.

— Então porque passou três dias sem sair do seu quarto? Por acaso estava se escondendo de mim?

Vegeta prestara atenção nos dias que eu passara em meu quarto. Bingo! Eu sabia que ele se importava comigo, afinal porque motivo uma pessoa iria até uma usina termonuclear, cujo reator estava quase explodindo só para salvar dois cientistas malucos? Ou melhor, porque razão um príncipe sayajin frio e egocêntrico se importaria em salvar uma terráquea qualquer?

— Eu não devo explicações a você! Você não “é” nada para mim! – ousada peguei um pedaçinho da torta de sua torta. – E mesmo faço o que eu quiser na minha casa!

— Você é uma perda de tempo.

Ri amargamente e me debrucei sobre a mesa aproximando meu nariz do dele.

— E você Vegeta... é um ser deprimente. Não!... Um ser patético. Isso! Patético!

De repente Vegeta me segurou forte pelo pescoço, levando-me para junto de seu rosto e fazendo que meu corpo ficasse por completo em cima da mesa.

— Eu já estou cansado de você!!

— É mesmo? Não é o que está parecendo – o instiguei mesmo com meu pescoço frágil em suas mãos poderosas. – Eu sei que você me deseja, me deseja de um jeito errado e perigosamente. Sei também que só não foi embora ainda porque me deseja tanto quanto deseja derrotar Goku!

Minhas palavras haviam surtido efeito nas reações de Vegeta de imediato, pois seus olhos ficaram opacos e sua face se tornou mais tranqüila, aquilo fez meu coração acelerar de uma forma quase perturbadora. Ele soltou meu pescoço e passeou com os lábios por minhas bochechas até chegar a minha boca, sedento por beijos que somente encontrava em meus lábios. Contudo, não correspondi a nenhum dos beijos para a sua verdadeira surpresa. Então Vegeta me soltou.

— Boa noite, Vegeta!

E sai da cozinha altiva como havia entrado.

O barulho das teclas do meu computador era o que inundava meu quarto no meio da madrugada, estava difícil dormir naquela hora, por isso procurei trabalhar em projetos atrasados e tentava não pensar naquele maldito príncipe sayajin.

— Seria bem vinda uma lavagem cerebral agora ou uma daquelas amnésias repentinas – disse para mim bebendo um gole de café bem forte.

— Isso não vai adiantar!

Sobressaltada, derrubei a caneca de café quente sobre meu computador também derramando acidentalmente sobre minha coxa ao vê-lo surgir do nada.

— Ai!!!

Vegeta veio rapidamente ao meu encontro e preocupou-se.

— Eu não queria que se machucasse, Bulma.

— O que está pensando? O que está querendo? Como assim não quer me machucar, se você já dilacerou meu coração!! – lágrimas ousaram descer por minha face. – Já disse para não se importar!! Eu estava bem sem você na minha vida!

— Desculpe... – ele me pegou no colo e me sentou na cama com cuidado. – Eu tentei muitas vezes deixá-la em paz, mas “não pude”... “não consegui”... Você “me chama” de uma forma quase enlouquecedora, mesmo não querendo eu a quero que chego a sentir dor!

— Então porque não se permite isso? Deixe que isso simplesmente aconteça entre nós, meu querido! – toquei com carinho em seu rosto angustiado.

— Mas eu não sou assim, não posso ser – sua expressão era de tortura interna.

— Talvez... “seja”, mas não deixa acontecer.

— O que você fez comigo?...

Devagarzinho e cautelosamente Vegeta beijou a minha coxa queimada, fazendo-me delirar e eu já não sentia dor. Suas mãos subiram até meus seios fartos e seus lábios encontraram os meus com avidez e paixão. Logo tiramos a roupa um do outro como dois selvagens primitivos, queríamos sentir os nossos corpos entrelaçados e unidos, não havia mais volta. Teríamos que deixar acontecer!

— Oh... eu te amo, Vegeta! – falei quando ele sugou com vontade meus mamilos, em seguida os mordiscando.

Nossos olhares se encontraram no instante que Vegeta se afastou um pouco, pondo-se de joelhos diante de mim.

— O que foi? – sentei sem entendê-lo. – O que eu fiz?

Sem falar nada ele bruscamente me virou de costas, pondo-me de “quatro na cama” e me penetrou cuidadosamente. Surpreendida com tal ato, não tive outra reação a não ser de deixá-lo fazer o que queria naquele momento, pois eu também queria o mesmo. Eu gritava em um misto de prazer e dor, gemia a cada movimento de vai e vem, arrepiava-me quando ele agarrava meus cabelos curtos para virar meu rosto ao encontro de um beijo feroz e quando segurava com propriedade minhas nádegas. Fazer amor com Vegeta fora algo quase divino!

Eu havia me entregado somente a Yamcha antes de estar com aquele príncipe sayajin, mas Vegeta era um amante maravilhoso, como não desejá-lo ou amá-lo.

Notas finais
Mais uma vez peço grandes desculpas por demorar a postar capítulos, mas tive probleminhas técnicos em meu pc e os episódios escritos estavam todos nele... Porém está ai!!! E saibam que não abandonei essa fic!!