O Prometido
11 Um ladrão, um baile, um beijo...
Notas iniciais
O.k., esse capítulo é pra Gaby Carol. E vai ter uma cena legal ali embaixo rsrs
Aproveitem.
– Vamos soltar o amor. – disse. Bem, eu pensei que tocaria alguma música foda, tipo Highway to Hell. Acabou que Apolo começou a cantar em algo que parecia (ou era) mandarim.
Era estranho e ao mesmo tempo engraçado...
Nós estávamos andando pela feira do Olimpo, e minha paciência estava quase se esgotando. Apolo parou em uma banca de granito que deveria valer mais que o carro do papai, e começou a flertar a ninfa que vendia – surtem – alface.
Depois ele parou em outra banca, pegou uma maçã e começou a puxar conversa com um... Pera, isso são pés de pato? Drew deu crise de Jace (medo de patos) e começou a tremer. Piper gritou com Apolo e o deus voltou sua atenção para nós, dando uma última mordida na maçã.
– Falem bebês... – ele cruzou as mãos sob o queixo e nos encarou piscando como uma dama.
– Viagem. Estátua da Liberdade. Eros. Eu vou morrer. Lembrou cunhadinho? – dei um pequeno empurrão nele. O deus cambaleou e me puxou para dentro de uma banca que vendia – gritem – tapetes.
– Dê isso a Caronte quando estiver morto – ele me entregou uma moeda de ouro com uma Lua crescente de um lado. O outro era liso. –, vai te fazer ser levado para uma sala. Converse com quem estiver lá e volte à vida.
Assenti antes de ele me puxar de volta para a rua. Piper e Drew estavam com os braços cruzados, nos olhando furiosas.
Sorri seco – Vamos continuar andando.
– Senhor Apolo – Drew se achegou no deus – por que não podemos partir daqui?
Apolo sorriu. Drew suspirou – Podemos. Mas tem uma pessoa querendo falar com Hal.
– E... quem seria? Quer me matar? – perguntei nervoso. Apolo só sorriu e bagunçou meu cabelo.
– É Hermes, ele quer te dar um presente.
– Um monstro seria melhor... – murmurei.
Tradução literal? Hermes estava com calção de banho, na fonte da Praça Central. Sim, calção de banho. Drew babou por ele – novidade – e Piper segurou o riso. Eu entrei em choque pela segunda vez no dia.
Bem, ele estava bêbado. Não bêbado, ele estava alegre e segurando uma garrafa de vinho pela metade. Virou para o cosplay do Alex Pettyfer – lê-se Apolo – e começou a gargalhar.
Mestre? Controle-se, uma vozinha feminina chamou cautelosa. Nós estávamos ao lado da fonte agora. Eu pude notar um ponto eletrônico no ouvido direito, que provavelmente não funcionava mais por estar encharcado.
– Haley Hudson! Que prazer imenso te receber! Pensei que não iria me visitar. – o deus saiu da fonte e... mudou para um terno executivo.
– Senhor Hermes. É um... prazer conversar com o senhor – pausei – Por que precisa falar comigo?
Hermes me abraçou. Devo ser muito gostoso, dois deuses me abraçaram hoje!
– Haley Hudson! Sabe, seu pai já aprontou pra cima de mim uma vez! – o deus dos ladrões falou. Deuses são carinhosos assim?
– Senhor Hermes, tenho certeza que isso é um engano. Meu pai é mortal. – comecei a duvidar da sanidade do deus. Meu pai? Um semideus? Boa piada, adorei!
O deus meneou com a cabeça – É, seu pai. Matthew Hudson quase conseguiu roubar Martha de mim – e riu.
– Martha? – Apolo perguntou – Não tinha sido o George?
– Quê!? Eu daria um presente para ele se o George tivesse sumido! Quatro anos procurando a Martha, imagina o quão apurado eu fiquei sem minha secretária? – Hermes riu para mim. Ok, deuses são psicóticos.
– Senhor Hermes, tenho certeza que cometeu um engano. Meu pai é mortal... eu acho – ok, nem eu estava mais acreditando na mortalidade do meu pai.
– Mortal? Garoto, seu pai não deixou o Olimpo dormir quando era um bebê! – alerta de sereia! Poseidon no meio da conversa, corram!
Ele vestia uma bermuda de náilon, camisa havaiana e chinelos de dedo. Seu tridente estava tatuado no antebraço direito. O deus sorriu para mim e congelou a da fonte. Hermes ficou entalado.
– Teremos um baile hoje. Apolo, se vista com um terno, sem samba canção. Hermes, desenrole suas cobras do caduceu, elas devem estar apresentáveis. Isso é tudo – e saiu rebolando andando montanha acima.
– É Atena que está cuidando da festa, certo? – Hermes perguntou ainda preso.
– Quem mais faria Poseidon entrar na linha? Não sei por que eles ainda não assumiram o namoro, todo o Olimpo sabe! – Apolo disse derretendo o gelo com a mão esquerda.
– Ok, mas nós precisamos ir embora! Temos missão. – Piper disse. Ela já estava furiosa.
– Ahn, melhor não. É meu aniversário hoje, e vocês estão convidados... – e Apolo nos materializou em uma mansão.
Anoitecera, e eu não sabia do paradeiro de Piper ou Drew. Elas deviam estar comprando vestidos, são garotas, ou pior, filhas de Afrodite. Como eu poderia ser filho dela? Ela só havia aparecido duas vezes na minha vida, uma para ler para mim, e outra para me mandar salvar seu filho. Isso era quase uma punhalada.
Eu nunca chamaria ela de mãe, na verdade eu meio que tinha vergonha de ser filho dela. Mas as Parcas sempre tecem nosso destino da forma que merecemos. Algumas coisas podem ser ruins, mas algumas tendem a compensar. Até agora, pelo menos, eu pensava que elas me odiavam.
E claro, eu não sabia se vestia uma túnica ou um terno. E minha “mamãe” apareceu. Pelo menos eu pensei que fosse ela.
Uma mulher loira, de olhos cinzentos e semblante superior marchou para dentro do quarto em que me instalaram. Ela vestia uma túnica azul celeste que realçava seus olhos e suas curvas. Ela era uma deusa, e eu tive certeza disso apenas por sentir sua aura de poder. Eu me sentia mais calmo, conseguia raciocinar melhor na presença da deusa.
– Eu poderia estar desnudo, minha senhora – claro, minha idiotice não melhorou.
– Ah, Haley, puxou ao seu pai, realmente. – seu tom era orgulhoso, mas com uma pontada de culpa, ou remorso.
– Sem querer ser rude, mas já sendo, quem é você? – perguntei. Os olhos cinzentos dela estavam brilhando com a luz do sol poente. Ela parecia prestes a puxar uma vara de amoreira da túnica e me bater.
A deusa estufou o peito – Sou Atena, deusa da sabedoria e da estratégia em batalha. Sua avó.
Wow, pera. Afrodite não era filha de Atena, então...
– Sem chance! – olhei para a deusa com mais cautela. Agora sim, ela poderia ser capaz de me bater com uma vara de amoreira. Mas eu sou idiota... – Você não deveria ser, sei lá, virgem?
Atena/Vovó/Porra, eu vou surtar!, riu. Era uma risada controlada, como a de Annabeth. Mas Annabeth amava... um filho de Poseidon. Será...? Ok, parei. Atena se sentou em um divã e me encarou com diversão nos olhos.
– Eu sou uma donzela sim. Mas meus filhos nascem da mesma fora que eu nasci. – e apontou para a cabeça. Olhando melhor, minha “vó” parecia a Jennifer Aniston. Ou a Jennifer Aniston parecia ela? Oh, Doril, por favor!
Afundei ao lado do minha mais nova parente. – Cara, como meu pai é tão burro sendo seu filho?
– Seu pai? Burro? Haley – mania irritante de falar meu nome inteiro! Me sinto um velho –, Matthew foi um dos meus filhos mais inteligentes. Até Dédalo pediu ajuda a ele antes de você nascer. Aquele cão infernal que você encontrou? Foi uma das paixões do seu pai. Ele fugiu tantas vezes pelo Labirinto só para ver aquela cadela infernal que até conseguiu a façanha de mapear o estado de Nova York mitológico inteiro.
Estranho, mas não menos chocante. Meu pai parecia tão normal – sem considerarmos a coleção de... Porra, espadas de Bronze Celestial! – que eu fiquei um pouco muito chocado.
– É muito pra se processar. – me levantei – Mas, por que ele nunca me contou? Eu sou um o quê? Legado? Semideus? Mutante? Que história é essa de “Prometido”?
Atena se endireitou – Isso, criança, é algo que nem eu consegui descobrir. Meu pai guardou esse segredo do Prometido por milênios. Tudo que me foi contado é que você se amarrará a uma deusa. E nem eu consegui decifrar a profecia ligada a você. Sinto muito.
– Não sinta, sentimentos atrapalham nossa linha de pensamento. Meu pai me disse isso uma vez. E eu acho que já decifrei parte dessa profecia, seja ela qual for. Apolo não trata todos os semideuses assim, certo? – Atena meneou uma afirmativa com a cabeça. Perfeito, era daquilo que eu precisava.
Na minha linha de pensamento, eu teria que me apaixonar por uma deusa. Era isso que a profecia falava. Ligando os pontos, meu sonho, minhas armas, aquele livro na mesa de cabeceira, a foto. Eram sinais.
– O que devo vestir pra esse baile? – me ouvi perguntando para Atena, perplexa o suficiente para murmurar “terno”, se transformar em uma Coruja de Igreja do tamanho do meu peito e voar pela varanda.
– Ok, produtivo. Passar bem vovó! – e corri para o banheiro.
Eram quase oito da noite quando consegui terminar o nó da gravata borboleta.
Eu estava vestindo uma camisa branca, um colete preto e a gravata – pasmem – prateada que Apolo me deu e presente. Ok, era estranho usar uma gravata com riscos de prata, você se sente um cofre. Completando meu look, ou o que fosse aquilo, calça jeans preta e Converse preto.
Era estranho andar pelo Olimpo à noite. Era tudo dourado, prateado e iluminado por tochas e archotes queimando em um fogo meio dourado demais. As ruas de paralelepípedos estavam lotadas, e a lua cheia brilhava enorme acima de Nova York. Aquilo era um mundo a parte.
Onde mais cedo era o Salão dos Deuses, agora estava decorado com fitas de ouro e prata, árvores com frutos brilhantes, e música. Era estranho, parecia música grega remixada ou sei lá, magicalizada (existe?). Só sei que me dava vontade de dançar.
– Hal, sua puta, onde se meteu!? – Drew apareceu e pulou nos meus ombros, quase me derrubando.
– Tendo um papo com minha vovó! – e contei a conversa. As meninas ficaram estáticas.
– Haley Hudson, agora só falta você se casar com uma deusa! – Piper disse. Bem Pips, pode chutar a Rachel do cargo de Oráculo...
Já fazia algum tempo que estávamos dançando. Agora tocava Revolution, do Dr John. Papai tinha o CD, então eu estava cantando e arriscando uns passos com as meninas e com uma ninfa meio bêbada que parecia querer me beijar.
Então ela chegou. Vestida em tecido dourado, com jóias de prata e o cabelo chocolate preso em uma trança que chegava à base das omoplatas. Eu sabia quem era, eu sonhava com ela. E o pingente em forma de lua crescente só me deu mais certeza. Aquela adolescente era...
– Senhora Ártemis. – fiz uma reverência tímida.
– Venha comigo – sua voz me deu arrepios, era tudo o que mais me arrepiava misturado: doçura, determinação, graça. – precisamos conversar.
Ela me levou para fora, mas não para fora. Desviou para um corredor à esquerda da porta de saída, me puxando pelo braço. Eu ainda estava com minha taça na mão, e tive que tomar cuidado para não derrubar tudo em minha roupa. Tomamos uma escada e subimos por cerca de cinco minutos até ela parar.
– Chegamos... – a deusa disse. Estávamos em um jardim coberto, uma estufa acima do Salão Principal. A Lua e as estrelas brilhavam excepcionais aquele dia. Tudo estava mais brilhante, e a Lua maior.
– Uma Super Lua! – exclamei me escorando no parapeito e olhando os níveis abaixo. Eram três, o primeiro com flores, o segundo com arbustos, o terceiro com frutíferas, e o nosso, com árvores e uma estátua de Pã.
A deusa se aproximou de mim e também olhou para baixo – Papai achou que seria legal fazer uma Super Lua hoje, então eu fiz. – ela olhou para mim, sorrindo – Isso é vinho?
Olhei para minha taça – Vinho gaseificado. Quer? – ofereci a taça para ela.
Ártemis pegou minha mão nas suas, e levou a taça aos lábios. Foi um gesto tão simples, mas tão gracioso que me esquentou por dentro. Eu parecia querer entrar em combustão, e apostava estar corado.
– Eu tenho sentimentos por você, alguns dos quais não consigo explicar. – ela disse depois de tomar da taça – Queria saber se estou ficando louca.
– E por que quis me perguntar? – ok, sou lerdo mesmo.
– Não é mais sensato se perguntar para a pessoa que se tem sentimentos? – os olhos dela brilhavam, preto no prata. Sua pupila parecia ter engolido toda a cor dos seus olhos, deixando apenas uma coroa prateada delineando a íris.
– Talvez...
– Talvez o que? Sabe a resposta? – ela parecia... ansiosa?
– Talvez sejam apenas sentimentos que amigos nutrem... – ok, isso não convenceu nem a mim.
– Não! Pelo poço, eu sei quais são os sentimentos da amizade! Isso é algo mais... intenso. – ela estava corada, não pelo frio, ela estava com vergonha. Oh, eu fiz uma deusa ficar com vergonha, que merda!
– Senhora, e se...?
– E se o quê? E se eu estiver apaixonada? – ela me cortou, e eu fiquei sem palavras.
– E-exatamente. – Ártemis me olhou carinhosamente e se aproximou de mim. Ela cheirava a sabonete e verbena.
– Então, Haley Hudson, vamos fazer o experimento confirmatório – sua voz saiu em um sussurro sensual. Quando ela ficou assim?
– Ok, senhora, você deve estar... bêbada. – minha voz depois disso veio em um gemido baixo. Ela estava distribuindo pequenos beijos, lambidas e mordiscadas em meu pescoço. Sua boca subiu lentamente para meu queixo, mordendo ali, chegou aos meu lábios, e antes de os selar se separou.
– Não estou bêbada – e selou nossos lábios com força. Ela estava me excitando a cada toque de sua língua na minha, a cada vez que enroscava os dedos no meu cabelo. Ela passou as pernas pela minha cintura, me prendendo contra o parapeito e atacando meus lábios mais uma vez.
Alguém pigarreou nas sombras, nos fazendo – infelizmente – separar. Apolo saiu de trás de um Bordo-açucareiro pequeno, sorrindo feito um psicopata. Ártemis, ainda pendurada na minha cintura, pôs a mão sobre a minha e a levou à sua coxa, quase que automaticamente.
– Continuem. Eu só estava... procurando uma rosa. – Apolo riu.
– Primeiro nível – Ártemis apontou para baixo. Apolo sumiu em um borrão dourado.
–O.k., isso foi demais! – eu disse ainda abobado pelo beijo. Ártemis riu e me deu um selinho, se soltando de mim e pondo os pés no chão.
– Tome cuidado, Prometido. Quando morrer, estarei te esperando – e a deusa sumiu, deixando uma rosa prateada no lugar. Tomei a flor nas mãos e a plantei em um pequeno canteiro do lado da estátua de Pã. A flor brilhou em prata pura e se enlaçou na terra.
– Eu vou tomar. – disse me dirigindo para a festa novamente.
O resto da noite foi um borrão...
Notas finais
Bem, que acharam do beijo? O que eu preciso melhorar? Têm algum pedido? Falem com o Hal!
Beijos, tipo, iguais aos da Ártemis...
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