O Prometido
1 Um Presente
Notas iniciais
Espero que gostem.
Acordei assustado. O celular estava tocando como um louco, vibrando, gritando e caído no chão.
Sentei-me ereto na cama, respirando pesadamente. Meu pai estava quase arrombando a porta para me acordar. Ele ficava gritando comigo todo final de ano, engraçado não?
Bem, meu pai é meu professor de História. Então é como um "rito de passagem" dele me acordar com uma baldada d'água no último dia de aula.
– Já vou! gritei para ele.
– Anda logo peso morto! A última aula é minha.
– Por que você acha que eu não quero sair do quarto! – retruquei brincando – O que faremos depois?
– Hambúrguer, batatas fritas e muita Coca.
Pensei um pouco. Pensei, pensei e pensei.
–Me espera na cozinha ok?
– O que? Te dou cinco minutos para descer arrumado.
Levantei-me quase morrendo, escovei os dentes, me vesti, e desci as escadas. Meu pai estava me esperando com uma caneca na mão.
– Bom dia filhote! – papai disse radiante como sempre. – Como está?
– Quase morrendo, mas bem. – resmunguei. – E você?
– Ótimo. Meu encontro ontem foi espetacular!
– Notei o barulho no quarto. Por que acha que estou com essa cara?
– Pesadelo? – ele perguntou preocupado.
– Pesadelo – admiti.
Uma coisa legal do meu pai é que ele sempre advinha quando tenho pesadelos. Acho que foi uma forma de suprir a falta da mamãe. Eu não me lembro dela, apenas do seu sorriso. Ela morreu quando eu tinha dois anos. Papai diz que ela era a mulher mais bonita que ele já conheceu, e ele já conheceu muitas mulheres (metade era mãe de algum amigo meu). Ele era conhecido como "o pegador de mães". Nem imagino o porquê desse apelido. Ele tem o cabelo bem preto aparado curto, os olhos cinzentos profundos (eu particularmente acho feios) que fazem minhas amigas suspirarem na aula, não parece velho (nem é), não é muito musculoso, só no ponto, "enxuto" como dizia vovó. É alto, engraçado e tem a risada mais bizarra do mundo. Seu nome é Matthew, mas todos o chamam de Matt. Sua risada parece uma gralha com dor de garganta. Eu acho engraçada, mas sempre que ele ri na sala todas as garotas suspiram com ar sonhador, como se pensassem... Em segundas intenções.
Elas sempre pensam. Até eu pensaria se fosse uma garota na puberdade com problemas em me decidir se minto ou não no facebook. Graças a Deus que ano que vem eu tiro minha carteira de motorista, assim não dependo do "papai coruja que as amigas acham gostoso".
– Vamos Hal, faltam dez minutos para a nossa aula começar – disse papai um pouco sério.
– Posso tomar uma xícara de café? – ponderei arregalando os olhos.
Papai chegou perto de mim com um ar sombrio.
– Haley vamos agora. – Ele disse com um tom um pouco mais sombrio, e se jogou em cima de mim, me derrubando no chão.
– Feliz aniversário! – ele gritou entre uma crise de gargalhadas.
– Que droga! – o empurrei de cima de mim. – Você adiantou os relógios, não foi?
– Bem, agora são... Cinco e meia da manhã.
– Cristo. – Resmunguei enquanto ia pegar uma xícara de café. – Quer café velhote?
– Quero, pivete –disse papai, levantando-se do chão. Seu rosto estava vermelho e havia lágrimas nos seus olhos.. Ele pegou a caneca e teve outro ataque de risos, pior que o primeiro.
Eu fiquei vendo meu pai se contorcer no tapete e rir como um elefante psicótico. Depois de uns dez minutos vendo o bobão rir, encostei-me à parede, coloquei meus fones e comecei a escutar música. Quando papai percebeu que não estava prestando atenção parou de rir e me olhou desconfiado. Pausei minha lista e encarei-o me perguntando como ele estava vivo. Rir tanto sem respirar deveria tê-lo feito desmaiar, mas ele parecia bem.
Papai arregalou os olhos para mim e abriu um sorriso retardado, sua especialidade.
– Quinze anos meu pequeno – ele me disse meio triste, e eu sabia que ele estava se lembrando de mamãe.
– Ela ficaria orgulhosa. De nós dois.
– Ela está orgulhosa, onde quer que ela esteja ela deve estar orgulhosa.
Ele me abraçou com força. Percebi que chorava, pois suas lágrimas molhavam meu agasalho, me afastei dele com cautela e limpei suas lágrimas.
Depois de alguns minutos ele subiu as escadas e voltou com um pequeno embrulho do tamanho de um controle de alarme de carro. Ele o abriu e dentro havia a coisa mais linda do mundo. Um anel de prata com um nome em grego escrito em ouro.
As letras não faziam sentido, mas eu sabia que eram gregas. Mal sabia eu que aquele anel mudaria minha vida...
– Papai... é lindo – falei limpando uma lágrima dos olhos. Era o anel da mamãe.
– Ela me pediu que eu te desse isso no seu aniversário de quinze anos. Ela disse para nunca tirar do dedo. – Disse papai colocando o anel na palma da minha mão.
Relutante e chorando, coloquei a anel no dedo. O anel entrou perfeito, o que me assustou. Nas fotos, mamãe tinha os dedos finos, dedos de pianista como papai dizia.
Abraçamo-nos e choramos. Papai mexia no meu cabelo como sempre fazia quando estava triste e eu ficava rodando o anel no dedo, pensando na mamãe, quando ela era viva e éramos felizes. Quando notei, estava dormindo no sofá.
Notas finais
E reviews? Plis? Não mata ninguém, eu acho. Beijões.
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