O Prometido
28 Os gêmeos, a Profecia, o Renascido
Notas iniciais
Gente, tá acabando....
As contrações começaram um dia antes de eu completar nove meses.
– Hal, acorda. – Segurei o braço do meu moreno. Ele chiou de dor.
– Que... – Ele viu o líquido ensopando os lençóis. –... Foi?
Ele levantou e foi pegar a bolsa enquanto eu segurava os lençóis com força.
Hal me teleportou para o hospital no Olimpo. Apolo estava lá nos esperando.
– Enfim! Vamos, eu faço o parto – E me conduziu para uma sala toda branca.
POV Hal.
Eu tentei entrar na sala junto com a Art no hospital olimpiano. Apolo não deixou por serem normas da casa. Então fiquei lá, emburrado e com vontade de amassar um pedaço de ferro com os dentes.
Aquela foi, sem dúvida alguma, a pior hora da minha vida. Esperei ouvindo os gritos da minha Lua querendo entrar lá e a consolar. Até que... Ouvi o choro de um bebê.
POV Ártemis.
– Força mana, tá quase lá, já coroou um. – Apolo me encorajava.
– Eu tô fazendo força, seu Ahhhh!
Uma dor latejante subiu pelo meu corpo. Quando meus ouvidos pararam de zumbir pela dor, eu pude ouvir dois choros escandalosos de crianças. Apolo veio trazendo dois bolinhos de cobertas, um rosa, outro azul, e os depositou nos meus braços.
– Hal? Cadê meu marido? – Perguntei. Apolo abriu um sorriso.
– Seu noivo está se preparando para entrar. Se comporte ok? – E saiu da sala.
Quando Hal entrou, todo meu mundo pareceu se transformar em uma bola de luz, um lugar só nosso, sem mais ninguém.
Ele sorriu – Têm o cabelo da mãe.
– E a pele do pai. – Começamos a chorar.
– As Parcas me abençoaram, só pode. Me mandam você, agora mandam esses dois anjos na minha vida. Eu nunca vou agradecer totalmente tudo que elas me deram. – Ele disse enquanto enxugava as lágrimas com a palma da mão.
Ele pegou Luan no colo e começou a conversar com ele. Acabei adormecendo vendo meu Hal conversando feito um bobo com um Luan calminho.
POV Hal.
Pensei que minha vida estava boa, noivo de Ártemis, morando no Olimpo. Estava errado. Minha vida só ficou boa quando eu pude entrar na sala e ver meus pequenos deitados ao lado da mãe mais linda do mundo.
Não tive reação ao ver minha família, minha futura esposa e os frutos do nosso amor ali, lado a lado, juntos. Não formulei uma frase perfeita, uma pressão era forte na garganta, uma vontade incontrolável de chorar de alegria.
– Têm o cabelo da mãe. – Sorri. Foi a única coisa que saiu sem eu me derramar em lágrimas.
Ela sorriu. – E a pele do pai.
Quando ela disse aquilo, pareceu que tudo era mesmo real, não era um sonho. A pressão na garganta tomou lugar às lágrimas, agora incontroláveis como uma represa se rompendo. Nós dois choramos juntos, sabendo que era real, que seria eterno.
Ainda chorando, peguei o pequeno Luan no colo. Ele era miúdo, nada parecido com o rapaz que se tornaria. Comecei a conversar com ele.
– Ei campeão, sabe, eu vou te levar pra escola todo dia, ir no futebol, no beisebol, na natação e até na casa da sua namorada. Você vai me achar careta, me chamar de velho e ficar bravo comigo, mas você sempre vai ser amado sabia? Eu não vou abandonar nem você, nem sua irmã, nem sua mãe. Vocês são minha família, meus prometidos.
Coloquei Luan no berço e peguei o embrulho rosa que era minha Luna. Ela seria tão bonita quando crescesse...
– Minha princesinha. Agora eu posso ter você nos braços. Vou te encher de abraços, você e seu irmão. Vou te levar no balé, te ensinar a tocar piano, a cantar e ver sua mãe te ensinar como se dá primeiro beijo. Você vai me odiar por ser tão coruja, por não te deixar ir para festas ou namorar, mas você sempre vai ser minha princesa.
Coloquei ela no bercinho vazio chorando, fui ao lado de Ártemis e beijei sua testa.
– Sabe, esse foi o melhor presente de aniversário da minha vida.
POV Ártemis.
Acordei com rosas em todo quarto e não pude deixar de sorrir ao ver Hal deitado numa poltrona ao lado da cama do hospital. Sua cabeça estava pendurada e ele babava.
– Querido? – Ele acordou com um gemido.
– Auch! Meu pescoço.
– Vem cá? – Perguntei manhosa.
Hal levantou e foi em direção à cama passando a mão na nuca. Se abaixou e me deu um selinho. – Brigado por tudo.
– Eu que deveria agradecer. – Disse sorrindo. Um choro veio distante.
– Eles acordaram. – Hal olhou para a porta, e...
Um Apolo embasbacado entrou na sala com meus filhos. – Hora do leite!
– Me dá eles aqui! Os seus devem nascer hoje! – Peguei meus bebês e comecei a alimentá-los resmungando com Apolo, que já saía.
– Na verdade, – Disse ele na porta – Eu vou fazer o parto agora. – E saiu.
Dei de ombros e fiquei assistindo meus gêmeos mamarem. Luan era mais reservado, mamava com calma, como se tivesse vergonha de ser visto agarrado. Luna tinha a fome do pai: Quase engoliu meu peito esquerdo.
Quando Luan encheu, Hal pegou-o no colo e o embalou até ver o pequeno dormir. Luna passou para o bico direito.
– Deuses, ela mama! – Exclamei para Hal. Ele sorriu.
– Fome do papai. – Hal pegou Luna, que soltou um gemido de protesto e a embalou no colo até ela dormir também.
Me sentei na cama e pedi pro Hal me levar ao banheiro. Precisava de um banho mortal.
POV Hal.
Eu achei loucura Ártemis se levantar e ir tomar banho, mas lembrei que ela era imortal e que o parto foi normal, então a ajudei a ir para o banheiro.
Na verdade eu babei em cima dela enquanto a ensaboava. Ela riu divertida quando percebeu.
– Que foi, já tenho estrias? – Ela perguntou passando os braços no meu pescoço, molhando minha camisa.
– Não, é que você ficou linda amamentando. – Falei parecendo um adolescente boboca.
Ela gargalhou, me puxou para debaixo do chuveiro e me beijou.
Aquele foi, sem dúvida alguma, o melhor dia da minha vida...
Até Apolo entrar saltitante no banheiro...
POV Apolo.
Quando eu saí do quarto em que Ártemis estava com o Hal de torcicolo eu estava aterrorizado. Sempre fui neutro com essa coisa de meus filhos nascendo, pensei que seria igual com a Erika.
Cara, eu me enganei demais!
Eu podia ouvir os gritos dela no corredor do hospital.
– Nasceram. – Disse para papai. Ele abriu um sorriso e foi espiar pela porta do quarto da Art. Eu corri pra Erika.
Ela tava muito vermelha com o esforço, mas o Charlie já tinha nascido. E ele era muito fofo.
– Apolo, me ajuda! – Erika disse com voz de soprano, depois fez força e gritou.
Aquilo mexeu comigo e eu só me vi caindo no chão.
Acordei em uma poltrona ao lado de uma Erika com dois bolinhos azuis no colo, amamentando.
– Rafa, papai acordou – Ela sorriu para o bebê da direita, ou seja, do meu lado.
– Rafa? – Abri um sorriso.
– Claro – Ela disse em tom eficiente – Foi o nome que mais me alegrou na vida!
– Rafa... Vem com o papai? – Tentei tirar ele do peito, mas o garotinho se amarrou legal lá!
Nunca pensei que seria tão feliz na minha vida imortal de deus galinha. Mas Erika mudou tudo isso. Agora eu via lá, meus gêmeos, meus arqueiros, e minha noiva linda com olhos castanho-acinzentados que me encaravam com um brilho estranho. Felicidade? Só podia!
Levantei da poltrona um pouco grogue e fui em direção à cama e me ajoelhei ao lado da mesma. Cheguei mais perto de Erika e selei nossos lábios em um beijo apaixonado.
– Obrigado por me fazer humano – Sussurrei ao seu ouvido.
POV Erika.
– Por nada. Obrigada por me fazer feliz. – Disse com lágrimas escorrendo no meu rosto.
Apolo limpou-as com o indicador, mas ele mesmo chorava um pouco.
Charlie começou a resmungar de sono. Apolo o pegou no colo e colocou-o no berço. Fez o mesmo com Rafa e me deu um beijo na testa. – Durma, você merece.
Aquilo foi como desligar um rádio com o controle remoto. Meus olhos ficaram pesados, soltei um bocejo e adormeci vendo Apolo sorrindo e acariciando meus cabelos.
Sonhei com meu casamento. Não vou contar agora porque aconteceu igualzinho um mês depois, uma semana antes do casamento do Hal.
Mas o melhor foi acordar e poder ver Apolo segurando os dois gêmeos rabugentos no colo cantarolando uma canção de ninar em grego.
– Bom dia. – Disse me espreguiçando.
Apolo abriu um sorriso branco. – Bom dia! Como dormiu?
– Bem... E... Você? – Perguntei entre beijos com Apolo.
– Nem dormi – Ele me deu um selinho. Depois um beijo melhor.
– Hum, pera, berço. – Apolo colocou Charlie e Rafa nos berços e voltou a me beijar.
Alguém pigarreou na porta – Zeus.
– Apolo, chame sua irmã, preciso ver meus outros netos. – O Senhor do Olimpo disse em tom ansioso.
Apolo me deu mais um beijo e partiu para o quarto da irmã. Zeus se sentou na poltrona do lado da cama e abriu um sorriso – Nunca vi Apolo babando tanto em cima dos filhos.
Me deixei abrir um sorriso. – Ele parece bem paterno. E ele baba demais nos meninos.
Zeus riu e foi ver os gêmeos, agora dormindo. Rafa dormia se mexendo. Charlie estava com os bracinhos encolhidos.
– São muito pequenos – Pude ouvir uma inclinação de orgulho?, na voz dele. – Parecem Apolo quando bebê.
– Valeu papai, Art tava tomando banho com o Hal. A porta tava destrancada. – Apolo entrou no quarto.
Zeus virou-se para o filho. Segurou seus ombros e disse: – Parabéns, veja se agora sossega com sua esposa. – E saiu do quarto deixando um Apolo perplexo olhando pra mim.
– Ele tava chorando? – Meu loiro perguntou confuso.
– Ele tava orgulhoso. – Me levantei. – Também quero tomar banho, estou fedendo a éter.
Apolo me segurou no colo e me levou até o banheiro.
POV Apolo.
Quer a verdade?
Ok quer: Nem tomamos banho. Parto normal, ela não sofreu [Erika: Magina! Minha bacia só saiu do lugar, nada demais.] e eu estava feliz.
Erika ainda mancava um pouco, claro, a bacia dela deslocou de lugar no parto. Mas fora isso ela continuava a mesma menina tímida de sempre (só que na versão adulta).
Enfim, a Erika 2.0 [Apolo: Ei, isso dói!] estava vermelha como um tomate quando eu tirei a roupa e entrei debaixo do chuveiro dando um abraço nela.
– Você tinha que entrar junto? Não dava pra arregaçar as mangas e me ensaboar? – Erika reclamou mais vermelha que nunca.
– Erika, agradeça. Hal entrou de roupa e tudo no chuveiro e ele tava quase fazendo outro filho com minha irmãzinha. – Erika corou mais ainda.
– Não tem graça, seu chato! – Erika bateu no meu braço.
– Auch! Não bata no pai dos seus filhos! – Falei manhoso.
– Ok, então eu posso fazer isso? – E me beijou.
– Pode sim, quantas vezes quiser. – Disse mordendo o lábio inferior.
POV Hal.
Eu estava sendo mordido pela minha deusa quando o Apolo entra parecendo um Pônei Maldito.
– Nasceeu! – Ele cantarolou no melhor estilo Lady Gaga.
– Nasceu? – Ela saiu do meu pescoço e encarou Apolo, que agora fazia uma careta.
– Já. Dois não são suficientes não Haley? Já vai fazer mais uma fornada? – Apolo saiu correndo antes que eu pudesse jogar um sabonete na cabeça dele.
– Papai quer te ver! – Ele voltou para a porta.
Headshot! Apolo cambaleou quando um sabonete rosa bateu na sua cabeça. – Auch!
– Não vai ser outra fornada!
– Ok, ok Hal. Não disse nada! – Apolo esfregou a testa.
– O que papai quer? – Ela pensou alto.
POV Zeus.
Haviam éons desde a última vez em que fui íntimo com Ártemis. E esse dia foi quando ela transformou Órion em uma constelação. Nem me lembrava se podia ser sentimental novamente.
Mas meus netos derreteram minha carcaça dura de Senhor do Olimpo.
Charlie, Rafael, Luan e Luna. Quatro nomes que mudariam minha vida para sempre. Quatro pedacinhos de vida que seriam a fonte de alegria do Olimpo.
Charlie e Rafa eram dois loirinhos muito fofos. Seriam arqueiros natos num futuro próximo. Eu queria ver Luan e Luna, mas a porta do quarto de Ártemis estava fechada. Mandei Apolo chamá-los e fiquei babando em meus netos.
Apolo voltou e eu não pude deixar de elogiá-lo. Estava orgulhoso do meu filho, isso eu podia ter certeza.
Ártemis estava secando os cabelos e Haley terminando de por uma camisa. Os dois sorriram quando eu entrei e os gêmeos pequeninos bocejaram juntos.
– Por que sorri tanto papai?
– Nunca pensei que me daria netos. E me deu duas jóias brilhantes.
Haley pegou o embrulho de cobertores azuis e o entregou pra mim. – Considere um presente adiantado de casamento.
Eu ri. – Rapaz, cuide bem da minha filha ou eu arranco seus pulmões.
No final tudo deu certo. Minhas suspeitas eram só isso. Suspeitas. Haley não era nada parecido com Órion. Ele nunca traria sofrimento para a vida da minha filha, só alegria. Para ela e para todo o Olimpo.
Haley Hudson era o homem da vida de minha filha. Sempre foi.
Cinco meses depois:
POV Autor.
Ártemis fechou o livro de couro. A palavra Recordações estava escrita em ouro. Uma Lua acima de um piano repousava no meio da capa era desenhado em prata.
Hal passou seus braços em torno da cintura da deusa, enviando arrepios pela sua coluna. A pele quente do seu peito nu era reconfortante.
– E então, posso mandar pra editora amanhã? – O agora deus das estrelas perguntou em sua voz rouca habitual que sempre remexia com a sanidade da deusa.
– Sabe que sim. – Ártemis sussurrou de volta. Em resposta, Hal mordiscou o pescoço da deusa, que se recostou mais no marido e ficou sentindo seus músculos contra o tecido fino de seda do vestido que ela vestia.
Um choro estridente denunciou que Luna acordara. Hal deu uma leve risada e subiu as escadas de mármore branco em direção ao quarto dos bebês. Ártemis subiu também para amamentar a filha, agora com três meses. Luan, sempre quieto, acordou com a gritaria da irmã e também mamou um pouco antes de tombar dormindo.
– Você cuida deles? – O marido perguntou. Ártemis assentiu e terminou de amamentar a filha mais nova, que adormeceu rápido.
Ártemis seguiu para seu quarto, onde uma surpresa a esperava.
No meio dos lençóis de seda, um Haley totalmente excitável na visão da deusa estava deitado com os braços cruzados e encarando-a com aqueles olhos negros como a noite, olhos que a encantavam todos os dias.
O rapaz estava apenas com uma boxer preta que mostrava sua animação. Deu dois tapinhas no lençol branco e se sentou.
A deusa, entre um miado de excitação e um estremecimento ao ver o marido seminu naquela situação não aguentou e foi engatinhando pela cama até ficar por cima do marido, que a beijou ardentemente.
– Será que nosso amor vai acabar um dia? – A deusa perguntou.
Sua primeira resposta foi o marido a agarrar e puxá-la para perto de si.
– Quando nosso amor acabar... Tudo vai acabar. – Hal respondeu entre beijos.
Ártemis gargalhou enquanto o marido beijava seu pescoço com desejo.
Entre risos e gemidos, a deusa da caça saiu do agarre de seu marido e rumou escadas abaixo para a cozinha, sendo seguida de perto por ele.
Quando abriu a geladeira, encontrou um par de mãos brancas tocando gentilmente sua barriga e a respiração quente, úmida e cheirando a canela que só Hal possuía. Ela desistiu de impor resistência e se deixou levar pelo instinto.
Jogou o marido contra a parede com um empurrão que o fez exclamar de surpresa e se jogou contra o mesmo, beijando e mordendo-o em suas partes mais sensíveis. Não demorou em sentir as mãos do moreno em sua nuca, empurrando-a para mais perto dele.
Sentiu a língua do maior pedindo permissão e a concedeu. A língua dele é divina! ela pensou, mas a única coisa que saiu foi:
– Por que você me ama tanto?
– Porque eu sou seu e você é minha. – A voz rouca novamente a tirou de seus devaneios.
Mas nada no Olimpo é previsivo. Portanto o casal não se assustou com a pequena explosão abafada à distância, seguida de mais duas e de um bater teimoso nas portas duplas de carvalho.
Hal separou sua boca da de sua esposa com um som um tanto erótico, vestiu um robe branco e foi atender a porta.
Apolo estava de braços cruzados sobre o peito, batendo os pés emburrado e com um olhar sério.
– Ah, enfim! Vamos Art, o solstício começou, eles não vão mais esperar seu marido se saciar pra começarem, Titio Hades está quase quebrando o trono dele. – O loiro agarrou sua irmã pelo pulso e a arrastou para a porta.
A deusa deu um último beijo no marido e saiu pela porta.
– Quando você volta pra mim? – O moreno gritou da porta.
– À noite, quando eu chegar a gente termina o que começou. – A deusa gritou de volta, já na rua.
– Eu vou te esperar. Pra sempre – Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Hal. Esperar não era um luxo que um deus tomava. Fechou a porta, girou em seus calcanhares e se sentou em frente ao piano...
E as notas vieram suaves e doces. O grego saiu tão natural que Hal se assustou de agora ser um deus grego. E riu com isso: Ele era um deus grego agora.
Ao meio dia Hal finalmente parou de tocar. Seus dedos estavam formigando, sua garganta estava seca e sua boca pegajosa, portanto, quando o Néctar invadiu seu esôfago, uma sensação de proteção o circulou.
Ele resolveu descer para o mundo mortal para ver seu pai.
O som de piano invadia sua antiga rua. Seu peito se apertou ao ver o SUV prata do pai estacionado na calçada. Seu pulso acelerou e ele bateu na porta.
Amelia atendeu com Sam no colo. O deus abraçou a ex-caçadora e pegou sua meia irmã no colo. Ela só tinha um mês de vida e seus olhos já brilhavam com inteligência.
Seu pai estava tocando piano com uma alegria a muito ultrapassada. Quando viu seu filho mais velho, um sorriso lhe riscou os lábios e Hal voltou a ser o Hal: Adolescente, o cabelo desgrenhado, mais baixo que o pai, magro e com seus problemas pessoais. O Hal por quem um dia uma deusa se apaixonou.
– Estava com saudades – Disse simplesmente abraçando o pai apertado.
É, a vida nunca era normal no Olimpo nem no mundo mortal... Não para um semideus. Ou para um deus...
... Principalmente para esses. Deuses só têm duas opções: Serem malignos ao extremo ou serem bonzinhos, e ambos levam todas as divindades à ruína.
Tártaro. Momento do nascimento de Luan e Luna.
– Nasceram? – o vulto encapuzado disse escondido na penumbra.
– Sim, meu senhor. Ambos saudáveis como touros. Pretende matá-los agora? – a serpente com corpo humano rastejou pelas paredes da caverna mal iluminada. O demônio duvidava dos poderes do amo, mesmo já tendo assistido uma demonstração nada agradável do mesmo.
– Vamos esperar um tempo. – o vulto disse – Quinze anos.
O cheiro reptiliano denunciou o demônio-serpente. O homem encapuzado, em um movimento rápido, pegou o demônio pelo pescoço. A serpente engasgou e se contorceu, tentando se livrar da força esmagadora do espírito corrompido.
– Órion, pare já com isso! Píton é precioso demais para ser morto. – uma Voz disse vinda de lugar nenhum – De novo.
O Espírito largou a serpente, que caiu tonta pela falta de ar. Píton tossiu e escarrou um pus vermelho – veneno.
– Feito, Senhora. – Órion disse com uma pequena reverência.
– A que devemos a honra da sua visita? – a Serpente, sempre bajuladora, disse entre reverências exageradas.
– É sobre as crianças. Foi feita uma profecia para elas. Precisamos detê-las antes que seja tarde demais. – medo transpirava da voz da divindade desconhecida.
A serpente notou aquilo, e se pôs a perguntar sobre as crianças, sendo cortada pelo Espírito que, zangado, deu uma pancada na cabeça da divindade. Ele odiava serpentes, as achava traiçoeiras, e tinha certeza de que deveria ser o único ser traiçoeiro no mundo
– Onde está a outra cobra? – a deusa perguntou, sendo respondida pelo silêncio e pelo som do pingar d’água na caverna. – Inúteis, não conseguem nem segurar aquela serpente desgraçada enquanto estou fora?
– Senhora, ela está escondida, provavelmente digerindo alguma coisa. – Píton disse encolhido de medo. – Ela disse que estava com fome e sumiu. Você sabe como ela é...
A cabeça da serpente rolou pelo chão de pedra, que fumegou ao entrar em contato com o sangue do monstro. A espada de Órion estava desembainhada, fumegando e soltando um brilho acobreado.
– Cobra maldita. – resmungou limpando a lâmina com um pedaço das vestes do monstro, que se desintegrava. – Voltemos aos negócios, uma profecia?
– Sim, uma profecia. A desgraçada da ruivinha que carrega o espírito de Delfos acabou de fazer seu showzinho maldito. O Olimpo está em festa ainda, e só Zeus sabe sobre isso entre os deuses. Seria o momento perfeito para começar uma guerra. – a deusa se pronunciou.
– Ah Nix, minha querida, você não tem ideia de como o Olimpo está preparado. Você deveria saber disso, foi você que criou tudo que existe... – o sarcasmo na voz de Órion era claro como a água.
Nix suspirou e deu um passo à frente. Era uma mulher bonita, alta e de pele clara, com cabelos longos e negros trançados com pedras preciosas delicadas. Vestia apenas um véu que a cobria do busto aos tornozelos. Das suas costas, duas asas de morcego cresciam imponentes. Na mão direita segurava um fanal, um lampião antigo aceso com um fogo negro e frio, que parecia puxar a pouca luz do recinto para si.
– Conheço muito bem minha própria criação Órion, você faz parte dela. – ela parou um passo. – Portanto você deve saber que mesmo confinada no Tártaro, eu continuo agindo pelo Universo. Eu sei de tudo.
– Perdão senhora. – raiva cresceu no peito do Espírito. – Poderia me dizer a profecia?
– A profecia é essa:
“Entre a paixão e a vergonha o primeiro perecerá;
Entre a Lua e o Sol a Noite se perderá;
Mas entre o sangue da família,
apenas o bom filho voltará.”
Após um longo silêncio, cortado apenas pelo bater de asas distante de Aeternitas, Órion se deixou dissolver a Profecia. Por fim se pronunciou:
– Eu espero que valha a pena.
Notas finais
Enfim, sem chororô da minha parte, eu só quero agradecer a todos que me apoiaram, principalmente à Erika, afinal a fic era pra ela antes de tudo.
Bom, eu sou ruim com agradecimentos, mas obrigado a todos que me apoiaram nessa fic. Eu disse que era horrível com agradecimentos.
Obrigado Gaby Karol e Athena pelas recomendações, obrigado CristySlytherin, MaryDarkSun, Caroll Chery 22, Eric Targaryen e tantos outros aí. E valeu Andri por ter me apoiado nas minhas crises de escritor.
Eu acho que é isso gente. Eu vou sumir por um tempo, aproveitar a maré de boa sorte e escrever a segunda temporada.
Um beijo pra todos vocês, nós te amamos. Até a Katie, mesmo ela sendo pior que Hera algumas vezes.
Até algum dia.
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