O Prometido
18 Declarações
Notas iniciais
Masenfim, tirando isso eu tô bem, e taí um cap fora de hora.
Uma semana havia se passado desde o incidente na escola. Todos ainda faziam piadas, me chamavam de Capitão Riscado, Barão Sangrento, e uma particularmente estranha que fez um trovão arrebentar a janela do laboratório.
Estávamos sentados na calçada numa sexta fresca e ensolarada. Eu já estava sem gesso e resolvi namorar um pouco. Entramos e fechamos a porta. Papai tinha ido acampar. E então meus amigos chegam quando Ártemis tirava minha camisa.
– Não dá! – Ártemis gritou quando Apolo entrou na sala, o braço estendido sobre o ombro da Erika.
Os dois tinham começado a namorar no mesmo dia dos arranhões, na hora do intervalo. Apolo quase jogou Erika na mesa do refeitório e tascou um beijo muito quente nela.
Eu ainda não tinha contado sobre a parada gay. Ia fazer isso hoje.
– Oi né. – vesti a camisa.
– Estavam fazendo o que? – ele perguntou quando terminei de me vestir novamente.
–Namorando, animal. – Erika disse e beijou Apolo um pouco exageradamente.
– Podem voltar mais tarde? Quero terminar uma conta de álgebra. Di tava me ajudando e ficou muito quente. – desculpa esfarrapada!
– Ooook. Voltamos de noite. Conta de álgebra! Já sei porque ficou quente aí! –Apolo saiu resmungando, depois se virou já na calçada e gritou – Usem camisinha!
– Ele não disse aquilo! – Art encostou a cabeça no meu peito e foi empurrando até o sofá. Desmoronei nele e ela subiu no meu colo.
– E então senhor “Conta de álgebra”, o que vamos fazer? – ela fez uma péssima imitação da minha voz.
– Bom... – a beijei – Vamos... nos... divertir... um... pouco... mais?
Acho que isso ascendeu um pouco ela, pois eu fiquei um pouco impressionado com a rapidez que minha camisa foi arrancada (novamente. A manga rasgou por completo). Começamos a nos beijar, ela puxando minha cabeça para si, eu dançando minhas mãos no corpo dela.
A alegria não durou muito. Ela tentou me torturar, tinha tirado minha camisa, minhas calças e brincava comigo quando Jake e Jane chegaram gritando meu nome.
– Hal... Ah, cara! Discrição por favor! – Jake disse quando entrou no meu quarto. (Sim, nós fomos para o quarto).
Ártemis saiu de cima de mim.
– Bem, na verdade eu estou na minha casa namorando em paz. Você é o intruso aqui, eu não preciso ser discreto em casa – resmunguei para ele.
– Desculpa cara! Eu só pensei em te chamar para uma noite na fogueira. – Jake protestou. – Não sabia que ia te encontrar quase pelado se agarrando com a Di, eu teria trazido a câmera...
– Onde vai ser a fogueira? – Art perguntou ignorando Jake completamente.
– Pode ser aqui – disse e abracei-a por trás, fazendo-a tremer.
– Credo! – Jake disse. – Hoje às oito?
– Beleza! – Art e eu dissemos ao mesmo tempo.
– Guardem esse fogo pra acender a fogueira! – Jane disse enquanto abraçava Jake.
O Casal J² saiu de cena e podemos voltar a nos “divertir”.
Ártemis voltou-se para mim com um olhar faminto. – Nunca mais me abrace daquele jeito, a menos que queira que eu me perca totalmente! – e me beijou vorazmente.
A meia hora seguinte foi um misto de prazer e realização. Nunca havia me sentido tão feliz e bobo como naquele dia. Talvez até mais que no dia do nosso casamento. Mas sem dúvidas não chegou nem aos pés de quando a primeira criança veio [N/Á: Primeira?].
Deitei-me ao seu lado, nós estávamos ofegantes, eu estava encharcado de suor.
– Acho que agora não tem mais volta – disse com a voz entrecortada.
– Agora é esperar meu pai explodir. – Ela disse se deitando em cima de mim e beijando meu pescoço.
– Hã? – disse assustado, mas logo soltei um enorme gemido de prazer. Ela tinha acabado de morder meu pescoço e agora dançava por ele fazendo o que quisesse, e eu não aguentei aquilo. Agarrei-a pela cintura e girei nossos corpos, ficando por cima dela, nossos corpos colados.
Comecei uma escavação no seu pescoço. Mordiscava, beijava, dava pequenas chupadas que a faziam gemer levemente e sussurrava vez ou outra que a amava. Depois de alguns minutos voltei minha atenção para seus olhos e colei nossos lábios pedindo passagem. Ela cedeu e eu pude explorar sua boca quente e macia com hálito de néctar. Tivemos que nos separar, pois eu ainda precisava respirar. Ela soltou um risada safada.
– Vou te abraçar daquele jeito pra sempre! – disse arfando e saí de cima dela. Ela soltou um gemido de protesto.
– Volta aqui meu herói. Eu ainda não acabei com você! – Ela reclamou.
Voltei-me para ela e sorri. – Acaba comigo no banho.
Ela deu um sorriso tão sacana que eu me arrependi de ter dito alguma coisa. Ela puxou meu queixo em sua direção e me beijou com fervor e subiu no meu colo, passando as mãos no meu pescoço e agarrando-o.
– Mas o que...? – disse segurando-a.
– Treinamento pra lua-de-mel. – Ela retrucou.
Soltei uma gargalhada de satisfação. Ela queria a mesma coisa que eu.
– Banheiro. – disse.
Foi o melhor banho da minha vida, ou seja, nem tomamos banho. Art começou a mordiscar meu lábio inferior com vontade. Eu dançava minhas mãos por suas pernas, agora cruzadas em volta do meu corpo. Suas mãos aranhavam minhas costas com gosto. Parecíamos um só, trabalhávamos em perfeita sintonia e ninguém poderia dizer que não nos amávamos.
45 minutos depois...
Estávamos deitados na minha cama, Art com a cabeça encostada no meu peito enquanto nos curtíamos. Ela parecia mais brilhante que o normal, com uma aura prateada nos cercando como quando eu matei Medusa. Um pensamento fervilhava em minha cabeça, um pesadelo ocorrido a muito tempo atrás...
Flashback on.
– Pesadelo? – papai perguntou preocupado.
– Pesadelo– admiti.
Naquela noite eu havia tido o pior pesadelo da minha vida.
Eu estava vestindo um saiote grego totalmente branco e prata. Meus cabelos eram extremamente compridos, meus músculos trabalhados e uma espada (a mesma que ganhei no acampamento) amarrada na cintura.
Eu seguia um grito aterrorizado de uma garota que ecoava pelos grandes carvalhos de uma floresta densa e escura. Havia uma clareira ali e o luar banhava tudo com um brilho dourado.
E então eu a vi. Uma adolescente não mais velha que eu estava amarrada com cordas de bronze e era espetada com uma lança de ouro puro. Icor jorrava de seus ferimentos, caindo no chão e iluminando de forma sobrenatural a garota.
Eu não me movia. Estava aterrorizado, congelado de medo. Eu devia protegê-la, mas meu corpo não respondia.
O homem que atormentava a deusa percebeu minha presença, se virou e sorriu por baixo de seu capuz – Salve sua mulher, salve-a e a faça sofrer.
– Que... Quem é você? – gaguejei assustado.
O outro deu uma gargalhada fria e grossa – Eu sou você pequeno Haley. Eu fui o primeiro prometido, e morri. Você não vai sobreviver ao lado dela. Eu não vou deixar. – E enfiou a lança mais uma vez na garota, fazendo-a chorar de dor e desespero.
– Você não sou eu. Eu sou eu. Quem é você? Por que está fazendo isso com ela? Pare com isso! – gritei desesperado.
– Sim, eu sou você, sou sua alma. Eu sou Órion, o protegido do luar. E estou fazendo isso porque a odeio por não ter me salvado da morte, mesmo me amando. E eu nunca vou parar com isso, ela não merece piedade... – Ele enfiou a lança dourada com toda a força no braço esquerdo da deusa, que gritou de agonia e começou a chorar, suplicando que ele parasse. Órion gargalhava.
– Órion, por favor, pare. Eu não tenho culpa pela sua morte. Apolo me desafiou. Ele... Ele disse que era um monstro, você estava muito longe. Se eu soubesse que era você eu não teria atirado. Eu juro.
– Você jura? VOCÊ JURA? Se sua palavra valesse alguma coisa eu não estaria morto! Eu seria um deus, seria seu amante eterno, não um monte de estrelas! – Órion gritou e esbofeteou a deusa.
Eu deveria pará-lo, deveria enfiar minha espada no coração dele, destripá-lo e soltar aquela donzela como todo cavalheiro faz. Mas minhas pernas estavam travadas. Meu corpo tremia de raiva e medo. Minhas mãos estavam cerradas tão fortemente que minhas unhas rasgavam a pele.
Órion virou-se para mim. Seu rosto ainda estava coberto pelo capuz em forma de cabeça de leão. Seus olhos brilhavam negros. Ele puxou a pele de cima da cabeça e mostrou um rosto fino, de feitios bonitos que eu via sempre que me olhava no espelho de manhã para pentear os cabelos e escovar os dentes. Ele era igual a mim, apenas seu cabelo, que era loiro o diferenciava de mim. Mas o resto... A cicatriz embaixo do olho direito de uma vez que eu caí de bicicleta, a mesma marca branca em forma de lua no pescoço, os mesmos olhos quentes e curiosos, negros como a noite.
A pele escorregou pelo seu corpo mostrando músculos trabalhados sob a pele pálida igual a minha. A pele ficou suspensa em sua cintura, presa ao cinto onde duas facas de caça descansavam, uma delas tinha o mesmo cabo polido de chifre de gazela que a minha. A outra era feita de bronze e ouro, desenhada com ondas e com cabo de coral.
Ele sacou a faca prateada e passou por toda a extensão do corpo da donzela. Ela agonizou enquanto uma poça de icor dourado escorria por seu corpo. Eu comecei a gritar de dor. Meu corpo queimava e chiava no mesmo lugar que a deusa. Uma linha de sangue começou a descer por meu corpo empapando o tecido do saiote.
A agonia foi tanta que eu caí no chão, gritando de dor enquanto minha carne era queimada. Minha visão ficou escura e os gritos de agonia da deusa ficaram distantes.
– Tome cuidado com ela Haley, ela vai te matar também...
Flashback off.
Já estava na hora de contar sobre o sonho pra ela. Respirei fundo e comecei:
– Mô?
–Hã? – ela levantou a cabeça e beijou meu queixo.
– Eu... Hum... Tive um... Tive um sonho... Com você. – gaguejei.
Ela abriu um sorriso. – Quando?
– No meu aniversário. Foi horrível! Você era torturada por um cara igual a mim, e você tava sofrendo, e eu sentia tudo.
O sorriso sumiu.
– Era Órion? Ele me torturou? Com minha faca? – Ela disse séria sentando na minha barriga.
Assenti com a cabeça. Di ficou uns segundos séria depois abriu um sorriso enorme. – Vocês são iguaiszinhos. Sempre preocupados comigo. Órion não me deixou caçar por um mês quando Apolo atirou uma flecha no meu pé. Você não me deixa fazer nenhuma lição de casa. Sempre preocupado comigo. Mas Órion era muito esquentado, muito grande, bruto até para uma deusa. Tentou me levar para a cama a força uma vez. Eu perdoei. Bateu em Apolo por ele ficar tanto tempo comigo. Eu perdoei. Tentou bater em mim. Eu perdoei. Mas quando Apolo me logrou e me fez matá-lo ele não me perdoou. Disse que eu era uma deusa mesquinha que nunca encontraria alguém como ele para preencher-me no meio das pernas. Como castigo eu o transformei em uma constelação, para que ele visse minhas façanhas sem poder fazer nada. Seu cão, Sirius o seguiu para os céus. Eu ia visitá-lo na lua nova, ele sempre me tratava mal. Então, quando você nasceu eu parei de ir vê-lo. Fiquei por quinze anos te namorando escondida. Quando você fez quinze anos, na noite do seu pesadelo, eu apareci para o seu pai e entreguei o anel e disse pra ele te entregar. O anel selaria nosso amor quando nós dois quiséssemos. Te tornaria imortal. Te tornaria meu amante eterno.
Lágrimas rolaram de seu rosto enquanto ela sorria. Parecia alegre por ter chorado. Era quase como se ela não chorasse há anos. Passei meus braços em seu pescoço e a abracei. Nós ficamos lá, abraçados na cama, ela em cima de mim com a cabeça deitada sobre meu ombro e chorando.
– Senhores! – papai disse irritado, mas com uma inclinação de humor característica dele. – O que pensam que estão fazendo?
Ela levantou a cabeça de meu ombro. Seus olhos deviam estar inchados e vermelhos, pois papai se aproximou com cautela.
– Por que chora minha senhora? – papai disse pegando a mão de Diana.
– Contei a história do anel para ele. – ela respondeu.
Papai sorriu – Já não era sem tempo!
[continua...
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