O Principio Do Fim
3 Capítulo 3
Acordei com uma sensação ruim, levantei-me
e desorientei-me por não saber que horas eram. Procurei nos meus bolsos pelo
meu telemóvel e não o achei, continuei a procurar com um pressa que me era
estranha e acabei por encontra-lo no chão, devia ter caído durante o tempo em
que dormi.
- Merda, merda, merda.- exclamei-
Olha as horas, mais de 19h, não devia ter dormido tanto, há trabalho a fazer.
Furiosa comigo mesma, sai do
quarto e fui até ao quarto dos rapazes para ver se os encontrava, não sabia
deles e eu não gostava dessa situação.
Ao entrar no quarto deparo-me com
o quarto completamente vazio, camas feitas e malas em cima da cama.
- Mas então onde raio é que eles
estão?- perguntei-me um pouco preocupada ainda
Talvez estejam na biblioteca a
pesquisar- pensei e encaminhei-me para lá
Ao chegar lá encontro uma
bibliotecas ás escuras e sem o mínimo sinal de vida.
-Não estou a gostar disto.- com
um medo crescente de que eles tivessem ido atrás da criatura comecei a
chamá-los- Damien, Sean! – Mas ninguém me respondeu
- Damien!
-Sean!
Continuem a tentar mas o único
feedback que tinha era o eco da minha própria voz.
-DAMIEN, SEAN!- gritei
desesperada
Uma porta abriu-se de
repente nas minhas costas, virando-me
vejo-os a sair a correr da minha garagem.
- Mas o que raio estavam a fazer
ai? E porque não me responderam?- perguntei furiosa, eu não estava habituada a
sentir medo da forma profunda que senti
- Desculpa, é que não nos tinhas
dito o que era aquilo ali, e como vimos que ao sair do carro de manhã o
mecanismo do elevador tinha levado o carro para lá da parede nós só queríamos
saber o que era.- explicou o Sean rapidamente, talvez ele tenha visto algo na
minha cara que o fez perceber o quão nervosa eu estava porque ele parecia
sinceramente arrependido
-Está bem, só não desapareçam
assim, eu levei muito tempo a encontrar-vos para agora vos perder.- disse da
forma mais sincera possível
Respirei fundo tentando acalmar o
meu coração palpitante e o tremor dos meus dedos, abri a porta que levava à
garagem, entrei e acendi a luz.
- Venham, eu vou mostrar-vos uma
coisa.- chamei-os para lhe mostrar o meu tesouro escondido
Eles caminharam atrás de mim até
chegarmos ao pé de um carro coberto por um grande tecido preto.
-Hannah o que é?- perguntou o
Damien de repente muito interessado
Após a pergunta á qual eu, nada
disse, criando coragem agarrei numa ponta do tecido e puxei.
De olhos arregalados e boca
semiaberta Damien parecia hipnotizado, mas mesmo assim conseguiu falar comigo.
- Eu não acredito nisto. É lindo,
uma verdadeira máquina.- exclamou delirando com o potente carro, a minha ultima
joia e o meu segredo mais doloroso, que eu escolhi partilhar com aqueles dois
irmão que conhecem a dor tão bem como eu.
- Era do meu pai, o seu último
presente para mim, mas eu não consigo conduzi-lo!- sussurrei envergonhada com a
minha amostra clara de fraqueza
- Ele é simplesmente lindo.-
concordou o Sean analisando detalhadamente o precioso e poderoso Ford Mustang
Shelby GT500 de 1967 preto metalizado era a relíquia do meu pai, ele
simplesmente amava o seu carro.
-Ele não é apenas lindo, é
poderoso.- sussurrou Damien como se estivesse a dizer um importante segredo
-Gostas dele?- perguntei ao
Damien, há muito tempo que tinha tomado aquela decisão, apenas não tinha
encontrado a pessoa certa, até agora
- Eu não apenas gosto, eu venero
este carro maravilhoso.- disse Damien com um olhar de deleite apenas de olhar
para o carro
Eu estava certa da minha decisão,
mas mesmo assim não era fácil abrir mão de um ícone da minha vida inteira.
- Então.- disse calmamente como
se a testar as palavras, elas pareciam certas, então continuei- Ele é teu.
- O que?- perguntou chocado.- Tu
n-não estás a falar a serio estás?- gaguejou
Sean apenas observava a conversa
em silêncio com os olhos arregalados.
- Sim eu estou a falar a serio!
Ele é teu.
- Não, eu não posso. Tu já nos
avisaste do perigo, deste-nos um sítio para descansar e comida. Não posso
aceitar esta relíquia por mais maravilhosa que seja.- exclamou de forma
decidida
Eu sabia que ele não iria aceitar
de outra forma, tinha esperança infundada é certo de que ele aceitasse
calmamente mas sabia que não iria. Então disse a verdade que iria convencê-lo.
- Tu podes aceitar sim. Eu não
paguei ao pai, pago aos filhos!- exclamei, lembrando de outros tempos, tempos
mais felizes do que os atuais
- O que queres dizer? Tu
conheceste o nosso pai?- perguntou Sean calmamente, embora surpreso
- Sim, eu conheci o vosso pai,
ele salvou a minha vida e a do meu pai. Nós fomos surpreendidos por demónios
comandados pelo demónio do laranja que queria o meu pai, nós estávamos
desarmados porque o meu pai levou-me a passear e de repente estávamos rodeados,
então apareceu o vosso pai e com água benta conseguiu tirar-nos daquele lugar.
Por isso eu digo, podes aceitar, eu não fui a tempo de pagar ao vosso pai mas
posso pagar aos filhos. Alem do mais eu não conduzo este carro, ele iria ficar
aqui sempre, mais vale ficarem com ele. Eu prometi que pagava ao vosso pai.
- Tu não nos deves nada. O aviso
foi suficiente.- disse Sean
- Posso não dever mas eu quero
que fiquem com ele e vocês vão ficar, assunto encerrado. E Sean eu tenho que
conversar contigo, é importante. Mas agora eu quero saber, encontraram alguma
correspondência para o que eu vi no sonho?
- Eu não sei, eu nunca vi nada
assim.- Damien respondeu, notei que ele estava preocupado, então eu tive de
falar a verdade ou pelo menos parte dela
- Eu sei o que é, mas não faço
ideia de como se mata.- disse devagar eu devia saber mas eu não sei e isso
consome-me.- Desculpem-me eu deveria ter dito só que eu não sei nada que possa
ajudar. E eu não gosto de lembrar da criatura que executou o trabalho de matar
o meu pai.
- Está tudo bem. Nós vamos
resolver o assunto. Todos juntos.- Disse o Sean muito delicadamente
- É isso mesmo. Mas então o que é
aquela coisa?- perguntou o Damien
- Aquela coisa é um mortiferum
esurientem, é um ser criado por uma bruxa poderoso. Consiste basicamente na
alma de uma pessoa já com algumas décadas de após a sua morte, quantas mais
melhor, mais forte é. A bruxa puxa a alma para o seu cadáver, o que resulta num
esqueleto ambulante. Estes feitiços são de uma magia negra extremamente
poderosa, o que fazem com que os restos do cadáver fiquem cobertos de uma
camada de uma substância gelatinosa que está nos ossos em lugar de onde a carne
deveria estar. Até ai não há realmente um grande problema, mas eu não faço
ideia de como é que eles se matam. Tenham em consideração que mortiferum
esurientem deriva do latim e no geral significa o mortífero faminto.
- Agora estamos bem arranjados.
Não há dúvida nenhuma.- exclamou o Damien, percebi que ele não estava a gostar
mais daquilo do que eu, principalmente da parte em que não sabia como matá-lo e
a parte da tradução do nome. O que na verdade assusta qualquer um e com toda a
razão.
- Damien e se nós fossemos
perguntar ao Ben se ele conhece esse mortiferum?- perguntou o Sean
- Podemos fazer isso, mas eu não
sei se o Ben sabe alguma coisa remotamente parecido com isso. Eu não sei o que
fazer, mas podemos tentar com certeza.- respondeu o Damien completamente
confuso com a situação que estava cada
vez a tornar-se mais complicada
- Bem se o Ben sabe sobre algo ou
não a única forma é perguntar-lhe. Então vamos lá?- perguntei, eu sabia que a
situação estava complicada e corroía-me saber de uma arma que o destruiria
definitivamente e não poder dizer, era cedo demais, perigoso demais, eles eram
vigiados e não sabiam, uma arma assim iria ser o mesmo se eu disparasse um
alarme mesmo ao pé deles, iriam notar-nos logo e eu não posso permitir isso.
- Vamos. Hannah… Ficavas chateada
ou triste se experimentássemos o carro? – perguntou o Sean. Tivera ficado
calado durante a discussão mas eu notei que ele estava encantado com o carro,
então eu já estava mais ou menos à espera dessa pergunta.
- Não. Claro que não. Podem
levá-lo. E eu até vou convosco.
- Serio? Pensei não gostasses do
carro!- indagou o Damien surpreso
- Eu gosto do carro. Só não
consigo dirigi-lo.
- Entao vamos lá descobrir como
matar esse… mortífero? – perguntou o Damien em duvida pelo que percebi ele não
sabia muito bem como poderia denomina-lo
- Sim vamos lá. E sim podemos
chamá-lo de mortífero. O que na verdade é uma descrição tremendamente certa.
Damien pôs o carro a trabalhar e
eu encarreguei-me de nos levar até a superfície da garagem industrial para
podermos sair para a rua escura pelo princípio do anoitecer.
Saímos para fora e Damien
acelerou o carro e voamos pela estrada, como eu costumava voar quando era outro
homem ao volante daquele espetacular carro. Sonhei que voltara ao tempo da
minha infância passado dentro daquele carro. Eram boas memórias, mas no momento
a realidade tem mais poder sobre mim do que algumas muito boas lembranças que
nunca mais passaram de apenas boas lembranças.
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