O Primeiro Forasteiro
5 Capítulos 7 e 8
Notas iniciais
Capítulo Sete
Fechou os olhos com força mais uma vez. Não acreditava no que tinha acontecido na noite anterior. Pela primeira vez havia se interessado de verdade por um homem e era dispensada daquele jeito. Ainda sendo comparada a irmã dele!
O pior era que tinha quase certeza de que vira desejo nos olhos dele. Tinha quase certeza de que ele queria estar com ela. Pelo jeito se enganara.
Esticou-se na cama. Havia bebido demais depois que Edward saíra, precisava esquecer o fora que levara. E por isso ficara na cama mais tempo que o normal.
Escutou uma batida na porta.
— Filha?
— Entra, pai — respondeu.
A porta se moveu e a cadeira de rodas de Charlie surgiu.
— Está tudo bem, querida? Você não costuma ficar até tão tarde na cama.
— Eu fui a uma festa ontem, extrapolei. Precisava repor as energias — explicou. — E você? Não foi para o mar?
— O tempo está feio. Decidimos sair amanhã — o pai lhe respondeu. — Quando estava dormindo Emily ligou — informou.
— E como ela está? E John? — perguntou curiosa quanto à ligação da cunhada.
— Os dois estão bem. Ela disse que liga mais tarde para falar com você.
— Ah, ótimo.
Sentia muita falta deles. Da cunhada, do sobrinho e, principalmente, do irmão.
O pai saiu dizendo que iria preparar o almoço para eles. Geralmente, ela que fazia a refeição deles, mas por vezes o pai gostava de cozinhar.
Aproveitando sua folga da cozinha ela pegou o celular e resolveu ligar para Alice.
— Olá! — ouviu a voz cantada da amiga.
— Oi, que bom que alguém está de bom humor.
— Hum... O que aconteceu? – a amiga perguntou preocupada.
— O que você acha que aconteceu? Ele me dispensou. Disse que me via como amiga, como uma irmã. Ah eu quero um buraco para me esconder!
— Não pode ser... Eu tinha certeza que ele estava doido por você — Alice disse desanimada.
— Acho que se enganou.
Falou olhando para o teto que precisava de uma demão de tinta.
— Bem que você poderia ter ido ao luau comigo ontem, assim depois que Edward saiu após dizer que me vê como uma irmãzinha não deixaria eu beber demais. Estou com uma ressaca infernal.
— Eu não podia. Te falei que minha mãe estava doente.
— Sim, eu sei. Estou sendo apenas uma vadia. O Emmett também não apareceu? Sabe onde ele foi?
— Não...
— Certo. Vou descansar que daqui a pouco tenho que ir para a pub. O lugar está precisando de uma boa limpeza.
— Na verdade, Bella, pode ficar e ir mais tarde. Eu e o Emmett vamos fazer o trabalho.
— Sério?
— Sim. Vou ligar pra ele agora. Descanse um pouco mais.
— Está certo. Eu agradeço, então. Vou aproveitar e fazer um tratamento de beleza caseiro para levantar minha moral.
— Bella, para de bobeira — a amiga ralhou com ela. — Você é linda e maravilhosa. Se ele não quis, você encontrará outro melhor.
— Sim, sim. Até mais, Alice.
As duas se despediram e a jovem resolveu cuidar de si mesma como havia dito. Fez um tratamento no cabelo, cuidou das unhas. Depois ligou para Emily sua cunhada e falou também com seu sobrinho John. Emocionou-se como sempre acontecia quando falava com eles.
Por fim não havia mais nada o que fazer e estava pronta muito antes do horário e resolveu ir para o trabalho. Queria verificar se Emmett e Alice precisavam de ajuda.
Pela primeira vez Bella estava receosa em ir trabalhar. Creditava a isso a vergonha em ter que reencontrar Edward. Era estúpido se sentir assim afinal ele não tinha sido grosseiro com ela, apenas dito que não estava interessado, mesmo que suas ações mostrassem o contrário.
Entrou no pub e estranhou o silêncio. Emmett e Alice deveriam estar escutando som alto e falando asneiras um para o outro como de costume. Com mais cinco passos ela viu o motivo de tamanho sossego. A bunda branca de seu amigo foi a primeira coisa que ela viu. Em seguida as pernas de Alice em volta do quadril dele, e logo os gemidos dos dois.
— Merda! — a amiga foi quem a viu primeiro.
Tão chocada estava que Bella não conseguia nem se virar, para que os dois pudessem se recompor.
Emmett puxou as calças rapidamente, por sorte não revelando nada obsceno demais ao se vestir e sumiu em direção ao depósito.
Ainda embasbacada a morena encarava sua amiga que tentava ajeitar a roupa.
— Desde quando isso está acontecendo? — perguntou olhando para o rosto afogueado de Alice.
— Desde ontem...
— Por isso não foram ao luau — concluiu. — Você mentiu que a sua mãe estava doente? Não iria me contar?
— Desculpe... eu iria te contar sim, só iria deixar rolar mais um tempo — Alice explicou.
— Então? Vocês estão juntos? Apaixonados? — indagou.
— É apenas sexo.
— Você não disse a ele que...
— Não! Ele não pode saber... quer apenas diversão, então, eu vou aproveitar.
— Alice...
Reclamou, não concordava com a ideia da amiga. Tinha certeza que ela iria se machucar.
— Está tudo bem, amiga — a baixinha tentou contemporizar. — Agora quero falar com você sobre o Edward.
— Ah não! Isso já deu o que tinha que dar. E me rendeu uma bela ressaca pela manhã.
— Ok. Eu deixo pra lá se você me disser que não sente nadinha por aquele pedaço de mau caminho — a amiga lhe provocou.
— Eu não... eu... eu nem sei o que sinto, Alice. Ele não deu oportunidade para que eu descobrisse o que são essas coisas que sinto quando estou com ele.
— Esqueça o que aconteceu ontem. Se tivesse mais uma chance de tentar agarrar aquele forasteiro esquivo, você tentaria?
A morena pensou por um momento.
— Eu não sei, acho que talvez sim, mas ontem...
— Esqueça o que houve ontem! Hoje aquele rapaz da faculdade, o tal Tony vem aqui. Seja cordial com ele, flerte.
— Pra que isso?
— Você vai ver. Se minha intuição estiver correta, Edward vai deixar bem explicito que deseja muito mais que a sua amizade.
Bella pensou em refutar a ideia maluca de sua amiga, mas no fim o que tinha a perder?
***
— Eles querem mais dinheiro — Billy disse.
O forasteiro apertou as mãos em punhos. Sua mão machucada doeu mais que o normal. Ele havia socado a parede e exagerado dessa vez. Tudo pelo que tinha acontecido na noite anterior quando tinha rejeitado Bella. Passou a noite toda se maldizendo por aquilo e sua mão direita foi que sentiu os efeitos de sua raiva.
— Eu já não dou uma mesada suficiente a eles para que vivam muito bem?
Perguntou ao advogado enquanto observava algumas crianças brincarem na praça. Estava a cerca de sessenta milhas¹ da cidade onde estava residindo tudo para evitar que fosse descoberto pelos detetives que o pai havia colocado atrás dele.
Às vezes ele exagerava quanto à segurança, todavia tinha que se prevenir. Não queria ter mais contato com seus pais, não depois do que fizeram.
— Seus pais querem que você perca a paciência. Eles querem que você apareça e por isso vão tentar pressioná-lo em busca de mais dinheiro.
— Diga a eles que estou disposto a aumentar a mesada em mais 10%, mas eles precisam me deixar em paz.
— Eles não vão me escutar. Odeiam-me por que sabem que mantenho contato com você. Seu pai já tentou me subornar diversas vezes. Como se eu fosse aceitar — o homem disse irônico.
— Apenas tente, Billy.
— Certo. Não custa tentar. Precisa de algo mais?
— Sim — respondeu e fechou os olhos antes de perguntar. — Meu irmão? Quando será solto?
— Ainda não foi estipulada à data da liberdade condicional. Assim que eu souber você será o primeiro a saber.
— Certo. Tem mais uma coisa...
— Estou à disposição.
— Eu quero que você providencie um valor para dar a família... do rapaz.
Ele não precisava se explicar o advogado já sabia sobre o que ele estava falando.
— Qual valor você pensou?
— Não sei, talvez cento e cinquenta mil dólares.
— É justo. Vou providenciar isso o quanto antes — falou profissional — Eu... só estou curioso... por que isso agora?
— Isso é algo em que pensei há muito tempo, mas agora não vai dar tão na cara que sou eu mandando ajuda aos familiares — respondeu pensativo. — Nem preciso dizer que isso deve parecer, sei lá, um beneficio do governo, um prêmio da loteria. Você é esperto, Billy, com certeza arranjará um jeito.
— Pode deixar comigo. Aviso quando tudo estiver providenciado.
— Obrigado, Billy. Ligo para você em quinze dias.
Esse era o combinado entre eles. Nada de contatos desnecessários a não ser que fosse urgente.
Preparava-se para subir em sua moto quando uma bola de basquete parou a seus pés. Um garotinho de cinco anos, no máximo, veio em sua direção.
— Me dá a bola, senhor?
Edward se abaixou ficando a altura do menino.
— Como está o jogo?
— Meu time está ganhando — disse animado.
— Legal — o forasteiro disse e entregou a bola para o garoto que saiu correndo para voltar a jogar com seus amiguinhos.
Ficou observando o menino e as lembranças dolorosas novamente se fizeram presentes em seus pensamentos.
Retornou a Hierápolis seguindo diretamente para o pub, já que estava na hora de seu turno começar.
Ao estacionar a moto pensou em como seria encontrar Bella. Não queria ter que magoá-la, porém se ela ainda desse a entender que tinha esperanças de que algo pudesse acontecer entre eles teria que fazê-lo.
Mas ao começar seu turno ele não esperava por aquela reação dela, quer dizer, pela falta de reação. Bella o tratou amigavelmente como se a noite anterior não tivesse existido. Isso o deixou satisfeito e ao mesmo tempo não. Se ela não tinha se abalado então não era tão a fim como Alice fizera parecer. O que era ótimo, ele só não entendia por que estava bravo com isso. Sua ira cresceu proporcionalmente quando o universitário que se chamava Tony apareceu e Bella estava mais do que cordial com ele. Eles estavam nitidamente flertando.
Algo estranho tomou conta dele ao vê-la tão animada com aquele rapaz. Atirando sorrisos para o almofadinha, que babava olhando para ela. O que era aquilo afinal de contas? Ciúmes? Não poderia ser?
— É sério, Bella! Você poderia ser modelo — Tony disse olhando para a garota de cima abaixo.
O forasteiro revirou os olhos para a cantada idiota do rival.
— Para com isso, Tony. Nem tenho altura para isso — a morena falou acanhada.
— Não digo sobre desfilar, mas sim pousar para fotos — rapaz insistiu.
Edward observou se Bella iria mandar o merdinha se ferrar. Tinha certeza de que ela já estava de saco cheio daquele papo furado. O rapaz não falava em outra coisa por mais de trinta minutos. Com o gênio que ele conhecia de sua colega de trabalho sabia que ela não tinha paciência para aquela conversa mole.
No entanto se surpreendeu quando Bella sorriu coquete para o rapaz.
— Obrigada pelos elogios, Tony, mas eu prefiro ser a fotografa em vez de ser a modelo.
O forasteiro balançou a cabeça descrente. Aquela não era a garota que ele aprendeu a admirar desde que começou a trabalhar ali. Ela estava parecida com aquelas garotas de seu passado que apenas falavam o que um cara desejava ouvir. Bella não era assim, ela era autêntica.
— Você daria um lindo modelo, Tony, talvez eu mesma possa te fotografar — ela disse maliciosa.
— Pelo amor de Deus! — Edward não resistiu em falar.
Ele atraiu a atenção do casal e Bella o encarou com as sobrancelhas arqueadas.
— Algum problema, Edward? — perguntou.
— Não... só acho que esse papo de vocês é...
— É? — ela o instigou.
— Não está vendo que ele está apenas tentando entrar na sua calcinha — ele disse exasperado.
O tal Tony se levantou.
— Qual é a sua cara? — Tony perguntou irritado.
— Pode deixar, Tony — Bella falou para o rapaz e depois voltou a fitar o forasteiro. — E o que isso tem a ver com você, Edward?
Na mesma hora o forasteiro percebeu que estava agindo como um namorado ciumento.
— Nada.
— É isso mesmo, nada.
Ele a viu se dirigir ao universitário.
— Vá ficar com seus amigos, Tony. Depois eu vou lá falar com você.
Encarando Edward com cara de poucos amigos o rapaz saiu do balcão.
— Agora você, — a morena disse ao forasteiro — vem comigo.
Ela passou por ele indo em direção ao depósito. Sem saber o que iria dizer a ela sobre seu comentário ele a seguiu.
Ela estava parada de braços cruzados. Irritada e na opinião dele sexy pra caralho.
— Olhe...
— O que está acontecendo? — ela o interrompeu. — Por que aquele comentário maldoso sobre o Tony?
O forasteiro tinha pensado em se desculpar, mas a forma como ela falara com ele o irritara. Será que era tão obtusa e não percebia o que aquele cara metido queria com ela?
— Você não pode ser tão inocente, sabe o que aquele cara...
— É claro que eu sei! O que eu quero saber é por que se importa? Tudo bem, você disse que me via como irmã, mas não precisa exagerar.
Ela estava pensando que ele queria protegê-la por amor fraternal.
— Bella...
— Não precisa se preocupar. Eu sou bem grandinha. Sei me cuidar.
Ela ia passando por ele quando disse:
— Eu vou sair mais cedo. Vou sair com Tony...
Sem conseguir se refrear, Edward segurou o braço dela.
— Vai sair com ele?! — indagou incrédulo.
Ela prendeu o olhar na mão dele que a segurava, depois o fitando intensamente.
— Sério? Eu juro que não consigo entender qual o seu problema — Bella sentenciou.
— Nem eu! — ele disse e inesperadamente a puxou para si esmagando a boca de encontro à dela.
Nada o preparou para sentir o que sentiu ao ter os lábios carnudos daquela mulher sobre os seus. Foi uma explosão. De imediato todo seu corpo esquentou e seu membro ficou rijo. Nem poderia ser diferente apenas pensar sobre ela o fazia sentir um tesão sem igual, imagina então tocá-la, saborear o gosto doce da boca e língua dela.
As mãos do forasteiro se infiltraram pela blusa de sua colega provocando um estremecimento por parte dela quando as sentiu o toque dele em suas costas.
Bella correspondeu entusiasmada o beijo, abraçando-o pelo pescoço colando ainda mais os corpos dos dois. Edward a segurou pela nuca firmando a cabeça da garota para que pudesse controlar, dominar o beijo selvagem que trocavam.
Vibrantes, com os beijos acalorados que partilhavam os dois esbarraram nas caixas de bebidas fazendo-as tilintar. Nenhuma atenção foi dada a este fato estavam ocupados demais, envolvidos na bolha de desejo e luxuria que os dominava.
O forasteiro desceu os beijos pelo queixo e pescoço de Bella fazendo a morena jogar a cabeça para trás e gemer o nome dele.
— Edward...
O ato pareceu tirar o forasteiro do transe e ele se afastou dela como se tivesse levado um choque.
— Droga! — praguejou alto. — Isso não devia ter acontecido — disse.
— Por que não? — ela perguntou obviamente confusa.
— Bella, o que eu falei ontem ainda está valendo, eu não a vejo com interesse...
— Não?! E o que foi isso que aconteceu há poucos segundos? — indagou irritada.
— Olha, eu sinto muito.... você é linda e eu... — não conseguia explicar o que não tinha explicação.
— Pare com isso! Não atente contra minha inteligência, forasteiro. Se você não me quer, tudo bem, mas então não diga que não quer e depois venha me beijar. Isso me confunde.
— Desculpe — disse arrependido. — Isso não vai mais acontecer.
Pôde ver a mágoa nos olhos dela.
— Pode ter certeza disso! — ela grunhiu. — Agora vou trabalhar, pois tenho que sair cedo. Tenho um encontro lembra-se?
Ela saiu pisando duro, furiosa. Ele não estava diferente, estava com raiva de si mesmo por ter deixado aquilo chegar aquele ponto. Por que não se controlou? Depois do que acontecera há seis anos sempre foi controlado, metódico. Não poderia se perder agora. Não poderia deixar esses sentimentos inexplicáveis pela colega de trabalho atrapalhar sua vida, sua penitencia pelos erros cometidos.
Ele não merecia a felicidade. Ao contrario dela. Talvez a atitude a tomar fosse mudar de cidade mais uma vez. Mas no fundo ele não queria ir, não queria deixar os amigos que estava fazendo naquela cidade, e principalmente, o que mais o apavorava, não queria deixar de ver Bella.
Capítulo Oito
Que beijo foi aquele? Bella pensou enquanto rolava na cama insone. Agora que a raiva por ser rejeitada pela segunda vez tinha arrefecido, conseguia lembrar com detalhes da forma que ele a pegou, a beijou, a tocou. Nunca tinha sentido algo parecido por um homem. Era um calor que queimava intermitente. Que a fazia rolar insone como acontecia agora. Era tesão, paixão? Ela não sabia responder. Apenas que pela primeira vez na vida pensava em ultrapassar a linha, ou seja, entregar sua virgindade a um homem. Contudo o escolhido em questão, aquele forasteiro lindo, a rejeitava. Mas o problema era que ela via que ele a queria também, o beijo da noite anterior comprovava o fato, então por que ele a repelia?
Obviamente ela sabia que o rapaz tinha problemas. Sua natureza misteriosa mostrava isso, mas, além disso, parecia que havia mais. Algo que o impedia de se envolver com ela.
Na noite anterior após sair do trabalho teve que voltar atrás e dizer a Tony que não sairia com ele. Não tinha cabeça. Todos seus pensamentos estavam em outro homem.
Cansada de pensar no forasteiro, resolveu deixar as coisas seguirem seu curso. Tinha a intuição que ela e Edward ainda teriam alguma coisa. Mesmo que ele dissesse que nada mais iria acontecer entre eles, o beijo da noite anterior revelava o contrário.
Edward chegou ao Pub no horário. Cabisbaixo, não tentou uma aproximação com ela, e tão pouco, Bella o fez.
Os dois pareciam se ignorar mutuamente. Chegava até ser engraçado, pensou a morena.
Minutos antes de abrirem Emmett e Alice estavam junto deles conversando sobre pontos a serem acertados na condução do bar.
— Acho que precisávamos ter apresentações de musica — o dono do estabelecimento comentou.
— Não temos cantores na cidade — Alice pontuou.
— Richard vem apenas uma vez por mês, e isso já muito para ele — Bella emendou.
Richard era um amigo de Emmett, musico que fazia apresentações esporádicas no Pub.
— Eu sei — Emmett falou com desalento —, mas eu gostaria de ter mais opções musicais. Não é nem pensando em atrair mais clientes, seria mais para nossa apreciação mesmo. Nada como musica ao vivo — disse sonhador.
— Eu posso fazer.
Os três olharam para o forasteiro que até aquele momento esteve em silêncio.
— Você toca? — Bella não resistiu em perguntar.
— Um pouco. Nada profissional, mas posso tocar algumas canções.
— Isso seria incrível, Edward — Emmett exclamou animado.
— Quero apenas fazer esporadicamente. Quando me der vontade — o forasteiro disse.
— Claro. Mas se pudesse fazer algo esta noite seria ótimo.
— Certo. Eu me apresento hoje.
E assim ficou acertado. Mais tarde naquela noite Emmett pediu a atenção de todos no pub.
— Hoje vamos ter uma atração especial no pub. Nosso amigo Edward vai cantar algumas canções para animar nossa noite.
De onde estava no balcão, atendendo os clientes, Bella viu Edward se dirigir para o pequeno palco e pegar o violão que ele afinara mais cedo.
— Oi, pessoal. Então... vou cantar alguma coisa pra vocês essa noite. Espero que gostem.
O rapaz começou a dedilhar no violão e logo o som da canção So Beautiful começou a ecoar no ambiente,
A morena não conseguia ver e pensar em mais nada. A não ser na voz rouca de Edward cantando aquela musica.
“Eu estou me jogando em coisas que eu não entendo
Descobrindo a felicidade segurando sua mão...
Você é...
Tão bela...
Você faz eu me sentir belo...
Não há outro lugar no mundo onde eu queira estar.
Você faz eu me sentir tão belo...”
Sentiu o olhar dele se prender ao dela quando cantava. Seu coração pareceu pular de forma vertiginosa e naquele momento a garota teve certeza de que estava apaixonada por seu colega de trabalho. Estava apaixonada pelo forasteiro.
— Nossa! Ele canta super bem não acha? — Alice lhe perguntou. Mas a jovem estava longe tentando entender como se apaixonara pelo forasteiro tão rapidamente.
— Bella? — a amiga lhe chamou.
— Desculpe, Alice, sim ele canta muito bem.
— Você está estranha... aconteceu alguma coisa?
Sim, descobri que estou amando pela primeira vez e isso me assusta pra caralho, pensou consigo, mas não externou seu pensamento.
— Não. Está tudo bem — responder tentando ser convincente. — Vou voltar ao trabalho.
No restante da noite tentou não mais pensar em sua descoberta e se dedicar a atender com cortesia os clientes, contudo era muito difícil. A voz de Edward entoado outras canções entravam em seus ouvidos fazendo o coração apaixonado da garota bater acelerado.
O que iria fazer agora que sabia o que sentia por Edward? Ela se perguntava constantemente.
Tinha certeza de que gostaria de viver esses sentimentos que estavam dentro de si. Mas como se ele fugia dela incessantemente?
***
Os aplausos que recebia naquele momento após terminar a última musica que cantara teve efeito sobre o forasteiro. A lembrança de tempos passados quando os aplausos eram algo recorrente em sua vida o deixou irritado. Não pelos aplausos daquelas pessoas simples naquele bar que apenas mostravam terem gostado das musicas que ele cantou, mas sim porque se lembrava daquela época que desejava esquecer. Todavia pelo jeito nunca esqueceria que um dia foi Antony Masen.
Os olhos do forasteiro se fixaram em Bella. Ela estava no balcão atendendo os clientes. Não pôde deixar de lembrar, pela milésima vez como se sentiu ao beija-la na noite anterior. Foi por essa lembrança insistente que se nem mesmo se dar conta cantou a primeira musica da noite olhando para ela.
Não conseguia tirar aquela mulher da cabeça. Aquilo já estava indo longe demais. Cada vez mais ele pensava se a solução não seria ir embora. Partir sem olhar para trás como fizera por todos esses anos.
Agradeceu a todos e voltou para o balcão de atendimento ao lado da morena que não saia de seus pensamentos. Começou a trabalhar lado a lado com ela. Notou, então, que ela se mantinha a distância. Era fato que desde a noite anterior ela não estava falando com frequência com ele, porém ele percebeu que naquele momento ela agia de modo diferente. Parecia não conseguir olhar para ele.
— Bella? — a chamou.
Levou alguns segundo para ela olhar para ele. Nos olhos azuis viu que algo a incomodava.
— Está tudo bem? — perguntou. Começava a se preocupar.
— Sim... é... quer dizer, eu estou com um pouco de dor de cabeça. Acho que vou sair mais cedo.
Não acreditou nela.
— Claro. Acho que não tem problema. O movimento está calmo. Eu seguro as pontas por aqui, afinal você trabalhou em dobro enquanto eu me apresentava.
— Certo — assentiu.
Novamente não o olhava.
— Avise Emmett que eu saí mais cedo — pegou a jaqueta que costumava usar, saindo de trás do balcão.
— Sim. Eu faço — Edward disse observando-a com atenção.
A garota mal se despediu e saiu apressada porta a fora.
— Cara! Você canta bem demais! Deveria investir nisso — Emmett chegou animado sem perceber a carranca que o forasteiro ostentava.
— Emmett, pode segurar as pontas aqui? Vou lá fora um instante e já volto.
— Claro. Algum problema?
— Não. Já volto — saiu em direção a saída apressado. Esperava que Bella ainda não tivesse partido.
A viu próxima a picape que era proprietária. Gritou seu nome antes que ela entrasse e partisse. Andou até ela que o esperava olhando para qualquer lugar menos para ele. Estranhou novamente. Bella sempre o encarava, seja em qual situação fosse. Ela não era covarde, então esse jeito dela o estava deixando cismado.
— O que você quer, Edward? — perguntou parecendo não irritada e sim chateada.
— Quero saber o que você tem. Tem algo errado com você.
— Sério? Você me conhece tão bem para saber se não estou perfeitamente bem? Além disso, eu te falei que estou com dor de cabeça.
— Sem essa, Bella. Há algo mais. E olhe para mim — falou pegando o rosto dela e a fazendo olhá-lo. — O que há com você? — perguntou ternamente.
Os olhos dos dois se encontraram e novamente aquilo que sempre ocorria quando se olhavam estava lá. Algo forte, intenso que os fazia esquecerem-se de tudo. Parecia que só havia os dois no mundo.
Sem que ele pudesse prever a garota se aproximou colocando os lábios sobre os dele, o beijando levemente nitidamente com receio de ser repelida.
Ela não precisava se preocupar. Não havia a mínima possibilidade de isso acontecer. No instante seguinte o forasteiro segurou a nuca da garota tomando posse dos lábios dela. A língua atrevida dele entrando em sua boca, acariciando a dela sensualmente enquanto ele a pressionava firmemente contra a porta da picape.
Bella pressionava seu corpo ao do forasteiro, respondia entregue ao beijo que ela iniciou, mas que Edward comandava com tamanha pericia que a deixava tonta.
— Bella... — Edward gemeu o nome dela ao colocar a boca sobre a garganta alva e macia.
De olhos fechados, um lindo sorriso enfeitou o rosto da garota. Era isso que ela queria. Estava apaixonada e precisava dele. Queria pertencer aquele homem.
Abriu os olhos quando sentiu uma pequena distancia por parte dele. O rapaz ainda a segurava e a encarava. O fogo que brilhava nos olhos de Edward era a certeza que Bella precisava para entender que ele a queria da mesma forma que ela a ele, ou talvez, até mais.
— Estou apaixonada por você — confessou inesperadamente. Tanto para ela quanto para ele.
Na mesma hora sentiu os braços de Edward a soltarem. Sentiu que novamente seria rejeitada. Não aguentaria isso logo depois de revelar seus sentimentos. Tentou se virar para abrir a porta da picape, mas ele a segurou no lugar.
— Espere! — disse firme. — Bella... eu... — não conseguia dizer nada.
A garota apenas esperava sabendo que ele diria aquilo que ela imaginava.
— Não pode sentir isso por mim — falou finalmente.
— Por que não? — ela quis saber.
Ele acariciou os cabelos dela, depois seu rosto suavemente.
— Você é maravilhosa. Linda, autêntica. É como nenhuma mulher que conheci. E sim, estou atraído por você — revelou. — Mas eu não sou o homem que precisa. Não sou uma boa pessoa entende?
— Não, eu não entendo, Edward.
— Bella... você não pode se envolver com um homem como eu... eu prejudico as pessoas... não sou bom. Não deve colocar suas emoções em um homem como eu. Além disso, eu estou só de passagem, não vou ficar.
— Só estou escutando desculpas... se você não me quer é só ser claro. Eu não vou ficar insistindo — ela disse exaltada.
— Não é isso. Vai ser melhor se você não sentir nada por mim. Acredite... Eu só desejo o melhor para você.
Ele falou com sinceridade. Acreditava naquilo que dizia.
— Não é como seu eu pudesse controlar o que sinto — a garota disse abaixando o rosto, tomada pela timidez.
O forasteiro a olhava intensamente. Em seu íntimo se martirizava por estar fazendo aquela doce garota sofrer, mas tinha certeza de que fazia o que era melhor para ela.
— Se eu fosse outro homem...
— O que quer dizer com isso?
— É melhor você ir — desconversou.
Ela bufou nitidamente frustrada por ele não ser claro o suficiente.
— Se ficar difícil pra você... se quiser, eu posso ir embora — ele disse a surpreendendo. — Já estava pensando nisso mesmo.
A garota sentiu seu coração se agitar com a possibilidade de não vê-lo mais.
— Não precisa ir embora, mas faça como achar melhor. Sou uma mulher adulta, Edward, posso lidar com uma rejeição — falou mordaz.
Ele assentiu e ela abriu a porta de seu carro.
— Eu sinto muito — o forasteiro disse, pouco antes dela ligar a picape e partir.
Naquela mesma noite as lembranças e pesadelos o atormentaram com força.
Abriu os olhos sentindo-se confuso. Sentia as pálpebras pesadas. Parecia que não as movia por anos.
O local onde estava era todo branco, o que lhe deu a certeza de que estava no hospital.
— Ah, querido, até que enfim.
Ouviu a voz conhecida murmurar. Era Esme Masen, sua mãe. Olhou para o lado vendo à mãe sentada em uma poltrona, próxima a cama onde ele estava deitado.
— Mãe?... O que houve? — perguntou com a voz pastosa.
— Antony, querido, não fale nada, precisa descansar.
— O que aconteceu? — mesmo confuso, lembrou-se do acidente, e principalmente, lembrou-se do irmão — Onde está Ryan?
Notou a mãe direcionar um olhar para outra direção. Naquele instante seu pai entrou em seu campo de visão. Entendeu, então, que sua mãe, como de costume pedia permissão a Carlisle Masen se poderia falar.
— Seu irmão, está bem. Agora você tem que pensar em se recuperar. Tem que gravar na próxima semana — o homem disse sem emoção.
Antony já sabia que o pai era frio, mesmo assim nunca se acostumara a tal personalidade. A mãe era um pouco mais calorosa, no entanto sempre concordava com as atitudes do marido, o que a tornava uma mãe relapsa.
Aprendeu com o tempo que era melhor ignorar os dois. Seu pai era seu agente e empresário, e isso, não podia negar, ele era muito bom.
— Eu sei, pai.
Uma enfermeira entrou verificando seu soro e anotando algo em uma prancheta. O ator estranhou o fato de a moça não olhar uma única vez em sua direção.
Logo que a mulher se retirou ele questionou o pai:
— Onde estamos? Em Cleveland?
— Não, filho. Estamos no Canadá — a mãe lhe respondeu.
— Canadá?! Por quê?! — não escondeu sua surpresa.
— Escute, Antony. Temos que ser meticulosos. Não podemos deixar que esta historia caia nos ouvidos da imprensa.
— Como assim?
— Logo que Ryan me ligou contando sobre o acidente eu, que por sorte estava próximo consegui tirá-lo da cena. Consegui o jato de um amigo que me deve um favor, assim como um médico e uma enfermeira para cuidarem de você. Eles não vão falar nada. Não há nada o que o dinheiro não compre.
Antony escutava as palavras do pai tentando fazer com que elas fizessem sentido.
— Vocês me tiraram do país para que não saibam do acidente.
— Para que não saibam do seu envolvimento no acidente — o pai corrigiu. — Imagine o que seria para a sua carreira se a imprensa souber que você dirigia um carro em alta velocidade, embriagado e que matou uma pessoa.
O coração de Antony pareceu congelar. Mal conseguiu respirar.
— O... O homem que atropelei... morreu?
— Sim, querido, infelizmente, sim — Esme respondeu.
— Escute bem, Antony, você não atropelou ninguém! Você não estava lá, nem mesmo no país. Amanhã mesmo, quando tiver alta você aparecera em público. Estamos à uma hora de Toronto. Consegui um evento para você aparecer.
Ele não conseguia entender. Seus pais o estavam protegendo de ser preso, mas havia acontecido um acidente, isso não tinha como mudar.
— Como?... Eu estava lá... Como vão fazer isso desaparecer?
— Não se preocupe, meu amor, seu pai já resolveu tudo — a mãe lhe disse acariciando seu cabelo.
Antony encarou os frios olhos de seu pai.
— Resolveu como?
— Ryan assumiu para a policia que dirigia o carro. Ele permaneceu no local do acidente. Para todos os efeitos ele estava sozinho e dirigia a BMW quando aquele rapaz atravessou na frente do carro. Não se preocupe. Contratei bons advogados para cuidar do caso. Seu irmão não ficará muito tempo na prisão.
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