O Primeiro Contrato

1 Capítulo 1 - Apenas um Contrato e Tanto


Notas iniciais
Já planejava fazer uma one com a Sasha fazendo seu primeiro contrato espero que gostem.

Depois que chegou à ilha tudo ficou negro, lembrava-se de olhar para o barco pela ultima vez e cair nos braços da Hannah. Quando abriu os olhos reparou que estava de braços abertos presa em alguma coisa, tentou se mexer, mas não conseguia, seus braços e pernas estavam grudados, quando olhou mais atentamente parecia que ela estava presa em uma grande teia de aranha, como seu corpo estava pesado e graças ao pequeno esforço que fez, caiu na escuridão novamente, mas antes viu um par de olhos vermelhos sob sua cabeça.

- Um demônio se alimenta de almas desesperadas e com um enorme desejo por vingança... – escutou uma voz melodiosa, sussurrava em seu ouvido, seu celebro guardava a informação. Dentro de si, sentia um desejo. – Para se alimentar o demônio deve realizar um contrato com o dono da alma, quando chegar ao fim desse contrato poderá pegar a alma que foi marcada como sua...

A voz entrava por seus ouvidos como uma melodia tocada no fim da tarde.

- ... Um demônio pode mudar sua forma para se adaptar ao seu contratante – a voz fazia seu estomago queimar pela fome. – Mas deve tomar cuidado, a perigos inimagináveis, deve escolher sua forma com sabedoria. Quando realizar o contrato deve se desapegar ao passado, sendo nomeada pelo seu contratante. Quando estiver presa ao contrato, deve obedecê-lo como seu mestre, qualquer pedido é uma ordem. Quando o fim chegar deve preparar seu contratante e por fim, pegar sua alma.

Com essas ultimas palavras mergulhou em um oceano de escuridão, antes se afogava no meio dela, agora era como se fizessem parte de si, algo que jamais se desgrudaria e abandonaria jamais se sentiria solitária. No meio da escuridão viu uma luz, que agarrava seus ombros.

- Não precisa ir para esse caminho! – disse uma voz familiar, parecia um anjo falando.

Mas as trevas rejeitam a luz, sentia a queimação em seus ombros ficar mais forte, começou a pedir ajuda das trevas que arrodeavam, para mandar aquela luz ir embora, com grande esforço conseguiu. As trevas sempre estariam ali para ajuda-la, só precisava pedir.

Estava com fome, precisava se alimentar. Como a voz disse antes, deveria se alimentar de almas desesperadas e com um enorme desejo por vingança, então ela só precisava procurar pelo desespero. Sua mente a levou a vários lugares, mesmo com os olhos fechados e mergulhada nas trevas, via claramente por seus olhos demoníacos. Estava em Londres novamente, a procura de um ser desesperado o suficiente para recorrer a um demônio, vasculhou todo o centro, mas não achava o que queria, então foi se distanciando até chegar em um lugar onde poderia achar uma alma.

***

Estava sendo uma tarde ensolarada, em uma pequena praça, perto de uma igreja se encontrava um garotinho que aparentava ter no maximo seis anos, ele era um típico menino de rua, usava vestes surradas, sua pele tinha um pouco de poeira da cidade, mas isso não parecia incomoda-lo, seus cabelos eram negros e repicado, batia em sua nuca. Seus olhos eram frios e desprovidos de inocência, olhava fixamente para a porta da igreja do outro lado do parque.

Guardava um pequeno segredo do padre daquela igreja, há seis anos aquele padre assediou uma freira, e a deixou impura, a jovem freira saiu do convento e foi buscar ajuda de sua família, mas eles a rejeitaram e a desertaram, nove meses depois uma criança nasceu mas a ex-freira não resistiu e morreu e a criança foi esquecida e adotada pelas ruas, o nome da criança era James. Ele foi esquecido, pelos demais mas ele nunca esqueceu, desde que ouviu aquelas palavras da mulher que o ajuda até hoje, mesmo que seja a distancia.

Sem perceber alguém se junta a ele no banco da praça, era uma garota com roupas surradas que fazia parecer que era um menino se não fosse pelo seu cabelo longo. Ela usava um chapéu cobrindo o topo da sua cabeça.

- Você deve odiar muito aquela igreja – disse a garota balançando seus pés

- O que? – estava completamente concentrado

- Pelo jeito que você a encara – disse a garotinha, ela sorria.

- Não é a igreja – disse James olhando para baixo e começando a balançar as pernas também.

- O que é então? – perguntou com olhos inocentes

Ele deveria responder? Talvez uma meia resposta.

- O padre, ele fez algo muito ruim – respondeu.

- Mas um padre não pode fazer algo ruim! – disse a garota espantada – Deus vai castiga-lo pelos seus pecados.

- Deus não existe – disse parando de balançar as pernas – Se existisse não deixaria que ele fizesse mal.

- Humm, você o odeia pelo o que ele fez? – perguntou a garota o encarando

- Sim – como não poderia?

- Você gostaria que ele pagasse pelo que fez? – perguntou a garota

- Sim.

- Eu ouvi dizer que tem um ser misterioso que te atende se você o chamar quando você estiver sozinho, diz que realiza qual quer desejo seu! – revelou a garota, o deixando interessado.

- Qual é o nome desse ser? – perguntou curioso

- Fada da noite, por que ela só aparece a noite – respondeu a garota sorrindo, ela desceu do banco e correu para fora do parque.

Quando anoiteceu James foi testar a teoria da fada da noite, ficou sozinho em um beco, onde não seria ouvido por ninguém e chamou pela fada. Por alguns segundos nada aconteceu, já pensava que aquilo que a garota disse era uma mentira, quando o beco começou a escurecer anormalmente e uma voz na escuridão que se formava foi ouvida.

- Quem me chamou? – perguntou com um tom serio e curioso

- E-eu me chamo James – respondeu com medo

- James.. – disse a voz se deliciando com o nome – Por que me chamou James?

- Me falaram que você pode realizar qualquer desejo – disse

- Então você quer que eu realize um desejo seu, mas saiba que tudo vem com um preço – disse a voz.

- Eu não tenho dinheiro – disse triste

- Eu não me interesso por dinheiro – disse a fada – Diga o que você deseja – pediu a fada com uma voz sedutora.

- Eu quero que o padre Ethan pague pelo o que ele fez a minha mãe! – respondeu

- Sem problemas, farei pagar – a voz se transformou em uma pessoa.

Era uma linda garota, podia dar uns quinze anos a ela, seus cabelos eram brancos sem vida, seus olhos eram vermelhos que brilhavam em um tom rosa, sua pele era escura, um tecido branco e vermelho cobria sua parte superior do corpo, entrelaçando com correntes em seu pescoço, usava uma saia feita de penas, também branca, na ponta das penas tinha um tingimento em vermelho, no meio da saia tinha uma abertura, deixando um pouco dos seus pés amostra. O que o deixou mais surpreso com a aparência daquele ser magnifico era a única asa que tinha nas costas.

- Faremos um contrato – disse a fada olhando diretamente em seus olhos, em quanto colocava sua mão em sua cintura, assim viu que suas unhas eram na verdade garras e bem afiadas – Diga os termos e eu direi o preço.

Engoliu sua saliva, finalmente teria sua vingança, aquela fada iria lhe ajudar, mas fadas não eram um pouco diferentes?

- Você não é uma fada, é? – perguntou desconfiado

- Não – disse dando um sorriso triste – Sou a origem delas, e a história que não contam. Vou dizer o preço, sua alma, só aqueles que realmente desejam fazer um contrato comigo devem me pagar com sua alma. – disse dando as consta para o garoto.

A onde deveria estar à outra asa estava um pedaço de carne cortada, sangrava, deixando um rastro de sangue em suas costas, pensou se ela sofria com aquilo.

- Espere! – pediu desesperado, respirou fundo – Eu quero que você o mate!

A garota virou-se com um sorriso no rosto.

- Assim farei – disse fazendo uma pequena reverência – Para o contrato ser finalizado, devo marca-lo em sua pele, não doera nada – disse com uma voz calma e encantadora.

- Onde? – perguntou

- Onde desejar, mas sugiro que seja fácil de esconder – respondeu.

- No pulso – disse estendendo seu braço direito

- Como desejar – disse pegando seu pulso com cuidado, sem deixar que suas garras o ferissem e deu um leve beijo em sua pele, quando levantou seu rosto, onde tinha beijado ficou um circulo negro, dentro do circulo tinha uma estrela e dentro dela tinha um desenho de uma rosa.

- Como eu posso chama-la? – perguntou mais amigável

- Me de um nome – pediu sorrindo

- Hum, que tal Linda? – perguntou animado

- Perfeito, sou Linda – sorriu – Devo realizar seu desejo com uma aparência mais aceitável – as sombras a rodearam, sua antiga aparência foi substituída por uma mulher alta, bem jovem, de cabelos loiros e olhos verdes, estava vestida como uma freira, com um cordão de cruz envolta do pescoço. – Agora estou presa a você, farei o que desejar pequeno mestre. Dê uma ordem.

- Mate o padre Ethan! – ordenou – E deixe claro quem a mandou mata-lo.

- Como desejar, pequeno mestre – reverenciou novamente.

***

Sua primeira ordem a deixou em êxtase, aquelas palavras era tão saborosa e a alma que estava presa era melhor ainda, pura com um pequeno toque das trevas, era perfeita.

- Como desejar, pequeno mestre – fez uma pequena reverência e seguiu até a igreja que encarou mais cedo, junto com o seu pequeno mestre.

Como já estava um pouco tarde, entrou na igreja pelos fundos, uma porta que não tinha sido fechada ainda. Andou até onde o padre realizava a missa e sentou em um banco onde a lua não iluminava. Conhecia muito bem o padre Ethan, ia a suas missas quando era um pouco mais nova, ele era um velho amigo de seu pai, não era atoa que ninguém ficou sabendo que ele abusava de algumas freiras, ele era acobertado pela a aranha da rainha.

Alguns minutos depois o padre Ethan apareceu, seus olhos voltaram-se para ele imediatamente, viu ele se ajoelhar para frente do altar e fazer o sinal da cruz em frente ao seu corpo, sabendo do que ele fez todo o ato que ele fazia reverenciando a Deus lhe dava nojo, ficou feliz em saber que ele seria morto por suas mãos. Quando padre se levantou olhou para os acentos e seus olhos pararam em mim. Dei um pequeno sorriso inocente.

- Desculpa, a porta dos fundos estava aberta – se levantou do banco, o padre Ethan vinha em minha direção um pouco preocupado – Eu fui transferida para um convento aqui perto e quando eu vinha um ladrão roubou minhas coisas e seu parceiro tentou me assediar – começou a fingir a chorar. O padre olhou alarmado e começou a consola-la, por dentro dava altas gargalhadas.

- Esta tudo bem agora, você esta dentro da casa de Deus – disse o padre Ethan, forçou muito para não cair em uma gargalhada.

- Eu senti tanto medo padre – disse ainda encenando

- Você esta segura agora – disse a abraçando, ficar tão próxima dele lhe dava nojo, ainda bem que ia mata-lo.

- Sim, mas você não – finalmente ia mata-lo, fez suas unhas serem substituídas por suas garras e arranhou a garganta do padre, não foi fundo para mata-lo, mas ele não poderia gritar.

Com o susto ele começou a rastejar para longe de si.

- Que patético padre, rastejando para longe de mim, trasbordando medo e desespero – disse com deboche em quanto atravessava os bancos ficando no corredor – Deve estar se perguntando quem eu sou....Bem eu me chamo Linda, foi o nome que o pequeno mestre me deu, ele te odeia sabia? Mesmo você sendo o pai dele.

- J-James? – disse o padre Ethan com dificuldade

- Ele mesmo – disse juntando suas mãos em frente ao corpo – Ele também queria que você soubesse que foi ele que me mandou para mata-lo.

Fez uma sequencia de ataques em seu peito, com suas garras, para a policia não suspeitasse de assassinato. Mas aqueles ferimentos eram rasos, não o mataria, mas as múltiplas mordidas sim. Sentiu o padre tentando se libertar debaixo de seu corpo mas sem sucesso, até que seus movimentos ficaram lentos e por fim ele parou.

Ele estava morto.

Quando se levantou ficou admirando seu trabalho, ninguém perceberia que foi um demônio que o matou.

- Bem, meio demônio – riu – Preciso achar o banheiro desse lugar, preciso tirar esse sangue nojento das minhas mãos, fora o sangue da minha boca, vou escovar meus dentes até eles brilharem.

***

Estava amanhecendo quando acordou, depois da Linda ir embora voltou para sua “cama”, que era um monte de papelão, ficava em outro beco, um bem mais largo, dividia aquele pequeno espaço com o seu parceiro, Jones.

Estava com fome, ia acordar seu amigo quando Linda apareceu no fim do beco, ela olhava para entre as latas de lixo, até que seus olhos se encontraram, ela estava com uma sacola em mãos, ficou curioso mas não ia pergunta.

Saiu com cuidado para não acordar o amigo e foi até a Linda.

- Como me achou? – perguntou curioso, Linda sorriu.

- Pela marca do contrato, onde você estiver eu o acharei – respondeu.

- Ah

- Creio que esteja com fome, comprei algumas coisinhas no caminho, siga-me – disse Linda sorridente.

Foram até o beco que ele a tinha chamado, ainda estava vazio como na noite anterior, mas havia algumas pessoas passando pela entrada, não que isso fosse um problema no momento. Sentaram contra a parede e Linda mostrou o que tinha dentro da sacola, tinha pães, uma garrafinha de leite e uma maça. Comeu tudo rapidamente, deixando para beber o leite por ultimo.

- Obrigado – agradeceu

- Não foi nada – disse Linda sorrindo

- Agora você pegará minha alma? – perguntou com um pouco de medo

- Sim, mas farei não doer — disse Linda contornando sua bochecha.

***

Tinha limpado o seu pequeno mestre com cuidado, deixando-o bem limpo, cortou as pontas do cabelo rebelde dele, ainda bem que era boa com tesouras, mesmo tendo praticado com uma tesoura para cortar suas rosas. Depois de limpa-lo, fez como Hannah disse, colocou em um barco e seguiu remando até a ilha que ela a tinha levado, por toda a trajetória, James passou dormindo, quanto parou o barco ele acordou.

- Espero que tenha descansado bem, pequeno mestre – disse sorrindo.

- Onde estamos? – perguntou curioso

- Estamos no lugar onde pegarei sua alma – respondeu estendendo sua mão, e o ajudou a sair do barco e o guiou até o centro da ilha, onde tinha um banco de pedra rachado, envolta dele tinha folhas antigas.

James se sentou no banco e ficou olhando para seus olhos esperando, por algum motivo hesitou, mas logo se voltou para o menino. Abaixou-se, ficando na sua altura, pegou no seu queixo e sentiu o cheiro daquela alma de perto, quase lambeu os lábios, ele era uma verdadeira tentação.

- Farei não doer – disse em quanto abria a boca e sugava toda a vida e a alma que estava naquele corpo, quando acabou, viu que os olhos dele tinha perdido a vida, sentiu uma lagrima escorrendo no seu rosto. – Por que eu estou chorando?

- Sasha? – chamou Hannah atrás de si, só que um pouco distante.

- Já acabei Hannah – disse me recompondo e limpado aquela lagrima, pegou o corpo do menino e o deitou no banco, com cuidado fechou seus olhos – Agora você estará comigo para sempre – disse colocando as mãos em minha barriga.

- Como foi? – perguntou o demônio curioso

Virou-se para a sua ex-governanta e deu um sorriso.

- Delicioso – respondeu lambendo os lábios.

Notas finais
Nos vemos nos comentários ^^
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!