O Primeiro Amor de um Garoto
25 Cap. 25 - Não mesmo!
Notas iniciais
04/01, sexta às 21:05
Droga, como eu sou idiota! Todo dia eu penso nisso. Faço mais nada. Só chego do treino e fico aqui na cama escutando música no celular. Pra você ver como a coisa tá feia, nem punheta eu tenho mais vontade de bater! Pareço um zumbi todo dia. É tenso quando eu tenho que ir pra escola junto com a Sara e com a Lavínia. Ela fica falando de garotos que anda ficando só pra me encher o saco. Sei que ta mentindo. Quando mente ela fica lambendo os lábios de nervoso. Mas mesmo assim eu fico pensando... Que talvez, talvez mesmo... Quer dizer, ela... Se a gente não voltar a se falar, uma vai ter que ficar com outro garoto. E esquecer de mim... E se ficar, vai mesmo gostar mais dele do que de mim? Vai beijar... Tocar nela... E Lavínia vai sorrir pra ele daquele jeito que me deixa vermelho. Putz, isso é que é dor de corno! Não quero mais pensar em outro moleque agarrando a garota que eu amo. Sei que não dá pra ficar assim pra sempre, sei disso, mas eu não consigo. Não sei o que tenho que fazer! Já liguei pra ela, mande sms. É difícil! Algumas vezes eu fico com raiva da Lavínia pelas coisas que rolaram desde que ela se mudou pra cá. Acho que seria mais fácil se não...
06/01, domingo às 21:05
Tava lá na sala de “boa na lagoa”, nem prestando atenção na tv só passando de canal o tempo todo. Veio Sara, meio esquisita.
– Lucas... – Disse ela, se colocando na minha frente e não deixando eu ver a tv.
– Fala.
– Você vai ficar aí mesmo vegetando o dia todo nesse sofá?
– Vô, idaí?
– Aff, eu sei que você tá triste e tudo mais, mas a Lavínia também tá. – Disse, e fez meu coração doer um pouco mais.
– Aham, triste porque não sabe qual garoto vai pegar primeiro. – Falei, sério.
– Você é mesmo um pirralho né? Ela só queria te provocar!
– Conseguiu, parabéns pra ela.
– Tô vendo! E vai deixar assim?!
– Cala a boca Sara! E sai da frente da Tv também! Mete o pé daqui vai! Não dá mais pra fazer nada!
–... – Ficou um pouco quieta. – Olha, vou te contar uma coisa... Não foi por acaso que a Lavínia viu você e a Nina lá.
– Como assim? – Perguntei.
– Tá que o burro foi você de ter beijando a Nina, mas a culpa também é minha. E-eu ainda gosto do Diego e... Ham, fiquei com raiva da Lavínia porque ele só olha pra ela e não presta a atenção em mim. Queria deixar ela irritada e eu sabia que você tava no quarto do Tiago jogando vídeo game. Fiquei torcendo pra irmã dele estar lá também vocês. Lavínia não ia gostar de ver isso. Era só pra irritar mesmo, mas não sabia que vocês iam tá se beijando.
– N-nossa. – Fiquei de boca aberta.
– Desculpa, fiz besteira, mas você também fez! Estou aqui te contando e me desculpando pra concertar essa meleca de situação, e isso quer dizer que você tem que fazer alguma coisa!
– M-mas...
– Mas nada Lucas! Pelo menos tenta! Parado aqui só vai mostrar que você é mesmo um PIRRALHO!
Depois que ela gritou bem alto essa parte que eu odeio “Pirralho!”, eu finalmente “acordei”. Nem pensei em tudo que tava rolando, só levantei do sofá e corri pra garota que eu quero. Sara veio comigo, mas nem liguei. Fui na casa dela e não tava. Corri pra praia e logo no dia que não podia estar, a praia tava muito cheia! Procurei a única garota que eu quero beijar e vi que outro garoto já estava fazendo. Diego segurava nos cabelos negros dela e beijava de um jeito que eu nunca consegui. Pensei em dar meia volta e ir pra casa, mas eu não dava pra se mexer. Não mesmo. Adianta não, vou sempre ser uma criança, moleque mesmo. Engraçado e de cabelo laranja ainda. Mas acho, acho que só um pouquinho, pouquinho mesmo, que eu cresci. O tempo que eu fiquei apaixonado pela Lavínia me fez aprender um monte de coisas! Meu pai disse que sentir essas dores no coração, ficar vermelho assim, pensar nela, é amor. E também que sofrer por causa de uma garota, é crescer. Haha, falou que não adianta, isso só vai parar quando eu morrer. O negocio é aceitar sabe? Ser homem é enfrentar essas coisas e não sai correndo que nem um moleque cagão..
– Lavínia! – Gritou Sara.
– Oh! – Disse ela, olhando pra mim, assustada.
– Fala aê Sara! E um aê pro moleque também. – Disse Diego, rindo sacana pra mim.
– Vem! – Falei, sério, segurando no braço da Lavínia.
– Ei! Passa Sá porra aqui! – Disse Diego, puxando ela de volta. Há, eu não ia deixar a garota que eu amo com aquele cara.
– “Sá porra”?! – Não ia mesmo!
– Ah! – Gritou Lavínia.
Tu sabe, eu só tenho 11 anos e Diego uns 15, por aê. Como faz pra deixar ele de cara no chão? Uma garota daria um bico no saco, só que eu sou um garoto também... Os cara tem meio que um pacto sabe? Respeito já que sabem como dói, aí numa briga pode se matar, mas ninguém ataca “lá”. É sagrado. Fiquei muito bolado. Viu como ele chamou a garota mais linda e importante pra mim? Fui com tudo! Me abaixei e fui pra cima do Diego. Dei uma cabeçada na barriga dele com tudo que eu tinha. As meninas (Carine e Dalila estavam ali também) gritaram. Carlos só tentou levantar o amigo que tava no chão caído com a mão na barriga, resmungando de muita dor. Pensei não, peguei na mão da Lavínia e corri. Estávamos fugindo. Eles já deviam estar pensando num monte de coisas da gente, mas o meu peito doía, não queria saber de nada disso. Nem percebi pra aonde tava indo, quando cheguei lá na ponte.
– Agora já pode me soltar tá? O que é que você tava pensando Lucas?
– N-nada... – Difícil respirar.
– Claro que não tava pensando em nada! Diego vai te matar!! – Ela gritou.
– Eu sei pow! – Já tava me irritando.
– Então por que fez?!
– O que?! – Precisava responder?
– Quis outra... – Disse, olhando pro chão.
– Desculpa, ta bom? Só rolou, eu não quero ela! É como se fosse minha irmã!!
– Eu vi como vocês são irmãos!
– Caramba, eu não sei mais o que fazer! Nunca teve isso Putz, o que eu falo? Droga, Lavínia! Não dá pra voltar mais, você... – Coloquei o braço nos meus olhos pra ela não ver eles soltarem lágrimas. – Droga! Do nada você... Do nada mesmo! Tipo assim, vem e muda tudo! Não consigo mais ficar sem pensar em você, meu coração dói de verdade, não é brincadeira. Ainda me pergunta porque eu enfrentei aquele filho da mãe, mesmo que eu morra de medo dele! Era fácil antes, só ligava pra desenho, vídeo game e tal... E agora eu tô aqui chorando na frente da garota que eu gosto. Que raiva!
– D-desculpa... – Disse Lavínia depois de me abraçar e deixar a minha cabeça no peito dela, e beijar o meu cabelo laranja.
– *Snif* Por que? Você não fez nada.
– Por tudo... Eu só comecei a gostar de um garotinho, nem pensei que tava te tirando tanta coisa... Mudando tudo. Fiz você sentir todas essas coisas... Desculpa Lucas.
– Hm... Se você me beijar agora, eu te desculpo. – Falei na cara de pau.
– Bobo.
Pow, eu tava perto dos peitos dela com biquíni vermelho que eu gosto. Engoli o choro, Lavínia agarrou minhas bochechas, levantou o meu rosto e me beijou com vontade. Cara, tudo sumiu! Me senti mais leve e a dor no meu peito já não tava mais lá. Tava com saudade, segurei naquela bunda gostosa dela e apertei bem. Meio que eu queria que ela visse que a minha pegada é melhor que a do Diego. Chupei a Língua dela como se fosse a coisa mais gostosa que tem (e é). Queria levar a Lavínia pra um lugar onde só tivesse a gente. Abri os olhos só um pouco e vi geral parado de olhos arregalados. Menos Sara que sabia de tudo já.
– C-calma aê... – Falei tentando parar de beijar a boca mais gostosa de todas.
– Que foi?
– Ali. – Apontei pra galera.
– Danem-se eles! – Disse, depois de virar e ver eles.
Putz, tem nem como explicar o que eu senti! Agarrei também e beijei com mais força ainda. Queria pular, mas descontei na boca dela beijando e segurando bem firme no seu corpo. Mostrar que é minha sabe? Acho que não adianta tentar crescer rápido demais, tudo bem em curtir um pouco mais ser criança e ficar com a Lavínia. É pra isso que tem a “pré-adolescente”. Escutei um “Aí” do Diego e era Sara dando uma cotovelada nele, mandando ficar quieto e chamando ele de idiota. Depois fomos pra praia e geral brincou com o negocio de eu a Lavínia estarmos namorando. Diego ficou emburrado, mas como a minha namorada disse “Danem-se eles!”.
Fale com o autor