O Preço da liberdade livro 2
35 Capítulo Final: O Selo de Aethelgard
A capela do palácio, banhada pela luz âmbar dos vitrais, nunca pareceu tão sagrada. Ao contrário do baile de Natal ou dos jantares de gala, não havia nobres curiosos ou sussurros de cortesãos. O ar estava impregnado com o perfume de lírios brancos e o cheiro antigo de incenso e madeira encerada.
Era uma cerimônia apenas para os que sangraram e sofreram ao longo daqueles dez anos.
Diana caminhava pelo corredor de pedra, não com a arrogância de uma princesa devassa, mas com a serenidade de uma mulher que finalmente encontrara o caminho de casa. Seu vestido, de uma seda branca impecável e fluida, não escondia mais a leve curvatura de seu ventre — um detalhe que ela exibia agora com um orgulho silencioso.
No altar, Lucca a esperava. Ele vestia o uniforme de gala da guarda real, uma honra devolvida por Adrian, mas seu maior adorno era o olhar de devoção absoluta fixo na noiva.
Os Votos
Quando Diana chegou ao seu lado, Adrian entregou a mão da filha a Lucca. O Rei tinha os olhos marejados, um gesto raro que selava a paz definitiva entre as duas linhagens.
— Não sou mais o homem que você conheceu na laranjeira — começou Lucca, segurando as mãos de Diana diante do clérigo. — E você não é a menina que eu tentei enganar. Somos sobreviventes de nós mesmos. Eu te dou meu nome, minha lealdade e cada batida do meu coração, para que nosso filho nunca conheça o silêncio de uma masmorra ou o frio do ódio.
Diana apertou as mãos dele, a voz embargada, mas clara.
— Eu te odiei para não morrer de amor, Lucca. Mas hoje, diante da minha família e sob este teto, eu deixo as armas no chão. Eu sou sua, como sempre fui, desde o primeiro beijo roubado. Que nossa história comece agora, sem segredos e sem nomes falsos.
O Banquete da Redenção
Após o "sim" e o beijo que fez Mellyssa soluçar de alegria, a pequena família reuniu-se no salão privado para um jantar íntimo. Alexander ergueu uma taça, brindando ao futuro sobrinho e à resiliência dos dois.
Pela primeira vez em uma década, Diana riu de verdade. Não era o deboche ácido de meses atrás, mas a risada cristalina que Lucca tanto amava. Eles comeram uvas colhidas naquela tarde e falaram sobre o futuro da mansão no Norte, que agora seria uma casa de veraneio para a família.
Ao final da noite, Lucca e Diana saíram para a varanda. A neve caía lá fora, mas eles estavam envoltos em mantas de pele, abraçados. Lucca envolveu a cintura de Diana, pousando a mão sobre o ventre dela, sentindo um leve movimento — o primeiro sinal de vida do pequeno herdeiro.
— Ele vai ser forte como você — sussurrou Lucca.
— E terá a sua coragem para recomeçar — Diana respondeu, encostando a cabeça no ombro dele.
Enquanto as luzes do palácio se apagavam uma a uma, o silêncio que antes era uma tortura agora era de paz. A guerra de dez anos havia terminado. Aethelgard tinha sua princesa de volta, e Diana tinha, finalmente, o seu Lucca. E, nas sombras do passado, as feridas finalmente começavam a se transformar em meras cicatrizes de uma história que, contra todas as probabilidades, terminou em amor.
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