O Preço da liberdade livro 2
33 A Última Fronteira
O cascalho da entrada do palácio saltou sob as patas do cavalo de Lucca, que cavalgara sem descanso desde que Alexander partira. Ele não esperou por apresentações. Atravessou os portões com a força de um homem que não tinha mais nada a perder, pois acabara de descobrir que tinha tudo a ganhar.
No topo da escadaria, o Rei Adrian o aguardava. O rosto do monarca era uma máscara de granito. Ele não se moveu quando Lucca parou diante dele, ofegante e coberto pela poeira da estrada.
— Eu mandei que você ficasse no Norte — disse Adrian, a voz tão fria quanto o vento de inverno. — Dei-lhe a sua liberdade e a sua dignidade. O que faz aqui, Lucca?
— O senhor sabe por que estou aqui! — Lucca rebateu, sem recuar. — Alexander me contou. Por que escondeu isso de mim? É o meu sangue que ela carrega!
Adrian desceu um degrau, a aura de rei emanando dele de forma opressora.
— Escondi porque você provou que não era digno dela! No momento em que ela se quebrou diante de todo o reino e gritou que o amava, você virou as costas. Você a deixou no chão, Lucca. Um homem que foge quando a mulher que ele diz amar finalmente se entrega, não merece ser pai de um Kane.
— Eu estava com medo! — Lucca gritou, a voz ecoando pelo pátio, atraindo os olhares dos guardas. — Dez anos sendo humilhado, sendo tratado como um verme! Eu não sabia se era real ou mais uma tortura dela. Eu não vim aqui por um herdeiro ou por dever. Eu vim porque, no momento em que Alexander disse que ela estava grávida, eu percebi que a minha vida no Norte não vale um único segundo se ela não estiver lá para me odiar ou me amar!
Adrian avançou, segurando Lucca pelo colarinho do casaco caro.
— Se você entrar naquele quarto e a fizer chorar mais uma vez... se você der as costas para ela novamente por causa do seu orgulho ferido, eu mesmo garanto que você nunca mais verá a luz do sol. Desta vez, não haverá masmorra, haverá apenas o cadafalso.
Lucca olhou fixamente nos olhos do Rei, sustentando o olhar com uma determinação inquebrável.
— Então prepare a corda, Majestade. Porque eu só saio daquele quarto com ela, ou não saio de forma alguma.
Houve um silêncio tenso. Adrian estudou o rosto de Lucca, procurando qualquer vestígio de falsidade, mas encontrou apenas o desespero de um homem que finalmente entendera que seu medo era menor que sua devoção. Lentamente, o Rei soltou o casaco de Lucca.
— Ela está nos aposentos dela. Não comeu nada hoje — Adrian disse, a voz subitamente cansada. — Vá. Mas esteja avisado: Diana não é mais a menina que você conheceu. Ela está no escuro, e o escuro dela é profundo.
O Reencontro
Lucca subiu as escadas correndo, ignorando o protocolo. Ao chegar diante da porta de Diana, ele parou por um segundo para recuperar o fôlego. Suas mãos tremiam ao tocar a maçaneta. Ele a girou lentamente.
O quarto estava mergulhado em penumbra, apenas uma vela lutava contra a escuridão. O cheiro de jasmim, agora misturado ao de remédios amargos, preenchia o ar. Diana estava sentada na poltrona perto da lareira apagada, enrolada em uma manta pesada. Ela parecia menor, mais frágil, as olheiras profundas marcando seu rosto pálido.
Ela não se virou quando ele entrou.
— Vá embora, mamãe — ela disse, a voz tão fraca que mal parecia a dela. — Eu já disse que não quero comer.
— Não é a sua mãe, Diana.
Ao ouvir aquela voz, o corpo de Diana ficou rígido. Ela virou a cabeça lentamente, como se estivesse vendo um fantasma. Seus olhos se arregalaram, e por um instante, a velha faísca de fúria brilhou, mas foi rapidamente substituída por uma dor devastadora.
— O que você está fazendo aqui? — ela sussurrou, as mãos segurando a manta contra o ventre de forma instintiva. — Veio ver o estrago final? Veio rir da devassa que agora nem consegue ficar de pé?
Lucca fechou a porta atrás de si e caminhou até ela, caindo de joelhos aos seus pés. Ele não pediu permissão; ele apenas pegou as mãos geladas dela nas suas e as beijou com um desespero que a fez soluçar.
— Eu vim porque sou um idiota, Diana — ele murmurou contra a pele dela. — Eu vim porque o medo me cegou, mas o amor... o amor me trouxe de volta no momento em que eu soube que não somos mais apenas você e eu contra o mundo. Agora, existe um mundo entre nós dois.
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