O Preço da Verdade
9 Capítulo 09
Sérgio somente havia aceitado ir até aquela casa de praia por causa de George. Para ele era burrice se aproximar novamente de algo tão perigoso, mas o namorado parecia não ver isso. Enquanto ele tentou manter-se o mais longe possível do sobrenatural e isso incluiu até mesmo as memórias de tudo que eles haviam passado, Sérgio viu George se afundar cada vez mais, passando noites em claro traduzindo e lendo os livros que foram dados a eles. Sérgio sabia que o outro sempre gostou de histórias fantásticas, mas uma vez que as histórias mostraram-se verdadeiras ele soube que todo cuidado seria pouco. Ele ainda lembrava-se das palavras do Saci e temia que outras criaturas fossem atrás deles para terminar o que a Cuca havia começado.
Ainda assim, ali estava ele novamente reunido àquele grupo, isolado mais uma vez de qualquer ajuda externa, dentro de uma casa esperando a lua cheia para conter um lobisomem! Preferiu não falar, mas em sua opinião todo o plano tinha grandes possibilidades de dar errado, por isso procurou manter-se o mais distante possível.
Quando a noite caiu e a lua começou a surgir no céu, o rapaz deixou o interior da casa, ficando nos fundos do imóvel onde ele tinha a visão e o acesso direto a praia. Sentou em uma cadeira confortável que existia ali e ficou observando as ondas do mar, sentindo o vento frio e salgado, admirando a forma como a luz da lua iluminava o ambiente. Chegou até mesmo a dormir por alguns minutos, mas foi despertado com o rugido e o uivo que veio de dentro da casa. A transformação havia começado!
Sérgio tremeu de frio, talvez pelo o medo que sentiu ou mesmo pela temperatura ao seu redor que reagiu a presença do sobrenatural, abraçou o próprio corpo e procurou na sua camisa de mangas longas um pouco mais de calor. Levantou-se e caminhou até a porta que dava acesso a casa e somente por curiosidade tentou ver o que estava acontecendo lá dentro, mas a encontrou fechada. Pensou em entrar e conferir se George e os outros estava bem, mas não teve tempo para isso! Escutou gritos no interior da casa e novamente os rugidos do lobisomem, altos o suficiente para fazê-lo constatar que Marcos estava solto. Sua mente lhe disse para entrar e tentar ajudar, mas seu corpo não reagia. Sérgio estava paralisado, de olhos arregalados, encarando a porta fechada enquanto escutava os sons de caos vindo de dentro do local.
Ele não saberia dizer quanto tempo ficou naquela posição, mas para ele pareceu somente segundos até ver o objeto de madeira ser arrancado da parede, partindo-se em vários pedaços e lascas que voaram em sua direção. Somente nesse momento seu corpo reagiu e ele virou-se para correr na única direção que poderia: a praia. Contudo, o lobisomem era várias vezes mais rápido e sem qualquer controle sobre sua fúria e instintos, seguiu Sérgio vendo nele uma presa fácil e não um amigo!
Sérgio sentiu a fera correndo em sua direção e procurou algo ao redor que lhe servisse de arma, mas nada encontrou. Aceitou o seu destino, antes mesmo de receber a primeira mordida que não demorou muito a acontecer. O lobisomem saltou em sua direção, percorrendo com um único pulo os metros de distância que o separavam de Sérgio, derrubando-o antes que chegasse à areia da praia. Os caninos perfuraram primeiro o ombro direito, arrancando carne, sangue e gritos de dor! As garras cortaram toda a pele que conseguiram encontrar nas costas e voltaram a rasgar o corpo do rapaz quando este virou de frente em uma tentativa falha de se livrar dos ataques.
Enquanto sentia o lobisomem retirar-lhe a vida em apenas alguns segundos, pensou em tudo que ele estaria deixando para trás. Algumas vezes já chegara a pensar que a morte poderia ser solução para muitas coisas, mas agora que a encarava percebeu que significava simplesmente o fim. Não veria mais o sorriso do namorado, nem sentiria as carícias e os beijos. Teria agora o sono eterno, mas sem os abraços para lhe aquecer durante a noite ou a companhia para lhe dar segurança quando tivesse medo dos pesadelos. Percebeu, enquanto encarava aqueles olhos cinzentos, que partiria sem poder dizer uma última vez o quanto amava aquele garoto! Somente nesse momento as lágrimas começaram a escorrer livres pelo seu rosto, brilhando sob a luz da lua.
O brilho das lágrimas atraiu a atenção do lobisomem que cessou o ataque e por alguns segundos encarou a face da sua vítima e aquele olhar pareceu despertar o homem dentro do monstro. Jogando o corpo de Sérgio para o lado, a criatura correu para longe, em direção a praia, deixando-o para trás.
Sérgio teria respirado fundo em resultado do alívio de estar livre do seu assassino, mas a simples tentativa fez com que uma dor excruciante tomasse conta de todo o seu corpo. Ele não tinha como se mexer, não tinha como gritar e pedir por ajuda, não tinha como escapar no fim das contas. Ficou olhando para o céu, vendo as estrelas e a lua e esperou o sofrimento acabar. Já estava perdendo a consciência quando ouviu passos. Alguém parecia correr em sua direção! Desejou mais do que tudo no mundo que fosse o seu namorado, não porque ele acreditasse que ainda poderia ser salvo, mas porque gostaria de ter um último momento com ele. Tentou abrir os olhos para ver, mas as pálpebras pareciam mais pesadas do que nunca.
Ele sentiu quando seu corpo foi abraçado por alguém, o que fez o frio diminuir consideravelmente. Mesmo sem ver quem era ele conhecia aquele cheiro e aquele abraço. Tentou falar com George, pedir para ele não chorar porque estava tudo bem, mas as palavras não saiam. Parecia que os únicos sentidos que funcionava ainda em seu corpo era seu olfato e sua audição! Com a cabeça escorada no peito do garoto ele ouvia o coração bater acelerado e descompassado. Os gritos de dor e desespero doíam mais em Sérgio do que os próprios ferimentos que ele havia sofrido!
—Não me deixa, por favor! – ele ouviu o garoto pedir entre soluços. Queria responder, dizer que nunca o deixaria, mas não havia voz. Sérgio escutou mais passos e imaginou que Josi e Joyce estavam se aproximando também! Sentiu-se mais tranquilo por saber que elas estavam bem e que poderiam cuidar de George.
—Josi, nós temos que fazer alguma coisa! – ele ouviu o namorado falar desesperado. –Tem que haver alguma forma. Joyce me ajuda, por favor! – ele implorava, mas Sérgio sabia que não havia nada a ser feito. Sentiu os lábios do namorado tocar-lhe o rosto e em seguida os lábios. Desejou poder dizer uma última vez o quanto o amava, mas não tinha mais forças para nada. Sequer percebeu quando aconteceu, mas logo tudo chegou ao fim. Não havia mais sons, nem cheiros, nem dor!
George sentiu quando o corpo do namorado tornou-se mais frio do que estava antes. Sentiu como se uma parte de si tivesse sido roubada naquele momento e não conseguia imaginar como seguiria em frente! Olhou para as amigas que o encaravam com lágrimas nos olhos e soube que elas não sabiam o que fazer, assim como ele. Todavia, ele tinha que tentar alguma coisa. –Tem que haver um jeito! – disse, com os dentes trincados.
Reunindo toda a força que possuía, George se levantou carregando o corpo de Sérgio nos braços. Ignorou os protestos de Josi e Joyce que evitaram que ele caísse. –Eu tenho que tentar... – era a única coisa que ele respondia, enquanto caminhava em direção ao mar. — Só me ajudem, por favor! – ele implorou, olhando para as duas que não tiveram como negar, muito embora não fizessem ideia do que o garoto planejava.
—Letícia! Iara! Alguém... – ele gritou logo que seus pés começaram a tocar o mar. Ele não tinha certeza do seu plano, mas iria tentar tudo que estivesse ao seu alcance. –Apareça, por favor! – voltou a gritar, entrando cada vez mais no mar, lutando contra as ondas que o empurravam para fora.
Já estava com a água na altura da cintura quando começou a ouvir a música mágica que quase diminuiu a sua dor. Brilhando em infinitas cores ele viu emergir das águas a Sereia de cabelos coloridos, os olhos brilhantes em cor púrpura encarando-lhe com tristeza. –Sinto muito, meu irmão. – a voz da Sereia mostrava compaixão.
—Letícia, me ajuda. Por favor! – George começou a pedir, aproximando-se mais da irmã. Desde a transformação dela e dos amigos ele dedicara-se a estudar e entender tudo que podia sobre os seres aos quais eles haviam se tornado e sabia agora quanto poder as sereias possuíam.
—Eu não tenho como fazer nada! – Letícia declarou, olhando-o com ternura.
—Você pode sim. As sereias são conhecidas por tirar as vidas dos homens. Cantam para atraí-los e os matam no fundo do mar. – começou a explicar, vendo Letícia baixar a cabeça, quase como se sentisse vergonha das palavras ditas pelo irmão. –Mas vocês podem dar a vida também. Foi assim que as sereias lhe salvaram no açude! – a cada palavra dita o garoto parecia se encher mais de esperança. –Por favor! Eu imploro, salva a vida dele. – lágrimas novamente escorriam pelo rosto de George, unindo-se ás águas do mar.
Por quase um minuto os dois apenas se encararam em uma conversa muda que somente eles eram capazes de entender, até que Letícia se pronunciou. –Não sei se sou capaz de fazer o que você está dizendo, mas tentarei com todas as minhas forças. –ela aproximou-se, tomando nos braços o corpo do cunhado. –Só quero que esteja ciente de que caso eu consiga, isso poderá ter um preço.
—Eu estou disposto a pagar o preço que for preciso! – George respondeu convicto. –Apenas faça. Tente! Por mim... — A sereia olhou para as duas garotas que estavam um pouco mais atrás de George e ambas entenderam o seu pedido, logo se aproximando e puxando o garoto para fora do mar. Antes que eles pudessem atingir a areia, Letícia havia desaparecido nas águas.
Por algumas horas os três ficaram sentados na areia, encarando o mar. Josi e Joyce abraçando George, procurando dar ao garoto algum conforto. –Ela vai conseguir, não vai? – ele perguntava de tempos em tempos, procurando uma confirmação do seu plano, que a cada minuto ele passava a duvidar do êxito. Porém as dúvidas foram esquecidas por um momento quando eles escutaram o uivo do lobisomem.
Rapidamente os três ficaram de pé e olharam ao redor a procura da criatura. Josi e Joyce não haviam se esquecido dele, mas não esperavam que ele fosse voltar tão rápido. A alguns metros de onde eles estavam avistaram o licantropo sobre quatro patas parecendo um grande lobo negro. Apesar da distância eles conseguiam ver as presas à mostra e os olhos cinza brilhando em fúria!
—Não se mecham, talvez ele não venha nessa direção – Josi falou, quase sussurrando, enquanto encarava o monstro no qual seu namorado havia se transformado. Ela ainda não conseguia aceitar que ele tinha feito aquilo com Sérgio. Não o seu Marcos...
—Podemos correr até a casa. – Joyce começou a sugerir, ficando lentamente na frente dos dois. –Posso distrair ele enquanto vocês... – foi interrompida quando o lobisomem começou a correr na direção do trio. –Agora, vão! – gritou, dando dois passos a frente, estendendo as mãos á frente do corpo, a palma esquerda tocando o dorso da mão direita, que por sua vez estava com a palma direcionada para o lobisomem.
—Seres mágicos do fogo, emprestem-me suas forças para queimar o mal que me ataca! – tão logo o feitiço foi proclamado, bolas de fogo surgiram das mãos de Joyce, indo em direção ao lobisomem que desviou da maioria, sendo atingido pelas últimas duas que o jogaram para trás queimando a sua pele, fazendo-o grunhir com a dor. Contudo, logo a região queimada estava se curando espontaneamente em uma velocidade sobrenatural.
George e Josi estavam na metade do caminho até a casa quando viram o lobisomem voltar a correr na direção onde estavam, dessa vez ele parecia focado em atacar Joyce que novamente executava outros movimentos com as mãos.
A garota havia até poucas horas atrás negado para si mesma no que havia se transformado. Temia virar uma bruxa igual a que quase tirara sua vida e a dos seus amigos. Contudo, percebeu que tinha o poder de protegê-los e mesmo que o preço disso significasse perder a sua identidade, ela estava disposta a pagar. Quando aceitou essa realidade foi como decifrar um código dentro da sua mente! Os livros passaram a ter o idioma que ela entendia, aceitando-a como sua dona verdadeira, o poder latente dentro de si libertou-se e uma gama de conhecimento surgiu na sua cabeça.
—Forças da terra, aprisionem em meu nome o ser que nos aflige. Prisão de areia! – logo que pronunciou as palavras, diversas mãos gigantes feitas de areia surgiram do chão, tentando capturar o lobisomem que cada vez mais se aproximava da bruxa. Sua velocidade sobre-humana o fazia escapar das investidas da garota.
—Ele vai alcançá-la. – George disse, parando de correr e olhando para a batalha que Joyce trava contra o lobisomem.
A garota soube que a criatura conseguiria chegar até onde ela estava e não adiantaria atacá-lo com novos feitiços. Ela já se sentia fraca e decidiu que o melhor seria tentar se proteger. –Convoco a força dos espíritos da natureza, servos do bem, filhos da mãe terra. Rogo-lhes que assim como a mãe protetora guarda os seus filhos, defendam-me do meu oponente. Escudo de proteção! — mais uma vez seus olhos brilhavam verdes como esmeraldas e uma força a cercou. Quando o lobisomem saltou sobre a garota, diversos seres mágicos surgiram, circulando-a, defendendo-a do ataque.
O lobisomem por sua vez não se deu por vencido tão facilmente e continuou a atacá-la, vez após vez, tentando encontrar uma brecha na proteção. De onde estavam, George e Josi escutavam o som do ataque como se barras de ferro tentassem quebrar uma parede de vidro. Josi sentia que a barreira da amiga não conseguiria suportar por muito tempo!
—Temos que ajudá-la! – George disse, olhando para a melhor amiga e vendo em seus olhos que ela concordava com ele. –Marcos precisa assumir o controle da fera e eu acho que só você consegue fazê-lo voltar. – ele percebeu a dúvida no rosto de Josi e segurando o braço da garota começou a correr na direção do lobisomem enquanto explicava. Não podiam perder tempo! –Na serra ele procurou por você para voltar ao normal, por isso ele foi parar onde estava o seu carro. O lobisomem busca algo que o traga a humanidade, como um porto seguro. E acho que você é o dele!
George sabia que aquilo era somente uma teoria e que poderia não dar certo, mas na atual situação em que eles estavam a única forma de descobrir era arriscando. Pararam a pouco mais de um metro de distância da bruxa e do lobisomem. De onde estavam agora já conseguiam ver as rachaduras na barreira conjurada por Joyce! A garota somente notou a aproximação dos outros dois quando ouviu a voz de Josi chamando a atenção.
—Marcos, para com isso! – ela gritava, o que soava estranho para os ouvidos de todos ali que raramente ouviam a menina gritar. Sua voz estava trêmula, mas seu olhar contradizia esse sinal de nervosismo. Enquanto todo o resto do seu corpo mostrava insegurança, sua face mostrava determinação. Se ela era a única capaz de tornar o seu namorado humano outra vez, ela faria isso!
Josi já estava junta de Marcos a tempo suficiente para conhecer o garoto mais do que qualquer outra pessoa. Ela sabia suas manias, suas preferências, seus medos, seus sonhos, suas inseguranças e seus impulsos. Compreendia os pensamentos mais confusos do rapaz, que as vezes nem ele mesmo conseguia distinguir e ela sabia que ele não era aquele monstro. Sabia que o Marcos que ela amava seria incapaz de machucar os amigos, embora fosse capaz de machucar por eles! Seu peito apertava ao pensar que quando o sol nascesse e ele voltasse ao normal, saberia o que aconteceu com Sérgio e nunca se perdoaria por isso. –Você não é assim! – afirmou, encarando os olhos cinzentos do lobisomem que a olhava agora, mostrando todos os dentes em sinal de ameaça. Ela havia consegui atrair a atenção da criatura e isso poderia dar muito errado!
—Você é mais forte do que isso. Pode controlar o monstro dentro de você! – a medida que falava a garota ia se aproximando, as mãos estendidas à frente do corpo como se quisesse tocar o lobisomem. –Lembre-se dos nossos momentos juntos! Lembre-se de mim. – o lobisomem rosnou e correu na direção da garota que parou no lugar onde estava. –Marcos! – gritou tão alto que George e Joyce foram obrigados a levar as mãos aos ouvidos. Os dois sentiram como se algo dentro deles tivesse sido rasgado! Quando voltaram a olhar na direção da amiga, viram que Josi também se espantara com que aconteceu.
O lobisomem estava parado a poucos centímetros da garota, de cabeça baixa, fitando a areia da praia. Josi lentamente levava as mãos de encontro ao pelo negro da criatura, tocando-o com carinho. –Eu sei que você está ai e eu... – ela não choraria na frente dele novamente. –Eu preciso de você!
O lobisomem levantou a cabeça bem devagar até encarar o rosto da garota. Os olhos cinza pareceram enxergar a sua alma e ela soube que Marcos havia retomado o controle. Como se para provar isso, parte dos pelos negros mudaram de cor instantaneamente, adquirindo tons de branco e castanho, assemelhando-o a um lobo-guará. As orelhas baixas e o olhar tristonho faziam-no parecer arrependido, o rabo balançava de forma fraca. –Eu sei! – Josi sussurrou, acariciando o rosto da criatura que ficou sobre as patas traseiras, adquirindo uma postura mais humana.
Joyce desfez sua barreira de energia e se aproximou, juntando-se aos dois. –Ele vai conseguir se controlar agora, certo? – perguntou olhando para o lobisomem que balançou a cabeça em afirmação, olhando em seguida para George que se mantinha distante ainda.
Marcos caminhou até ele, abaixando a cabeça até a altura do peito do garoto, como se pedisse desculpas pelo que fez. Com lágrimas escorrendo pelo rosto, George acariciou a cabeça do amigo. –Eu sei que não foi por querer! – conseguiu falar entre soluços, enquanto todos o abraçavam.
Os quatro ficaram na praia até o sol começar a nascer e viram de perto Marcos voltar a forma humana. Josi momentos antes havia entrado na casa para pegar cobertores e roupas para o namorado, pois imaginava que ao fim da transformação ele voltaria pelado. De posse novamente do dom da fala, Marcos pediu desculpas a todos.
—Talvez você não tenha que pedir desculpas! – Josi falou, pois foi a primeira a ver a Sereia surgir de dentro da água, sorrindo e acenando para o grupo! Todos levantaram e correram para dentro do mar, de encontro a Letícia.
—Eu fiz o que pude. – ela começou a falar, segurando as mãos do irmão. –Você estava certo! Mas como eu disse que teria um preço! – logo que ela terminou de falar um boto saltou sobre o grupo, jogando água sobre suas cabeças, mergulhando no mar novamente, surgindo segundos depois entre Letícia e George.
Todos encararam admirados a beleza daquela criatura marinha e sua pele cor-de-rosa. George olhou da irmã para o boto que emitia sons que parecia um riso, vendo-o mergulhar novamente. –Você quer dizer que... – antes de George terminar a pergunta, Sérgio emergiu novamente, sorrindo para o garoto que não demorou a abraçá-lo e beijá-lo.
—Eu nunca deixaria você – Sérgio falou, sorrindo de uma forma encantadora.
O grupo novamente reunido seguiu para a praia, enquanto Letícia contava o que havia acontecido. –Bem, como George havia deduzido as Sereias realmente tem o poder de trazer criaturas de volta a vida, mas não exatamente como eram antes. Elas voltam como um ser marinho! De alguma forma o Sérgio transformou-se em um boto cor-de-rosa.
—Lembra do que o Saci falou que havia algo de especial na gente? Talvez seja isso que o transformou em uma criatura sobrenatural, como aconteceu com você, com a Joyce e com o Marcos!- George comentou, lembrando-se do que havia sido dito antes. O garoto olhou para Josi e lembrou-se do grito que ela proferira e que trouxera Marcos de volta e pensou que logo teria que conversar com ela sobre o acontecido.
Estavam quase na porta da casa quando um vento forte jogou areia para todos os lados forçando-os a protegerem o rosto. A ventania durou somente alguns segundo e logo passou! Quando puderam tirar as mãos e os braços da frente dos olhos, viram uma figura já conhecida equilibrando-se sobre uma única perna.
—Falaram no diabo... – Letícia disse, olhando com curiosidade para o rapaz negro.
—Pelo visto o bando de vocês está crescendo. –Ele falou, se aproximando.
—O que você está fazendo aqui? –George perguntou, admirado da criatura estar tão longe da sua mata.
—Eu vim avisá-los. Eles estão vindo atrás de vocês!
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