O Preço da Revista
1 Oneshot
Notas iniciais
Como hoje é dia de san valentín usei este clima para me dar coragem de postar!
Aproveitem a leitura!
“Você Já saiu?”
“Desculpe, mas quem é?"
“BAKA! Se esqueceu de mim?”
“ah! Eu perdi o seu número, desculpa.”
“E você poderia me esperar no horto?”
“Horto. o que é isso?”
“Horto é o mesmo que hortifruti. Tem um do lado do meu prédio me espera lá!”
“ok”
Estou aqui relendo as ultimas mensagens do meu celular enquanto espero a chegada do meu amigo, em uma praça rodeada de prédio.s, pois não encontrei a droga do hortifruti que ele me falou há alguns minutos atrás. Vou mandar uma mensagem pedindo pra ele me encontrar nesta praça. Meu nome é Elesis tenho 16 anos e para as pessoas que estão neste local sou uma ruiva vestindo uma blusa de uniforme com uma calça jeans e uma mochila nas costas. A paciência nunca foi o meu forte e o meu “caro” amigo Ronan resolveu hoje testar o limite dela, sinceramente, pelo tempo que estudamos juntos ele deveria saber muito bem sobre o que eu faço com aqueles que me testam. Relaxa Elesis! Você deve se acalmar afinal ele conseguiu aquele “negócio” que eu estava querendo a um tempão, certo, o melhor que eu posso fazer é apreciar a paisagem. Vejamos, na minha frente tem um grupo de adolescentes fazendo piadinhas nos bancos e em cima das mesas com o formato de tabuleiro de xadrez, na direita tem uma senhorita com um cachorro pequeno andando pela praça sem guia, ela deve ser confiável para estar assim tão solta em um lugar público, no entanto, a cachorrinha começou a latir para o skatista que chegou agora na pista e a dona está falando para ela ficar calma. Em seguida, apareceu um menininho andando com uma mochila de rodinhas e a cadela saiu correndo atrás dele. Sei que não deveria estar rindo desse menino que está fugindo em disparada dela, mas está muito engraçada a cena, ele soltou a mochila e foi para fora da praça, dá para acreditar nisso! A cachorrinha é do tamanho dos cães da raça yorkshire. A dona a pegou na mão, tirando de perto da mochila do moleque enquanto os adolescentes riam e tiravam sarro do azar do pequeno.
-Ela ficou com medo do barulho do skate e acabou achando que a mochila era um por causa do som das rodinhas. – falou a senhorita de cabelos cor de rosa presos numa trança se aproximando de mim com a cachorrinha nas mãos.
-É um filhote? — Perguntei apontando para aquela gracinha que estava me dando vontade de acariciar.
-Não ela já tem um ano e meio. Ei você por acaso estuda na grand chase de serdim ou de canabam?- falou se referindo a minha blusa escolar.
-Eu estudo na grand chase de canabam. –falei me lembrando que daqui a meia hora tenho que ir ao ponto de ônibus para ir à escola.
-Serio? Meus sobrinhos estudam lá. Você conhece o meu sobrinho Dio?- falou com certa alegria na voz, mas não me lembro ter um aluno com esse nome na minha turma.
-Não sei dizer, ele tem quantos anos? E estuda em qual turno?-perguntei curiosa, afinal eu poderia conhecer mais não estar o lembrando pelo nome.
-O Dio tem 16 anos e estuda na mesma turma da prima Rey de manhã. –respondeu com calma as minhas perguntas.
-Entendo! É por isso que não os conheço, estudo à tarde. –dei uma pausa e olhei pra cadelinha-Posso acariciar ela?- expressei o meu desejo com os olhos brilhando.
-Sim. Você pode!- exclamou feliz.
Enquanto acariciava o pelo daquela criatura fofa, vejo que meu amigo tinha acabado de chegar, não tinha como confundir, apesar de estar com o cabelo mais curto eu reconheceria aquela cabeleireira azul em qualquer lugar que fosse. Despedi-me da senhorita e fui ao encontro do meu amigo que estava usando uma blusa verde com uma bermuda preta e uma bolsa masculina no ombro direito.
-Desculpa, fiz você esperar muito tempo. –pronunciou-se com um sorriso amarelo.
-Não!Imagina cheguei aqui há pouco tempo. — coloquei sarcasmo no meu tom de voz, para mostrar que ainda estava irritada, porém não tanto quanto o momento em que cheguei.
-Aquela mulher é alguma conhecida sua?- mudou de assunto intencionalmente, pensando que eu não perceberia.
-Não. Eu a conheci agora! Cara se você tivesse chegado aqui mais cedo teria visto uma cena muito hilária com a cadelinha. –falei rindo do acontecido.
-É uma pena! Elesis! Então... eu irei a minha casa pegar a sua revista e você espera na entrada. – disse me guiando para o seu apartamento.
-Tudo bem! Vamos para a sua casa!- gritei com entusiasmo, desde que ele se mudou eu ainda não tive a oportunidade de conhecer o seu lar.
-Não! A minha casa está muito bagunçada, por favor. Não entre!- exclamou desesperado com a minha alegria.
Entramos na recepção da entrada e fomos seguindo em frente até chegarmos à porta dianteira do prédio dele.
-Então você quer que eu te leve para o parquinho lá de trás ou prefere ficar aqui. — falou com um tom preocupado na voz.
-Prefiro ficar em frente a sua porta!- falei com determinação. Se ficasse na entrada ficaria sozinha esperando, de novo, o que seria chato e me estressaria, mas se eu estiver na porta vou poder conversar com ele do outro lado.
Convencido, ele me levou até a porta do seu lar e me virou de costas, para eu não ver a suposta bagunça, que em minha opinião eu não me importaria de entrar, já estou acostumada com a bagunça. Meu quarto está com enormes pilhas de papeis, que professores dão nas aulas, todas espalhadas no quarto. Fiquei me distraindo olhando as portas dos vizinhos do Ronan, a porta dele é a única que não tem olho mágico será que eu consigo olhar o que tem atrás da porta de seus vizinhos. No momento que tento ver algo na terceira porta direita, ouço uma porta se abrindo e nela aparece o meu amigo colocando alguma coisa na bolsa dele.
-Então vamos!-disse ele saindo de sua casa, porém eu vi um vulto pequeno atrás dele e me aproximei para ver o que era.
-Você tem cachorro!-exclamei contente, afinal o Ronan não tinha um cão na ultima vez que o visitei, antes dele vir para Serdim, e o engraçado que parece ser da mesma raça da cachorrinha de mais cedo.
-A minha mãe o trouxe para cá. – respondeu como se tivesse lido a minha mente.
-Sua irmã que pediu?-retruquei me lembrando da Mari, a irmã mais nova dele, afinal por ela ser pequena deve ter pedido um para ser seu bichinho de estimação.
-É meu mesmo, a minha mãe o pegou um tempo depois de ter dado o nosso antigo cachorro para um louco. — falou indo para a saída do prédio.
-O cara era louco mesmo ou só louco normal?-perguntei, do lado de fora, curiosa e com a intenção de fazer uma piadinha.
-Sim louco mesmo, mas o meu antigo cão também era louco. E... estão fazendo obra!- indagou enquanto andávamos numa trilha de paralelepípedos, onde mais a frente tinha uns buracos para serem preenchidos.
-Isso é bom! Significa que aqui se preocupam com os moradores. – falei sorrindo para o meu amigo ficar feliz com a notícia, pois ele tinha sorte, lá na rua da minha casa ora o problema é com o cano que distribui a água ora são as enchentes nos dias de chuva forte deixando ela toda suja com lama de esgoto, lixo e outras coisas.
-Vem vou te levar para conhecer o parque que tem lá trás! – gritou me fazendo retornar para realidade e fazendo-me reparar algo que não tinha visto no início.
-Cara, quando eu entrei aqui e vi seu prédio eu pensei que era grande, mas agora vejo que é enorme!- respirei fundo e continuei.
– Se juntasse os prédios viraria uma mansão. – conclui minha idéia, ainda espantada, para ele.
-Isto aqui é só um complexo e se fosse uma mansão cada um seria dono de um quarto. – explicou-me com aquele ar “sou sabe-tudo”. Na verdade estava mais para cavalheirismo, mas prefiro o termo “sabe-tudo” para não soar como algo ultrapassado e por ficar mais legal.
-E aqui não é como o apartamento onde o Ryan mora. — continuou com a sua explicação.
- Olha! Eu já fui ao apartamento onde minha tia morava, antes de se mudar para uma casa e me deixar traumatizada do tipo que uma criança não continuaria visitá-la, e não era tão enorme como aqui. – contra-argumentei as palavras dele.
-O que sua tia fez?- perguntou com uma expressão de curioso.
-Só por eu não querer comer um frango empanado que me lembrava dos brócolis empanados que me fizeram passar mal, ela me forçou... a comer uma maçã!- gritei de forma dramática na ultima parte enquanto me lembrava daquela triste memória. O Ronan fez uma cara de espanto, eu acho que ele sussurrou algo como “maçã é doce” ou algo semelhante.
Fomos andando por um tempo, olhei para o meu relógio de pulso e vi que se ainda quisesse chegar à primeira aula teria que sair neste exato minuto, porém não posso ser indelicada falando algo como “tchau, tenho que ir”, mesmo o meu amigo sendo chato na maioria das vezes com as suas manias de “etiqueta”, ele não merece um tratamento deste tipo. E também, é porque eu gosto desses poucos momentos que passamos juntos, são divertidos. Eu fico aliviada em saber que não existem pessoas com habilidade de ler mentes, não gostaria que descobrissem os meus pensamentos verdadeiros senão meus amigos iriam me achar fraca.
-Bem chegamos! Eu te levaria pra conhecer a piscina, mas o elevador quebrou. – comentou um pouco sem graça.
-Cara, eu devo aprender um adjetivo maior que enorme porque isso daqui já ultrapassou esse limite!- disse o encarando surpresa, em comparação a mim ele é quase que um rico.
O Ronan ficou rindo até ficar em frente a uma calçada de concreto e se virar na minha direção com uma das mãos estendidas.
-Gostaria de se sentar neste banco de material fino e luxuoso que comprei Milady?- falou como se fosse um mordomo.
-Pelo que vejo é de ótima qualidade, por tanto, eu aceitaria. – falei rindo da encenação dele e aceitando a sua mão para me ajudar a sentar. Assim que eu sentei, sentou-se ao meu lado e remexeu a sua bolsa, tirando de dentro com uma mão a edição número zero do “Chico Bento Moço” e entregando para mim, sendo que na outra havia a edição número um da revista. Fiquei tão contente eu já tinha comprado a edição um nas bancas, porém ouvi um boato que estavam dando de graça o numero zero, procurei em todas as bancas de jornal que conhecia até descobrir que iria ser distribuído na bienal e quando o Ronan falou que iria lá pela excursão de sua escola não pude resistir em convencê-lo a realizar esse favor.
-Obrigado. — sussurrei admirando.
-Era este aqui o que você queria, certo? Deve ser bom para se ler. — se referiu ao que ainda estava em sua mão todo embalado.
-O que eu queria era o número zero. Se quiser eu deixo você ler primeiro o número um. –expliquei tentando desfazer o mal entendido e oferecendo para ele ler, acho que deve estar interessado na leitura.
-Elesis! Eu odeio mangás brasileiros! Só não rasguei isto no dia que comprei para conseguir que o outro viesse de graça, foi por sua causa. –disse olhando com fúria a edição, que tecnicamente, era um gibi com estilo mangá e não um mangá brasileiro. Nunca imaginei que uma pessoa tão calma e madura como o Ronan pudesse ficar furiosa. Se eu contar isto para alguém, com toda certeza, iria rir de mim ou diria que por eu ser um monstro estou inventando mentiras para me dar bem, afinal para todos sou um dragão que cospe fogo sem sentimentos.
-Obrigado. -falei tentando esquecer o pensamento ruim sobre o meu passado e não transmitir o meu descontentamento, pois eu já tinha a número um, acho que vou vender daqui alguns anos no site sistema troca-troca e ganhar uma bela grana.
Enquanto guardava os dois volumes dentro da minha mochila entre os livros, o Ronan ficou me encarando de um jeito suspeito em silêncio.
-Sabe, essa revista custou caro e considerando o tempo que eu fiquei esperando numa fila de um quarteirão na panini, creio que você me deve doze cash.
-Você foi à panini! Realmente as filas de lá são muito grandes, sei disso por ter tentado comprar um shonen numa bienal passada. -exclamei perplexa. Não imaginei que faria tanto esforço por mim.
-Pode ser com sorvete!- eu sugeri, afinal hoje está fazendo um lindo e quente dia sol e não existe nada mais satisfatório que isso em dias como este.
-Depende. Quanto está à tabela de preços?- perguntou ele, pelo jeito, concordando com a minha brilhante idéia. -Abriu uma nova sorveteria perto de casa que vende um sorvete de um cash e cinqüenta gp...
-Elesis! Isso é barato demais e não compensa o meu serviço. –falou interrompendo a minha fala, que raiva!
Não gosto de ser interrompida! Dei um soco forte na cabeça dele como castigo por ter me interrompido. Se o baka fizer isso de novo não vou ser tão generosa na próxima.
-Eu ainda não terminei de falar a lista de preços! Continuando, têm os sorvetes da kibom, o pote na ultima vez que comprei tava doze e pouco de cash, mas pode ser que tenha aumentado, ela sempre está elevando os preços. -falei para demonstrar que essa era a melhor escolha.
Sinceramente, eu sou contra a esses aumentos de preços nos sorvetes, daqui a pouco vai ficar na mesma situação do kinder ovo em que somente os ricos podem obter. Eu acho que a população deveria se reunir para protestar contra a empresa, para ela parar de aumentar os preços ou diminuir o preço dos sorvetes no inverno, por ser frio. E quando ocorrer eu estarei lá e socarei a cara daqueles que ousarem atrapalhar a manifestação.
-Poderia ser com dinheiro. – pronunciou-se já recuperado do meu castigo e me tirando dos meus profundos pensamentos.
-Então, devemos ir ao mercado para eu comprar o meu lanche e trocar o dinheiro. –falei lembrando que não tinha dinheiro trocado.
-Estou brincando, Elesis!- disse sorrindo. -Sério!-exclamei duvidosa.
-Sim, mas você pode me pagar de outra forma se ainda quiser. –falou misteriosamente.
-Com sorvete?- eu perguntei curiosa.
-Não. Lembram-se quando nós estudávamos juntos e você ficou de me fazer um favor?- disse ele tentando me fazer lembrar.
-Não me lembro. O que era?- perguntei sendo direta.
-Se lembra daquela garota baixinha que me perturbava e que estudava conosco?-retrucou.
-A... Por acaso é a Kamiki?- falei duvidosa. Não estou conseguindo me lembrar de nenhuma baixinha, mas ela é a única que eu recordo em que o Ronan não se dava bem.
-Não! A Kamiki não é baixinha, ela está mais para grandona. –brincou me fazendo rir.
-Elesis, eu posso te pedir algo estranho?- disse receoso.
-Você está a fim dessa garota e quer que eu te ajude seu danadinho?- brinquei dando um soco de leve no ombro dele. Deve ser esse o pedido estranho, afinal gostar de uma garota que implica com você é estranho, no meu ponto de vista.
-Não! Ela praticamente me castigava, com torturas!- exclamou exasperado.
-Então, qual é esse pedido?- falei colocando a mão no queixo fazendo uma pose de pensativa diante da questão curiosa.
-Feche os olhos!-falou calmo.
-Tudo bem!-concordei fechando os olhos.
-Tire a mão do queixo!- disse retirando a minha mão do lugar.
-Está bem!-respondi a sua exigência e fechei novamente os meus olhos.
Engraçado, se eu estivesse dentro de algum filme romance água com açúcar ou shoujo, eu diria que iria ser beijada, mas isso é impossível. O Ronan apenas me vê como a sua melhor amiga e não tem como ele querer algo deste tipo com uma garota que julgam ser um dragão.
De repente sinto ser tocada nos lábios e acho que é pelos lábios dele. Abro os olhos surpresa, vendo ele se afastar, realmente, ele me beijou. Então este é o meu primeiro beijo, mesmo com dezesseis anos de idade. Resolvi tocar levemente os meus dedos nos lábios. Estranho, não que eu goste de ler e assistir romances, mas sempre mostram a Heroína sentindo borboletas no estômago ou fogos de artifícios quando beija pela primeira vez. Será que isto não aconteceu por ter sido um selinho ou então eu sou uma garota anormal? Droga, o que estou fazendo comigo mesma? Fique tranquila, pois o que importa é que este foi o meu primeiro beijo e fico contente por ter conseguido tal feito.
-O que você achou?- ele perguntou sorrindo de um jeito bonito vermelho, me tirando dos pensamentos.
-Foi bom. –sussurrei para mim mesma corando. -Agora você não está mais me devendo. – disse sorrindo corado.
Eu quero demonstrar o que achei do beijo que ele me deu. Olho para os lábios dele e me aproximo para beijá-lo, mas eu não consigo tocar os seus lábios, estou com muita vergonha, eu... eu acho melhor dar um beijo na sua bochecha esquerda. Droga! Não acredito na minha falta de coragem para retribuí-lo nos lábios, mas espero que ele tenha entendido que gostei.
-São que horas? Você ainda tem que ir para aula, não é? –falou preocupado comigo olhando diretamente nos meus olhos e se levantando.
-Provavelmente, devo entrar na segunda aula. Pode ser que meu professor de matemática se atrase e não note que chegarei atrasada.- respondi o seguindo para a entrada do prédio.
-Então vou a acompanhar até o seu ponto de ônibus. –retrucou ainda corado e me mostrou um caderno que tirou da bolsa.
-Este é o meu caderno de desenhos, você pode dar uma olhada. –explicou-se enquanto eu o retirava de suas mãos para ver.
Fiquei espantada quando olhei a primeira página vi que os desenhos estavam bons. Continuei a folhear, mas o vento estava virando as páginas para o início. Então resolvi andar de costas para não ser atrapalhada pela ventania.
-Os seus desenhos são bons, Ronan!-exclamei.
Ele já tinha me falado que desenhava, mas esta é a primeira vez que me mostrou as suas obras.
-Obrigado! Esses desenhos são os que eu faço no tempo livre e alguns são que os colegas da minha classe me pedem. Só não olhe o que está no meio do caderno. — me falou quando saímos do seu prédio e entramos na rua, indo na direção do ponto de ônibus.
-Tudo bem!- concordei intrigada.
Enquanto andávamos, ia identificando as figuras que apareciam nas folhas, desde o idiota do bob esponja até personagens interessantes como Simon e Marcy. Também tinha imagens de animes como a Lucy de Elfen Lied. Parei num desenho que tinha uma garota deitada na cama e começava pela bunda dela indo para o resto do corpo ao menos estava vestida.
-Algo me diz que você começou a entrar no meio. – comentou sem graça tirando o caderno das minhas mãos e o guardando.
-Você se lembra de quando eu falei que, ás vezes, faço desenhos para meus colegas. Então este é um deles, incluindo os outros que estão mais a frente. – revelou tirando a minha duvida.
Ainda bem que ele me deu uma boa explicação, se não fosse por isso acharia que o Ronan gostasse de ecchi e daquele outro termo que a múmia do Sieghart fica falando. Qual era o nome mesmo? Acho que é ente ou hente. Não sei direito, me lembro de que no dia a Lire tapou a boca dele, no momento em que respondia minha pergunta sobre o conteúdo de um site que uns garotos tinham falado que combinava com a cor do meu cabelo e que era perfeito para um “Maria-macho”, não preciso dizer o porquê de eles terem ido para o hospital.
-Chegamos. Qual é o ônibus que você pode pegar?-perguntou me trazendo de volta a realidade.
-Aqui a maioria me leva a escola. –respondi olhando para o horizonte na esperança de enxergar algum veiculo.
-Essa caminhada foi cansativa. –pronunciou abanando o rosto com a mão.
-Verdade. E é irônico nos estarmos do lado de uma loja de ventiladores nesse calor e nenhum deles estar ligado. -afirmei rindo com ele sobre o nosso azar.
Finalmente, apareceu o busão que eu pegaria e o Ronan fez o sinal para o motorista parar no local. -Tchau, Elesis. -despediu-se de mim.
-Tchau, Ronan. –falei o abraçando. Antes de entrar dei um beijo em sua bochecha e fui embora.
Na janela, o acenei pela última vez, vendo-o se distanciar conforme o veiculo seguia o seu rumo. Se tivesse me perguntado sobre como seria este dia nunca imaginaria que teria o meu primeiro beijo hoje e, principalmente, com o meu melhor amigo. É como dizem, a vida é feita de surpresas ruins e boas. Definitivamente, o hoje está carregado de ótimas. Espera! Parando para pensar, as pessoas quando são namorados se beijam, contudo os amigos não se beijam. Droga! Ronan você nem me pediu em namoro, na verdade, não falou nada sobre a nosso status atual, mas que raiva. Juntei o máximo de ar possível e gritei com fúria:
-Seu idiota!O que nós somos agora?
Fim
Notas finais
Obrigado por lerem até o fim! Aceito críticas construtivas e também sorvetes para aliviar o calor, mas ficarei muito feliz se receber somente a primeira opção.
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