O Preço da Liberdade
13 Sendo apenas Adrian Kane
O sol ainda nem havia se posto totalmente, mas as cortinas de veludo escarlate da suíte de luxo de Vila Rosa, a cortesã mais cobiçada e cara de Aethelgard, já estavam fechadas. O ar no quarto era pesado, saturado com o cheiro de incenso de ópio, vinho forte e o suor de dois corpos que não buscavam afeto, apenas expurgo.
Adrian estava diferente. Não havia o charme brincalhão ou as carícias lentas que costumava dispensar às suas amantes. Seus olhos eram poços de sombra, e cada movimento seu exalava uma agressividade contida, uma possessividade que beirava a crueldade.
— Você está tensa hoje, meu Príncipe — sussurrou Vila Rosa, as mãos habilidosas traçando os músculos das costas de Adrian. — Parece que carrega o peso de um reino inteiro... ou o nome de uma mulher que não sai da sua cabeça.
Adrian travou por um segundo, e o aperto de sua mão no braço dela aumentou, quase deixando marcas.
— Não me venha com psicologia barata, Rosa — ele sibilou, a voz como um chicote. — Eu não pago o seu preço para ouvir perguntas. Eu pago para você me fazer esquecer que o resto do mundo existe.
Ele a virou bruscamente na cama de dossel, prendendo os pulsos dela acima da cabeça com apenas uma das mãos. O contraste entre a pele alva da cortesã e a fúria nos olhos dele era eletrizante.
— Quero que você sinta cada grama da minha autoridade esta noite — Adrian rosnou, aproximando o rosto do dela. — Quero que você grite tão alto que as paredes deste bordel de luxo tremam.
— Faça o que quiser, Alteza... — ela arquejou, provocando-o com um sorriso treinado, embora houvesse um lampejo real de temor em seus olhos pela intensidade dele. — Sou sua.
— Você não é minha — ele retrucou, iniciando o ato com uma força avassaladora, uma possessividade bruta que não dava espaço para sutilezas. — Ninguém é de ninguém. A gente se usa, se consome e depois joga fora. É assim que o mundo funciona, não é? Sem contratos, sem testamentos... apenas carne e prazer.
Ele a possuía como se estivesse tentando arrancar a imagem de Mellyssa de sua própria mente através do esforço físico. Seus movimentos eram rítmicos e impiedosos, carregados de uma raiva que se transformava em uma energia sexual devastadora. A cada investida, a cada palavrão que escapava entre seus dentes cerrados, ele parecia estar punindo a si mesmo por ter sido vulnerável e punindo a memória da Baronesa por tê-lo rejeitado.
— Diga meu nome! — ele ordenou, a voz falhando pela exaustão e pelo desejo distorcido.
— Adrian... Príncipe Adrian... — ela gemia, o corpo sacudindo sob o peso e a fúria dele.
Mas, na mente de Adrian, o nome que ele queria ouvir ecoando não era o dele. Era o de Mellyssa, implorando por misericórdia, implorando para que ele não a deixasse.
Quando o ápice chegou, foi violento e súbito. Adrian desabou sobre ela, o peito subindo e descendo com força, o suor pingando de sua testa. Ele não a abraçou depois. Ele apenas se afastou, sentando-se na beira da cama e pegando uma garrafa de cristal com um líquido âmbar.
— Vá embora, Rosa — ele disse, sem olhar para trás, a voz voltando a ser fria e monótona.
— Mas, Alteza... a noite mal começou...
— Eu disse para sair — ele repetiu, virando o copo de uma vez. — O ouro está sobre a penteadeira. Pegue o dobro e desapareça. Quero ficar sozinho com o meu reino de sombras.
Enquanto a cortesã se vestia às pressas e saía, Adrian ficou sentado no escuro. Ele era o Príncipe de Aethelgard, o herdeiro do trono, o homem que podia ter qualquer corpo que desejasse. Mas, enquanto bebia sozinho naquela suíte luxuosa, ele nunca se sentira tão pobre. Ele estava mais devasso do que nunca, mais perigoso do que nunca, mas o vazio em seu peito era um abismo que nem todo o ouro ou prazer do mundo parecia capaz de preencher.
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