O Preço da Liberdade

22 Ouro, Medo e Entrega


O sol começava a se pôr, tingindo as cortinas de veludo dos aposentos da Baronesa com tons de âmbar e fogo. Mellyssa serviu o chá com mãos levemente trêmulas, enquanto Adrian a observava da poltrona em frente, o semblante mais calmo, mas ainda carregando a intensidade do confronto daquela manhã.


​— Você me chamou aqui por causa do que aconteceu com Giulia? — Adrian perguntou, sua voz quebrando o silêncio.

​Mellyssa deixou a xícara sobre a mesa e olhou pela janela.

— Chamei você porque devo uma verdade que o ouro não pode esconder, Adrian. Você me perguntou por que eu preferia terras e moedas a nós... e a resposta é que eu já estive do outro lado.

​Ela se virou para ele, os olhos marejados.

— Eu não nasci em berço de seda. Eu era uma menina pobre, Adrian. Vivia com o estômago roncando e os pés no chão. O Barão Rossi não me comprou; ele teve afeição por uma menina que não tinha nada e me deu um mundo. Casei-me com ele por gratidão e respeito, e quando ele morreu dois anos depois, ele garantiu que eu nunca mais sentisse fome. Eu tenho medo de ser aquela menina de novo. Tenho medo de que, se eu abdicar de tudo por um amor, e esse amor falhar ou morrer... o que sobrará de mim?

​Adrian levantou-se e caminhou até ela. Ele pegou as mãos dela entre as suas, sentindo a pele fria de Mellyssa.

​— Eu nunca soube o que é não ter o que comer — ele admitiu com uma honestidade brutal. — Eu nasci com um reino aos meus pés. Mas eu sei o que é perder a alma. Mellyssa, olhe para mim.

​Ele levantou o queixo dela.

— Ao meu lado, você nunca terá que se preocupar com a escassez. Mesmo que este reino caia, mesmo que as coroas sejam derretidas, eu sou o seu escudo. Eu morreria antes de ver você desamparada. O que eu ofereço não é um contrato que se rasga, é a minha vida vinculada à sua.

​Mellyssa sentiu o último pilar de sua resistência desmoronar. Ela não disse nada. Em vez disso, segurou a mão dele e a guiou até a poltrona, sentando-se e puxando-o para que ele se sentasse também. Com uma ousadia que a surpreendeu, ela subiu no colo dele, as pernas rodeando sua cintura, as mãos enlaçando o pescoço do príncipe.

​— Eu amo você, Adrian Kane — ela sussurrou, a voz carregada de uma rendição absoluta. — Eu prefiro ser pobre ao seu lado do que a mulher mais rica do mundo sem o seu sorriso.

​Adrian não esperou mais. Ele a beijou com uma fome que misturava alívio e posse.

​O Incêndio na Sêda

​O beijo escalou rapidamente. Adrian a carregou até a cama grande de dossel, os corpos colidindo com uma urgência que fazia a respiração falhar. Ele desfez os laços do robe dela com uma destreza possessiva, enquanto ela arrancava a camisa dele, querendo sentir o calor daquela pele que a protegera no jardim e no tribunal.

​— Você é minha — ele rosnou contra a curva do pescoço dela, as mãos percorrendo as coxas de Mellyssa, subindo até que não houvesse mais barreiras entre eles.

​Desta vez, a entrega foi diferente. Não havia a fúria da vingança ou a frieza do desprezo. Era uma dança de corpos que se reconheciam como donos um do outro. Adrian a possuiu com uma lentidão torturante, saboreando cada gemido que escapava dos lábios dela, enquanto Mellyssa o puxava para mais perto, querendo fundir sua alma à dele. O ritmo era profundo, intenso, prechendo o quarto com o som de respirações entrecortadas e a promessa silenciosa de uma vida inteira.

​Quando o ápice chegou, foi como uma explosão de luz que os deixou exaustos, suados e finalmente em paz, abraçados sob o dossel de seda.

​O Pedido Inesperado

​Minutos depois, com a cabeça deitada no peito largo de Adrian, Mellyssa traçava as cicatrizes nas mãos dele, fruto da briga no jardim.

​— Adrian? — ela chamou, a voz rouca.

​— Hum?

​— Case-se comigo. Eu aceito ser sua Rainha. Eu aceito tudo.

​Adrian soltou uma gargalhada genuína, o som vibrando no peito dele e fazendo-a sorrir.

​— Você é realmente impossível, Mellyssa Solomon — ele se inclinou e a beijou na testa. — Eu passei semanas tentando te convencer, levei um sermão de Roma e espanquei um Duque... e você simplesmente decide roubar o meu momento de fazer o pedido? Eu sou o Príncipe, eu deveria estar de joelhos!

​— Você já provou que ficaria de joelhos por mim — ela rebateu com um brilho travesso nos olhos. — Então, qual a resposta?

​Adrian a apertou mais forte em seus braços, olhando-a com uma devoção que não deixava dúvidas.

​— Eu aceito, minha Baronesa. Mas saiba que agora não há volta. Vou queimar aquele testamento amanhã mesmo.

​— Queime — ela sorriu, selando o acordo com um beijo. — Eu já tenho todo o tesouro que preciso bem aqui.