O Preço da Liberdade
9 Ganhando terreno
O jardim real à noite era um labirinto de sombras, estátuas de mármore e o perfume inebriante das damas-da-noite. Adrian já estava lá, encostado em uma mureta de pedra, observando o reflexo da lua na água da fonte. Ele havia trocado a túnica formal por algo mais leve, mas ainda impecável. Ele não ia apenas para uma caminhada; ele ia para uma conquista.
Quando ouviu o roçar suave da seda na grama, ele não se virou imediatamente. Ele queria que ela sentisse que ele estava no controle do ambiente.
— Você demorou três minutos, Baronesa — disse ele, a voz profunda ecoando na quietude. — Achei que era você quem prezava pela pontualidade.
Mellyssa parou a poucos passos, os braços cruzados sobre o xale de renda.
— Estava dando tempo para você ensaiar suas frases de efeito, Príncipe. Espero que tenham valido a espera.
Adrian se virou lentamente, deixando que o luar iluminasse seu sorriso mais charmoso — aquele que costumava desarmar qualquer resistência.
— Eu não preciso de ensaios com você — ele caminhou em direção a ela, reduzindo a distância até que pudesse sentir o calor emanando de sua pele. — Com você, tudo é instinto. Como o instinto de querer descobrir o que acontece se eu quebrar essa sua postura perfeita.
— Você morreria de tédio, Adrian — ela retrucou, mas não recuou. — Minha postura é o que me mantém viva.
— Mentira — ele sussurrou, ousando levar a mão ao rosto dela, os dedos roçando a mandíbula com uma leveza torturante. — Você usa essa armadura porque tem medo de que, se baixar a guarda, descubra que gosta do perigo tanto quanto eu.
Mellyssa sentiu um calafrio que nada tinha a ver com a brisa noturna. Ela olhou nos olhos dele, procurando a frivolidade de antes, mas encontrou apenas uma determinação sombria e ardente.
— Você acha que pode me ganhar com palavras bonitas e toques roubados? — ela desafiou, a voz levemente trêmula. — Eu sou uma mulher que já teve tudo, Adrian. O que você, um príncipe que nunca amou ninguém, tem a me oferecer?
Adrian deu o golpe final. Ele não a beijou; em vez disso, inclinou-se e pressionou os lábios suavemente no ponto onde o pescoço dela encontrava a orelha, sentindo-a estremecer visivelmente.
— Eu não ofereço amor, Mellyssa. Isso é para os poetas — ele murmurou contra a pele dela. — Eu ofereço a verdade. A verdade de que você não quer mais ser apenas uma viúva poderosa e solitária. Você quer alguém que te desafie, que te faça perder o fôlego e que te mostre que o fogo queima muito melhor do que o gelo protege.
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, a mão agora firme na nuca de Mellyssa.
— E eu sou o único homem neste reino capaz de fazer isso.
Mellyssa respirou fundo, lutando para manter o desdém, mas a proximidade, o cheiro dele e a intensidade do momento estavam destruindo suas defesas.
— Você é... impossível — ela disse, mas sua mão subiu e descansou no peito dele, sentindo o coração de Adrian batendo descompassado.
— Eu sou inevitável — ele corrigiu, com o rosto a milímetros do dela. — Admita, Mellyssa. Você veio para este jardim esperando que eu fizesse exatamente isso.
O silêncio do jardim se tornou elétrico. Mellyssa olhou para os lábios dele, depois de volta para os olhos. A máscara de gelo não estava apenas trincada; estava derretendo completamente.
— Se você falhar comigo, Adrian... eu juro que te destruo.
— Então me destrua — ele sorriu, antes de finalmente selar o destino de ambos com um beijo que carregava toda a urgência dos dias de espera e toda a intensidade de duas almas que finalmente encontraram seu par no caos.
Naquela noite, o jardim de Aethelgard foi testemunha: o devasso tinha encontrado sua rainha, e a viúva tinha encontrado sua vida de volta.
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