O Preço da Liberdade
27 Desejos Reais e Outras Loucuras
O tempo passou e a barriga de Mellyssa começou a despontar sob as sedas imperiais, mas com o crescimento do herdeiro, surgiu algo que nenhum tratado de etiqueta ou manual de medicina real poderia prever: os desejos de gravidez. Adrian, o homem que enfrentara o clero e exércitos, agora tremia diante das exigências culinárias de sua Rainha.
Era madrugada quando Adrian acordou com um cutucão insistente no ombro. Ele abriu os olhos, confuso, encontrando Mellyssa sentada na cama com uma expressão de extrema urgência.
— Adrian... — ela sussurrou, os olhos brilhando na penumbra. — Eu preciso de algo.
O príncipe sentou-se imediatamente, o instinto de proteção em alerta. — O que foi? Está sentindo dor? Quer que eu chame o médico?
— Não, não... — ela lambeu os lábios. — Eu preciso de picles. Mas quero que eles sejam mergulhados em mel de acácia. E... se possível, com um pouco de queijo de cabra bem salgado por cima.
Adrian piscou várias vezes, tentando processar a mistura. — Picles... com mel? Mellyssa, querida, isso soa como algo que mataria um homem no campo de batalha. Tem certeza?
— O seu filho está exigindo, Adrian! — ela exclamou, com uma autoridade que não admitia réplicas. — E ele quer agora.
Dez minutos depois, o herdeiro do trono estava na cozinha real, descalço, acordando o cozinheiro-chefe assustado para caçar potes de conserva e favos de mel. Quando voltou ao quarto com o prato improvisado, viu Mellyssa devorar a mistura com um prazer que ele nunca vira ela ter nem com as mais finas iguarias.
O Incidente da Fruta e do Peixe
Alguns dias depois, durante uma reunião séria com o conselho sobre as rotas de comércio, Mellyssa entrou na sala de carvalho, interrompendo um discurso do Rei Alexander.
— Adrian, sinto muito interromper — ela disse, parecendo perfeitamente normal, exceto pelo brilho obstinado nos olhos. — Mas eu não consigo parar de pensar em pêssegos grelhados.
— Pêssegos? Estamos na primavera, Mellyssa, posso mandar buscar no pomar... — Adrian começou, aliviado por ser um pedido normal.
— ...grelhados com gordura de bacon e regados com calda de sardinha — ela completou, sem piscar.
O conselho inteiro ficou em silêncio. Saullo engasgou com o próprio vinho, e o Rei Alexander olhou para o filho com uma mistura de pena e divertimento.
— Calda de... sardinha? — Adrian repetiu, sentindo o estômago dar um solavanco. — Meu amor, você odiava peixe no café da manhã.
— Pois agora eu amo. E se eu não comer isso, sinto que vou começar a morder as tapeçarias deste palácio — ela retrucou, cruzando os braços sobre a barriga.
Adrian suspirou, levantando-se da cadeira de carvalho. — Senhores, perdoem-me. A economia de Aethelgard terá que esperar enquanto eu vou convencer um pescador a me dar o óleo de suas sardinhas para fritar pêssegos.
O Limite do Príncipe
À noite, deitados na cama, Adrian trouxe para ela um pote de cerejas frescas, esperando que o desejo tivesse voltado ao normal. Mellyssa olhou para as cerejas e depois para ele.
— Estão lindas, Adrian. Mas você sabe o que ficaria ótimo nelas?
— Se você disser "sangue de javali" ou "lama do fosso", eu juro que vou dormir nos estábulos — ele brincou, embora houvesse um fundo de verdade em sua voz cansada.
Mellyssa riu, puxando-o para um beijo que, para alívio dele, não tinha gosto de sardinha. — Não. Eu só queria terra molhada. O cheiro da chuva nas pedras do jardim. Quero que você traga um pouco daquela terra em um vaso para eu deixar ao lado da minha cama.
Adrian balançou a cabeça, rindo da estranheza daquilo tudo. Ele a abraçou, protegendo-a sob o lençol.
— Você é a mulher mais louca, imprevisível e maravilhosa que já cruzou o meu caminho, Mellyssa Solomon. Se você quiser que eu busque neve no topo da montanha para misturar com pimenta, eu vou. Só me prometa que esse bebê vai herdar o meu estômago e não o seu... pelo menos por enquanto.
— Ele é um Kane — ela sussurrou, aconchegando-se nele. — Ele só quer o que há de melhor... e de mais estranho no mundo.
Adrian adormeceu rindo, sabendo que, embora as vontades dela fossem sem noção, ele não trocaria aquelas madrugadas confusas por toda a sanidade do mundo.
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