O Preço da Coroa
34 Fim de resguardo
O resguardo parecia uma eternidade para Selene. Agora que o peso da culpa havia sido dissipado pelas palavras de Adrian, o que restava era uma necessidade ardente de reafirmar a conexão entre eles. Ela não queria apenas ser a mãe de Eloise ou a Rainha de Oakhaven; ela queria ser a mulher dele, a única capaz de desarmar o Rei de Ferro.
Assim que o médico deu o consentimento silencioso, Selene não esperou por convites românticos sob o luar.
A Invasão do Gabinete
Adrian estava debruçado sobre mapas comerciais e relatórios de impostos, com a testa franzida e a expressão carregada. O silêncio do gabinete foi quebrado pelo ranger suave da porta. Ele não levantou os olhos, pensando ser um servo.
— Deixe o chá na mesa lateral, por favor — ele murmurou, a voz rouca de cansaço.
— Eu não trouxe chá, Adrian.
O Rei ergueu o olhar instantaneamente. Selene estava parada ali, usando um vestido de seda esmeralda que ele adorava, mas o que o paralisou foi o brilho de determinação nos olhos dela. Ela caminhou até a porta e girou a chave, o som do "click" ecoando como um desafio no escritório silencioso.
— Selene? O que está fazendo? — Adrian soltou a pena, a curiosidade misturando-se a um desejo que ele vinha tentando reprimir para respeitar o tempo dela. — Eloise acordou? Aconteceu algo?
— Eloise dorme como um anjo — ela disse, aproximando-se da mesa com passos lentos e sinuosos. — E o que está acontecendo é que eu cansei de ser tratada como se fosse feita de porcelana.
Ela parou diante da mesa, empurrando alguns mapas para o lado com a mão, e sentou-se na borda da madeira maciça, ficando na altura dos olhos dele.
— Selene... você sabe que eu só quero o seu bem — Adrian começou, a voz falhando quando ela levou a mão ao pescoço dele, puxando-o levemente pela nuca.
— Meu bem é você, Adrian. Meu bem é sentir que este corpo ainda pertence a você e que você ainda me deseja como a mulher que quase o fez perder a cabeça. — Ela inclinou-se, sussurrando contra os lábios dele. — O tempo de espera acabou.
O Fogo sob o Gelo
Adrian não precisou de mais nenhum incentivo. Ele se levantou, as mãos segurando a cintura de Selene com uma força que a fez suspirar de satisfação. Ele a puxou para mais perto, enterrando o rosto no pescoço dela, inspirando o perfume de jasmim que o assombrava em seus sonhos.
— Eu quase enlouqueci nesses meses, Selene — ele confessou entre beijos ávidos. — Tive medo de te tocar e te machucar, medo de que você não me quisesse mais depois de tudo.
— Pois pare de ter medo — ela respondeu, as mãos explorando os ombros largos dele, desabotoando sua túnica com pressa. — Mostre-me que este gabinete ainda é o lugar onde o Rei faz o que quer.
Adrian a ergueu da mesa, sentando-a sobre o carvalho escuro entre os documentos do reino. Os mapas de guerra foram esquecidos no chão enquanto eles se entregavam a uma paixão que parecia nova, mas carregava a profundidade de tudo o que haviam superado.
Naquela tarde, as audiências foram canceladas e as portas do gabinete permaneceram trancadas. Entre beijos famintos e promessas sussurradas, eles redescobriram que o maior poder de Oakhaven não estava nos exércitos ou na linhagem, mas naquela chama indomável que os unia. Selene não se sentia mais inútil; nos braços de Adrian, ela era a força, o desejo e a única dona do coração do homem mais temido do Norte.
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