O Preço da Ambição

8 O Reencontro no Horizonte



​Cinco anos são capazes de transformar cinzas em impérios. No Rio de Janeiro, o nome Suzan Styles não era mais apenas o registro de uma antiga diarista; era a marca de luxo mais comentada pelas redes sociais, desfilada por influenciadoras e disputada pelas maiores socialites do país. Suzan havia canalizado toda a sua dor e os recursos que mudaram sua vida em uma faculdade de moda e, logo em seguida, no nascimento de sua própria grife clássica. Na imponente loja conceito na Zona Sul carioca, ela criava vestidos que exalavam exatamente o que ela aprendeu a ter: poder, elegância e independência.

​Durante todo esse tempo, o silêncio sobre Leonard Vance foi absoluto. Ela nunca mais buscou seu nome nas redes ou nos jornais, trancando aquela paixão na caixinha mais profunda de suas memórias. Enquanto isso, Hellen finalmente desfrutava da vida leve e feliz que a filha lhe proporcionara, livre de preocupações e cheia de vitalidade.

​O sol brilhava intensamente sobre o convés do luxuoso navio de cruzeiro que navegava pela costa brasileira. Hellen, vestindo um elegante chapéu de palha e óculos escuros, caminhava calmamente com sua taça de espumante, aproveitando a brisa marinha. Ao se aproximar da área mais reservada da popa, seus olhos pousaram em um homem sentado sozinho em uma espreguiçadeira, encarando o rastro de espuma que o navio deixava no oceano.

​Mesmo após cinco anos, as linhas marcantes do rosto e o olhar sombrio e imponente eram inconfundíveis. Era ele. Leonard Vance. Ele parecia ainda mais maduro, com fios levemente grisalhos nas têmporas, mas a aura de isolamento ao seu redor continuava idêntica.

​Hellen respirou fundo, ajeitou a postura e, movida por um impulso de mãe, caminhou até ele.

​— Com licença, meu jovem. O mar está lindo hoje, não acha? — ela disse com um tom de voz doce e acolhedor.

​Leonard desviou o olhar do oceano lentamente. Ele franziu o cenho, visivelmente incomodado com a interrupção de sua solitude, e respondeu com sua habitual rispidez corporativa:

​— Se a senhora diz. Eu estava preferindo o silêncio, para ser exato.

​Hellen não se abalou com a grosseria. Ela deu um leve sorriso, retirou os óculos escuros e o avaliou com carinho.

​— Sabe... você é muito mais bonito e imponente pessoalmente do que em todas as coisas e descrições que a minha filha fazia de você.

​Leonard travou. A menção repentina a um passado que ele tentava enterrar todos os dias fez sua espinha erguer-se rigidamente na cadeira. Seus olhos de ônix dispararam na direção daquela mulher mais velha, buscando traços familiares em seu rosto. Uma onda de curiosidade misturada com uma súbita ansiedade o dominou.

​— Do que a senhora está falando? Quem é a sua filha? — ele perguntou, a voz barítona saindo mais apressada do que pretendia.

​Hellen deu um passo à frente, o olhar brilhando com orgulho.

​— O nome dela é Suzan. Suzan Styles.

​O ar pareceu faltar nos pulmões de Leonard. O nome que ele passou meia década tentando esquecer foi pronunciado como um eco do passado. Ele fechou os olhos por um segundo curto, respirando fundo, sentindo o peito arder. Imagens do vestido azul, do cheiro de morango e do dia no iate inundaram sua mente com força total. Quando reabriu os olhos, a armadura de gelo havia sumido por completo.

​— Suzan... — ele sussurrou, a voz subitamente rouca. — Onde ela está? O que aconteceu com ela depois daquele dia?

​— Ela venceu, Leonard. Ela estudou, trabalhou duro e construiu o próprio império dela aqui no Rio — Hellen explicou, tocando suavemente no braço dele. — Ela nunca te esqueceu, meu querido. Mas o medo do seu pai e de mundos tão diferentes a fez fugir. Só que hoje... hoje ela não precisa fugir de ninguém.

​Leonard engoliu em seco, uma determinação feroz acendendo em seu olhar. Ele se levantou, ficando de pé diante de Hellen, e estendeu a mão.

​— Por favor... me dê o endereço dela. Eu passei cinco anos acreditando em mentiras, achando que tudo tinha sido apenas por dinheiro. Eu preciso ver a Suzan. Eu preciso olhar nos olhos dela de novo.

​Hellen sorriu, sentindo que o destino finalmente estava se alinhando. Ela pegou uma caneta na bolsa e, em um guardanapo do navio, anotou o endereço com precisão.

​— Aqui está. É a loja de luxo dela. Fica no coração de Ipanema. Vá até lá, Leonard. A minha menina merece ser feliz, e eu acho que você também.

​Leonard pegou o papel como se segurasse um tesouro precioso. Ele olhou para o endereço da grife Suzan Styles, sentindo o coração bater com uma força que não sentia há cinco anos. O jogo da ambição tinha acabado há muito tempo; agora, era a hora de Leonard Vance reconquistar a única coisa que o dinheiro jamais pôde comprar.