O Preço do Pecado

8 .O Reencontro e o Carro



​Quatro dias haviam se passado desde a noite na mansão Laurentis. Quatro dias em que Maite tentava, desesperadamente, arrancar Heitor da sua mente.

​Naquela manhã, no silêncio do seu apartamento, enquanto o sol nascia, ela havia acordado assustada, com o peito arfante e a pele formigando. Deitada nos seus lençóis simples de algodão, um flashback violento a atingiu. Ela se lembrou da sensação das mãos grandes de Heitor apertando suas coxas, do som da cama rangendo, do peso do corpo dele sobre o seu e da forma como ele a possuía por trás, forçando-a a olhar para o espelho. Seu corpo, traidor e sedento, pulsou de desejo no meio do quarto vazio. Ela sentiu uma necessidade quase insuportável de ser tocada daquela mesma forma brutal novamente. Maite cobriu o rosto com as mãos, soltando um gemido de pura frustração. Ela não podia se deixar vencer por um monstro. Levantou-se, tomou um banho gelado e forçou-se a focar no trabalho. Ela continuaria sua vida.

​Até aquela tarde.

​Maite andava pelos corredores movimentados de um shopping de alto padrão em Chicago, segurando com cuidado uma pequena caixa de madeira que continha uma pintura a óleo do século XIX que precisava de restauração urgente. Ela estava distraída, olhando para os lados, quando colidiu de frente contra uma parede de músculos revestida por um terno sob medida.

​A caixa quase escorregou de suas mãos, mas braços fortes e tatuados a ampararam com firmeza.

​— Cuidado, boneca. Arte é frágil — a voz rouca, carregada daquele deboche característico, fez o sangue de Maite congelar.

​Ella ergueu os olhos e deu de cara com Heitor Laurentis. Ele estava impecável, com os cabelos levemente desalinhados e um sorriso cafajeste no rosto.

​— Você... O que está fazendo aqui? Está me perseguindo? — Maite deu um passo para trás, recuperando o equilíbrio e segurando a caixa contra o peito como um escudo.

​— Eu sou o dono de metade das lojas desse shopping, Natasha. Eu só estava caminhando — Heitor ajeitou o terno, olhando-a de cima a baixo com um brilho predatório nos olhos. — Mas já que o destino te jogou nos meus braços de novo... Vamos tomar um café. Ali na esquina.

​— Eu não vou a lugar nenhum com você. Meu contrato acabou, lembra? — ela sibilou, tentando passar por ele.

​Heitor deu um passo lateral, bloqueando o caminho dela com sua presença intimidadora e ignorante.

— É só um café, Natasha. Ou você está com medo de não conseguir resistir a mim por vinte minutos?

​O orgulho de Maite falou mais alto. Ela cerrou os dentes, irredutível na postura, mas aceitou o desafio apenas para provar que ele não a controlava.

— Vinte minutos. E depois você some.

​Eles sentaram-se em uma mesa mais reservada nos fundos da cafeteria. Heitor pediu um expresso duplo e ela um cappuccino. O mafioso olhou para a grande vidraça que dava para a rua, onde o sol brilhava intensamente.

​— O dia está lindo hoje, não acha? — Heitor comentou, voltando o olhar intensamente para ela, os olhos castanhos fixos nos lábios de Maite. — Quase tão bonito quanto você vestindo a minha camisa na minha cama.

​Maite quase engasgou com o cappuccino. Ela colocou a xícara na mesa com força.

— Você não tem um pingo de vergonha na cara, Laurentis. Dá para parar de ser um animal por cinco minutos?

​— Eu sou um homem prático, boneca. Não gosto de perder tempo com conversa fiada — ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos na mesa, o perfume importado dele invadindo o espaço dela. — Eu sei que você pensou em mim esses dias. Dá para ver no seu pescoço, na forma como você respira mais rápido quando eu chego perto. Você quer de novo.

​— Você é um convencido de merda — ela rebateu, embora seu coração estivesse batendo no peito como um tambor. — Eu tenho nojo de você.

​— O seu nojo não combina com o jeito que você aperta a minha cintura quando eu estou dentro de você — ele sussurrou com uma vulgaridade cortante, fazendo Maite tremer na cadeira. Heitor levantou-se e deixou uma nota de cem dólares na mesa. — Minha Land Rover está no subsolo, vaga 12. Vamos terminar essa conversa lá embaixo.

​— Eu não vou...

​— Se você não for, eu subo até o seu museu amanhã e te busco pela cintura na frente dos seus chefes — ele avisou, ríspido e ignorante, antes de dar as costas e caminhar em direção ao elevador.

​Maite praguejou mentalmente. O ódio e o desejo travavam uma guerra dentro dela, mas a promessa de um escândalo no seu trabalho a fez segui-lo até o estacionamento subterrâneo.

​Quando ela se aproximou da imensa Land Rover preta, a porta do passageiro destravou. Maite entrou, colocando a caixa de arte com cuidado no banco de trás. O interior do carro era luxuoso, cheirava a couro novo e ao cigarro dele. Os vidros do veículo tinham uma película fumê tão escura que, do lado de fora, era absolutamente impossível ver qualquer coisa.

​Heitor não esperou ela colocar o cinto. Assim que a porta fechou, ele puxou o banco dele para trás, segurou Maite pela cintura e a puxou por cima do console central, forçando-a a sentar de lado no seu colo.

​— Você demorou — ele reclamou, a voz grossa de safadeza.

​— Laurentis, aqui não... — ela tentou protestar, mas Heitor calou-a com um beijo devastador.

​A língua dele invadiu a boca dela com uma força bruta, e Maite, incapaz de lutar contra o próprio corpo, cedeu. Ela enterrou as mãos nos cabelos dele, correspondendo ao beijo com a mesma fúria selvagem daquela noite. Heitor desceu a mão rapidamente por baixo do vestido dela, rasgando a calcinha de renda fina com um puxão ignorante.

​— Puta que pariu, você está encharcada para mim — ele rosnou no ouvido dela, desferindo uma palavra suja e vulgar atrás da outra enquanto abria o zíper da própria calça.

​Sem qualquer preliminar, Heitor segurou o quadril de Maite e a abaixou com força sobre o seu membro rígido. O impacto fez Maite soltar um gemido alto, abafado contra o ombro do terno dele. O carro balançava levemente enquanto ele a possuía ali mesmo, no banco do motorista, de forma rápida, suada e proibida. Maite cavalgava nele com os olhos fechados, mordendo o próprio lábio, sem acreditar que estava se sujeitando àquilo em um estacionamento público. Heitor batia firme, a vulgaridade correndo solta em seus sussurros até que ambos atingiram um orgasmo violento e abafado dentro do carro fechado.

​Minutos depois, a respiração de ambos começou a voltar ao normal. Maite saiu do colo dele, ajeitando o vestido com as mãos trêmulas, o rosto corado de vergonha e prazer. Ela não conseguia acreditar no que tinha acabado de fazer.

​— Você é um demônio — ela disse, a voz rouca, tentando manter a postura erguida, recusando-se a parecer submissa apesar do que havia acontecido. — Isso foi um erro. Um erro estúpido.

​Heitor deu uma risada de canto, fechando as calças e ajeitando o terno com total tranquilidade, agindo como o cafajeste que era.

​— Um erro gostoso demais, Natasha — ele puxou a carteira do bolso, tirou um cartão preto com o seu nome e um número de telefone direto gravado em dourado. Ele estendeu o cartão para ela. — Vamos fazer um novo acordo, boneca. Sem dívidas, sem o seu pai envolvido. Quando o seu corpo pedir por mim de novo... e nós dois sabemos que vai pedir... é só ligar. Eu venho e te fodo onde você quiser.

​Maite encarou o cartão. O orgulho dizia para ela rasgar o papel, mas seus dedos se estenderam e pegaram o cartão, guardando-o na bolsa. Ela olhou bem nos olhos dele, mantendo o queixo erguido.

​— Eu ligo quando eu quiser, Laurentis. Você não me controla.

​— Quem disse que eu quero te controlar? Eu só quero te usar — ele debochou, dando uma piscadela safada. — Agora desce do meu carro, que eu tenho uma reunião com o porto.

​Maite pegou sua caixa de arte no banco de trás e saiu da Land Rover sem olhar para trás. Heitor deu partida no motor potente, o ronco ecoando pelo estacionamento, e arrancou com o carro, sumindo de vista e deixando Natasha ali, com o corpo queimando e a certeza de que sua vida nunca mais voltaria ao normal.