O Preço da liberdade livro 2
36 Epílogo: As Flores da Redenção
O sol da primavera banhava o jardim de laranjeiras, o mesmo lugar onde, anos atrás, mentiras e promessas haviam sido semeadas. Agora, o ar não cheirava a segredos, mas ao perfume doce das flores e ao som de risadas infantis.
Lucca estava sentado em um banco de pedra, observando o movimento ao seu redor. Ele não era mais o prisioneiro pálido, nem o comerciante endurecido; havia uma serenidade em seu rosto que só o tempo e o perdão poderiam esculpir. Ao seu lado, repousava um livro de contas, mas sua atenção estava totalmente voltada para a pequena figura que corria pelos canteiros.
— Cuidado, Adrian! — a voz de Diana ecoou pelo jardim.
Um menino de cinco anos, com os cabelos escuros do pai e os olhos intensos da mãe, parou de correr e exibiu um sorriso banguela, segurando um pequeno sapo que encontrara perto da fonte. Ele era a imagem viva da trégua entre os Kane e os Lâfrer.
Diana aproximou-se, caminhando com a elegância de uma rainha, mas sem a rigidez de outrora. Ela usava um vestido leve de tons claros, e em seu colo carregava a pequena Mellyssa, uma bebê de apenas oito meses que dormia tranquilamente.
— Ele tem a sua energia — comentou Lucca, levantando-se para envolver a cintura da esposa com o braço. — E a sua teimosia.
— E a sua mania de se enfiar em lugares onde não é chamado — Diana rebateu com um sorriso carinhoso, encostando a cabeça no ombro dele.
O Legado do Norte
A vida havia se estabilizado. Alexander agora governava a maior parte das questões militares ao lado do pai, enquanto Lucca e Diana dividiam seu tempo entre o palácio e a mansão do Norte. A rota do café tornara-se o coração comercial do reino, mas para eles, o sucesso financeiro era apenas o pano de fundo para a verdadeira riqueza que construíram: a confiança.
Eles ainda tinham suas discussões — a intensidade de ambos jamais permitiria uma paz absoluta e monótona —, mas agora, as brigas terminavam em diálogos, não em masmorras ou fugas.
A Última Lembrança
Naquela tarde, enquanto o Rei Adrian e a Rainha Mellyssa se juntavam a eles para o chá no jardim, Diana entregou a bebê para a avó e puxou Lucca para uma caminhada até a velha laranjeira.
— Às vezes — ela começou, olhando para o tronco da árvore — eu ainda sinto o frio daquela cela nos meus ossos.
Lucca pegou a mão dela, onde o anel de ouro agora brilhava ao lado de uma aliança cravejada de diamantes.
— O frio serviu para nos ensinar o valor do fogo, Diana. Se não tivéssemos passado pelo inverno, não saberíamos apreciar esta primavera.
Ela olhou para o marido e viu o homem que a amou através do ódio, da mentira e do tempo. Ela inclinou-se e o beijou, um beijo que carregava a calma de quem não precisa mais provar nada ao mundo.
— Eu te amo, Lucca Lâfrer. Por quem você foi, por quem você é e por quem seremos.
— E eu te amo, Diana. Minha princesa, minha esposa... minha vida.
O vento soprou, derrubando algumas pétalas brancas sobre eles. O passado era uma história escrita em pergaminhos velhos, guardada na biblioteca do castelo para que as futuras gerações aprendessem sobre o perdão. Mas o presente... o presente era o riso de um filho, o calor de uma mão dada e a certeza de que, em Aethelgard, o amor finalmente havia derrotado o destino.
FIM
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