Notas iniciais
Chegamos ao fim. Espero que gostem desse final e desculpem-me qualquer erro. Nos vemos nas notas finais. Boa leitura. =D

Rachel estava animada. Ela adorava casamentos. Eram intensos, especiais e regados de amor. Já fazia alguns anos desde o último casamento de alguém da sua família. A cerimônia de Puck e Sugar, onde a ruiva acabou ultrapassando o limite na bebida e finalizou a noite dançando sobre a mesa do bolo. Praticamente todos já tinham visto o ocorrido que permanecia registrado no aparelho celular de Santana, e James, o filho do casal, adorava rever quando estava acompanhado da tia latina.

Seria cômico se não fosse tão constrangedor.

Entretanto, a morena estava indo para uma cerimônia bastante especial. Ainda lembrava de como Santana insinuava constantemente que Kate e Zoe namorariam quinze anos atrás. E agora estavam todos ansiosos no dia do casamento de ambas, principalmente Frannie.

A advogada tinha razão, afinal de contas.

A judia terminava de contornar os olhos com o lápis escuro quando uma figura pequena e apressada adentrou o quarto enquanto tentava colocar a gravata ao redor do pescoço.

— Tia Frannie estava tendo uma síncope e a mamãe Q não sabia o que fazer, então a tia Sant entrou na cozinha e esbofeteou ela. Foi tão engraçado, mama. — Disse tudo rapidamente.

Rachel não evitou uma risada, e chamou o filho com a mão, que logo se pôs na frente da baixinha.

— Por que não me pediu ajuda com a gravata? Esse nó vai ser difícil de tirar. — Indagou docemente.

— Eu já sou grande, mama. Eu achei que podia colocar sozinho. — Comprimiu os lábios finos.

A morena sorriu, e passou as mãos nos fios loiros e sedosos delicadamente antes de tentar desatar a bagunça que o filho fez na gravata. Vincent era um garoto gentil e hiperativo, como a maioria das crianças de onze anos. O loirinho de olhos castanhos havia tido complicações respiratórias assim que nasceu, e o processo cirúrgico e a recuperação na incubadora não foi fácil, mas ele conseguiu vencer. Era um vencedor. Rachel agradecia todos os dias por ter o filho bem e saudável. Era o seu tesouro, juntamente com a esposa e as gêmeas.

— Prontinho. — Disse, e então ajustou suavemente a gravata no colarinho da camisa branca sob o blazer cinza. — Está lindo. Um príncipe.

— Agora só falta a princesa. — A voz de Quinn ecoou na entrada do quarto enquanto adentrava-o com Aurora em seu encalço.

— Ou outro príncipe. — A gêmea mais velha comentou, e recebeu três pares de olhos na sua direção. — O quê? Há sempre a possibilidade de alguém ser gay nessa casa. — Deu de ombros.

— Namorar é nojento. — O garotinho disse. — Há saliva dentro da boca, sabiam disso? E trocar saliva é muito nojento. — Fez uma careta.

— Espere até descobrir como os bebês são feitos, então. Muita coisa é trocada e não apenas saliva. — A irmã rebateu, e ganhou um olhar repreensivo por parte de Rachel.

— Você pode parar de falar isso na frente do Vince? Parece até a tia Sant. — Audrey passou pela porta e parou ao lado da mãe.

— E você pode parar de ser tão puritana? Vince logo vai saber o que é isso. — Retorquiu.

— Mas não agora. Ele é muito novo.

— Tudo bem, mas ele precisa saber logo, porque pode acabar careta como você.

— Eu não sou careta.

— Pelo amor de Deus! Você escolheu ser virgem aos dezesseis anos, Aud.

— Você também é virgem.

— Mas eu não tenho aquela coisinha que você tem, ou então eu aproveitaria. Você acha que a sua namorada não me conta as coisas? Valerie é a minha melhor amiga. — Sorriu.

Quinn, Rachel e Vincent observavam tudo em silêncio. Essas discussões eram corriqueiras. As gêmeas realmente eram bem diferentes. Começando pelo aspecto físico, onde Aurora prezava bastante a vaidade e exibia suas madeixas longas, e Audrey não se importava nem um pouco com roupas ou maquiagens e possuía os cabelos curtos como os da mãe loira, até as características inerentes, como o fato da gêmea mais nova adorar passar o tempo na biblioteca da escola ou no escritório da mansão folheando livros. A mais velha, entretanto, era bastante admirada na instituição de ensino e rodeada de pessoas. Contudo, isso não a impedia de recusar a companhia de todos para permanecer ao lado da irmã. Ambas eram ligadas de uma forma descomunal. Tinham desentendimentos como em qualquer relação familiar, mas nunca passaram mais do que algumas horas separadas.

Quando o rosto de Audrey assumiu uma coloração rubra, Quinn soube que ela não iria rebater a irmã. Era sempre assim. Aurora sabia exatamente o que dizer para ganhar uma desavença, mas depois sempre mudava de assunto.

— O que acha de irmos até o jardim roubar alguns doces? Maribel e James já estão lá. — Aurora chamou o irmão.

Vincent assentiu animado e correu na frente das gêmeas.

— Não corra muito! — Rachel advertiu, mas o filho já havia saído do quarto.

— Não vamos deixá-lo correr muito, mama. — Audrey sorriu docemente para a judia, que retribuiu, e então sumiu da sua vista.

— Você acha que um dia Aurora vai parar com as implicâncias? — Quinn perguntou enquanto olhava no espelho.

— Eu acho que se um dia Audrey e Valerie casarem e se mudarem para uma casa aqui perto, Aurora vai comprar uma residência ao lado só para não ter de parar com as implicâncias. — Respondeu.

A esposa riu, e aquiesceu. Rachel estava certa. Aurora com toda a certeza faria aquilo.

...

O jardim da mansão estava totalmente decorado em branco e um azul suave. Não era nada exagerado e ainda assim era extremamente bonito. Kate e Zoe não gostavam de aglomerações e escolheram justamente aquele lugar para celebrar a união. Foi naquela residência onde passaram por muitas coisas juntas, inclusive a descoberta do amor aos quinze anos.

Os convidados eram apenas a família e alguns amigos. Tudo era muito íntimo e delicado. O encarregado das fotografias era Russel, seu irmão, que mesmo tendo apenas dezesseis anos estava cada vez mais empenhado nisso, e Kate não pôde recusar quando o loiro pediu para ter aquela honra.

Aos poucos, todos iam chegando e se acomodando nas cadeiras confortáveis, exceto as crianças, que corriam pela vasta área verde, e um casal mais afastado.

A árvore grossa e firme ocultava a visão de Audrey e Valerie, e principalmente, a tensão sexual que emanava de ambas enquanto se beijavam de forma famélica. Estavam aflorando cada vez mais e sabiam disso. A latina era sempre mais ousada, e acabava arrastando a namorada para lugares privados onde ninguém iria interrompê-las.

Elas realmente achavam que não.

Quando uma tosse forçada foi ouvida, Audrey praticamente empurrou a mais baixa para longe, como se Valerie queimasse, e fitou Santana olhando para si com os olhos brilhando em ira.

— Por el amor de Dios! No pueden separarse un poco? Parecen conejos. No me gusta, Valerie Pierce-Lopez! — Esbravejou.

— Pero mamá, ya no soy una niña! — A filha retrucou.

— Usted sólo tiene dieciséis años, chica. Y va a obedecerme hasta cuando yo quiera! — Determinou. A voz firme.

Valerie estava pronta para argumentar novamente, mas Audrey segurou a sua mão firmemente. Conhecia a namorada como ninguém. Eram amigas desde crianças, e sabia que quando a latina mais nova iniciava uma discussão em espanhol com a mãe tudo tendia a piorar.

— E você... — Santana apontou na direção da afilhada, que engoliu pesadamente. — Controle as suas mãozinhas e o seu palmito. Eu não o quero dentro da minha filha pelos próximos anos, entendeu? Ou então você vai conhecer uma fúria de verdade.

A cada palavra dita foi um passo dado, e Audrey podia sentir a ameaça de Santana em cada poro do seu corpo, fazendo-a se arrepiar.

A mais nova apenas assentiu freneticamente, e a advogada respirou fundo.

— Vão procurar seus irmãos e os outros. A cerimônia vai começar logo.

Audrey mal ouviu o resto da frase e saiu em disparada, sendo seguida por Valerie, que resmungava palavras inaudíveis.

Santana suspirou e esfregou as têmporas, mas parou ao ouvir passos se aproximando.

— Eu sei que você viu tudo. Por que não interrompeu? — Virou para encarar a amiga.

— Porque a expressão de Audrey foi impagável. Ela já deve ter recebido inúmeras ameaças da sua parte e em todas o medo não diminui. Como você faz isso? — Quinn questionou.

— Isso se chama Snixx. E ninguém consegue evitar sentir medo da Snixx. — Sorriu convencida, e cruzou os braços.

— Eu achei que você pularia sobre ela.

— Eu sou a madrinha dela, esqueceu? Acompanhei o seu crescimento. Eu jamais a machucaria, mas ameaças são permitidas. Já fui boa o suficiente em aceitar esse namoro descabido. — Deu de ombros.

— Você sabe que isso aconteceria em breve. Elas viviam sempre juntas, exatamente como todas nós na adolescência.

Santana assentiu, e varreu todo o jardim com os olhos. A pequena Maribel, de dez anos, sujava Vincent com o glacê do cupcake que tinha em mãos enquanto ria da careta do amigo. Ao contrário de Valerie, a garotinha era loira e tinha os olhos de Brittany, exatamente como Owen, o que fazia a mãe latina derreter quando recebia aquelas íris claras na sua direção.

— Eles podem ser os próximos. — Quinn murmurou com a voz repleta de galhofa.

— En sus sueños, Fabray.

...

Shelby sorriu quando a filha passou as mãos pelo vestido de noiva. Os anos pareciam correr tão rapidamente. Em um dia estava no Strawberry Field assinando toda a papelada de adoção daquela garotinha tímida e doce, e no outro estava ali, sentada, enquanto a observava deslumbrada com os detalhes do traje branco com rendas. Sua filha iria se casar.

Rachel deixou os últimos detalhes nas mãos dos pais e de Kurt, saindo em seguida para conferir se tudo estava indo bem, mas sua atenção foi totalmente desviada para a porta que dava passagem ao jardim. Stacy havia acabado de chegar com Lindsay e Brooke.

O rosto da ruiva não havia saído nos jornais ou nos noticiários como sequestradora e tinha sido deixado sob os panos há quinze anos. O corpo de Jesse se transformou em cinzas no incêndio e tudo que restou foi a ruiva e o seu distúrbio que precisava ser tratado. E ela o fez. Ela se tratou no decorrer do tempo. Não foi fácil e tampouco confortável, mas Stacy estava lá. A mãe de Lindsay havia abandonado a carreira de psiquiatra para cuidar do casamento mas após o divórcio decidiu voltar com a sua profissão e passou todo o seu tempo tratando o caso de Brooke com afinco. Nenhuma delas sabia dizer quando ao certo se aproximaram tanto, mas aconteceu. E todos tiveram uma surpresa gigante quando foram convidados para o casamento de ambas há exatos cinco anos.

A cerimônia foi pequena e simples. Rachel ainda estava totalmente receosa em relação à ruiva, mas tudo pareceu se esvair quando a viu sorrindo para Stacy diante do juiz. Não era um sorriso obcecado como aqueles que ela direcionava para Quinn. Era um sorriso sincero, amplo, e principalmente, amoroso. Brooke havia se livrado dos seus demônios. Era outra mulher. Era uma pessoa que tinha o amor no coração, algo que nunca teve antes. E tudo graças à confiança que Quinn tivera sobre sobre si e ao sentimento que eclodiu dentro do seu peito ao conviver na presença de Stacy durante o tratamento. O amor pode acontecer de modo fortuito, e aquele casal, pouco improvável no começo, mas feliz e cheios de cumplicidade agora era um exemplo vivo disso.

Rachel se aproximou do casal. Lindsay logo a cumprimentou, e entrou novamente na mansão. Iria saber como as amigas estavam antes de ir para o altar como madrinha do casamento.

— E então? Como anda a gestação?

Stacy sorriu, pondo a mão sobre a barriga de seis meses.

— Um pouco difícil. Minhas costas doem e as oscilações de humor estão me matando. — Respondeu.

— Mas no final tudo vale a pena. — Brooke rodeou a base das costas da esposa com o braço e beijou-lhe a têmpora amorosamente. — Vamos ser mamães. E eu vou fazer qualquer coisa por essa garotinha aqui. — Pôs a outra mão sobre o ventre da morena.

Rachel sorriu com o ato. Brooke realmente havia se tornado outra pessoa.

Em um dos quartos da mansão, Cassandra soluçava baixinho enquanto fitava a filha.

— Você está tão linda. Minha garotinha vai casar. Eu não acredito nisso.

Kate sorriu, e enxugou as lágrimas do rosto da mais velha delicadamente.

— Já é a oitava vez que você chora, mama.

— Eu sei, eu sei. Deve ser a crise da meia-idade.

— Você não tinha dito a mesma coisa quando elas anunciaram o noivado? — Frannie indagou confusa, e recebeu olhar cortante da esposa. — O quê?

— Eu estou expressando meus sentimentos, Francine! — Bronqueou, e voltou a encarar a filha. — Eu espero muito que vocês sejam felizes como sua mãe e eu somos.

— Eu vou ser. Eu a amo tanto. — Sorriu nervosa.

— E ela ama você. — A mãe respondeu. — Eu sei que serão felizes.

— Mas ainda há tempo de desistir. Você sabe que eu a esconderia sob as minhas asas, não sabe? — A empresária inquiriu.

— Eu sei, mamãe. — Segurou os ombros da mais velha. — E eu sempre serei a sua garotinha. Mas também quero passar o resto da minha vida com a Zoe.

— Tudo bem. — Abriu um sorriso amoroso. — Está pronta?

Kate assentiu e respirou fundo, tentando conter o frio na barriga.

— Estou. — Afirmou convicta.

— Então vamos lá.

...

A música alta e lenta preenchia o ambiente, e era aquele clima que Rachel adorava. A felicidade de uma nova união que acabava de nascer. Os sorrisos iluminados que as noivas direcionavam uma para a outra enquanto dançavam no centro do salão coberto montado no jardim.

Aquela garotinha amorosa e inteligente que abraçou Quinn assim que pôs os pés na entrada da mansão agora era uma mulher realizada. Kate era tão especial, e vê-la casada com a sua irmã, outra pessoa preciosa, aquecia o seu coração.

— No que está pensando? — Quinn indagou enquanto se mexia suavemente com as mãos apoiadas na cintura fina.

— Eu estou pensando no fato de que todos estão felizes agora. — Respondeu, apoiando a cabeça no ombro da mais alta em seguida.

— Isso é bom, não é? Estamos em paz. Quinze anos se passaram e estamos absolutamente felizes. — Beijou-lhe o topo da cabeça.

— Isso é indescritível. Todo esse sentimento. Criamos os nossos filhos em uma família amorosa, da mesma forma que sempre sonhamos na Inglaterra, e eles são tão doces e gentis, assim como você.

— E você. — A esposa complementou. — Você é a pessoa mais doce que eu conheço, Rachel Berry-Fabray. — Sorriu. — E eu sinto como se todos os dias eu a amasse cada vez mais.

— O nosso para sempre é real. — Fitou a loira, e aproximou ambos os rostos.

— Ele sempre foi e sempre será.

— Eu te amo tanto, Quinnie. Tanto. — Beijou-lhe vagarosamente.

O afeto foi calmo e singelo. Um mover de lábios sem que aprofundassem-no. Não era o momento certo para um beijo mais ousado, principalmente porque Quinn sabia que Santana poderia aparecer a qualquer momento para despejar algum gracejo sobre si.

Quando a melodia parou aos poucos, ambas se separaram para fitar Kate com o microfone em mãos ao lado de Zoe. Vincent e as crianças, diferente dos outros, continuaram correndo, e Quinn segurou o garotinho quando este passou ao seu lado. Estava suado e a gravata amarrada na cabeça. A mãe não segurou a risada com isso.

— Eu disse para você não correr muito. — Rachel ralhou em um tom baixo.

— Mas correr é legal, não é, mamãe? — Fitou a empresária.

— Bom... — Fez uma pausa, e encarou a esposa e o filho olhando para si esperando uma resposta. — Vamos ouvir o que Kate tem para dizer.

— Como todos sabem, eu sou escritora, mas isso não ajuda muito no ato de falar em público. — Começou, e arrancou risadas dos demais. — Mas a minha esposa e eu queremos agradecer por todo o carinho que recebemos hoje. Esse dia será inesquecível para nós. E eu espero que as fotos tenham ficado ótimas, Russ. — Sorriu para o jovem.

— Elas ficaram. Eu sou o melhor nisso. — O irmão respondeu com um sorriso divertido.

— Ótimo, ótimo. Eu também agradeço por isso. Mas há algo importante que queremos contar. — Passou o microfone para a esposa.

Zoe respirou fundo e sorriu.

— Eu estou grávida.

— Oh, meu Deus. — Todos estavam estupefatos pela notícia, mas foi Shelby quem se pronunciou primeiro. A boca entreaberta denunciava o choque pela informação.

— Vamos ser avós. — Cassandra se desmanchou em lágrimas, e Kate correu até a mãe para abraçá-la.

— Quando vocês fizeram a inseminação? — Frannie indagou. O sorriso sendo capaz de chegar até as suas orelhas.

— Alguns meses atrás. Nós não queríamos esperar os preparativos do casamento chegarem ao fim e logo depois a lua de mel. Então fizemos tudo antecipadamente em sigilo com a Kristin. — Sorriu para a médica, que retribuiu.

— Nosso filho ou filha está aqui agora. — Apoiou a mão sobre a barriga plana.

As felicitações vieram de todos os lados, e Lindsay logo se autointitulou madrinha do bebê, o que gerou uma discussão com Savannah, que também almejava aquilo. No final, ambas concordaram em esperá-lo nascer primeiro para decidirem, mas não adiantou muito, já que alguns minutos depois voltaram a brigar.

— Vocês acreditam nisso? Eu vou ser avó! — Frannie falava eufórica.

— E eu vou ser tia-avó. — Quinn respondeu. — Está preparada para isso? — Sorriu para a irmã.

— É claro que sim! — Apertou o ombro da caçula. — E quem sabe em breve não será você. — Apontou com a cabeça na direção de Valerie, que abordava Zoe com indagações sobre a gestação que mal começou.

— Não diga isso. Santana pode ouvir e...

— Eu já ouvi, GayBray. — A latina se aproximou. — E eu posso dizer que se mi hija engravidar antes de ir para a faculdade, eu vou matar Audrey lentamente. — Determinou.

— Sant! Não diga isso! Já imaginou ser avó? Deve ser incrível! — Brittany comentou com os olhos brilhando.

— Britt! Valerie só tem dezesseis anos. — Retrucou.

— Eu sei, mas temos de pensar no futuro. Audrey é a namorada perfeita para a Valerie. Elas seriam mães perfeitas daqui a alguns anos.

— Ninguém sabe o que o futuro nos reserva, não é? — Frannie fitou a irmã.

Quinn aquiesceu e sorriu.

— Ninguém sabe, Fran.

...

— Por que estamos todos aqui? Alguém está esperando mais um bebê? — Santana indagou enquanto se acomodava ao lado de Brittany na sala de estar.

Todos estavam no cômodo vasto a pedido de Kate. Até mesmo as crianças se mantinham ali, sentadas no carpete enquanto conversavam entre si. Cassandra segurava a pequena Shelby nos braços, enquanto a outra avó do mesmo nome tentava entretê-la com o chocalho. O bebê era uma linda garotinha de cinco meses com poucos fios castanhos e olhos azuis encantadores, e a Corcoran ainda se emocionava sempre que lembrava do momento em que a filha tinha anunciado o nome da recém-nascida. Zoe era eternamente grata por ter sido adotada por Shelby e ter recebido um amor imponderável. A mãe com toda a certeza merecia aquela homenagem.

— Não. Ninguém está esperando um bebê. — Kate adentrou o local com a esposa, que logo sentou ao lado da sogra. — Mas eu preciso falar com vocês. Estão todos aqui?

— Quase todos. Valerie e Audrey não desceram. — Rachel respondeu.

— Elas podem vir depois. Comece a falar. — Santana apressou a loira, que revirou os olhos.

— Eu finalmente terminei o meu segundo livro. — Anunciou.

— Excelente! Finalmente vamos saber do que se trata? Porque você não nos disse nem o título. — Frannie se pronunciou.

— Ela só me falou porque eu ameacei fazê-la dormir no sofá. — Zoe comentou. — E eu sei que todos vão adorar. — Sorriu.

— Diferente do primeiro, esse não é sobre um suspense psicológico e sim sobre a história de alguém. Alguém que eu admiro desde criança.

Ninguém disse nada. Estavam todos aguardando ansiosamente para que a escritora exibisse o que tinha em mãos, e ela logo o fez.

Era apenas um manuscrito, mas era possível ver o título e o seu nome logo abaixo.

O Preço da Volta. — Disse. — Ele fala sobre uma garota que foi abandonada em um orfanato e lá conheceu seus melhores amigos e o amor da sua vida. Essa garota não possuía riquezas materiais, mas ela tinha o amor consigo, e isso a fez se tornar uma pessoa bondosa, gentil, amorosa e complacente com todos. O sentimento bom que habitava em si era mais valioso do que qualquer quantia de dinheiro. Quando precisa voltar para a cidade em que nasceu para conviver com a família, acaba tendo um preço nisso tudo. Um preço alto porque vilões que não gostavam dela por ser diferente tentaram atacá-la, mas esses vilões logo foram liquidados, e o amor sempre prevaleceu. Tia Lucy... — Fitou a mais velha, que chorava em silêncio ao lado de Rachel. — Eu admiro você desde que a vi pela primeira vez. Admiro a sua força e o seu coração grande, que abriga todos nós. Eu te amo e espero que esse livro possa honrar a sua história, porque ela merece ser contada. — Finalizou com lágrimas nos olhos.

Não demorou muito para que Quinn levantasse do seu lugar, e o abraço que trocou com a sobrinha foi forte e recheado de amor. A empresária sempre amaria e protegeria aquela garotinha afetuosa que agora era uma mulher.

Aos poucos todos foram se juntando ao abraço, e as crianças também não tardaram em fazer o mesmo. Eles adoravam aquelas comemorações em família.

— Eu amo você, Key. — Quinn segurou o rosto da sobrinha. A pele alva vermelha pelo pranto emocionado. — E eu sei que esse livro vai ser tão espetacular quanto o primeiro. Você é um orgulho pra todos. — Sorriu.

Mais algumas palavras foram trocadas, no entanto, todos dirigiram os seus olhos para a entrada do local quando Audrey e Valerie apareceram. A latina mais nova tinha os olhos inchados, como se houvesse chorado por muito tempo, e a gêmea mais nova estava mais pálida que o normal.

— O que aconteceu? — Foi Quinn quem tomou a palavra. Estava preocupada.

Nenhuma delas respondeu, mas a filha de Santana e Brittany ergueu a mão, mostrando o objeto que carregava, e a mãe sentiu seu coração tamborilar com força dentro do peito.

Rachel piscou várias vezes, alternando o olhar entre a filha e a nora até parar em Audrey, que assentiu levemente enquanto deixava algumas lágrimas escorrerem. Elas não...não!

— Valerie... — Brittany começou. As palavras morrendo na sua garganta.

— Eu estou grávida. — As três palavras atingiram todos simultaneamente, confirmando o que já suspeitavam. — Me desculpem. — Explodiu em um pranto copioso.

A mãe loira correu até a filha, ignorando a sua cabeça, que parecia girar rapidamente, e a acalentou nos braços. O corpo da mais nova tremia pela força com a qual as lágrimas desciam. Rachel fez o mesmo, caminhando para perto de Audrey. Tudo deveria ser tratado com extrema fragilidade.

Quinn encarou Santana. Ela estava imóvel. Os olhos não piscavam.

— Sant? — Chamou.

A advogada não respondeu. Sua mente processava tudo. Valerie estava grávida aos dezesseis anos. Sua visão escureceu lentamente até suas pernas perderem a força.

Quinn sabia o que aconteceria e segurou a amiga assim que o corpo desta tombou para a frente, e com cuidado, a deitou no sofá. Todos migraram a atenção na latina desmaiada na sala de estar.

Valerie chegou depressa até a mãe e segurou-lhe a mão até que uma água pudesse ser trazida, e aos poucos Santana foi despertando.

Sua mente não estava calma. Ela não estava calma. Quando sua visão ficou nítida, procurou com os olhos o seu alvo, e quando encarou Audrey ao lado de Rachel, levantou rapidamente.

— Você deflorou a minha filha! Sua irresponsável! — Com essa última sentença, Santana tentou ir até a garota, mas foi segurada a tempo por Puck e Quinn, enquanto Rachel se colocava na frente da filha assustada.

Não seria fácil contê-la, e provavelmente a latina ainda iria tentar matar Audrey diversas vezes antes de aceitar a situação. Ela sabia que a culpa era de ambas, mas jamais iria ser grossa com Valerie. Quinn mal conseguia raciocinar direito diante daquela situação caótica, mas pensava apenas em uma coisa no momento.

Seria avó em nove meses.

Audrey e Valerie ainda eram praticamente duas crianças. Estavam no segundo ano do ensino médio e mal sabiam cuidar de si mesmas e agora seriam mães. Iria ser uma caminhada árdua, mas Quinn tinha certeza de algumas coisas.

Elas se amavam, a família sempre estaria pronta para protegê-las e ambas teriam todo o amor e apoio que precisassem.

E essas coisas eram o que mais importavam no momento.

Notas finais
O epílogo foi leve e deixa um final onde há o começo de uma nova vida que crescerá naquela mansão. E chegou a hora de agradecer. Foram quase noventa capítulos e inúmeros comentários repletos de carinho por parte de vocês. Quando comecei essa história, eu não tinha a menor ideia de que ela atingiria tantas pessoas, e a minha ficha ainda não caiu completamente. Então obrigada a quem comentou, favoritou e acompanhou com afinco esse enredo. Ele vai estar sempre no meu coração, assim como os outros que pretendo escrever. Espero que permaneçam lendo as minhas outras aventuras. Inclusive, já iniciei uma nova. Vocês podem vê-la aqui: https://fanfiction.com.br/historia/699633/Almas_Afins/ Espero que tenham gostado deste epílogo. Me deem os últimos feedbacks nessa fic. ♥ Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!