O Preço da Volta - 2ª Fase
7 Capítulo 7 - Preparativos...
Notas iniciais
Quinn achava que estava tendo uma síncope.
Ela na verdade não achava. A certeza pairava em sua cabeça. Ela estava sentada ouvindo aquela mulher sorridente demais falando sobre todos os tipos de bolos de casamento por quase duas horas. As amostras dos alimentos estavam espalhadas pela enorme mesa de vidro. Eram tantas tonalidades, coberturas e sabores que Quinn pensava nunca mais querer comer um doce na sua vida.
Seus olhos fitaram Santana, que encarava a mesa com uma expressão de paisagem, provavelmente tendo uma síncope também. Puck devorava uma das fatias avidamente, sem sequer olhar para a cerimonialista, que anotava sem parar em sua prancheta. Cassandra limpava a boca de Kate com cuidado, que também se deliciava com o doce ao seu lado.
Rachel e Brittany ouviam tudo atentamente e concordavam com a cabeça pelo menos cinco vezes a cada minuto, absorvendo todas as informações. As duas realmente estavam compenetradas. Até mesmo Kurt estava ao lado de Shelby, e Quinn jurava ver os olhos azuis do rapaz brilhando enquanto a mulher falava sem parar.
— E então? Quais dos bolos agradaram as noivas? — A pergunta final foi feita.
Quinn soltou um grunhido quando Rachel a chutou por debaixo da mesa e enfim saiu de sua bolha. Seus olhos focaram na noiva e em seguida nos vinte pratos pequenos de porcelana com as fatias.
— Então... — Limpou a garganta. — Eu gostei do sabor daquele ali. — Apontou para o bolo vermelho.
— Nós não vamos ter um bolo vermelho. — Rachel maneou a cabeça. — Sem chances.
— Certo, então todos os bolos de cor mais vivas foram descartados. — A mulher riscou algo em sua prancheta. — Qual dos bolos restantes vocês mais gostaram? — Sorriu gentil.
Rachel fitou a noiva, esperando alguma resposta, e Quinn apenas moveu seus olhos dos doces para a morena algumas vezes antes de abrir um sorriso pequeno.
— Eu gostei de...todos? — Comprimiu os lábios.
Rachel revirou os olhos, logo tendo sua atenção voltada para a mulher que aguardava uma resposta.
— Nós vamos escolher o de geleia de frutas vermelhas com chantilli. Adoramos esse. — Sorriu.
— Esse é perfeito. — Quinn também sorriu.
— Maravilha! Vou providenciar também um bolo menor do mesmo sabor mas vegano. — A mulher sorriu animada, virando para Brittany e Santana. — E vocês? Qual gostaram mais? — Indagou atenciosa.
— Eu amei o de brigadeiro de pistache e você, San? — Encarou a latina.
Santana ainda encarava os bolos com a expressão indecifrável, e dessa vez foi ela quem recebeu o chute sob a mesa. A latina sobressaltou com o susto.
— O que aconteceu? — Questionou alarmada.
— Será que você pode se concentrar aqui? — A loirinha bronqueou.
— Desculpe. — Pediu envergonhada. — O que você disse?
Brittany bufou e Puck soltou uma risada.
— Brigadeiro de pistache. — Quinn sussurrou no ouvido da amiga.
— Eu adoro esse sabor. — Santana sorriu.
— Então vai ser esse. — Brittany decretou por fim.
— Vocês são muito idiotas. — Frannie disse. — Deveriam prestar mais atenção.
— Será que eu posso falar agora de como você dormiu no meio das informações que a cerimonialista nos passava? — Cassandra arqueou as sobrancelhas.
Santana riu, acompanhada dos demais. Até mesmo Kate riu da expressão constrangida da mãe.
— Você é boba, mamãe. — A garotinha se pronunciou. — No meu casamento eu vou ficar acordada. — Sorriu orgulhosa.
— Você não vai se casar, mocinha. — Frannie a encarou.
— Vou sim. — Falou firme.
— Não vai. — Retorquiu.
— Vou sim.
— Não vai.
— Vou sim.
— Eu já disse que não.
— Mamãe!
Kate cruzou os braços com um bico enorme nos lábios, enquanto Cassandra revirava os olhos pela atitude infantil da esposa, chamando a filha para se sentar no seu colo.
— Você é inacreditável. — Ralhou.
— Eu só falei verdades. — Cruzou os braços abaixo dos seios, espelhando a pequenina.
— Então já acabou? Nós escolhemos os bolos. — Quinn sorriu em expectativa. Santana estava em total semelhança.
— Não. Ainda falta saber qual será a preferência para os acompanhamentos, o buffet e as bebidas. — A cerimonialista respondeu.
Kurt bateu palminhas animado. Rachel e Brittany não estavam diferentes. Puck sorriu com a ideia de comer mais.
O sorriso de Quinn se desfez tão rápido quanto se formou e quase em sincronia com a latina, ambas afundaram nas cadeiras acolchoadas.
— Casamento deveria ser legal. — Santana sussurrou. — Quando pulamos para a parte onde dizemos aceito?
— Agora vocês entendem porque eu dormi. — Frannie deu de ombros.
O dia estava apenas começando.
...
— Eu estou tão feliz por vocês terem aceitado nosso pedido. — Hiram sorriu animado assim que se separou do abraço com Quinn.
Rachel sorriu diante da felicidade nos olhos escuros dos dois homens. Depois de quatro anos as coisas tinham melhorado bastante entre a relação de todos com Hiram e Leroy. Eles realmente provaram e ainda provam dia após dia serem merecedores do perdão concedido naquele fatídico dia no hospital.
Ambos sempre eram chamados para jantares e aniversários na mansão Fabray e aproveitavam para se aproximar mais e mais da filha e da nora. Quinn realmente se surpreendeu com o quão doce eles poderiam ser, tirando toda aquela casca formal e impassível e dando lugar ao que realmente eram.
Hiram e Leroy não poderiam estar mais orgulhosos e felizes com cada passo dado por ambas, assim como as conquistas profissionais e pessoais.
Haviam feito as pazes também com Kurt. O filho ainda morava em um apartamento, alegando que precisava do seu próprio espaço, mas a relação do rapaz com ambos estava mais forte do que nunca. Com Rachel não era diferente.
Shelby também poderia ser considerada uma amiga. Depois de inúmeros diálogos e pedidos de perdões dos homens Berry, a Corcoran resolveu lhes dar uma chance e agora uma vez por semana os três se reuniam em uma tarde agradável para jogar conversa fora.
— Nós não iríamos recusar. Vai ser uma honra ter nossas roupas preparadas por vocês. — Rachel sorriu para os dois.
— A honra é nossa por poder fazer parte disso, estrelinha. — Leroy apertou a mão do marido.
— Então deixe-me ver se entendi. — Hiram ergueu a prancheta, olhando os nomes no papel. — Frannie, Cassandra, Mercedes e Sugar serão as madrinhas das quatro.
— Exatamente. — Rachel assentiu. — Nós não queremos dividir em casais. As mulheres ficarão do lado direito e os homens do esquerdo.
Hiram concordou com a cabeça atencioso e novamente pôs a ler o papel.
— Kurt, Noah, David e...Blaine? — Ergueu os olhos confuso.
— Oh, eu esqueci de falar. — Quinn sorriu. — Nós não sabíamos quem colocar como o quarto padrinho então eu convidei um novo amigo. Blaine é o filho do senhor Brad Anderson. Das relojoarias Anderson. — Explicou calmamente. — Lembram dele? — Fitou a irmã e a latina.
— Sim! — Santana estalou os dedos. — O borboleta. — Sorriu.
Frannie riu com o comentário da latina. Mercedes não estava diferente e Quinn revirou os olhos.
— Ele foi com o pai em uma das reuniões que tivemos porque concluiu a faculdade de administração há pouco tempo e se mudou recentemente para a cidade. É muito simpático e conversamos bastante. Eu o convidei e ele aceitou de imediato. — Finalizou. — Já deve estar chegando. — Olhou o celular, checando as horas.
— E por que a San o chamou de borboleta? — Brittany ergueu as sobrancelhas.
Antes que a latina pudesse responder, a secretária dos homens Berry adentrou a sala de reuniões com um rapaz ao seu lado. Brittany imediatamente entendeu o porquê do apelido dado pela noiva.
A calça vermelha combinava com a gravata borboleta da mesma cor e contrastava com a camisa rosa. Apenas o blazer e o sapato eram pretos. Tudo muito vívido.
Blaine sorria timidamente. Os dentes brancos perfeitamente alinhados, assim como as sobrancelhas feitas, porém grossas. O cabelo penteado milimetricamente e coberto por gel que deixava-o brilhando quando a luz batia sobre os fios. Era inegável sua beleza, e isso não passou despercebido aos olhos de Kurt.
De repente, a ideia de passar o resto da tarde provando ternos ao lado daquele rapaz pareceu ser bem mais interessante.
— Quinn. — Blaine aumentou o sorriso, andando até a loira e a abraçando amigavelmente.
A mais baixa sorriu para o recente amigo e o apresentou para todos no local que ainda não o conheciam. Kurt ficou por último, e quando este aproximou para cumprimentar o rapaz, seu sorriso saiu mais largo do que o esperado.
Blaine se perdeu momentaneamente nos olhos azuis do mais alto, abrindo um sorriso genuíno gradativamente. Ambos trocaram cumprimentos e se abraçaram logo depois.
— Prevejo outro casal gay aqui. — Santana sussurrou para Brittany, que segurou o riso.
— Ele é tão... — Rachel começou.
— Borboleta. — Puck finalizou, causando risos em Sugar.
— Então agora que já conhecemos o quarto padrinho, vamos continuar. — Hiram sorriu para Blaine, que estava ao lado de Kurt. — Kate e Amber vão ser as damas de honra. — Fitou as duas garotinhas, que trocavam palavras entre si.
— Vamos dividir isso em dois grupos, já que não querem ver as roupas umas das outras antes da hora. — Leroy bateu as mãos uma na outra. — Quinn, Santana, Frannie e os rapazes vêm comigo e Rachel, Brittany, Cassandra, Mercedes, Sugar, Kate e Amber ficam aqui com Hiram.
Todos assentiram e Rachel logo enlaçou os braços ao redor do pescoço de Quinn, lhe dando um selinho demorado em seguida.
— Vou sentir saudade. — Sussurrou sobre os lábios finos.
— Eu também vou. — Grudou seus lábios nos dela novamente.
Ela apertou os braços na cintura fina, sugando os lábios fartos com amor. O beijo era lento e sem línguas, mas ainda assim aquecia o corpo de ambas.
— Por Deus! As crianças estão aqui, suas coelhas. — Santana puxou Quinn bruscamente, fazendo-a se separar da morena.
A loira ainda correu e deu um selinho nos lábios cheios de Rachel antes de desaparecer pela porta ao lado dos demais.
— Eu me sinto honrado por ter sido convidado para ser padrinho de vocês. — David se pronunciou ao lado de Quinn.
A loira sorriu para o ex-segurança e apertou-lhe o ombro.
— Você não trabalha mais para nós, mas ainda é nosso amigo e sempre vai ser, David. — Sorriu com carinho.
— Sabe... — Frannie começou. — Eu estou satisfeita por Kate entrar no altar ao lado de Amber. Um garotinho não iria me agradar. — Suspirou.
— Você sabe que Kate pode ter herdado mais do que seus genes, não sabe? — Santana inquiriu.
— Do que está falando? — Franziu o cenho.
— Estou falando que Kate pode não gostar de garotinhos e sim de garotinhas. — Sorriu marota.
Frannie estancou no lugar. Os olhos azuis abertos em surpresa.
— Oh, meu Deus! Eu tenho de ir lá. — Deu meia-volta, mas a irmã a segurou pelo braço.
— Aonde você vai? — Indagou.
— Resgatar a minha garotinha. Ela pode querer casar com a Amber. — Tentou se soltar, mas Quinn continuou segurando-a.
— Pare com isso. Ela só tem oito anos. Não sabe disso ainda e irá demorar para saber. — Puxou a mais velha consigo, voltando a caminhar. — E você... — Encarou a latina. — Pare de colocar ideias na cabeça dela.
Frannie suspirou resignada. Santana apenas deu de ombros ainda sorrindo.
Kurt, que escutou toda a conversa, sorriu lembrando de um fato ocorrido dias atrás.
— Eu estava com as meninas esses dias e Britt e Rach comentaram que gostariam de engravidar juntas para que seus filhos pudessem crescer sendo amigos e quem sabe no futuro terem um relacionamento. — Comentou despreocupadamente.
— O quê? — Santana elevou a voz. — Elas disseram isso? — Encarou o rapaz assustada.
Kurt apenas assentiu enquanto sorria. Blaine segurava o riso ao seu lado.
— Mi hija ou hijo nunca vai trocar saliva com o filhote delas. — Apontou o dedo para Quinn.
A loira bateu na mão da amiga e cerrou os olhos.
— Minha filha ou filho nunca vai pensar em namorar e muito menos ter algo com o seu pestinha. — Retorquiu.
— Então agora vocês sabem o que eu estou sentindo? — Frannie indagou com as sobrancelhas arqueadas.
— Eu acho que sim. E agora preciso me preparar para isso. — Quinn pensou.
— Eu concordo. — A latina passou as mãos pelos cabelos.
Seus filhos jamais namorariam. Elas realmente pensavam assim.
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