O Preço da Volta - 2ª Fase

55 Capítulo 55 - Um resquício de esperança...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Não era comum chover nessa época do ano, mas Quinn podia jurar que naquela semana o céu parecia carregado, pronto para despejar uma tempestade, e de fato foi isso o que aconteceu. Ela só notou que chovia torrencialmente quando saiu do quarto, após constatar que Rachel tinha dormido.

Quinn não sabia dizer o tamanho do machucado que se abriu cada vez que a esposa chorou e abafou os gritos no travesseiro. Ela só sabia que doía. Doía como nunca doeu antes. E ali, no quarto das gêmeas, doía ainda mais ver o berço de Audrey vazio.

Aurora grunhiu nos seus braços, e a mãe beijou-lhe a testa de forma protetora. Havia perdido a conta de quantas vezes a filha acordou em prantos na madrugada, e todas as vezes em que isso aconteceu, foi Rachel quem a trocou e alimentou. A morena não soltou a gêmea mais velha um segundo sequer, e Quinn não contestou e nem pensou em contestar. Ela deixou que a esposa fizesse o que quisesse. Deixou que ela acalentasse Aurora por horas na mesma posição, e deixou que chorasse enquanto fitava o rosto do bebê. A empresária apenas tratava de abraçar a judia com amor enquanto murmurava palavras doces e cantava baixinho na tentativa de acalmá-la.

E isso funcionava até que ela despertasse aos prantos outra vez, e Aurora fazia o mesmo, deixando para Quinn a tarefa de confortá-las. Era uma rotina exaustiva. Uma rotina dolorosa.

O estopim chegou quando as olheiras de Rachel apareceram. A loira usou a desculpa de ir buscar a mamadeira da filha para procurar algum medicamento que fizesse a esposa dormir por mais de uma hora.

Foi Shelby quem a encontrou na cozinha desesperada, e foi ela quem misturou o calmante natural na água, sabendo perfeitamente que Rachel se recusaria a tomar qualquer coisa por vontade própria.

A morena ingeriu o líquido ainda chorando compulsivamente, e não demorou mais do que vinte minutos para se sentir sonolenta e ressonar. A respiração tranquila, diferente das outras noites, denunciou que havia funcionado. Rachel dormiria e isso evitaria que ela sofresse mais. Pelo menos por enquanto.

A medicação passou a ser usada constantemente. Ora colocada na pouca comida que a morena consumia, ora nos sucos ou chás. Quinn sabia que talvez não fosse certo praticamente sedá-la, mas não podia arriscar comprometer sua saúde para o cansaço, e sabia também que se Rachel passasse mais tempo mantendo Aurora naquele quarto coberto pela áurea triste e deprimente, a filha também não descansaria tranquilamente.

Era tanta dor que temeu até mesmo causar algum dano físico na garotinha, por isso estava ali, parada na frente do seu berço, enquanto observava as feições delicadas. Aurora era um par. Um par que se completava com Audrey, e não ter a gêmea mais nova ali era como ter metade de um coração arrancado.

Por fim, a acomodou delicadamente ao lado de Valerie, que passava a noite ali desde que Santana soube de tudo e não saiu da mansão, juntamente com Brittany e Owen.

— Eu amo você, e vou trazer a sua irmã de volta. Eu prometo, meu amor. — Sussurrou.

Quinn já havia repetido essa frase três vezes desde que Jesse e Brooke levaram Audrey. Era como um mantra, uma promessa que isso aconteceria. Entretanto, diferente das outras noites, Aurora abriu os olhos minimamente, fitando a mãe por alguns segundos, mas os fechou e voltou a dormir. A loira não evitou o pequeno sorriso. Sua mente gritando que a filha poderia ter entendido o que dissera.

E Quinn não duvidava disso.

A mansão estava silenciosa, como nunca estivera antes. Não havia amanhecido totalmente e talvez todos estivessem dormindo, mas o barulho que ecoava do escritório provou o contrário. Era o único cômodo com a luz acesa e a loira sabia que sua irmã e seus amigos estavam lá. Ela mesma esteve naquele lugar mais vezes durante esses três dias do que os anos em que morava naquela mansão, e já havia passado a noite ali. Com exceção de Brittany e Cassandra, que ressonavam no quarto da professora de dança para estarem sempre preparadas quando as crianças chorarem, e Shelby, que dormiu algumas poucas vezes com Rachel quando Quinn pernoitou no escritório, o os demais permaneciam em uma rotina que consistia a maior parte do tempo em discutir ideias, ainda que não os levasse a um caminho certo.

Contudo, não ousavam sequer cogitar em desistir.

Quinn só queria a sua garotinha de volta.

Ela pensou em adentrar o escritório, mas em vez disso passou direto, indo para a cozinha.

A porta corrediça de vidro que levava até a área dos fundos era atingida com força pelos pingos de chuva, e a empresária se perguntou onde Audrey estaria. Era uma das perguntas que se fazia incessantemente a cada minuto. Como ela estaria? Havia sido alimentada corretamente? Estava sendo acalentada? Ela arriscava dizer que a resposta para a última pergunta era sim. A forma como Brooke segurou sua filha no dia em que a levaram denunciava que a ruiva nutria algum tipo de carinho por ela, e ao mesmo tempo em que isso a aliviava parcialmente, a deixava curiosa e amedrontada na mesma proporção.

Todavia, o que mais a fazia temer era a demora por contato. Por que eles não haviam ligado? Quinn não tinha contatado a polícia, exatamente como queriam, e a única pessoa ligada a isso era David, que aconselhava da melhor forma possível e que prometeu não tomar uma decisão sem falar com a amiga antes.

Eles queriam dinheiro, certo? Ela tinha certeza que sim. Era a única resposta cabível. E Quinn pagaria. Pagaria qualquer valor pela sua filha. Porém, nenhum telefonema foi feito. Brooke tinha o seu número de celular. Por que não fazia nada? Nem sequer uma mensagem? Era agonizante esperar. Era agonizante não ter notícias da sua filha.

— Você não chorou. — Uma voz trouxe-a de volta para a realidade, e quando virou, fitou os olhos claros e amáveis de Brittany.

— O que disse? — Franziu o cenho.

— Você não chorou. — Repetiu. — Todos choraram, com exceção de Santana e Puck, que estão extravasando os sentimentos através da raiva, mas você não chorou e nem mesmo parece tomada pelo ódio. Você se manteve calma na medida do possível. — Afirmou.

— Eu não posso chorar, Britt. — Respondeu. — Porque se eu chorar eu vou desmoronar e isso não pode acontecer. Eu preciso ser forte. Por Rach e por Aurora.

— Você já se olhou no espelho? Está com olheiras fundas, Q. Há quanto tempo não dorme e nem come? E aquelas barras energéticas não contam.

— Não faz tanto tempo assim, tudo bem? Só três dias. Quando Audrey estiver aqui novamente eu vou dormir e comer normalmente.

— Você não vai conseguir ser o alicerce de ninguém se desmaiar por má alimentação ou por cansaço excessivo. — Replicou.

— Isso não vai acontecer. Eu estou tomando algumas vitaminas e isso vai me ajudar a ficar de pé.

A mais alta maneou a cabeça em negação, e se aproximou da amiga, segurando-a pelos mbros gentilmente.

— Vou fazer algumas panquecas para nós.

— Não precisa. Eu não estou com fome, Britt.

— Eu não perguntei se está com fome. Eu disse que vou fazer e você vai comer. Nem que Puck tenha de vir até aqui e segurá-la enquanto eu coloco a comida na sua boca.

A empresária suspirou. Ela sabia que Brittany faria exatamente aquilo se recusasse comer.

As duas trocaram poucas palavras enquanto a Pierce-Lopez administrava o fogão. Não havia muitos assuntos naquele momento, entretanto, a estilista fez questão de relembrar alguns momentos da adolescência, o que por um pequeno período de tempo fez Quinn afundar em lembranças. E era isso o que queria. Fazê-la se concentrar em outra coisa para que pudesse comer. Para que o nó que fechava sua garganta fosse aliviado.

— Eu acho que posso abandonar minha carreira no mundo das grifes e tentar algo gastronômico, o que acha?

De fato, o prato coberto por panquecas, calda de chocolate e morangos era realmente bonito, e Quinn não impediu que seus lábios se curvassem em um sorriso pequeno.

— Eu acho que você faria sucesso com o mundo gastronômico para crianças. Elas adorariam uma refeição onde os morangos formam uma expressão contente sobre as panquecas e a calda de chocolate o cabelo. — Respondeu.

— Tem razão. — Despejou leite em dois copos e os colocou sobre o balcão. — Mas eu fiz você sorrir então já valeu a pena. — Sentou ao lado da amiga com outro prato em mãos e beijou-lhe a têmpora demoradamente.

Quinn fechou os olhos e se deixou ser embalada pelo carinho de Brittany. Ela era tão atenciosa e calma que poderia transformar uma tempestade em um dia de sol. Era isso o que a fazia ser tão especial.

Quando a empresária terminou de comer tudo, sob as ordens da mais alta, e ingeriu o leite, a louça foi posta para lavar e o cômodo se tornou tácito.

— Ela vai voltar. Nós vamos pensar em alguma coisa. — Brittany disse.

— Eles não ligaram, Britt. Eu já acompanhei casos de sequestro através da Tevê e os telefonemas sempre eram feitos em menos de vinte e quatro horas. Por que eles não ligaram? — Quinn apoiou os cotovelos sobre o balcão, afundando as mãos no cabelo desalinhado em seguida.

— Eu não sei, Q. — Respondeu com sinceridade. — Eu realmente não sei. Mas eu vi Brooke e Jesse pessoalmente e ele não me agradou nem um pouco. Mas a Brooke tem algo de estranho que é transmitido no olhar dela, porém, ocultado segundos depois. Eu pude ver isso no dia daquele jantar desastroso. É como se ela fizesse força para não deixar transparecer alguma fraqueza que poderia quebrá-la ao meio.

Quinn assentiu. Ela sabia disso. Brooke era um segredo. Um mistério que deveria ser analisado minuciosamente. Ela era uma linha tênue entre a insanidade e a fragilidade. E embora a loira desejasse fazê-la pagar, não tinha vontade de machucá-la, ao contrário de Jesse. Jesse deveria receber a pior punição possível.

Brittany suspirou, e depois de colocar as louças já secas nos seus devidos lugares, voltou a sentar ao lado da mais baixa, a rodeando com os braços.

— Lembra quando tínhamos quinze anos e estávamos sem dinheiro para comer? Rach e eu ficamos esperando você e Sant voltarem da tentativa de furtar alguma coisa e encontramos um cartaz preso em um poste que mostrava a foto de um cachorro.

— Eu lembro disso. — Quinn respondeu. — Os donos ofereciam uma boa quantia por ele, e quando Santana e eu não conseguimos furtar algo, fomos procurar esse cachorro. Foi como achar uma agulha em um palheiro.

— Mas nós encontramos. — Brittany continuou. — Talvez alguma intervenção divina estivesse nos olhando e ficou com pena da nossa situação, eu não sei, mas nós o achamos e o devolvemos aos donos. A recompensa foi bem usada. — Finalizou.

— Acho que nunca ouvimos Santana xingar tanto como no tempo em que passamos procurando ele. Andamos toda East End.

As duas não evitaram uma risada, e Quinn fitou a amiga.

— Por que está me falando tudo isso? — Arqueou a sobrancelha.

— Eu não sei. Eu só senti a vontade de relembrar. Temos tantas histórias para contar aos nossos filhos.

O sorriso pequeno da mais baixa desapareceu com a menção dos filhos e Brittany se estapeou mentalmente por isso. Estava tentando distraí-la novamente por alguns segundos e tinha estragado tudo.

— Me desculpe, Q. Saiu sem querer. — Pediu preocupada.

— Não há nada para se desculpar, Britt. Eu só...

A fala da empresária se perdeu antes mesmo de sair, e a sua expressão pensativa e perdida fez uma onda de aflição passar pelo corpo da estilista. Os olhos verdes estavam fixos nos pingos de chuva que caíam na vidraça da porta e escorriam até o chão, sendo substituídos por outros pingos e assim sucessivamente. Os rastros que a água fazia eram como lágrimas. As lágrimas que, de fato, não havia derramado desde o momento fatídico no parque.

A lembrança de cinco anos atrás se passava novamente pela sua cabeça. O cartaz, o cachorro, a recompensa. Deus! Poderia fazer o que estava pensando?

Uma chama de esperança cresceu no seu peito, aquecendo-a pela primeira vez em três dias.

— Q? — Brittany chamou, cautelosa.

— Britt. — Fitou a amiga. — Eu acho que já sei o que podemos fazer.

Notas finais
Esse capítulo não termina aí. Ainda teremos a continuação mostrando mais sobre o estado da Rachel e interação Faberry. Esse foi apenas uma introdução sobre a situação de todos ali. O que será que a Quinn vai fazer? Algum palpite? Comentem e exponham suas opiniões. É sempre importante. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron