O Preço da Volta - 2ª Fase

53 Capítulo 53 - Primeiro ano...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

— Ma!

Rachel estancou na entrada da sala de estar, mas logo caminhou até a filha, que se mantinha em pé apoiada no sofá, e a pegou nos braços. As gêmeas tinham pronunciado as primeiras palavras há alguns dias e desde então chamar pelas mães se tornou a tarefa favorita de ambas. Ainda que não fosse a palavra completa, a judia sempre sentia vontade de chorar de felicidade quando ouvia aquilo. Ela mal podia acreditar que aqueles dois bebês minúsculos a quem deu à luz estavam completando o primeiro ano de vida naquela sexta-feira. Todo aquele amor dentro do peito que sentia era um presente do qual não se cansava de agradecer.

Audrey espalmou as mãos no rosto da mãe, que beijou-lhe a ponta do nariz e a testa incontáveis vezes, arrancando uma risada aguda e animada da gêmea mais nova.

— Eu não acredito que vocês estão fazendo um ano. — Sentou ao lado de Quinn.

— Elas estão crescendo tão rápido. — A mais alta pôs Aurora em pé sobre o seu colo.

Rachel assentiu, e só então reparou nas vestimentas das filhas. Ela definitivamente não as tinha vestido com as blusas de O Senhor dos Anéis.

— Quem trocou as roupas delas? — Indagou confusa.

— Eu. — Santana adentrou o local. — Elas precisam gostar da trilogia. — Se acomodou em uma das poltronas. — E precisam saber que a mãe fez um grande papel interpretando um Hobbit. — Sorriu.

A morena revirou os olhos, mas não respondeu. Santana sempre seria assim, afinal de contas.

— Vocês sabem qual a melhor parte em um aniversário? — Puck veio logo atrás com Sugar. — O bolo. Não importa a festa. Seja de criança ou adulto. O bolo é sempre o melhor. — Sentou do outro lado do sofá.

— No nosso casamento vamos ter o melhor bolo do mundo. Eu não vejo a hora de escolher todos os detalhes. — A ruiva disse animada.

O rapaz sorriu com isso. Estava feliz com a ideia de casar com Sugar. A noiva havia feito o pedido depois de esperar uma atitude sua. Foi totalmente surpreendente quando ela apareceu no seu trabalho para almoçarem juntos e então se ajoelhou de repente, retirando uma caixinha de veludo com duas alianças. Foi algo inusitado e feito de forma abrupta, mas foi impossível dizer não. Puck a amava e era isso o que importava.

Só havia uma parte negativa naquilo tudo.

Santana e suas galhofas.

— Eu tenho uma dúvida. — A latina chamou a atenção de todos. — Será que você pode olhar para o meu celular e dizer que Sugar dita as regras nesse relacionamento enquanto eu filmo tudo? — Riu consigo mesma.

Quinn mordeu o lábio inferior, mas foi impossível não rir. Aurora se remexeu inquieta e logo foi colocada sobre o carpete da sala, sendo seguida por Audrey.

— Tia Sugar faz regras? — Kate entrou no cômodo ao lado de Frannie e das amigas enquanto segurava Russel de forma desajeitada, que logo ficou animado para ir até as primas.

— É claro faz. Ela faz regras e Puck as segue. Você não sabia? — Santana respondeu, abrindo os braços e chamando a filha com as mãos. Zoe, que segurava a pequena latina, a colocou no chão, e esta caminhou até a mãe, sendo embalada pelo seu aperto.

— Como se cria regras? — Lindsay indagou com a expressão confusa.

— Primeiro você entra em um relacionamento, e então você vai dizer para a sua namorada ou namorado o que ele ou ela deve fazer. Se isso for acatado, você criou uma regra. — Pôs Valerie ao lado das gêmeas quando a filha apontou para ambas.

Quinn revirou os olhos e decidiu se pronunciar.

— Não deem ouvidos ao que Santana disse. A verdade é que não existe regras em um relacionamento. O que existe é um casal que se respeita mutuamente sem ter qualquer tipo de superioridade independente do gênero. — Sorriu suavemente.

— Foi mais ou menos isso o que eu quis dizer. — A latina disse, mas ergueu as mãos em rendição diante do olhar fulminante da amiga. — Tudo bem, eu devo ter me expressado mal, mas o que a Q disse é verdade. Em uma relação não existe regras e todos devem se respeitar em completa reciprocidade, sempre com diálogos e compreensão. Tudo bem, Louise?

— Meu nome é Zoe e não Louise. — Cruzou os braços.

— Mas eu gosto de chamá-la de Louise. Como no filme Thelma e Louise. E Kate é obviamente a Thelma. Ou seriam Ellen e Portia? — Arqueou as sobrancelhas.

A pequena July-Fabray bufou.

— Você é uma chata. — Se retirou do cômodo, subindo a escada para ir até o seu quarto e sendo seguida pelas amigas.

Lindsay e Stacy haviam se tornado mais próximas depois de todo o acontecido com Richard. O homem foi condenado no julgamento por violência doméstica, mas a fiança que pagou o impediu de permanecer atrás das grades. No entanto, foi proibido de chegar perto da ex-esposa e da filha por uma ordem judicial.

Frannie tinha seguido adiante com o processo pela homofobia sofrida, e recebeu a causa ganha graças às declarações de Stacy e Marley. Da última vez que ouviu falar de Richard ele ainda estava preso pela pena de dois anos, contudo, o seu advogado tentava a todo custo fazê-lo responder o processo em liberdade.

A principal preocupação de Stacy não era o que aconteceria com o ex-marido e sim com o bem-estar da sua filha. Lindsay não queria ver o pai, mas sentia saudade esporadicamente. Estava sendo acompanhada por uma psicóloga e caso mudasse de ideia, veria o pai com todo o preparo possível. Contudo, a falta dele era totalmente preenchida pela mãe, que depois do divórcio se tornou praticamente outra pessoa. Se sentia mais livre e mais independente. A casa menor que comprou com o dinheiro da sua parte nos bens após o divórcio era o suficiente para si e para a filha, e a cumplicidade que desenvolveu com Lindsay estava se tornando um laço inquebrável. Um laço que não havia quando era submetida às vontades de Richard. Se sentia feliz, finalmente.

— Quando você vai parar de implicar com as garotas? — Brittany veio da cozinha ao lado de Cassandra, Stacy e Shelby, que segurava Owen nos braços delicadamente. O pequeno bebê ainda tinha um mês e meio de vida.

— Eu não falei nada demais. — Santana deu de ombros.

— Você sempre insinua que Kate e Zoe podem namorar no futuro. — Cassandra sentou ao lado do filho, observando-o brincar com as gêmeas.

— Eu não estou insinuando. Eu estou afirmando que elas ainda vão namorar. O meu olho mexicano nunca falha. — Sorriu presunçosa.

— É bom que ele falhe agora. Eu não gosto nada disso. — Frannie disse.

— Será que nós podemos comer o bolo agora? — Puck indagou impaciente.

— Não. — Rachel respondeu. — Meus pais estão vindo, assim como Kurt e Blaine, que foram buscar Mercedes. Kristin e David também. Não poderíamos deixar de convidá-los depois de todo o auxílio que ambos nos deram. Só vamos comer quando todos estiverem aqui e cantarmos os parabéns.

— Elas estão fazendo um ano de vida. Qual a necessidade de um parabéns? — O rapaz retrucou.

— É o que fazem em um aniversário e é o que faremos hoje. — Disse convicta.

Quinn soltou uma risadinha e passou o braço ao redor dos ombros da esposa, puxando-a para mais perto. A loira sabia o quanto a ela queria que o primeiro aniversário das filhas fosse perfeito. Não havia necessidade para uma festa porque elas não iriam se lembrar disso a não ser pelas fotos que registraram, mas a reunião com a família era essencial. E ambas também sabiam que mesmo Puck perguntando sobre o bolo a cada minuto, o moreno havia adiantado toda a planilha com as finanças da empresa durante a semana para estar ali, e as amigas eram gratas, não só a ele, mas como a todos os outros. Santana remarcou uma reunião com o seu cliente, Cassandra fechou o estúdio de dança e Shelby perdeu uma apresentação dos alunos que ensinava sobre a arte dos palcos. Os pequenos gestos que fizeram eram de uma importância imensurável porque transmitiam o carinho que sentiam pelas gêmeas. O carinho de uma família.

— Eu amo você. — A loira sussurrou, fazendo a judia sorrir.

— Eu te amo. — Rachel a beijou brevemente. — Amo tanto.

Não demorou muito para que os homens Berry chegassem quase simultaneamente com Kurt, Blaine e Mercedes. David chegou minutos depois, e Kristin foi a última, se desculpando pelo atraso e pondo a culpa na relutância da filha em tomar banho. Savannah White já tinha onze anos, mas não se incomodou em conversar com as três outras garotas mais novas. A morena de cabelo ondulado era dona de uma simpatia gigantesca.

Era fim de tarde quando o bolo foi colocado na área dos fundos da mansão e cortado após o parabéns. Logo o som de conversas aleatórias preencheu o ambiente. As quatro garotas estavam mais afastadas e conversavam efusivamente, não muito diferente dos adultos. Hiram e Leroy não saíam de perto das gêmeas, que brincavam sobre a toalha estendida no gramado ao lado de Valerie e Russel.

Ninguém de fato se preocupava com o bolo a não ser Puck, que comia o terceiro pedaço enquanto dialogava com as amigas sentado com as costas apoiadas em uma árvore. Santana estava tão distraída que não percebeu a filha se aproximar do seu prato, que descansava ao seu lado, e mergulhar a mão no bolo, passando-a sobre o rosto de Audrey e consequentemente sujando a garotinha.

Todos só foram notar o acontecido quando a gêmea mais nova começou a chorar com força. O rosto molhado pelas lágrimas estava coberto pela cobertura. Valerie, ao contrário da amiga, sorria enquanto erguia a mão suja no ar. Santana não conseguiu conter a gargalhada.

Aurora contorceu a expressão em uma careta enquanto observava a irmã aos prantos, e se aproximou lentamente, pondo a língua para fora e lambendo o rosto de Audrey.

Frannie riu e ergueu a câmera em mãos, capturando o momento.

— Isso é comicamente adorável. Olhem como ela gostou de lamber o rosto da irmã. — Disse.

A gêmea mais velha continuou a sua ação, mas Audrey não parou de chorar e Quinn a pegou nos seus braços enquanto Santana limpava a mão de Valerie e tentava parar de rir.

— Isso não tem graça. Ela está chorando. — Rachel ajoelhou na grama com alguns guardanapos em mãos e ajudou Quinn a limpar o rosto da filha.

— Isso é só birra. Valerie não fez por mal. — A latina replicou.

— Valerie sempre implica com Audrey. — Brittany comentou enquanto sentava ao lado da esposa com Owen. — Semana passada ela roubou sua chupeta e agora isso. É incrível como ela sabe diferenciar as gêmeas.

— Talvez essa implicância se transforme em algo no futuro. — Frannie comentou.

— O que quer dizer com isso? — O sorriso de Santana morreu.

— Você diz que Kate e Zoe são como Thelma e Louise, mas talvez Audrey e Valerie sejam elas no futuro. — Sorriu inocentemente.

— Só nos seus pensamentos, talvez. A minha filha não vai namorar ninguém.

— E muito menos a minha. — Quinn disse.

Brittany não discutiu com a esposa, e muito menos Rachel. Mas o sorriso que ambas trocaram foi o suficiente para que soubessem que a ideia das filhas namorarem no futuro não era algo ruim.

...

Quinn sorria com a animação das gêmeas. Ela mesma estava vibrante enquanto segurava o controle remoto em mãos. As filhas soltavam gritinhos animados e apontavam para o barco que se movimentava na água do lago com rapidez.

Rachel riu com toda aquela euforia.

— Você tem certeza de que comprou esse brinquedo pra elas? — Inquiriu.

— É claro que sim. — A loira não desviava a atenção do lago. — Mas enquanto elas não podem brincar sozinhas eu ajudo.

As gêmeas gritaram alegres novamente quando o barco fez outra volta e Quinn alargou o sorriso. Era indescritível a sensação de fazê-las rirem e se divertirem com coisas tão simples.

— Tudo bem, então eu acho que vou comprar alguns sorvetes. — A judia levantou.

— Estaremos esperando. Não vamos sair daqui.

Rachel maneou a cabeça. É claro que não sairiam. Ela tinha certeza de que ainda passariam mais algumas horas naquele parque.

O carrinho de sorvete estava na entrada, e a baixinha demorou um pouco para chegar até o seu objetivo devido ao local mais afastado que Quinn escolheu para controlar o barco e evitar que ele colidisse com os das outras crianças. Era um dia lindo com um céu totalmente sem nuvens, expondo a imensidão azul com o sol brilhando naquele sábado

A estilista parou atrás de duas garotinhas enquanto aguardava sua vez mas virou de repente. Se sentia estranha. Como se estivesse sendo observada. Talvez fosse apenas uma sensação errônea, mas quando os olhos varreram a avenida do outro lado e focaram no carro preto estacionado seu coração ricocheteou dentro do peito.

Por que sentia um frio ruim no estômago? Era apenas um veículo parado, provavelmente pertencia a algum adulto que estava no parque.

Quando o rapaz que atendia as crianças direcionou a sua atenção para si e inquiriu o que queria, Rachel apenas disse que mudou de ideia e se desculpou, dando meia-volta e praticamente correndo até onde Quinn estava.

Se antes seu coração martelava, a morena tinha certeza de que ele havia parado de bater por alguns segundos quando observou a esposa parada agora de costas para o lago enquanto mantinha os braços ao redor das gêmeas de forma protetora. Mas não fora isso que a fez perder a cor do rosto e sim o casal que estava sentado ao seu lado.

— Jesse? Brooke?

Notas finais
O último desfecho da fanfic chegou. Brooke e Jesse retornaram. O que eles pretendem? Comentem e exponham suas opiniões. É sempre importante. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron