O Preço da Volta - 2ª Fase
5 Capítulo 5 - Problemas no casamento...
Notas iniciais
Santana abriu a porta do próprio quarto como uma felina. Sem fazer o mínimo barulho e pondo apenas a cabeça para dentro do aposento. Quando ouviu o barulho do chuveiro, soltou a respiração que prendia e adentrou o corpo no local.
Sua mão ainda latejava, mas não era um incômodo demasiado. A latina logo se livrou dos sapatos de salto alto e da blusa de mangas longas, deixando por derradeiro a retirada da calça escura extremamente justa, ficando apenas de roupas íntimas. Os cabelos escuros foram presos em um coque firme e partiu em direção ao banheiro do mesmo modo que adentrou o quarto minutos antes.
Seus olhos observaram o corpo de Brittany através do box de vidro. A loirinha permanecia de costas e os longos cabelos loiros caíam como cascatas totalmente encharcados. Santana umedeceu os lábios observando as curvas da mais alta e abriu um sorriso, logo entrando por completo no banheiro e fechando a porta sem emitir barulho.
A calcinha e o sutiã foram jogados no cesto de roupa suja e a latina abriu o box cuidadosamente, fechando-o em seguida e não perdendo tempo em enlaçar os braços na cintura da noiva.
Brittany sobressaltou pelo contato repentino e logo relaxou quando observou os braços morenos em volta de si, todavia, sua mente lembrou-a do momento ocorrido mais cedo e seu corpo tensionou novamente. A loirinha virou bruscamente e observou o sorriso maroto da noiva.
— Ou você é muito corajosa em aparecer aqui sabendo o quanto eu estou brava ou é muito cara de pau. — Cruzou os braços.
— Nenhuma das duas opções. — Santana descruzou os braços da mais alta, desfazendo o sorriso e adotando uma expressão séria. — Eu amo você e quero pedir perdão por tudo.
— Você acha que perdão resolve o que aconteceu hoje, Santana? — Se livrou do toque da latina. — Você mentiu pra mim e foi até uma boate ver outras mulheres.
— Eu não vou dizer que estou certa, Britt. Eu não estou. Nem um pouco. — Suspirou. — Eu sempre quis ter uma despedida de solteira digna de algo épico, mas eu me senti uma completa merda em fazer o que fiz com você.
— Você deveria ter conversado comigo. Não apenas você mas a Quinn também. Nós poderíamos fazer algo legal para todas aproveitarmos e não agir nas minhas costas. Isso foi decepcionante, Santana. — Bronqueou, cruzando os braços novamente.
— Eu sei, Britt. Eu sei. E eu vou dizer todos os dias que sinto muito. Eu não vou mais fazer isso com você. Eu senti hoje o quanto mentiras são dolorosas e o quanto eu me arrependi. — Novamente, Santana descruzou os braços da loirinha, segurando nas mãos alvas dessa vez. — Você me perdoa? — Encarou a imensidão azul dos olhos da mais alta.
Brittany migrou a atenção para as mãos unidas e suspirou, observando a vermelhidão na pele morena e ergueu a sua mão esquerda.
— Você está sentindo dor? — Indagou, sem esconder o tom preocupado.
A latina apenas maneou a cabeça em afirmação e beijou a mão de Brittany demoradamente.
— Eu estou com dor, mas ela não é física e sim emocional. Eu preciso saber que você me perdoa e que ainda vai querer se casar comigo, ainda que eu seja uma imbecil. — Suplicou, fitando a maior.
— É claro que eu ainda vou casar com você. Eu só não quero mais que você minta, Santana. Isso me magoou profundamente. — Mordeu o lábio inferior, sentindo os olhos marejarem.
— Eu não vou mais mentir, Britt, eu prometo por tudo o que há de mais sagrado. Eu jamais quero sentir isso de novo e fazer você se sentir assim. — Encurtou a distância e abraçou a noiva. — Você me perdoa?
Brittany suspirou quando sentiu o corpo da mais baixa abraçado ao seu. Seus braços enlaçaram o pescoço da latina enquanto a água caía sobre ambas, criando um clima agradável.
— Eu perdoo você. — Proferiu finalmente.
Santana soltou todo o ar de seus pulmões, apertando o corpo da noiva mais forte como se não quisesse deixá-la sair nunca mais daquele abraço.
— Mas se você fizer isso novamente, vai se arrepender de ter nascido. — Correspondeu ao aperto.
...
Frannie sentia o corpo pesado e a cabeça poderia ser comparada com uma bomba-relógio, pronta para explodir a qualquer momento. Soltou um grunhido de dor antes de abrir os olhos lentamente.
A primeira coisa que viu foi o relógio na mesinha de cabeceira, indicando que faltava dez minutos para as seis da noite. Rolou na cama espaçosa e fitou o teto branco, sentindo uma pontada de dor em suas têmporas.
— Foi a primeira e última vez que bebi na minha vida. — Sussurrou para si mesma, criando força de vontade para sair do conforto das cobertas.
Quando seus pés tocaram o chão, ela sentiu o corpo pesar ainda mais, observando a noite pela janela do quarto e andando até o banheiro lentamente. O banho frio ajudou a livrar de metade do peso que sentia mas a dor de cabeça continuou. Quando o roupão fora devidamente amarrado, saiu do banheiro apenas para encontrar Cassandra sentada na ponta da cama.
— Oi. — A loira de olhos azuis saudou timidamente.
— Eu trouxe isso. — Mostrou a cartela de aspirina. — É melhor tomar logo, assim a dor de cabeça vai embora mais rápido. — Levantou, estendendo o medicamento na direção da esposa, junto com o copo de água.
Frannie agradeceu antes de pegá-los em mãos e ingerir o comprimido com um gole do líquido transparente, deixando-os sobre a mesa de cabeceira em seguida.
— Sobre hoje, eu... — Começou.
— Esqueça. — Cassandra cortou. — Eu não quero conversar agora. O jantar vai ser servido logo. — Andou até a porta.
— Cassandra. — Frannie chamou firme, fazendo a mulher estancar no lugar. — Converse comigo. Eu quero resolver isso. — Pediu, vendo a esposa dar a volta em seus calcanhares.
— Você acha que vamos conseguir resolver ''isso''? — Fez aspas com os dedos em um tom irônico. — Isso se trata de uma mentira, Francine! A droga de uma mentira que você contou pra mim apenas para ir até uma boate ver aquelas dançarinas.
— Eu sinto muito, Cassie. Eu fui porque achei que seria legal. Eu nunca fui em uma boate na minha vida e tampouco fiquei bêbada. E não olhei pra nenhuma mulher. Eu até chorei quando uma delas tentou sentar no meu colo. — Argumentou, suspirando em seguida.
— E você quer que eu acredite nisso? Quer que eu acredite que você nem sequer olhou pra uma delas com desejo? Você ficou bêbada. Pessoas bêbadas tendem a fazer coisas que não se lembram depois. — Respondeu de forma dura.
— Por Deus! Você não acredita em mim? Minha irmã estava lá. Santana e Puck estavam lá. Somos casadas há quase dez anos. Eu sempre fui a melhor esposa do mundo. Eu nunca cheguei tarde ou menti pra você. Foi a primeira e última vez. Por que você precisa ser tão... — Interrompeu a si mesma.
— Tão...? — Cassandra arqueou as sobrancelhas. — Vamos. Fale! — Ordenou. — Eu sou tão o quê? Eu sou a errada aqui agora? Eu iria passar um sábado em um shopping enquanto você provavelmente teve alguma dançarina fazendo coisas pra você naquele local! — Se exaltou.
— Você está se ouvindo?! — Frannie elevou a voz também. — Está escutando as idiotices que está dizendo? Será que dez anos de cumplicidade não adiantaram? As coisas que fiz por você? Eu desisti de ser presidente da filial em Madrid porque eu jamais tiraria você daqui e iria para outro lugar onde você não estivesse feliz. A sua felicidade importa pra mim. E agora você me diz que eu te trairia? — Passou as mãos nos cabelos nervosamente, sentindo a dor de cabeça aumentar.
— Não fale de sacrifícios aqui. Eu abandonei a faculdade de dança quando engravidei de Kate. E eu não me arrependo. Ela é a coisa mais importante da minha vida e eu faria de novo, mas eu também fiz sacrifícios nesse casamento. Eu aguentei os olhares que as pessoas me direcionavam quando souberam que a filha e herdeira dos Fabray iria se casar com uma garota pobre. — Se aproximou raivosa. — Não fale das coisas que fez por mim, porque eu também fiz coisas demais. — Apontou o dedo no peito da esposa.
— E agora você quer desconfiar de mim? Eu nunca fiz algo pra provar que não merecia sua confiança. Se alguém tivesse de desconfiar aqui esse alguém seria eu. Anos atrás você sabia que eu estava apaixonada por você e mesmo assim ainda dormiu com vários garotos enquanto eu ficava no dormitório da faculdade sozinha e imaginando por horas onde você estava. Como eu me sentia destruída quando você entrava bêbada no quarto e eu sabia que você estava nos braços de alguém. E que eles não eram os meus. — Encarou firmemente o olhar da esposa. — Como eu dava banho em você e a vestia com seus pijamas sem reclamar. Eu velava o seu sono a noite toda para garantir que você não iria sair para vomitar e eu estaria dormindo e não ajudaria.
— Eu estava confusa! — Gritou, tomada pela raiva. — Você sabe muito bem que eu estava confusa sobre minha sexualidade! E não vamos voltar em um assunto que aconteceu há mais de dez anos. Depois que começamos a namorar eu jamais toquei em outra pessoa, muito menos olhei. Ao contrário de você, que deve ter olhado muitos peitos hoje, assim como olhou os meus quando estava bêbada. — Foi extremamente venenosa. Estava encolerizada. Confiava em Frannie. Sempre confiou. Sabia que ela nunca a trairia mas estava completamente dominada pela raiva.
— E quem garante isso? Você desconfia de mim agora depois de anos de casamento. Eu posso desconfiar também, não é? Quem me garante que você não se sentiu confusa novamente no início do nosso namoro e deu para algum garoto enquanto eu estava dormindo?
A única coisa que pôde ser ouvida depois disso foi o som do estalo que ecoou pelo quarto.
O rosto de Frannie virou bruscamente, e a loira sentiu a lateral de sua face queimando como o inferno. Cassandra abafou o grito com as mãos sobre a boca. Os olhos verde-escuros marejados.
Frannie a encarou segundos depois. A mais alta não viu ódio nas orbes da esposa. Viu apenas a tristeza apagando aos poucos o brilho do azul cristalino.
— Me desculpe, eu... — Cassandra começou, mas o choro cortou sua garganta.
Frannie não esperou um segundo sequer antes de sair do quarto em silêncio, batendo a porta com força ainda trajando o roupão.
Quinn, Rachel e os demais estavam na sala de estar quando ouviram tudo e a Fabray mais nova não perdeu tempo em seguir a irmã quando esta desceu as escadas e entrou correndo no escritório justo no mesmo momento em que Kate adentrava a mansão com Shelby ao seu lado.
— Mamãe? — A garotinha tentou ir atrás de Frannie, mas Rachel segurou seus ombros gentilmente.
— Sua mãe teve uma emergência de trabalho e teve de correr para o escritório com a sua tia, meu amor. — Mentiu, sorrindo docemente no final. — Por que não vai tomar banho agora? Depois você pode descer e nos contar como foi o passeio com a tia Shelby. — Sorriu docemente.
A garotinha apenas assentiu enquanto sorria e beijava a bochecha de cada um presente no local antes de subir as escadas correndo com Olívia atrás de si alertando-a para ir devagar.
Rachel não perdeu tempo em ir com Brittany até o quarto de Cassandra e Frannie.
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