O Preço da Volta - 2ª Fase
48 Capítulo 48 - Maternidades e paternidades...
Notas iniciais
Quinn mal podia acreditar que suas filhas fariam um ano em pouco mais de um mês. Ela podia jurar que quando fechava os olhos ainda conseguia ter a imagem das recém-nascidas na sua cabeça como dois bebês extremamente pequenos e frágeis. A fragilidade ainda continuava, mas o tamanho não. Já havia perdido a conta de quantas roupinhas foram doadas porque não serviam mais nas gêmeas depois de pouco mais de duas semanas de uso. Era assustador e impressionante o quanto cresciam rápido. Rachel sempre lamentava o quanto suas garotinhas estavam se desenvolvendo depressa demais, porém, tudo tinha um lado positivo.
A loira agradecia pelos choros terem cessado e agora ambas dormiam a noite inteira, acordando na hora certa todos os dias. Haviam desenvolvido um cronograma próprio até para serem alimentadas. Os resmungos foram substituídos por algumas poucas palavras que saíam de forma desconexas. Quinn mal podia esperar para ouvir elas a chamarem de mamãe. Mas enquanto isso não acontecia, a empresária era recompensada pela adoração que sentia ao vê-las dando passos pela mansão, caindo várias vezes, mas levantando com a ajuda de algum apoio e tentando novamente.
Era indescritível a sensação de contemplar cada desenvolvimento de dois bebês. O modo como iam progredindo no crescimento juntas, aprendendo a andar, apontar para lugares específicos como se quisessem falar algo ou até mesmo negar com a cabeça quando não queriam comer aquela comida pastosa que Rachel preparava. Era maravilhosa.
Rachel sentia medo de que os olhos das filhas escurecessem com o tempo. Os cabelos já eram seus mas as orbes tinham de ser da esposa por serem charmosos, e assim aconteceu. O tempo passou e ao atingirem os seis meses os verdes com pontinhas douradas estavam lá, exatamente iguais aos da mãe loira. As gêmeas eram dois bebês de onze meses que possuíam uma beleza imensurável, o que ficava evidente sempre que saíam para algum local e as pessoas mantinham suas atenções nas garotinhas por longos minutos. Rachel se orgulhava por ter duas filhas tão lindas.
Outra coisa que foi possível notar nas gêmeas eram os gostos opostos. Aurora adorava os desenhos de princesas mas Audrey preferia os filmes que Quinn assistia com ela no colo. A filha mais nova soltava gritinhos animados quando as cenas das batalhas na era medieval eram transmitidas e isso fazia a mãe rir da sua animação latente. Rachel, entretanto, sempre mudava de canal para impedir que a filha assistisse algo que, de acordo com ela, era violento. Eram duas irmãs com aspectos diferentes.
E se tratando de irmãos, Kate havia desenvolvido um vínculo mais do que especial com Russel. O bebê já tinha completado um ano de vida mês passado e era um garotinho totalmente agitado. Enquanto as primas preferiam dar poucos passos, ele sempre andava apressado, e por isso todos os equipamentos para revestir tomadas, objetos pontudos e ainda uma pequena grade baixa na escada foram logo providenciados antes mesmo das gêmeas começarem a engatinhar. E a pequena July-Fabray continuava suas peripécias com Zoe e consequentemente enlouquecendo Frannie.
Tudo estava indo bem na vida de todos.
Contudo, Quinn ainda se pegava pensando dia após dia sobre a conversa que tivera com Brooke naquele café há nove meses. As palavras da ruiva rondavam sua mente sem parar e não havia um dia em que a Fabray não refletisse sobre o que poderia significar tudo aquilo. Jurou a si mesma que estava tudo bem. Havia procurado saber sobre o casal e soube que ambos tinham voltado para os palcos da Broadway, mas então por que sentia sempre um sentimento ruim quando lembrava da atriz? Não havia uma explicação concreta para isso.
No entanto, naquele dia Quinn não pensaria em Brooke. Não quando sua melhor amiga estava dando à luz em um dos quartos daquele hospital. Santana havia ligado totalmente em pânico avisando que Brittany tinha entrado em trabalho de parto e em menos de cinco minutos Quinn e Rachel já estavam na casa das Pierce-Lopez dando todo o auxílio necessário. A empresária nunca viu a latina tão desesperada como naquela manhã, mas não podia esperar algo diferente. Estivera igual quando as gêmeas nasceram.
Valerie havia ficado na mansão com as gêmeas e Russel sob os cuidados de Olívia. A governanta adorava-os e na idade em que estavam bastava apenas colocar um filme para entretê-los por horas.
Quinn se sentia nervosa a cada minuto. Ela sabia que partos eram complicados. Brittany não tinha apresentado problemas durante a gravidez mas ainda assim surpresas podem ocorrer, e não queria ver suas melhores amigas enfrentando algo ruim.
Rachel se mantinha ao seu lado e balançava as pernas freneticamente. Estava curiosa para saber se era menino ou menina. A amiga manteve isso como uma surpresa, e mesmo Santana quase sofrendo uma síncope o mistério ainda foi mantido.
Puck andava de um lado para o outro sob o olhar de Sugar. Os minutos sempre demoravam a passar em um hospital, seja em qualquer circunstância. Já tinha passado uma hora quando a obstetra bastante conhecida adentrou a sala de espera com um sorriso no rosto.
— Vocês querem ver as mamães?
— Claro que sim! — Quinn praticamente pulou da cadeira.
O famigerado corredor de quartos foi adentrado por eles, e quando pararam em frente à porta onde o casal estava, a doutora girou a maçaneta.
Brittany sorriu ainda mais largamente quando fitou os amigos entrando o local. Segurava nos braços um bebê pequeno envolto em uma manta azul e Santana estava logo ao seu lado sorrindo com o rosto molhado pelas trilhas de lágrimas.
— Eu disse que seria um menino. — Frannie murmurou animada.
O quarto logo abrigou as seis pessoas e Rachel foi a primeira a se aproximar da cama. Santana afastou um pouco a manta da cabeça do filho para que todos pudessem vê-lo, e a primeira coisa que notaram foi que ele teria uma imensurável semelhança com Brittany, começando pela pele alva até os fios ralos e loiros na cabeça pequena.
Quinn não sabia se o bebê iria se parecer com ela e nem se importava com isso. Não se sentia mãe dele e sim uma tia. Uma tia que o amaria incondicionalmente assim como ama as melhores amigas. E saber que ajudou a tornar o sonho delas realidade aquecia-lhe o coração de uma sensação indizível.
Ela caminhou lentamente e parou ao lado da esposa. O garotinho ressonava tranquilamente com a cabeça apoiada no peito de Brittany.
— Bom...eu acho que os loiros vão dominar o mundo. O que acha, Sant? — Fitou a amiga.
A latina soltou uma risada e assentiu enquanto fungava.
— Ele é lindo. — Disse de maneira doce.
Quinn sorriu enquanto observava o olhar brilhante de Santana.
— E qual será o nome dele? — Cassandra indagou enquanto chegava mais perto para olhar o recém-nascido.
— Owen. — Brittany respondeu. — Owen Pierce-Lopez. — Beijou a cabeça do filho.
— Era o nome do seu pai. — Rachel sussurrou com os olhos marejados.
— Ele era um homem maravilhoso e eu o amava. Sant deu a ideia e eu não pude contestar. — Respondeu sorrindo, ganhando um beijo na cabeça por parte da esposa em seguida.
— Eu estou muito orgulhosas de vocês. — A judia disse. — Todos nós estamos, não é? — Fitou os demais.
— É claro que sim! — Puck respondeu após olhar para o garotinho. — Quem diria que Santana seria mãe de dois filhos. — Sorriu.
A risada que se seguiu foi geral, e a advogada revirou os olhos tentando ocultar um sorriso.
— Eu só não respondo você, Puckerman, porque meu filho não pode ouvir certas coisas. — Respondeu.
Quase trinta minutos se passaram entre conversas e olhares para o bebê até que a enfermeira entrasse no quarto e avisasse que Brittany precisava descansar e alimentar o pequeno Owen.
Rachel prometeu que traria Valerie no dia seguinte juntamente com algumas roupas para a amiga quando recebesse alta, e antes de sair, Quinn pegou o celular do bolso e ligou a câmera.
— Vamos lá. Olhem pra cá. — Pediu.
Santana sentou na ponta da cama e passou o braço ao redor da esposa. As duas sorriram enquanto Owen permanecia dormindo. A fotografia foi tirada e Quinn sorriu para a imagem. A felicidade que emanava das suas amigas era quase palpável.
...
Rachel entrou na mansão como um furacão. Quinn vinha logo atrás com o semblante preocupado. Havia recebido a ligação de Olívia enquanto saía do hospital, e de acordo com ela, quando o filme acabou e todos dormiram no carpete fofo da sala, percebeu que as gêmeas estavam fabris ao tocar nos seus rostos.
— Elas estão no quarto. — A mulher disse assim que cruzou o olhar com Rachel e Quinn. — Eu as coloquei no mesmo berço porque Aurora resmungou irritada quando tentei colocá-la no dela.
A morena assentiu e praticamente correu, pulando os degraus até chegar no topo. Seu corpo totalmente alerta e seu instinto gritando cada vez mais. Quando adentrou o quarto das filhas, largou a bolsa no chão e se aproximou do berço. Quinn parou ao seu lado e fitou as gêmeas dormindo de bruços. A mãozinha de Aurora cobria a de Audrey e só era possível dizer qual era qual pela cor das blusas.
— Oh, meus corações. — Rachel murmurou com a voz embargada e tocou ambos os rostinhos docemente.
A gêmea mais velha se remexeu inquieta e soltou um choramingo que não passou despercebido pelas mães. Quinn a pegou delicadamente quando esta abriu os olhinhos.
As orbes verdes fitavam a loira com conhecimento, sabendo exatamente que era sua mãe ali segurando-a e a olhando com amor. Sua expressão se contorceu em uma careta e outro choramingo saiu quando sentiu um novo latejar.
Quinn beijou-lhe a testa demoradamente e a aconchegou no seu peito enquanto Rachel pegava Audrey após a filha acordar soltando o mesmo choramingo doloroso da irmã.
O casal sabia o que era aquilo. Tinham enfrentado todo aquele processo há alguns meses. Os dentinhos começaram a nascer e isso causava febre e irritação em ambos os bebês. Partia-lhes o coração não poder fazer algo a não ser massagear as gengivas sensíveis até que se acalmassem e conseguissem dormir um pouco. E agora outros estavam nascendo. Tudo iria se repetir.
— Vamos para o quarto. — Rachel disse.
Quinn assentiu e a seguiu até o aposento de ambas. As filhas foram acomodadas delicadamente sobre o colchão e após retirarem os sapatos, se juntaram com elas na cama. Os olhinhos foram fechando lentamente enquanto afagos eram feitos. Rachel sentia a pele quente da filha sobre sua mão e isso fazia seu peito doer.
— Eu gostaria de poder avançar no tempo até os dentinhos pararem de crescer e essa dor ir embora com a febre. — A morena murmurou.
— Eu também gostaria. — Beijou a cabeça da filha. — Eu gostaria muito, Rach.
...
Kate bateu na porta delicadamente e segundos depois esta fora aberta, revelando a mãe sorrindo para si.
— Vem cá. — Cassandra pegou a filha nos braços.
— Mama! Eu já sou grande pra isso. Tenho nove anos, lembra? — Ralhou, mas não evitou sorrir.
— Eu não vejo ninguém de nove anos aqui. — Frannie saiu da cama. — Só dois bebês. Um garotinho. — Apontou para o filho, que estava folheando um livro colorido. — E uma garotinha. — Segurou a filha, beijando-lhe todo o rosto.
Kate riu e beijou ambas as bochechas e o nariz da mãe como sempre fizera. Quando foi posta no chão, tirou os sapatos e sentou na cama. Era sempre assim. Chegava da escola e batia no quarto das mães. No caso, quem sempre atendia era Cassandra e brincavam juntas com Russel até Frannie chegar, mas como Brittany deu à luz naquele dia, a outra mãe estava em casa.
— ''Key'' — O irmão balbuciou enquanto sorria para a mais velha.
— Ei, Russ. — Beijou a testa do garotinho e migrou sua atenção nas mães. — A tia Britt teve o bebê hoje? É menino ou menina? Ela está bem?
— Sim, ela teve. — Frannie se acomodou ao lado da filha. — É um menino e ela está muito bem.
— Ele se chama Owen. — Cassandra disse.
— Eu gosto de Owen. É bonito. — Respondeu e em seguida olhou para o chão.
— Você está bem, meu amor? — A professora indagou ao notar o nervosismo da filha.
Kate ergueu a cabeça e suspirou enquanto mordia o lábio inferior.
— Eu...eu ouvi algumas garotas da escola conversando sobre pais e... — Fez uma pausa. — Quem é o meu pai?
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