O Preço da Volta - 2ª Fase

47 Capítulo 47 - Um enigma indecifrável...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

— Rach, será que você pode manter a calma?

Quinn indagou enquanto suspirava. O fato é que ela não conseguiu esconder aquele bilhete de Rachel. Havia prometido há pouco mais de um ano, depois do desastre que foi sua despedida de solteira que nunca mais ocultaria algo da baixinha. O olhar magoado que recebeu foi o suficiente para que pensasse duas vezes antes de omitir alguma coisa, mesmo sendo por uma boa causa.

E agora a morena andava de um lado para o outro no quarto enquanto praticamente soltava fumaça pelos olhos.

— Como se já não bastasse entrar na sua sala sem avisar, ela ainda deixou um bilhete pra você! — Falava enquanto caminhava sem parar. — Eu preciso conversar com ela e esclarecer tudo de uma vez. É muita cara de pau sentar conosco para almoçar depois de ter feito isso. — Cuspiu as palavras entredentes.

Rachel era uma mistura de sensações. Ciúme, ódio, indignação. Era mais do que claro que Brooke sentia algo por Quinn, e não respeitava o seu casamento. Não poderia ficar parada vendo-a investir sutilmente na sua esposa. Não seria impotente daquela forma.

A morena foi puxada dos seus pensamentos quando sentiu duas mãos segurando seus ombros de modo suave. Quando fitou os olhos de Quinn, os viu repletos de uma calma que ela mesma não tinha naquele momento.

— Rach, eu preciso que fique calma. Foi você mesma quem disse que deveríamos mantê-la por perto, não lembra?

— Isso foi antes desse bilhete chamando você para um encontro! — Respondeu de maneira dura.

— Talvez não seja um encontro, Rach. Você não viu a palavra ''importante'' marcada como fosse preciso focar nela? Pode ser um código. — Disse calmamente.

— Isso não importa. Se fosse algo importante de verdade ela ligaria e não deixaria um bilhete na sua pasta como se fosse sua amante. — Retrucou irada.

— Talvez ela não ligou porque sabia que eu não atenderia ou então você estaria por perto. Ela se sente mais à vontade quando está sozinha comigo e isso pode ser uma vantagem. É por isso que eu vou até lá amanhã.

— Você o quê?! — Rachel praticamente gritou, esquivando das mãos da esposa em seguida. — Você ficou maluca?

— Rach, seja racional aqui. Nós estamos em um barco furado. Se eu não for nunca saberemos o que se passa na cabeça da Brooke, e viver com essa dúvida vai nos deixar sempre com um sentimento de que poderia ter sido diferente. — Tentou argumentar.

A judia respirou profundamente e sentou na cama. Seu sangue estava quente e sua razão sendo dominada pelo ciúme e pela raiva. Quinn se acomodou ao seu lado e delicadamente segurou-lhe o queixo, atraindo sua atenção.

— Você confia em mim, não confia? — Inquiriu de forma branda.

— Você sabe que confio. Eu só não confio nela. — Respondeu prontamente.

— Mas confiar em mim é a única coisa que basta aqui. Se você deposita sua confiança em mim então é o suficiente. Eu preciso ir e saber o que Brooke quer ou então nunca mais terei sossego plenamente.

— Eu vou junto. — A mais baixa disse.

— Rach, ela não vai se abrir se você for.

— Eu sei. Eu só...quero ir. Ficarei dentro do carro enquanto você entra no café. Os vidros são escuros e ela nunca vai saber que estou lá. As gêmeas podem ficar com os meus pais. Eles estão loucos para passar mais algum tempo com elas.

Quinn abriu um sorriso enquanto assentia.

— Tudo bem. — Envolveu os braços ao redor da baixinha.

Rachel se deixou ser abraçada e se acomodou no corpo quente da mais alta, aspirando o cheiro da pele pálida. Suspirou enquanto fechava os olhos. Ainda estava zangada. Almejava encontrar com Brooke e conversar seriamente com ela, mas se contentaria apenas em permanecer dentro do veículo enquanto a esposa ia conversar com a ruiva. Era só o que podia fazer.

De qualquer forma, descobririam o que Brooke estava escondendo.

Rachel esperava que sim.

...

— Não saia do carro. — Quinn disse.

— Você repete isso desde que acordamos hoje pela manhã. — Rachel revirou os olhos.

— Eu conheço você o suficiente pra saber que pode ser impulsiva, por isso repeti tantas vezes. — A loira retrucou enquanto estacionava o automóvel.

— Eu não vou sair do carro. Não vou colocar tudo a perder. — Cruzou os braços.

— Tudo bem. — Aproximou o rosto da esposa. — Eu te amo. — Deu-lhe um selinho.

— Eu amo você. — Retribuiu o gesto. — Agora vá. Quanto mais rápido for mais rápido vai sair de lá.

Quinn soltou uma risada e saiu do carro. Respirou fundo antes de adentrar o café. O Lima Bean era um local arejado e bastante confortável. A maioria de seus clientes eram alunos das escolas que ocupavam as redondezas, mas havia pessoas que passavam por ali para comprarem algo antes de irem para seus trabalhos. Rachel odiou o lugar pelo fato de não possuir paredes de vidro para que pudesse ver o seu interior e consequentemente avistar Brooke. Sua curiosidade afiada sendo cada vez mais despertada enquanto tentava distrair sua mente com o celular.

Dentro do estabelecimento, Quinn avistou Brooke em poucos segundos. Estava sentada em uma das mesas distantes, perto da parede. Um café médio estava em suas mãos e mantinha sua atenção fixa no copo, alheia ao que acontecia ao seu redor.

Ela levantou a cabeça quando notou uma presença próxima, e o perfume inconfundível de Quinn adentrou o seu nariz. Sorriu de forma sincera e se ergueu da cadeira, envolvendo a loira em um abraço. Quinn correspondeu o afeto da melhor maneira que pôde. Ela não iria tratar Brooke de maneira ríspida. Nem poderia, ou então acabaria com as chances de descobrir alguma coisa.

— Eu fico feliz que tenha vindo. Quer beber alguma coisa? — Indagou atenciosa enquanto observava a empresária sentar de frente para si.

— Eu tomei café pela manhã e estou bem, obrigada. — Sorriu educada.

Brooke retribuiu o sorriso e bebeu mais um gole do seu café. Os olhos azuis cravados nos verdes em uma expressão encantada. Talvez Rachel estivesse certa. A ruiva nutria algum sentimento por Quinn. Isso explicaria o porquê dela se sentir tão desconfortável pelo olhar que recebia da atriz.

Tentou então dar início ao assunto principal.

— Você disse que era importante eu vir até aqui. O que está acontecendo? — Perguntou de forma suave.

O sorriso de Brooke evaporou no mesmo segundo e a ruiva brincou com seus dedos nervosamente.

— Eu...eu vou voltar para Nova York com Jesse. — Disse.

A loira assentiu lentamente enquanto processava as palavras. Não havia nada de realmente importante nisso.

— Mas é uma coisa boa, não é? Você vai voltar para a Broadway e fazer o que ama. Lima é um lugar muito pacato.

Quando a ruiva ergueu o rosto para fitá-la outra vez, Quinn notou um brilho diferente nas orbes claras.

— Eu preciso que você me perdoe. — Apertou o copo de café. — Eu preciso que me perdoe pelas confusões que causei desde a minha volta pra cá. Preciso do seu perdão. — Suplicou.

Quinn se empertigou na cadeira. O tom de voz usado por Brooke era totalmente carregado de aflição, como se pedisse perdão por algo de ruim que houvesse feito, mas não havia feito nada de grave. O vilão da história era Jesse, não era?

— Você não precisa pedir todo esse perdão, Brooke. Foi Jesse quem causou todas as confusões. Se ele não fosse obcecado pela Rachel nós poderíamos ser todos amigos. — Respondeu, tentando acalmá-la.

— Você não entende, Quinn. — Passou as mãos pelo rosto. — Eu...eu sou apaixonada por você. Sou como Jesse nesse quesito. Nutro uma paixão desde que eu te vi pela primeira vez no Strawberry Field. A garota tímida e bondosa que ajudava todo mundo naquele orfanato. Eu achei que com os anos isso acabaria mas quando eu vi você outra vez ao vir para Lima, tudo pareceu acordar, como se todo esse sentimento nunca houvesse ido embora. — Afundou o rosto nas mãos.

Quinn engoliu pesadamente. Ela não sabia ao certo o que falar. Brooke estava ali na sua frente abrindo seu coração e parecia mais frágil do que realmente era, como um cristal fino e delicado. A única coisa que sua mente foi capaz de afirmar é que Rachel estava certa novamente.

— Brooke. — Chamou com a voz gentil.

A ruiva ergueu a cabeça lentamente e fitou Quinn com os olhos marejados. Isso a fez se sentir mal, mas continuou.

— Esse sentimento só vai acabar quando você encontrar alguém que faça seu coração bater mais rápido e suas pernas tremerem. Jesse não merece a pessoa maravilhosa que você é. Talvez em Nova York, com todas aquelas pessoas ao seu redor você encontre o seu amor verdadeiro, porque o que você sente por mim não é amor verdadeiro. É apenas uma paixão de infância e ela vai se desfazer. — Sorriu de forma doce.

— Eu dependo de Jesse, Quinn. — Disse com a voz embargada. — Eu dependo dele mais do que eu gostaria.

— Se o problema for dinheiro não é problema. Nós podemos ajudar você com tudo. — Argumentou.

Brooke até cogitou a possibilidade, mas o ''nós'' destruiu qualquer chance de fazer isso. A ruiva sabia que Quinn estava falando de Rachel, e definitivamente ela não queria a ajuda da morena. Seu orgulho gritava dentro de si, e ainda havia as consequências que enfrentaria se aceitasse a ajuda da loira.

— Eu não posso. — Murmurou, deixando as lágrimas escorrerem. — Me desculpe, Quinn. Eu não posso sair disso. Não há mais volta. Não há. — Explodiu em um choro copioso.

A empresária se mantinha alerta ao que a ruiva dizia. Cada palavra era algo não solucionado. Não há volta. Não há volta de quê? O enigma que cercava Brooke se tornava ainda mais indecifrável a cada segundo.

Mas diante do pranto da atriz, Quinn não teve outra escolha a não ser puxar sua cadeira até estar ao lado dela e acalentá-la de forma amigável. A loira odiava ver alguém chorar e isso não era segredo para ninguém.

Brooke se permitiu abraçar Quinn com força enquanto ainda chorava. Algumas pessoas olhavam mas ela não se importava. Era a primeira vez que deixava tudo sair de modo desenfreado, transparecendo por um momento todas as suas fraquezas. Sentir os braços da loira ao seu redor fazia com que se sentisse segura e protegida, mas doía imensuravelmente dentro de si porque ela sabia que aquele abraço nunca seria o seu porto seguro e o seu alicerce por toda a vida. Quem possuía isso era Rachel e nunca seria diferente. O amor não correspondido que sempre carregaria nas costas por sentir uma paixão descomunal por uma mulher casada com seu amor de infância queimava-a veemente.

Quando seu choro cessou aos poucos, o afeto foi quebrado, e o vazio que sentiu após Quinn voltar para o lugar de antes condizia com o vazio que tomou conta do seu interior outra vez, colocando suas fraquezas novamente no lugar mais inabitável do seu coração.

A loira notou isso quando os olhos azuis ainda avermelhados ganharam o costumeiro tom mais opaco e perdido de sempre.

— Me desculpe por isso. — Pediu, enquanto limpava seu rosto com o lenço de tecido que Quinn havia lhe oferecido.

— Não se preocupe. — Respondeu. — Será que nós podemos retornar para a conversa?

— Eu... — Sua fala foi cortada pelo toque estridente do seu celular, e quando viu o nome de Jesse no visor, sabia que teria de partir. — Eu preciso ir. — Levantou com pressa.

— Espere, Brooke! — Quinn a segurou pelo braço gentilmente quando a ruiva pegou a sua bolsa e iniciou a caminhada. — Esclareça as coisas pra mim. Eu estou perdida com essa conversa. Por favor.

— Nós vamos nos ver novamente. — Sorriu triste. — Em breve. — Segurou o rosto alvo com as duas mãos. — Me perdoe, Q. — Beijou-lhe a testa demoradamente. — Só... me perdoe. Eu sempre serei apaixonada por você.

Quinn ainda permaneceu atônita, parada no meio do Lima Bean quando a atriz atravessou a porta e sumiu da sua vista.

Do lado de fora, Rachel sentiu o corpo tensionar quando observou a ruiva sair do café apressadamente. A vontade de sair e confrontá-la atingindo-a em cheio, mas na mesma hora avistou a esposa sair do local e andar até o carro. Decidiu ficar quieta esperando para saber as novidades.

Quinn adentrou o veículo e a morena a fitou com seus grandes olhos castanhos curiosos.

— E então? O que aconteceu? Ela falou muita coisa? — Disparou as perguntas rapidamente.

A empresária encarou a mais baixa ainda um pouco estarrecida e assentiu lentamente.

— Eu acho melhor irmos para casa. Há muito o que conversar sobre o que aconteceu.

Notas finais
Qual será a história que ronda Brooke? Comentem, favoritem e deixem suas opiniões. Nos vemos na próxima sexta-feira sem falta. Bom final de semana. =D https://twitter.com/yasagron