O Preço da Volta - 2ª Fase

45 Capítulo 45 - Visita casual...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Rachel observava o caminhão de mudança parado e os carregadores levando os móveis para dentro da casa com uma expressão contrariada. A morena era uma linha tênue entre a tristeza e o orgulho naquele momento. Santana e Brittany estavam iniciando uma família, mas tê-las morando em um lugar diferente não era um motivo de comemoração para a baixinha. Talvez fosse egoísmo de sua parte, mas era assim que se sentia.

No entanto, não podia negar que a casa era belíssima.

A residência abrigava dois andares e o seu tamanho era perfeito. Não era grande demais e não era pequena. Na verdade era ideal para uma família que aumentaria em breve. Havia ainda uma piscina para as crianças brincarem no futuro e uma área verde adornada com bancos de madeira.

A estilista observou a esposa sentada em um deles com Santana ao seu lado enquanto os carrinhos das gêmeas estavam logo à frente sob a sombra naquele início da manhã. A latina sorria animada enquanto conversava efusivamente com Quinn e vez ou outra depositava delicados beijos na cabecinha de Valerie, que descansava nos seus braços. Sua atenção foi desviada até Brittany, que saía da casa com um sorriso que poderia rasgar seu rosto.

— Por que está sozinha aqui?

A morena deu espaço para a amiga sentar ao seu lado sobre a grama e apoiar as costas na árvore.

— Eu estava pensando.

— Ainda não superou a ideia de virmos morar aqui, não é? — Inquiriu suavemente.

— Eu estou tentando me acostumar. — Respondeu. — Não é fácil, Britt.

— Eu sei que não é. Eu vou sentir falta de acordar e encontrar vocês na mesa do café, mas vamos continuar sempre uma família, Rach.

— Eu sei, Britt. Eu estou feliz por vocês. — Disse com sinceridade. — Eu apenas demoro um pouco mais para me adaptar à coisas novas.

A loirinha assentiu e puxou a amiga para apoiar a cabeça no seu ombro.

— A casa é linda, não é? — Sorriu orgulhosa.

— É sim. — Rachel aquiesceu. — Valerie vai amar esse lugar. E o futuro bebê de vocês também.

— Não esqueça de Audrey, Aurora, Kate, Zoe e Russel. Eu tenho certeza de que eles ainda vão levar muitas broncas quando se sujarem de terra.

A morena riu e concordou. Ela tinha certeza absoluta de que as gêmeas, Valerie e Russel iriam ser hiperativos, além da sobrinha mais velha e da irmã, que já tinham uma energia enorme. Sabia que quando os bebês estivessem da idade de Kate e Zoe ambas já não seriam mais crianças, então talvez os quatro bebês se tornassem melhores amigos.

Só o destino poderia dizer.

...

— Certo, por que estão me olhando assim? — Santana indagou com a expressão receosa.

Quinn sorriu e segurou nos ombros da latina, fazendo-a se sentar no sofá de dois lugares. Em seguida, andou até parar ao lado da irmã.

— Nós estamos aqui para presentear você. — Frannie disse.

— Me presentar por qual motivo? — Arqueou as sobrancelhas.

— Por estar iniciando uma família. Em breve você terá mais uma filha ou filho. — Quinn respondeu.

— O que nós queremos dizer é que estamos orgulhosos de você e Britt pelo passo que estão tomando. E com orgulhosos também queremos incluir Puck. — Frannie apontou para o moreno, que descansava em uma das cadeiras giratórias. — Foi ele quem deu a ideia do presente.

— Você sabe que dois dos nossos acionistas estão vendendo suas ações, não sabe? — Quinn inquiriu.

— Sim, eles estão se aposentando e querem o dinheiro para viajarem. — Santana respondeu simples.

— Então... — A Fabray mais nova fisgou o papel sobre a mesa e entregou para a amiga. — Eles venderam as ações.

A latina segurou o objeto e mesmo com o cenho franzido passou a analisar todas as palavras que continham nele, abrindo os olhos surpresa ao ler o nome do novo acionista. Ou no caso, a nova acionista.

— Vocês estão falando sério? — Se ergueu do sofá bruscamente. — Eu não comprei as ações. Eu nem tenho tanto dinheiro pra isso.

— Mas nós compramos e estamos dando de presente para você. — Frannie sorriu. — Agora você é dona de dez por cento das ações.

— Nós não queremos que você seja apenas a advogada da empresa. Você é da família e merece estar aqui conosco agora opinando sobre os detalhes da joalheria. Eu sei que você vai se sair bem nisso. — Quinn falou calmamente.

— E o dinheiro será muito bem-vindo, não é? — Puck balançou as sobrancelhas sugestivamente, arrancando uma risada da advogada, que sorriu largamente e sentiu os olhos marejarem.

— Droga! Não me façam chorar aqui. — Respirou fundo. — Eu não sei o que falar e não sei como agradecer. Obrigada.

— Um abraço seria bom, não acha? — Quinn abriu os braços.

A latina não esperou muito para abraçar a loira. Ela definitivamente era um poço de carinho. Frannie não era diferente, e Puck não escondia o amor que sentia por suas amigas. Como se fossem suas irmãs mais novas. O jovem não conseguiu contribuir para a compra das ações, mas sua sugestão foi repleta de afeto quando Quinn e Frannie se encontraram em um impasse sem ideias sobre qual presente seria ideal não só para Santana, mas para toda a família que estava iniciando com Brittany.

Eram pessoas boas e que se preocupavam uns com os outros.

A Fabray mais nova puxou a irmã para encaixá-la no abraço, e bastou um olhar para que Puck também fosse envolvido no afeto.

Quando se separaram, Santana enxugou algumas lágrimas que haviam escorrido rapidamente.

— Eu preciso contar pra a Britt. — Pegou o celular do bolso.

— E eu vou almoçar. Vocês vêm? — Frannie indagou, caminhando até a porta da sala de reuniões.

— Eu vou. — A latina respondeu mexendo em sua agenda eletrônica

— Eu também. — Puck seguiu a Fabray mais velha.

— Eu preciso terminar alguns desenhos. Depois eu como alguma coisa.

— O que significa que teremos de trazer o seu almoço. Não se preocupe, nós traremos. — A irmã revirou os olhos em uma falsa chateação e saiu com os dois amigos em seu encalço.

Quinn soltou uma risada e saiu do cômodo, indo em direção à sua sala, mas parou na porta ao vê-la entreaberta.

Com cuidado, empurrou até que pudesse entrar no local, e quando o fez, se surpreendeu ao ver o cabelo ruivo conhecido.

Brooke se mantinha de costas, e olhava os porta-retratos sobre a estante da sala com curiosidade. Sua atenção estava fixa na fotografia das gêmeas sorrindo deitadas sobre uma superfície macia.

Quinn fechou a porta, e o barulho atraiu a atenção da ruiva, que virou rapidamente com um sorriso no rosto.

— Oh, meu Deus, Quinn! Suas filhas são lindas! — Exclamou, caminhando até a loira e a envolvendo em um abraço.

A empresária se manteve estática por alguns segundos, mas retribuiu o gesto. Brooke não havia contatado-a desde o dia em que a ajudou com o presente da mãe, e não esperava vê-la ali depois de meses. Na verdade, achava que ela já havia voltado para Nova York com Jesse.

— Obrigada, Brooke. — Disse após se separar do abraço. — Eu não quero parecer grossa, mas como você entrou aqui?

— A sua secretária tinha saído quando eu cheguei, então eu decidi fazer uma surpresa casual. — Deu de ombros sorrindo. — Agora me conta, como as gêmeas se chamam?

— Aurora e Audrey. — Respondeu, sorrindo amorosamente. — Elas são perfeitas. Por que você não foi visitá-las? Rachel está sempre em casa e eu também queria estar lá, mas a empresa exige um certo esforço.

— Eu queria muito visitá-las, mas não queria causar algum incômodo, entende? Eu ainda me sinto envergonhada com tudo o que Jesse fez. — Suspirou.

— Não foi sua culpa. — Quinn tentou confortá-la. — Eu só não entendo como ainda pode continuar casada com ele.

— Eu me pergunto isso há muito tempo. — Murmurou em um tom baixo com o olhar perdido.

A loira franziu o cenho. Brooke era uma incógnita para si. Ao mesmo tempo em que parecia a mesma garota do orfanato, ela era muito diferente em algumas questões, principalmente quando o olhar se tornava vazio esporadicamente.

A atriz sorriu, tentando espantar alguns pensamentos, e antes que pudesse falar alguma coisa, a porta foi aberta.

Rachel alternou o olhar entre Quinn e Brooke algumas vezes. O carrinho duplo abrigava os dois bebês, que resmungavam coisas inaudíveis. A morena respirou fundo. Sua esposa estava ao lado de uma pessoa que não confiava e que fazia questão apenas de visitá-la. Fitou então as filhas encarando-a com curiosidade e manteve a compostura. Não iria brigar. Iria fazer o que sempre soube diante de pessoas que não confiava.

Fingir.

Quinn reconheceu imediatamente o sorriso falso que a baixinha abriu. Era largo mas sem emoção. A morena caminhou empurrando o carrinho até parar ao lado da esposa, e quando o fez, foi em direção à ruiva para cumprimentá-la.

— Olá, Brooke. Quanto tempo! — Saudou.

A Fabray se manteve quieta ao lado do carrinho, e agachou para olhar as filhas.

— Como a mamãe pode sair dessa? — Indagou em um sussurro.

Quinn sabia que Rachel não confiava em Brooke. Ninguém da sua família confiava, mas simplesmente não havia possibilidades de saber com antecedência que a ruiva iria aparecer de surpresa.

Audrey resmungou alguma coisa e apertou o dedo da mãe quando esta acariciou-lhe o rosto.

— Tudo bem. Obrigada pela ajuda, Aud.

Aurora apenas sorriu. Quinn tinha notado que a gêmea mais velha adorava mostrar suas gengivas rosadas o tempo inteiro em forma de sorrisos para todos que se aproximavam dela, e a empresária simplesmente amava isso.

As duas mulheres mais à frente trocaram cumprimentos e em seguida Rachel se pôs novamente ao lado da loira.

Quinn levantou, encarando a judia, que ainda sorria de modo artificial para a outra mulher.

— Eu vim fazer uma visita para a Quinn e aproveitaria para chamá-la para almoçar porque encontrei Sant, Frannie e Puck no estacionamento e eles disseram que ela não iria com eles, mas já que você está aqui, vamos as três. O que acham?

A loira franziu as sobrancelhas levemente. O que Rachel estava tramando?

Mas antes mesmo de cogitar responder, Brooke o fez para si.

— Eu adoraria! Vai ser ótimo para que eu veja essas duas menininhas lindas. — Fitou o carrinho das gêmeas.

— Ótimo! Então vamos lá.

E quando Rachel entrelaçou seu braço no da ruiva e ambas saíram na frente, Quinn ainda permaneceu atônita dentro da sala. Só foi despertar do seu transe quando as duas mulheres desapareceram da sua vista.

Muito a contragosto ela segurou no apoio do carrinho e começou a empurrá-lo suavemente enquanto caminhava para fora do cômodo.

Rachel notava o sorriso amarelo de Brooke em semelhança com o seu. Sabia que a ruiva estava forçando emoções que não sentia em sua direção, o que era totalmente recíproco.

Esse jogo de cinismo definitivamente poderia ser jogado por duas pessoas.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron