O Preço da Volta - 2ª Fase
43 Capítulo 43 - 365 dias (Parte II)...
Notas iniciais
Rachel ainda permaneceu no quarto por quase trinta minutos após tomar banho com a esposa para retirar o suor do corpo devido às brincadeiras do dia. As filhas tinham sido trocadas, alimentadas e levadas por Quinn até o aposento de ambas, então sobrara apenas a morena e a sua ansiedade.
Estava quase tendo uma síncope quando a loira adentrou o quarto sorrindo.
— Está tudo pronto. Vamos lá.
Rachel sorriu mesmo estando nervosa, e antes de sair segurou a babá eletrônica em mãos. Onde quer que fossem, se suas filhas chorarem elas ouviriam.
Os dedos pálidos entrelaçaram com os morenos, e juntas caminharam pelo corredor de quartos, descendo a escada e indo em direção ao escritório.
Pelo menos Rachel achava que iam até o escritório, mas soube que não se tratava disso quando Quinn virou à esquerda e abriu a porta do porão.
Rachel havia entrado naquele porão poucas vezes. Era amplo e arejado, mas guardava apenas móveis antigos e relatórios tão velhos que era impossível ler alguma coisa pelo desgaste do papel amarelado.
Desceram os poucos degraus devagar. Estava escuro e dificilmente poderiam ver alguma coisa lá embaixo.
— Espero que você goste. — A voz de Quinn podia ser ouvida, embora sua silhueta já houvesse desaparecido na escuridão.
A única coisa que Rachel ouviu fora o som do interruptor sendo alavancado e em seguida todo o porão ganhou luz.
A morena piscou algumas vezes para se acostumar com a claridade, e em seguida, resfolegou.
Havia fotos. Mas não eram simples fotos. Eram as fotos da adolescência delas. Tiradas com a primeira câmera que conseguiram em Londres. Preenchiam toda a parede do lado esquerdo em tamanhos grandes e bem visíveis. A parede do centro estava da mesma forma, todavia, as imagens agora eram de quando já estavam na mansão. E o flanco direito exibia as mais recentes. Desde o casamento até as que tiraram das gêmeas rindo com o chocalho que Quinn balançava. Era possível ver toda a gestação de Rachel em ordem cronológica. Como um filme em fotografias.
Era uma linha do tempo colorida e perfeita.
A respiração estava engatada pelas emoções correndo de modo desenfreado em suas veias. Só foi perceber que lágrimas escorriam no seu rosto quando Quinn enxugou-as lentamente com seu polegar.
— Meu Deus! — Exclamou ainda atônita.
— Você gostou? — A voz da mais alta chamou sua atenção.
Quando virou o rosto para encarar a esposa, assentiu freneticamente.
— Se eu gostei? Isso...isso é perfeito, Q. Nada menos do que perfeito. Eu acho que poderia inventar uma palavra agora que definisse isso como mais do que perfeito.
Quinn riu pelo tom apressado da baixinha e segurou-lhe a mão, caminhando até as fotos mais antigas. Estavam com quinze anos, sentadas no banco do Hampstead Heath e sorriam felizes.
— Éramos felizes mesmo furtando para sobreviver. — Rachel suspirou.
— Éramos felizes porque tínhamos uma a outra. — A empresária rodeou os ombros da esposa com o braço.
A morena se aconchegou no corpo da mais alta enquanto observava cada foto. Uma por uma. A nostalgia ganhava mais intensidade à medida em que iam caminhando pelo porão. Não tinham pressa. Todo aquele momento deveria ser aproveitado minuciosamente. Estavam presas em uma bolha só delas. A mesma que as envolvia desde os dez anos.
— Dá pra acreditar em como a nossa vida deu esse salto gigantesco? — A baixinha murmurou.
— Temos muitas histórias para contar às gêmeas no futuro.
Rachel concordou. Ela contaria cada dificuldade que passaram até chegarem ali. O orfanato, os furtos e a incerteza que tinham se conseguiriam ter um alimento no dia seguinte. O mundo não foi fácil com nenhuma delas, e suas filhas saberiam apreciar o valor da vida que tinham, porque isso suas mães já faziam diariamente.
...
Rachel soltava baixos grunhidos de satisfação cada vez que levava o garfo com o risoto de cogumelo até a boca. Quinn ria sempre que a morena fazia isso.
— Pelo visto você gostou mesmo da minha comida. — Comentou divertida.
— Isso está incrível, amor! Maravilhoso! — Respondeu animada.
— Eu confesso que olhei várias coisas na internet, mas consegui fazer tudo sozinha durante a madrugada.
— Quinnie, esse dia... — Começou, deixando o garfo sobre o prato. — O café da cama, a massagem, o presente e agora essa surpresa... — Suspirou emocionada. — Eu não faço a menor ideia de como agradecer você.
— Você acha mesmo que eu quero algum agradecimento? — A loira sorriu. — Eu fiz isso porque eu te amo e quero mostrar o quanto eu sou grata todos os dias por tê-la comigo. Eu gosto de fazer essas surpresas. — Deu de ombros.
Rachel sorriu genuinamente pelas palavras da esposa.
— Não seja modesta. Você é a pessoa mais encantadora do mundo. — Bebericou do suco que simulava o vinho na taça. Não podia ingerir bebida alcoólica ainda.
— Eu sou? — Fez uma falsa expressão surpresa.
— É claro! E sabe o que mais você é? — Rachel deixou a taça ao lado do prato sobre a mesa baixa.
— Não. Eu não sei. O que mais eu sou? — Sorriu.
A morena espelhou o sorriso da esposa e arrastou o corpo sobre o colchão feito sob medida que cobria metade do chão do porão até estar sentada no colo da loira.
— Você é linda. — Deu-lhe um selinho. — Gostosa. — Desceu os lábios até o pescoço pálido. — Charmosa. — Trilhou uma série de beijos até a orelha da mais alta, chupando o lóbulo lentamente. — A melhor esposa do mundo.
Quinn não evitou soltar um gemido baixo quando sentiu o chupão no seu ponto de pulso. Ela desejava Rachel. Seu corpo entregava isso pelos arrepios e pela protuberância que estava crescendo na sua calça por ter o centro da esposa pressionado contra o seu, mas ela não queria forçá-la a fazer algo.
— Rach... — Chamou, ganhando a atenção da morena. — Eu acho melhor parar antes que piore a minha situação. Eu não vou ficar chateada.
A baixinha sorriu e beijou o queixo fino, subindo até os lábios e mordendo o inferior, causando uma nova onda de arrepios na esposa. Rachel ainda estava insegura. Ainda tinha as estrias, contudo, ela amava Quinn, e sentia sua intimidade molhar à medida em que sentia o volume da mais alta. Já estava totalmente liberada para transar novamente e desejava retornar sua intimidade com ela outra vez.
— Eu quero. — Disse, arranhando de leve a nuca da esposa. — Só vamos com calma, tudo bem?
Quinn assentiu. Ela sabia que talvez a morena pudesse sentir dor. Precisava acostumar seu corpo a retomar para a vida sexual.
Aproveitando a posição que a esposa estava, a loira ergueu lentamente o vestido desta. Rachel ainda hesitou um pouco mas levantou os braços, permitindo que a peça fosse retirada. Os olhos castanhos fecharam em insegurança, mas a única coisa que sentiu foi seu corpo sendo delicadamente deitado sobre o colchão e beijos carinhosos no seu pescoço.
Quando abriu os olhos, Quinn sorria amorosamente para si.
— Você é linda. Seu corpo é lindo. E não há motivo algum para ter vergonha. — Beijou-lhe o ombro suavemente. — Suas curvas estão ainda mais tentadoras e eu vou adorar explorá-las.
Rachel suspirou pelo tom baixo e rouco no seu ouvido. Sentia a calcinha pegajosa pelo líquido natural molhando o tecido cada vez mais. As mãos pálidas foram até o fecho do sutiã, e a morena ergueu a parte superior do corpo para que fosse removido.
Quinn não se preocupou em retirar sua própria roupa. Estava encantada demais olhando para os seios da morena. Toda a silhueta da esposa a enlouquecia. Ela os segurou delicadamente, e Rachel gemeu pelo contato, fechando os olhos.
A empresária os desejava na sua boca, mas sabia que eles estavam sensíveis pela quantidade de vezes em que Rachel dizia isso no dia a dia, e qualquer movimento incitando-os poderia aumentar a sensibilidade em níveis desconfortáveis.
Os lábios finos então desceram, trilhando beijos no vale dos seios até a barriga, deixando pequenas mordidas que faziam gemidos manhosos e baixos escaparem pela boca de Rachel. Os beijos cobriram todas as marcas pequenas de estrias, e mesmo que a morena ainda estivesse de olhos fechados, ela sabia o exato local em que elas estavam.
Quinn não se importava nem um pouco com aquelas marcas. Eram marcas ocasionadas pela gravidez das suas filhas. E em nada diminuía o desejo que sentia pela esposa.
— Você é linda. — Tornou a repetir, antes de descer até a intimidade da baixinha.
As pernas longas e torneadas foram separadas com delicadeza, expondo a calcinha branca rendada molhada.
Quinn aspirou o cheiro convidativo que emanava juntamente ao calor daquela área e em segundos retirou a única peça que faltava do corpo da esposa. Rachel suspirou longamente ao sentir os beijos lascivos na sua virilha, e o gemido saiu quase no mesmo segundo quando a boca da loira entrou em contato com sua intimidade.
A respiração engatou com pressa. Seu peito subia e descia enquanto a língua aveludada de Quinn explorava toda aquela região. A mão morena fechou em torno dos fios claros da esposa.
A loira mirou sua atenção no clitóris duro e inchado, envolvendo-o em sua boca e o lambendo com fervor. Rachel se permitia gemer sem vergonha alguma. E enquanto aproveitava o doce som dos gemidos da baixinha, os dedos pálidos entraram vagarosamente na entrada quente e apertada.
Os gemidos aumentaram. Rachel sentia seu clitóris sendo estimulado com fervor enquanto os dois dedos de Quinn a invadiam com cuidado. A morena sentia o corpo quente. Tudo naquele porão estava quente. Até mesmo o ar estava abafado.
Quinn continuou estocando lentamente os dois dedos. Sem pressa, e mesmo sentindo sua calça apertando seu membro, ela ignorava isso para dar prazer à Rachel e fazê-la sentir bem.
Continuou com movimentos precisos no clitóris pulsante, vez ou outra rodeando-o e logo depois movendo sua língua para passear sobre ele incessantemente. Ela parava um pouco para beijar e chupar a parte interna das coxas da judia, sentindo o aperto firme no seu cabelo, logo voltando para a ação anterior. Também ouvia os gemidos melodiosos preencherem cada metro quadrado daquele cômodo e quando seus dedos entraram com um pouco mais de dificuldade sabia que Rachel estava perto. Bastou mais alguns minutos de movimentos ininterruptos para que ela explodisse em um orgasmo. Ainda era tudo muito sensível.
Quinn sorriu e parou o que fazia, escalando o corpo que ainda sofria espasmos e beijando-o no caminho.
Rachel ainda mantinha os olhos fortemente fechados e respirava com dificuldade. O suor brilhava na sua testa e sorriu ao sentir o beijo casto no seu queixo.
— Foi bom? — Quinn indagou.
— Foi perfeito. Como tudo o que você faz. — Abriu os olhos, tocando o rosto da loira, que estava úmido devido ao seu suco natural. — Mas não acabou ainda.
— Você tem certeza de que quer ir até o fim hoje?
— É claro que eu quero. Eu quero voltar a sentir você totalmente.
Quinn concordou com um sorriso, e rapidamente retirou a blusa que vestia, expondo o tronco pálido com o sutiã preto, que teve o mesmo destino que a primeira peça de roupa. Rachel mordeu o lábio inferior e empurrou o corpo da esposa, se pondo sobre ele em segundos.
A mais alta ficou surpresa, mas logo sentiu os lábios cheios contra os seus. As mãos pequenas foram até o cós do jeans, abrindo o botão e descendo o zíper. O beijo foi quebrado apenas para a empresária erguer o quadril e Rachel retirar a calça. Foi impossível conter o gemido ao ver o membro perfeitamente marcado no tecido da cueca escura.
Aquela peça não demorou a sair. Rachel já estava excitada outra vez, e necessitava ser preenchida por Quinn. Todavia, a loira ainda se recordava de que poderia causar dor na morena, e girou-as de posição, encaixando o seu corpo entre as pernas da mais baixa.
— Me avise se doer. Eu vou tirar imediatamente. — Pediu.
Rachel assentiu e molhou os lábios com a ponta da língua, deslizando a ponta das unhas pelas costas levemente suadas de Quinn. A loira deu-lhe um selinho demorado antes de segurar seu membro e lentamente encaixá-lo na entrada da esposa.
Desconforto. Rachel sentiu um desconforto latente. A gestação recente juntamente com o tempo que ficou sem fazer sexo foram o suficiente para que seu corpo precisasse se acostumar e se expandir para receber aquele contato.
Quinn teve de forçar um pouco para que o pênis adentrasse totalmente. Rachel estava extremamente apertada, e ela sabia que estava desconfortável pelo semblante contorcido da esposa. Ela se sentiu mal por vê-la mal.
— Rach, você quer que eu tire?
A morena apenas negou com a cabeça e cravou as unhas com mais força na pele pálida. Quinn se sentia revivendo novamente o passado, quando ambas perderam a virgindade, e fez exatamente como naquele dia, passando a distribuir beijos amorosos por todo o rosto da esposa, vez ou outra aspirando o cheiro do seu pescoço.
— Eu amo tanto você.
— Eu te amo mais. — Rachel não evitou sorrir.
Quinn espelhou seu sorriso e beijou-lhe os lábios delicadamente, passando todo o amor que sentia no momento. A morena foi relaxando aos poucos. Sentir ansiedade também não ajudava a fazer o desconforto ir embora. No entanto, com afetos e palavras de amor que recebia da loira, sentia apenas um pequeno incômodo, mas que logo passaria, ela sabia disso.
— Você pode mexer agora. — Sussurrou.
A loira assentiu e apoiou cada antebraço do lado da cabeça da mais baixa, iniciando os movimentos lentos e profundos. Sentia as unhas de Rachel arranhando-a levemente, descendo até que estivesse na base das suas costas, enviando arrepios pelo seu corpo. Não demorou para que a morena começasse a sentir prazer, esquecendo totalmente do incômodo e soltando gemidos manhosos.
Quinn não estava diferente, e chupava o pescoço da esposa enquanto aumentava as estocadas. Estava se sentindo novamente conectada com o corpo de Rachel. Foi praticamente uma tortura todo aquele mês sem poder tocá-la de modo mais íntimo, mas agora isso havia acabado.
Os gemidos se misturavam no porão quente e os corpos já suavam cada vez mais. Era bom, era intenso e era algo almejado por ambas. Toda a insegurança da morena em relação à esposa vê-la sem roupa se dissipou. Se sentia bem novamente. Se sentia preenchida e o prazer que eclodia a fez perceber o quanto sentia falta disso. De sentir o corpo de Quinn, de ouvir os gemidos de Quinn. De ser possuída de uma forma tão libertadora.
O membro entrava completamente, acertando todos os lugares propícios para garantir o prazer da morena. Os movimentos eram cada vez mais rápidos e fortes. Elas desejavam chegar ao ápice. Desejavam sentir a sensação de êxtase do clímax. Rachel gemia sem parar, soltando suspiros entrecortados e arranhando as costas de Quinn com força, de vez em quando chegando ao seu traseiro e apertando-o.
As pernas da morena se fecharam com força em volta do quadril da esposa, aprofundando a penetração, e o gemido mais alto de prazer foi inevitável quando a glande do pênis atingiu com força seu ponto esponjoso. A empresária não parava um segundo sequer, e o beijo que trocaram foi totalmente desleixado pelo ritmo constante.
Quinn não aguentaria mais por muito tempo. Estava sem gozar desde a última relação sexual com Rachel há pouco mais de dois meses, e se masturbar tendo que administrar o emprego e cuidar das gêmeas só iria servir para deixá-la ainda mais cansada.
Rachel apertou com ainda mais força as unhas nas costas da esposa quando sentiu o membro inchar dentro de si. Ela sabia que a mais alta estava na borda e não demorou em acompanhá-la. O gemido de prazer e satisfação saiu com força quando atingiu o clímax, se desmanchando sob Quinn e chamando seu nome enquanto a loira estava em semelhança consigo.
A morena se sentia totalmente cheia. O líquido da esposa em seu interior a preenchia de uma forma deliciosa. Os corpos sofriam espasmos e as respirações estavam a todo vapor. Quinn afundou o rosto no pescoço da mais baixa enquanto sentia o carinho no seu cabelo.
— Eu... — Ergueu a cabeça após alguns segundos. — Eu gozei dentro.
— Está tudo bem. — Rachel sorriu. — A doutora White me receitou pílulas quando constatou que eu poderia voltar às atividades mais intensas. — Deu-lhe um selinho — São anticoncepcionais de progesterona. Eles não prejudicam a amamentação.
Quinn sorriu e voltou para a posição anterior, aproveitando o corpo quente da esposa abraçando-a.
— Feliz aniversário de casamento.
— Feliz aniversário de casamento. — Rachel beijou-lhe a têmpora.
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