O Preço da Volta - 2ª Fase

38 Capítulo 38 - Adorável...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

O choro na babá eletrônica cortou o silêncio que predominava no quarto e Frannie grunhiu baixinho, escondendo o rosto no pescoço da esposa.

— Russ acordou. — Cassandra disse de olhos fechados. — Está esperando o que para ir lá?

— Eu fui há duas horas.

— E eu o carreguei durante nove meses. — Rebateu. — Agora vai.

Frannie bufou e se separou do corpo quente e convidativo da mais alta, saindo da cama e se pondo de pé. Se sentia cansada e o sono em demasiado dava-lhe tontura. Deixou o quarto aos tropeços e logo adentrou o aposento do bebê.

A loira regulou o interruptor até que o quarto estivesse iluminado e caminhou até o berço, vendo o pequeno corpinho se debatendo pelo pranto.

Logo pegou-o nos braços delicadamente.

— Você suja muito a fralda para um bebê de dois meses. Sabe disso, não sabe? — Sorriu enquanto levava-o para o trocador.

O pequenino cessou o choro após ter tido sua fralda trocada e apenas manteve um bico nos lábios. O rostinho levemente vermelho e os olhinhos úmidos faziam o coração de Frannie apertar.

— Quer que eu fique aqui com você? — Acalentou-o contra seu corpo e pôs a chupeta na boca do filho.

Os olhos, que ainda não possuíam uma cor definitiva, se fecharam à medida em que a mãe o balançava levemente e isso foi uma confirmação. A luz do quarto foi desligada e apenas o abajur permanecia emanando claridade.

Frannie se acomodou na cadeira de balanço acolchoada enquanto fitava o bebê pela pouca iluminação e sorriu consigo mesma. Seu garotinho era perfeito.

— Meu pequeno príncipe. Você é lindo como a sua mãe.

Passou bons minutos analisando cada detalhe do rosto sereno. As feições delicadas. Seu segundo filho com Cassandra. Frannie nunca imaginaria que chegaria a esse ponto da sua vida há onze anos quando conheceu a esposa.

Enorme e assustador.

Era isso o que se passava pela cabeça de Frannie enquanto os olhos curiosos fitavam o campus de Yale. Os milhares de alunos espalhados pela grama bem aparada mostrava o quanto eles eram sociáveis, mas infelizmente esse não era o seu caso.

Aprendeu a ser reservada e introspectiva quando passou todo o ensino médio em um internato feminino, e foi lá onde descobriu seu interesse por garotas, o que nunca agradou Judith.

— Como está se sentindo? — A voz grossa do patriarca adentrou seus ouvidos, e a garota sentiu a mão grande em seu ombro.

— Acho que estou quase borrando minhas calças. — Respondeu.

Russel riu e a virou para si.

— Eu acredito no seu potencial, Frannie. Você irá se sair bem. — Sorriu amorosamente.

A filha apenas retribuiu o sorriso e abraçou o homem com força, sendo envolvida em seu aperto de urso.

— Vou sentir saudade das suas palavras doces. — Comentou com a voz abafada.

— Vamos nos falar todo fim de semana e irá nos visitar nos feriados e nas férias, da mesma forma que fizemos quando estudou no internato. Eu não vou deixar você sozinha. — Beijou-lhe o topo da cabeça.

— Mas aqui é uma universidade, papai. É tudo tão diferente. — Suspirou após a quebra do abraço.

— E é por isso que precisa ser ainda mais forte. Eu amo você, minha filha. Me ligue se precisar de alguma coisa. Qualquer coisa, e eu venho correndo até aqui.

Frannie sorriu e relaxou minimamente pelas palavras do pai.

— Eu amo você.

— Eu também amo você. — Mirou os olhos no carro estacionado a poucos metros. — Quer ajuda com as suas coisas?

— Não. — Maneou a cabeça. — Eu acho que posso me virar sozinha.

— Tudo bem.

Quando a loira se despediu de Russel com outro abraço forte e viu o carro partindo até sair de sua vista, seu coração começou a bater descompassado novamente. Estava sozinha em um ambiente com mais de sessenta e nove mil metros quadrados.

— Você é Francine Fabray e você consegue. — Repetiu o mesmo mantra que mantinha em sua cabeça desde o seu primeiro dia no internato.

Levar as duas malas, sua mochila e algumas caixas com seus pertences pessoais para o corredor no segundo andar do prédio dos dormitórios foi fácil, mas isso a rendeu uma boa camada de suor no corpo pelo sol que fazia em New Haven naquele dia.

Frannie não se importava, afinal de contas. Gostava de fazer as coisas por si só. Essa era mais uma das coisas que Judith recriminava na filha.

Mas Russel não. Russel adorava o espírito simples e humilde da loira, e para Frannie era isso o que valia a pena. O orgulho do pai. Era por isso que estava ali em Yale, pronta para cursar administração. No futuro, herdaria todo o império do patriarca. Seguiria seus passos.

Quando enfim levou a última caixa, enxugou o suor da testa e retirou os óculos de grau, pondo a haste presa na gola da sua blusa.

A porta estava trancada, então provavelmente sua companheira de quarto não havia chegado. Não fazia ideia de como ela seria. Recebeu um e-mail da faculdade a comunicando sobre o nome da dita cuja semana passada. Era a única coisa que sabia sobre ela.

Se chamava Cassandra July.

Frannie esperava que fosse alguém legal. Quem sabe se tornariam amigas.

— Se ela não se importar em não ter vida social caso ande comigo. — Riu consigo mesma pelo pensamento e utilizou sua chave, abrindo a porta e adentrando seu mais novo quarto.

Havia duas camas de solteiro. Divididas pela cômoda entre elas. Dois armários idênticos estavam nas laterais das paredes ao lado de algumas prateleiras e o banheiro também não era tão grande, porém igualmente aconchegante.

Frannie se apressou em ligar o ar-condicionado, no intuito de refrigerar o lugar e eliminar o calor daquela tarde quente de sexta-feira.

Decidiu por si só que ficaria com o lado esquerdo do quarto e passou a pendurar alguns diplomas escolares e colocar alguns troféus obtidos em competições de matemática avançada nas prateleiras. Apenas três porta-retratos enfeitaram o local. Um deles apenas com Russel. Sua foto favorita em todo o mundo. O outro com Olívia. A governanta que trabalhava na mansão Fabray era praticamente sua mãe. Cuidou e trocou suas fraldas mais do que qualquer babá ou até mesmo Judith. E por último, uma foto com a mãe de sangue. Não muito alegre, mas que deixava claro o rosto da matriarca, e mesmo com todos os seus defeitos, Frannie a amava.

Ela pôs os óculos sobre a cômoda e pegou algumas roupas quando esvaziou metade das suas malas nas gavetas do armário.

O banheiro era bem estruturado. Havia uma pia e um chuveiro médio, além do vaso sanitário. Não perdeu tempo em fechar a porta e tomar um banho frio, retirando todo o calor e suor do seu corpo e permitindo relaxar os músculos durante alguns minutos.

Quando saiu, ainda com o cabelo molhado e trajando short e blusa de algodão, estancou no lugar ao ver uma garota de longas madeixas loiras virada de costas para si. Suas malas estavam do lado direito do quarto, ao lado da cama, e esta olhava para seus diplomas parecendo concentrada.

— Oi. — Foi a única coisa que a Fabray disse.

Quando sua colega de quarto virou, Frannie resfolegou com a beleza da mais alta. Os olhos verde-escuros e as feições firmes eram deslumbrantes. Ela sabia que gostava de garotas. Sempre ficava encantada por elas. Mas aquela em especial a deixou hipnotizada.

— Olá. — A loira de olhos verdes sorriu polidamente. — Pelo visto você já arrumou quase tudo aqui.

— Oh, sim. — Sentiu o rosto corar. — Se quiser o outro lado do quarto, não tem problema. Eu posso retirar tudo e mudar de lugar. Espero que não tenha ficado chateada e...

— Está tudo bem. — A mais alta interrompeu Frannie com uma risada. — O lado não importa. São idênticos de qualquer forma. — Deu de ombros e se aproximou. — Eu sou Cassandra July. — Estendeu a mão.

— Eu acho que você sabe meu nome pelo e-mail que recebeu da universidade e pelos diplomas que ficou observando. — Comentou com um ar divertido enquanto apertava a mão estendida.

O contato durou mais do que esperado. Não porque ambas queriam, mas pelo formigamento que assolou a pele delas. Como se as mãos estivessem sendo levemente atacadas por formigas.

Por fim, Cassandra quebrou o contato.

— Eu sei quem é você. Acho que todos sabem, na verdade.

— É. Eu acho que sim. — Suspirou e caminhou até o seu armário, pegando a escova de cabelo, passando-a nos próprios fios.

— Então tudo bem pra você dividir o quarto com uma bolsista pobre? — Arqueou as sobrancelhas.

— Por que não estaria? — Parou o que fazia por um momento. — Eu dividiria um quarto com qualquer pessoa, contanto que ela tenha caráter. Eu não sou esse tipo de pessoa que você deve estar pensando.

— Eu não quis dizer dessa forma. — Cassandra rebateu. — É só que você é...

— Eu sou a Francine. — Cortou a fala da mais alta. — Não Francine Fabray. Eu sou Francine, Frannie ou do que quiser me chamar mas não me julgue pelo meu sobrenome. Ele não é relevante aqui. — Jogou a escova na cama.

— Me desculpe. Eu não quis soar grossa. — Tentou consertar.

— Não se preocupe com isso. — Calçou um par de tênis. — Eu vou deixá-la arrumar tudo em paz e foi um prazer conhecê-la. — Saiu do quarto sem esperar uma resposta.

Quando Frannie sentou em uma área mais distante dos prédios, ela se permitiu suspirar longamente. Sentia falta da mansão. Sentia falta de Olívia. E principalmente, sentia falta de Russel.

Passou quase uma hora observando os demais alunos ao longe. Iria receber o horário de aulas no dia seguinte e elas começariam apenas na segunda-feira. Poderia utilizar esse tempo para conhecer Yale, mas por enquanto decidiu apenas aproveitar a sombra da árvore em que estava encostada e pensar um pouco em tudo o que houve minutos atrás.

Buscou o celular no bolso, abrindo o contato do pai. Ligar ou não ligar? Ele saberia aconselhá-la. Era seu porto seguro e seu alicerce.

Ainda estava ponderando quando sentiu alguém sentar do seu lado, e quando ergueu a cabeça, fitou os olhos verdes olhando para si.

— Me desculpe. — Cassandra pediu.

— Eu já disse que está tudo bem.

— Não está. — A mais alta retorquiu. — Eu sei que vai ficar um clima chato entre nós e eu não quero isso. Vamos conviver juntas então devemos ser amigas. Não devemos?

— Eu não tenho amigos, então não sei responder isso com convicção. — Deu de ombros.

— Você pode ter uma amiga se me desculpar. — Inclinou a cabeça para o lado. — Diga que me desculpa, sim? — Segurou as mãos de Frannie.

A mais baixa não evitou sorrir. Cassandra mantinha uma expressão adorável na face.

— Eu desculpo você. — Disse com sinceridade.

— Ótimo. — Sorriu largamente. — Podemos começar do zero, então? Eu me chamo Cassandra July.

Frannie riu.

— Eu me chamo Francine Fabray.

— É um prazer conhecê-la, Frann. — Encurtou a distância entre elas e abraçou a garota.

Frannie se surpreendeu momentaneamente, mas retribuiu o afeto. O cheiro da mais alta impregnando seu ar foi a confirmação para ela saber que poderia sentir esse aroma mais vezes.

Quando ambas se separaram, Cassandra ainda mantinha o sorriso no rosto.

— Frann? Eu gosto disso. — A Fabray sorriu.

— É um ótimo apelido, não é?

— É um ótimo apelido, Cassie. — Voltou a encostar na árvore.

— Cassie é adorável.

— Como você. — Disse, se arrependendo na mesma hora.

Suas bochechas ganharam uma coloração avermelhada, mas Cassandra apenas sorriu. A Fabray era doce e isso era encantador.

— Você está enganada, Frann. — Deitou a cabeça no ombro da mais baixa. — Você é a pessoa adorável aqui.

E Frannie sentiu o rosto queimar ainda mais, porém, o sorriso rasgou seus lábios.

Elas definitivamente poderiam ser amigas.

Frannie abriu os olhos assustada por ter adormecido, e fitou seu filho dormindo em seus braços. Com cuidado levantou da cadeira e beijou-lhe a testinha, aspirando o cheirinho delicioso de bebê e o colocou no berço, ajustando a chupeta na sua boca.

Quando saiu do cômodo e adentrou seu quarto, pôde novamente deitar na sua cama macia e confortável, abraçando a cintura da esposa e se aconchegando no corpo quente.

Cassandra soltou um grunhido inaudível e apertou a si mesma involuntariamente nos braços da esposa. Frannie sorriu com amor.

— Você é e sempre será adorável, Cassie. — Sussurrou, se entregando ao sono minutos depois.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Preciso saber se gostaram. Bom início de semana. =D twitter.com/yasagron