O Preço da Volta - 2ª Fase
37 Capítulo 37 - Aulas preparatórias...
Notas iniciais
— Por que temos mesmo de fazer isso? — Quinn indagou pela sexta vez.
Na última consulta do pré-natal a doutora White colocou a brilhante ideia na cabeça de Rachel de que o curso para pais de primeira viagem todos os sábados no terceiro andar do prédio da clínica poderia ajudá-las a se preparar para a chegada das gêmeas.
Contudo, as benditas aulas começavam justamente pela manhã. Manhã de um sábado. Manhã de um sábado em que Quinn poderia dormir até mais tarde.
E agora a loira estava ali, no salão espaçoso onde abrigava colchonetes retangulares espalhados sobre o chão coberto pelo carpete macio, com a cabeça apoiada no ombro da esposa quase adormecendo.
— Porque vai nos ajudar a saber como cuidar das nossas filhas da melhor forma possível. — Respondeu com um ânimo que Quinn não sabia de onde havia surgido. — Isso é incrível! São tantos casais de diversas sexualidades aqui, convivendo sem qualquer tipo de descriminação. — A morena mantinha um olhar de adoração.
— Frannie e Cassandra são mães e podem nos ajudar. Shelby, Hiram e Leroy também. Eu estou com sono. — Grunhiu com os olhos fechados.
— Está dizendo que seu sono é mais importante do que aprender a cuidar das nossas filhas? — Rachel inquiriu em um tom sério.
Quinn abriu os olhos e afastou a cabeça do ombro da esposa, fitando o seu rosto inquisidor.
— Não. Eu só...não vejo necessidade nisso. Nós aprendemos com o tempo. A prática é a melhor coisa. — Elucidou.
— Eu quero que estejamos preparadas para qualquer situação emergencial, então sim, nós vamos fazer essas aulas porque é muito importante.
Quinn assentiu resignada sob o olhar firme da mais baixa.
— Tudo bem, Rach. — Sorriu.
A morena retribuiu o sorriso e se aproximou, selando os seus lábios nos da loira.
— Bom dia, futuras mamães e futuros papais!
Uma voz animada sobressaiu o burburinho de conversas e Quinn observou o que seria a instrutora adentrando o ambiente.
A mulher era loira, alta e sorria de modo eufórico. Trajava saia e botas de cano alto.
— Meu nome é Holly Holliday e estou aqui para ensiná-los sobre absolutamente tudo o que precisam saber durante o parto e quando seus filhos nascerem. Espero nos darmos muito bem. — Ela não perdia o sorriso, e após colocar sua bolsa de ombro sobre uma mesa na lateral do salão, se posicionou no centro do local. — Vamos começar com a introdução teórica.
...
Quinn sentia o estômago embrulhar quando Holly finalizou a explicação sobre como a vagina da mulher dilatava pelo menos dez centímetros para a passagem do bebê, e as fotos mostradas contribuíram para que seu café da manhã fosse quase expelido do seu organismo.
Ela não era a única assim. Jurou ter visto alguns homens e mulheres pousarem a mão sobre o estômago em sinal claro de desconforto. Entretanto, aqueles que carregavam os bebês e que passariam por tudo aquilo estavam neutros, e isso incluía Rachel, que ouvia tudo concentrada e sem esboçar nenhuma expressão de nojo.
Holly desligou a tela que transmitia as imagens e sorriu. Ela adorava sorrir, a empresária constatou.
— Agora que vocês sabem que nada do que é passado nos filmes é real e que haverá dor, gritos e xingamentos, vamos passar para os cuidados que precisam ter com as grávidas nesse final de gestação.
E Quinn ouviu por pelo menos quarenta minutos Holly explicar sobre as massagens para as dores nas costas, os óleos que deveriam utilizar e os banhos de banheira que ajudariam a aliviar o estresse.
Estava quase dormindo no ombro de Rachel novamente quando a instrutora finalizou a explicação.
— Então seus bebês já nasceram e agora começam os choros, noites praticamente sem dormir, cólicas e amamentação. Mas a principal causa para seus prantos são as fraldas sujas, e eu acho que ninguém aqui vai querer ter complicações na hora de trocar seus filhos, então vamos ver como faremos isso.
A boneca de plástico que Quinn achou ser realista demais foi posta sobre a mesa e em menos de cinco minutos a fralda trocada com perfeição. Holly sorriu orgulhosa e fitou os demais.
— Vamos fazer uma competição básica aqui. Todos vocês vão tentar trocar no menor tempo possível. Todos juntos.
— Mas não devemos aprender com calma? — Uma das mulheres, que acompanhava o que Quinn achou ser a sua esposa, indagou.
— Eu trabalho aqui há mais de dois anos e posso garantir que é chato passar todos os sábados ensinando pais e mães. Eu nem tenho filhos. Vamos divertir as coisas um pouco, pessoal! — Bateu as mãos juntas.
Quinn arqueou a sobrancelha quando várias mesas de rodinhas foram posicionadas lado a lado em duplas.
Os casais começaram a se levantar e a loira fitou a esposa.
— Isso é uma boa ideia?
— Está com medo de perder pra mim? — Rachel sorriu sapeca.
— Eu? Claro que não. — Fez um gesto de desdém com a mão. — Nós duas sabemos que eu sou mais ágil.
A morena abriu a boca incrédula.
— Você não disse isso. — Quinn apenas deu de ombros. — Tudo bem, então vamos fazer um desafio aqui.
— O que você tem em mente? — A mais alta arqueou as sobrancelhas.
— Se você ganhar, vou acordar todas as madrugadas em que as gêmeas chorarem por um mês, e se eu ganhar, é você quem vai fazer isso. — Estendeu a mão.
Quinn hesitou alguns segundos mas apertou a mão estendida.
— Desafio aceito.
A loira ajudou a esposa a levantar e ambas se posicionaram atrás das mesas. As bonecas já estavam lá e uma fralda descartável também.
— Tudo bem. — Holly se pronunciou quando todos estavam em seus devidos lugares. — A boneca que eu utilizei estava desligada mas todas possuem um mecanismo que vai fazê-las chorar assim que eu apertar esse botão. — Mostrou um pequeno controle que segurava. — E só pararão depois de um minuto, mas tentem prender a fralda antes disso. — Sorriu divertida. — E só coloquem a chupeta nelas quando terminarem.
Quinn inclinou a cabeça em confusão pela fala da mulher e analisou o objeto na mesa. Havia uma pequena abertura onde deveria estar os órgãos genitais do bebê e quando ela assimilou a fala de Holly com o que deveria sair dali seus olhos se abriram em surpresa.
— Droga. — Murmurou.
Seus pensamentos foram cortados com a instrutora anunciando que deveriam começar o trabalho e quando Quinn pôs as mãos na boneca, o choro estridente rasgou o salão, misturando com todos os outros prantos. Embora fossem artificiais, eram altos demais.
Tirar a fralda ''suja'' do corpo de plástico foi fácil, mas colocar a nova sem fazer movimentos bruscos foi difícil. A regra era simples. Deveria tratar a boneca como um bebê e obviamente segurá-la de um jeito desleixado não era adequado.
Rachel parecia calma e compenetrada, mas Quinn estava nervosa, principalmente quando pensou no desafio proposto pela esposa. Não queria perder.
Quando enfim prendeu um lado da fralda, a morena pôs a chupeta na boca da sua boneca, cessando o choro e anunciando a finalização do seu trabalho.
A baixinha comemorou e Quinn bufou frustrada por perder, mas sua indignação veio quando um jato de água saiu do interior do objeto sobre a sua mesa, acertando em cheio seu rosto e molhando parte da sua blusa.
— Você só pode estar brincando comigo. — Limpou a face com a barra da peça de roupa.
Rachel não segurou a gargalhada que escapou com fervor da sua boca. Alguns pais e mães tinham recebido o mesmo jato de água no rosto.
— E isso é o que acontece quando vocês demoram muito para trocar os bebês. — Holly também ria. — Eu simplesmente adoro essas bonecas modernas e realistas.
— Rach, eu estou molhada. Pare de rir. — Pediu aborrecida enquanto ouvia as risadas da esposa.
A morena revirou os olhos mas sorriu pela expressão contrariada da mais alta.
— Vem aqui, minha perdedora. — Retirou a echarpe que usava e passou a secar delicadamente o rosto pálido. — Eu adorei essa aula.
— Eu não. — Respondeu de olhos fechados. — Eu quero ir para casa dormir.
— Você vai poder dormir à vontade, mas só até as gêmeas nascerem. — Sorriu. — Após isso será um mês acordando toda madrugada.
— Não podemos esquecer esse desafio? — Inquiriu suspirando.
— Claro que não. — Negou com a cabeça. — Você é ágil mas eu sou uma ninja, Quinnie. Uma grávida ninja que ganhou de você. — Cutucou a costela da loira enquanto ria.
— Você é chata. — Deu as costas para a esposa.
— Vocês já podem ir. Essa foi apenas a introdução básica. Espero nos vermos aqui sábado que vem. — Holly sorriu e caminhou até sua bolsa.
— Não vai falar comigo? — Rachel questionou enquanto seguia a esposa, recebendo apenas o silêncio.
A mais alta continuou andando, mas não segurou a risada quando as mãos pequenas da morena passearam por seu tórax, fazendo-a sentir cócegas.
— Rach, pare. — Pediu, tentando segurar os braços da mais baixa.
— Agora está falando comigo? — Continuou o que fazia.
— Eu só pedi para parar. — Explicou, finalmente segurando sem muita força os pulsos da judia.
— Então me beija. — Fez um biquinho.
Quinn aproximou o rosto e deu-lhe um selinho rápido.
— Isso não é um beijo. — Reclamou.
— Você não está merecendo por ter rido de mim.
— Você é ainda mais chata do que eu. Sabe disso, não sabe?
— Eu sei. — Apertou o nariz da morena, arrancando um sorriso da mesma. — Deve ser por isso que somos felizes.
— Eu amo você, mulher ágil.
Quinn sorriu amorosamente e deu-lhe um selinho demorado.
— Eu amo você, mulher-ninja-grávida.
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