O Preço da Volta - 2ª Fase

32 Capítulo 32 - "Diferente como eu..."


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Rachel se acomodou na cama de casal e suspirou. Se sentia leve.

Ainda trajava o roupão do banho tomado recentemente quando Quinn a deitou no colchão macio. A esposa a lavou lentamente e suavemente, e secou-lhe os fios escuros com extrema paciência, aproveitando para tomar banho também. Porém, o contato de olhares não havia sido muito. A culpa ainda presente.

— Precisa de alguma coisa? — A mais alta inquiriu.

— Preciso que você entenda que nada disso foi sua culpa. — Rachel respondeu direta.

A loira suspirou e sentou na ponta da cama.

— Eu estou tentando, Rach. Eu juro que estou tentando. — Passou as mãos pelo rosto. — Mas quando tudo se repete na minha cabeça, a culpa vem mais forte. Ver você sangrando, tão frágil...

— No seu lugar eu faria a mesma coisa, Quinnie. — Cortou a esposa. — Eu acho que todos fariam isso. Eu mesma quebraria o Jesse se eu não estivesse grávida. Como depois de anos alguém ainda consegue guardar algum sentimento de algo que nem aconteceu? É loucura!

— A Brooke não merece alguém como ele. Ela é uma ótima pessoa. Foi sempre tão atenciosa desde que nos reencontramos. — Quinn suspirou.

— Bom...eu concordo com isso. E ela também é linda.

— Ela realmente é.

— Você acha que eu ficaria mais bonita se eu pintasse meu cabelo de ruivo? — Sorriu, passeando os dedos nas madeixas castanhas.

— Por que essa pergunta tão de repente? — Quinn arqueou as sobrancelhas.

— Só tive curiosidade. A tonalidade é realmente bonita.

— Não há como você ficar mais linda do que você já é, Rach, mas se decidisse pintar, continuaria maravilhosa.

A morena sentiu o coração inflar e segurou o rosto pálido com ambas as mãos.

— E você é a pessoa mais charmosa e encantadora desse mundo, Quinn Fabray. — Selou ambos os lábios amorosamente.

Quinn sabia que a conversa não acabaria por ali, mas não evitou sorrir em meio ao beijo. Era o primeiro sorriso verdadeiro desde toda a situação fatídica, então se concentrou apenas em sentir os lábios cheios sobre os seus, degustando do sabor doce de Rachel, sentindo um arrepio subir por toda a sua coluna dorsal quando as unhas médias rasparam na sua nuca.

Ambas se separaram quando ouviram batidas na porta, e Quinn levantou, amarrando com mais força o laço do seu roupão e girando a maçaneta.

Seus olhos fitaram as duas figuras pequenas paradas uma ao lado da outra trajando o uniforme escolar. Sorriu automaticamente.

— O que as duas lindas senhoritas desejam? — Indagou divertida.

— Nós queremos ver a tia Rach. — Kate respondeu rapidamente, enquanto Zoe apenas abaixava a cabeça timidamente.

— Vocês podem vê-la depois de me darem um abraço. — Se curvou.

A sobrinha sorriu e enlaçou os bracinhos no pescoço da tia, beijando-lhe a bochecha demoradamente, e a pequena Corcoran fez o mesmo processo, apenas mudando o local do beijo para a testa de Quinn devido ao hematoma no outro lado da sua face.

— Agora vocês estão liberadas para verem a tia Rach. — A loira sorriu após a quebra do abraço, levantando e dando espaço para que ambas entrassem.

Kate segurou a mão da amiga e a puxou para irem na direção da cama. Os sapatos foram retirados e os pequenos corpos logo subiram sobre a superfície macia.

— Como você 'tá', tia Rach? — A loirinha foi a primeira a perguntar.

— Eu vou ficar melhor quando eu ganhar um abraço igual ao que vocês deram na tia Lucy. — Respondeu docemente.

Kate logo se apressou em abraçar a morena, tomando cuidado com a barriga. Era nítido o quanto a garotinha era carinhosa. Adorava abraços e qualquer tipo de afeto. Extremamente adorável.

Quinn sorriu mais uma vez antes de adentrar o closet para trocar de roupa. Demorou apenas alguns minutos antes de sair do local já trajando vestimentas confortáveis. Não iria para a empresa naquela semana. Rachel precisava de cuidados mais do que especiais devido ao repouso.

Zoe não falava muito, mas Kate sempre dava um jeito de inseri-la na conversa, seja perguntando-lhe algo ou a incentivando a completar a história que contava. Quinn viu a si mesma e Rachel ali. A esposa sempre gostou muito de tagarelar e a loira mais ouvia do que respondia. Um oposto que se completavam.

Seriam Kate e Zoe uma versão atual do início do seu relacionamento com a judia?

Logo tratou de dissipar tais pensamentos. Frannie a mataria se soubesse ler mentes, então mirou sua mente para elucubrar como seriam seus filhos. Seriam tímidos ou descontraídos? Talvez a junção disso. De qualquer forma, Quinn tinha certeza de que seriam perfeitos.

Ela voltou para a realidade quando viu a porta do quarto sendo aberta e Santana adentrar o aposento, chamando a atenção de todas ali dentro.

— Existe uma regra de boas maneiras que ensina como bater na porta, sabia disso? — Questionou para a amiga.

A latina revirou os olhos.

— Eu não preciso disso. — Migrou sua atenção para as duas garotinhas. — Todos estão tomando café, e como eu fui a primeira a terminar, Frannie pediu para eu vir aqui e chamar os dois gnomos. Está na hora de ir para a escola.

— Não somos gnomos. — Kate disse. — E você parece a Kim Kardashian. — Cruzou os braços.

Santana abriu a boca em descrença enquanto Quinn segurava o riso.

— Eu não pareço ela.

— Parece sim. — Kate retrucou.

— Não pareço não!

— Parece sim!

— Não pareço!

— Parece!

— Já chega! — Rachel interrompeu a discussão infantil. — Santana, não aja como uma criança.

— Mas... — Tentou argumentar.

— Mas nada. Você é a adulta aqui. — Bronqueou.

Kate sorriu triunfante e a advogada estreitou os olhos na direção da loirinha.

— Isso ainda não terminou, projeto de Ellen DeGeneres.

— Eu gosto de assistir o programa da Ellen. — Zoe se manifestou. — Ela é loira como a Kate. — Sorriu para a amiga, que retribuiu.

— Ela é sim, e daqui a alguns anos vocês serão como Ellen e Portia. — Sorriu marota, fazendo as garotinhas se entreolharem confusas.

— Santana! — Rachel ralhou para a latina. — Frannie vai matar você se souber que acabou de associá-las como um casal. E vocês duas precisam mesmo ir para a escola. Vão com a tia Kim...quer dizer, tia Sant. — Sorriu divertida, recebendo um olhar fulminante da amiga.

Quinn não segurou a gargalhada e observou as duas garotinhas aquiescerem e abraçarem Rachel demoradamente, logo fazendo a mesma coisa com a loira quando saíram da cama e calçaram os sapatos.

— Nada de chamá-las de Ellen e Portia. — A loira apontou o dedo para Santana.

— Eu não prometo nada, GayBray. — Piscou um olho. — E a propósito, Frannie quer conversar com você no escritório. — Deu as costas e saiu do quarto com as pequeninas.

Quinn apenas se virou e encarou a esposa.

— Elas são uns amores, não são? — Rachel sorria.

— Com certeza elas são. — Se aproximou. — Eu acho que vou ver Frannie agora, mas antes quero saber se precisa de alguma coisa.

— Eu estou bem aqui. — Pôs a mão sobre a barriga. — Mas eu preferia estar cuidando dos últimos detalhes das novas peças da coleção.

— Você vai repousar até segunda ordem. Britt consegue dar conta de tudo. — Arrumou os travesseiros atrás da cabeça de Rachel delicadamente. — Vou pedir para Olívia trazer o seu café da manhã.

— Graças a Deus! Eu estou morrendo de fome.

A empresária riu pela empolgação repentina da esposa e beijou-lhe a testa.

— Eu amo você. Volto logo.

— Eu também amo você.

Rachel observou a loira sair do quarto. Ainda não estava cem por cento recuperada da culpa, mas logo iriam progredir.

Juntas.

...

Quinn estava frustrada. Frustrada e com raiva.

Já sabia o assunto que trataria com Frannie quando adentrou o escritório.

Depois de perguntar como Rachel estava, a irmã mais velha contou sobre a conversa que teve com William a respeito do acontecido do dia anterior, e a resposta que obteve do advogado foi a pior possível.

O álbum com fotos de Rachel não era o bastante para mover algum processo contra o homem, nem mesmo para um pedido de restrição de aproximação para Jesse manter distância. Na verdade, era o ator quem tinha todo o direito disso. A agressão de Quinn piorou tudo. Ela havia cometido lesão corporal e diante de um juiz, seria fácil para o ator dissimular sobre como foi gravemente ferido e de que o álbum poderia ser um presente para ela por ser um amigo de longa data.

Quinn se sentia inútil, impotente. Nada poderia ser feito legalmente. E a culpa voltou novamente. Dessa vez por ter estragado qualquer chance contra Jesse em um tribunal.

— Pelo menos você quebrou o rosto dele temporariamente. — Frannie tentou uma forma de consolo.

— Isso não adianta, Frann. — Balançou a cabeça.

— Eu vou dar um jeito. Vamos dar um jeito. Eu prometo. — Segurou os ombros da irmã.

Quinn sorriu e abraçou a mais velha em um agradecimento mudo pelo apoio constante.

Ambas permaneceram no abraço até Olívia bater na porta minutos depois e anunciar que Kristin White estava no hall de entrada, e as irmãs não perderam tempo em irem até lá.

Cumprimentos foram trocados entre as três mulheres. A doutora parecia ansiosa e quando revelou que o exame de sangue de sexagem fetal estava pronto, Quinn foi dominada pela ansiedade.

Frannie retornou para o escritório e a Fabray mais nova subiu com a doutora até o quarto do casal. Rachel contorceu o rosto em confusão e largou a bandeja com os alimentos que comia há alguns minutos sobre a cama quando viu a mulher ao lado da esposa. Não esperava vê-la, mas esta não perdeu tempo em lhe perguntar como estava, alegando que a obstetra que a atendera no hospital era uma amiga e a contou sobre o ocorrido.

Ambas conversaram um pouco sobre o que houve. Kristin era sempre meiga e simpática, e parecia realmente preocupada com a sua paciente.

— Eu fico feliz que esteja melhor, Rachel. Continue tomando as vitaminas e repousando bastante. — Sorriu. — Eu também aproveitei essa visita para trazer o resultado do exame de sangue de sexagem fetal. — Retirou o envelope retangular com o logo da clínica da sua bolsa.

Rachel se remexeu na cama em expectativa, e Quinn sentou na beira da cama ao lado dela. Ambas encarando a médica, que estava sentada em uma poltrona logo à frente.

— E então? São meninos ou meninas? — A morena indagou apressada.

— Como vocês sabem, as mulheres possuem dois cromossomos X e os homens um X e um Y, porém, o Y é em maior quantidade. — Sorriu. — Há um bebê com dois cromossomos X. — Fez uma pausa. — Mas um deles também possui cromossomos Y. — Finalizou.

— O que você quer dizer com isso? — Quinn ainda tentava processar a explicação da doutora.

— Um estudo foi feito há alguns anos onde se mediam a quantidade de cromossomos em intersexuais e o resultado foi o mesmo desse exame. — A mulher entregou o envelope para Rachel. — São duas garotinhas, mas uma delas é intersexual. Como você, Lucy.

A loira abriu a boca levemente. Ela definitivamente não esperava algo assim.

Rachel sorriu com os olhos inundados em lágrimas. Havia um bebê como Quinn dentro de si. Uma menininha tão especial quanto a esposa. A morena alisou o ventre amorosamente.

— Ela é diferente como eu... — Quinn balbuciou. Os olhos marejando.

— Como você. — Rachel assentiu preenchida pela emoção. — Ela é especial justamente por ser diferente.

A empresária abriu um sorriso e pôs a mão sobre a da morena. Ela não poderia evitar sentir medo da sua filha sofrer rejeição por parte da sociedade. Tanto na escola quanto em quesitos amorosos. Contudo, iria ultrapassar as barreiras do impossível para fazê-la se sentir bem consigo mesma. Da mesma forma que se sentiu ao conhecer os amigos, e principalmente a esposa.

E a única certeza que possuía no momento é que amaria suas garotinhas com todas as suas forças.

Notas finais
Eu realmente não sei se é possível apenas um dos gêmeos nascer intersexual. Não encontrei nada assim nas minhas pesquisas e o exame de sexagem fetal também é um pouco limitado nas questões de saber com precisão o sexo caso seja possível um dos bebês ser intersexual. Contudo, uma fanfic é uma ficção então eu quis inserir isso Finalmente o sexo revelado. Duas garotinhas. Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem, exponham suas opiniões. Isso me motiva imensuravelmente. Bom início de semana. =D twitter.com/yasagron