O Preço da Volta - 2ª Fase

28 Capítulo 28 - Belo, puro, vivo...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

[9ª Semana — Início do terceiro mês de gestação]

Rachel estava ansiosa. Ansiosa para descobrir o sexo dos seus bebês.

O segundo mês se foi tão rápido quanto chegou e agora a morena estava entrando no primeiro trimestre.

A barriga já era visível. A maioria das suas calças não fechavam mais, então o uso de vestidos e saias era mais constante. Os enjoos ainda incomodavam, e ainda iriam durar algum tempo, assim como os desejos estranhos, devido à gravidez de gêmeos.

Os gêmeos.

Rachel sentia cada sintoma em dobro.

A fome descomunal a assustava. Mesmo com o uso de vitaminas não conseguia ficar mais do que uma hora sem ingerir nenhum tipo de alimento. Era como se houvesse um buraco negro que nunca pudesse ser preenchido dentro de si. Mas não. Eram apenas seus filhos exigindo mais nutrientes do seu corpo.

A morena já podia se sentir pesando mais alguns quilos. Sua disposição de passar horas em pé analisando cada peça de roupa produzida por sua equipe reduziu significativamente e ela sabia que com o tempo isso iria piorar. Cassandra já havia alertado-a disso muito antes de descobrir que seria mãe de dois bebês.

E Rachel estava feliz por Cassandra.

A amiga descobriu há pouco tempo que seria mãe de um menino, o casal não poderia estar mais feliz. Iriam saber como era cuidar de um garotinho. Era maravilhoso.

E Kate adorou a ideia de saber que seria irmã mais velha de um garoto. Como ela mesma disse, ''Ele vai obedecer as minhas ordens.''

Em razão dessa notícia, Rachel se pegou pensando diariamente se seria mãe de dois meninos ou duas meninas.

É claro que qualquer um dos dois a faria ainda mais feliz. Não importava o sexo, ela os já os amava incondicionalmente. Aquele amor que ninguém consegue expressar em palavras, porque só uma mãe é capaz de sentir.

Entretanto, a curiosidade era algo que Rachel nunca conseguiria se livrar. Ela desejava, do fundo do coração, saber o sexo dos seus bebês. A ideia de preparar o enxoval e analisar decorações de quartos a animava imensuravelmente.

E Quinn...

— Não consegue dormir?

A voz da esposa trouxe-a novamente para o mundo real.

Quinn despertou aos poucos e a mão que repousava carinhosamente sobre a barriga da morena afagou a pele morna. Era uma mania que a loira adquiriu com o tempo. Dormir com a mão sobre o local onde seus filhos estavam a fazia pensar sempre que seria mãe em poucos meses. E o sentimento que a acometia era acolhedor. Como se seu coração inchasse de felicidade.

E Rachel amava todo esse cuidado.

— Eu estava pensando. — A morena respondeu, virando até estar deitada de lado sobre a cama, na mesma posição de Quinn. — Você prefere meninos ou meninas? — Repousou a mão no rosto pálido.

— O que você gostaria que fosse? — Devolveu a pergunta.

— Eu adoro a ideia de ter duas meninas. — Sorriu. — Quando ainda estávamos no orfanato, eu reunia as minhas poucas bonecas e fingia ser a mãe delas. E eu nunca tive uma infância como qualquer outra garota. — Passou a ponta dos dedos pela maçã da face delicada. — Com um quarto decorado, brinquedos nas prateleiras, vestidos variados. — Soltou uma risada nasal. — Eu não sei se elas vão gostar de vestidos ou bonecas e não é um problema para mim, mas eu gostaria de realizar os meus pensamentos da infância. Eu gostaria de dar à elas tudo o que eu não tive.

Quinn sorriu encantada, e se inclinou para beijar os lábios cheios lentamente.

— Eu te amo tanto. — Sussurrou ao se afastar.

— Eu te amo mais. — Sorriu. — E você não respondeu a minha pergunta. — Afundou a mão nas madeixas claras, afagando a nuca da esposa.

— Eu acho... — Fez uma pausa. — Que não quero ter uma síncope tão grande como Frannie tem sempre que Kate menciona o nome da Zoe, embora eu saiba que não importa o sexo, eu terei mesmo assim. — Sorriu.

Rachel riu.

— Ei! Eu estou falando sério aqui. — A loira acompanhou a morena nas risadas. — Você já imaginou duas garotinhas totalmente iguais e ainda por cima parecidas conosco? Eu espero não ter de expulsar nenhum garoto ou garota para fora daqui, porque eu tenho certeza de que aparecerão candidatos na nossa porta toda semana.

— Meu Deus! — Rachel ainda ria. — Ouviram isso? — Deitou de costas no colchão e mirou os olhos na sua barriga. — Vocês vão ter a superproteção da mamãe Q.

A loira soltou uma gargalhada e se curvou até estar de frente para a barriga da morena.

— Mas a mamãe Q vai amá-los de qualquer forma. Independe de qual seja o sexo. — Beijou toda a extensão da pele saliente enquanto sorria em pura felicidade.

Rachel sorriu genuinamente e alisou os fios claros bagunçados.

— E eles vão amá-la da mesma forma.

...

Oscilações de humor.

É claro que Frannie havia comentado sobre esse adendo da gravidez, incluindo a história de como Cassandra quase jogou um vaso na parede enquanto sofria de um ataque de raiva.

Qualquer desagrado era motivo para que a ira viesse de modo descontrolado, se misturando com os hormônios aflorados como ácido sulfúrico e cloreto de sódio, sendo capaz de derreter qualquer coisa quando a combinação se tornasse quase impossível de ser contida.

Essa era uma comparação um tanto quanto científica demais. Mas era exatamente assim que aconteciam as oscilações de humor.

De fato eram muito constantes e variados.

E os livros que Quinn estava lendo também falavam muito sobre isso. A doutora White simplesmente a entregou uma lista de quais deveria ler para estar por dentro de cada mudança durante a gravidez, e ela agradecia por isso.

Mas a prática era totalmente diferente, e novamente a loira estava provando dessa afirmação.

Quando Rachel ligou para o seu celular e literalmente gritou que estava atrasada para ir buscá-la, de nada lembrava a morena calma e amorosa que conversara consigo sobre o sexo dos bebês na noite passada.

— Nossa! Eu consegui ouvir a Hobbit gritando daqui. — Santana murmurou após o encerramento da ligação. — De qualquer forma, isso não é novidade alguma. A boca dela sempre foi grande então o grito não poderia ser menos intenso.

Quinn apenas revirou os olhos enquanto pegava o casaco e a pasta sobre a cadeira. Estava realmente atrasada para brigar com a latina. E sabia que não surtiria efeito. Santana jamais pararia com as piadas.

— Isso é só o começo. — Frannie se pronunciou. — É melhor vestir uma armadura.

— Você não está ajudando. — A irmã ralhou.

— Tudo bem, desculpe. Quer um conselho? Aqui vai um. Não a mande ficar calma.

— E não desmaie de novo. — Santana completou.

E Quinn apenas mostrou o dedo do meio enquanto saía da sala, deixando as duas mulheres gargalhando.

...

O caminho até o prédio da grife Berry&Pierce demorou quase vinte minutos, e a loira não precisou entrar no estacionamento do lugar porque seus olhos logo fitaram a figura pequena e com a expressão raivosa marchar para fora do lugar até o veículo.

Quando a morena fechou a porta do carro com mais força do que o normal, Quinn soube que ela estava realmente brava.

— Você demorou! — Rachel desandou a falar assim que colocou o cinto de segurança. — Eu não consigo dirigir porque choro a cada minuto quando alguém impaciente buzina para mim e combinamos de que você me buscaria hoje, mas você sabe o quanto eu odeio esperar! Sabe que não suporto atrasos! Sabe também que o pré-natal é muito importante!

— Eu sei, Rach. — Falou baixo e suave.

— Então por que demorou tanto? — Elevou a voz, encarando a esposa com os olhos pegando fogo.

— Eu...eu tive uma reunião importante e...

— Uma reunião é mais importante do que os seus filhos e eu?! Não responda! Eu não quero ouvir sua voz agora! — Apontou o dedo na face pálida. — Eu acho bom você ligar essa merda de carro e chegar na clínica logo antes que eu saia daqui e pegue um táxi.

Quinn apenas assentiu, realmente agradecendo pelo conselho da irmã, ou então já teria dito para Rachel se acalmar há muito tempo.

O caminho até a clínica demorou mais vinte minutos, e o trânsito relativamente cheio retirou todo o resto de paciência que Rachel ainda possuía.

E a loira se manteve calada durante todo o percurso.

...

— Estão prontas? — A doutora inquiriu sorridente, ganhando um aceno de ambas as mulheres. — Então vamos lá.

E a ira de Rachel finalmente se dissipou quando ela ouviu o som de dois batimentos cardíacos.

Eles estavam ali.

Seus bebês estavam ali.

As duas pequenas manchinhas estavam um pouco maiores agora e poder ouvir seus pequenos corações baterem tão rapidamente era mais uma prova disso. Era o fruto do seu amor com Quinn ali dentro.

Os olhos castanhos marejaram, e algumas lágrimas desceram sem controle. Deus! O ganho de peso, a fome exagerada e os enjoos valiam a pena sempre que ouvia ou via seus dois filhos nas consultas.

Sentiu os lábios quentes e amorosos de Quinn na sua testa e se permitiu sorrir em meio ao choro. Se culpava pela explosão de raiva, mas não era algo que pudesse controlar. Sua razão esvaía juntamente com sua calma. Eram sensações novas. Sensações que Rachel ainda teria de se acostumar.

— Desculpe. — Pediu com a voz embargada. — Desculpe por ter agido como uma louca.

— Tudo bem. Não se desculpe. — Quinn limpou as lágrimas dos seus próprios olhos depois de cuidadosamente secar os de Rachel. — Você não tem culpa de sentir isso. Eu entendo. — Sorriu com amor.

E Quinn entendia.

Não é como se a loira se magoasse cada vez que Rachel explodisse. Ela sabia que eram seus bebês causando tantos hormônios que deixavam a morena louca. E quando lembrava disso, ela apenas sorria. Sorria porque quando a felicidade transborda do peito você precisa fazer algo para mostrá-la. Então Quinn apenas sorria, porque o sorriso é a prova mais simples disso.

E planejava, com toda a certeza, contar aos seus filhos e netos no futuro como a mamãe Rach se tornava uma cópia exata de um dragão cuspindo fogo com sua raiva desenfreada.

A Fabray estava guardando cada momento dentro de si, porque cada segundo daquela gravidez era como um lugar não explorado. Era algo que ela faria questão de registrar da melhor forma possível, e isso incluía as fotos que ela tirava de Rachel todos os dias, fazendo questão de mostrar a barriga da morena.

Eram imagens que ela guardaria pelo resto da sua vida. Imagens que mostrariam como um amor que eclodiu na infância cresceu de uma forma tão genuína, ligando duas pessoas de corpo e alma.

Que mostrariam que o amor verdadeiro ainda existe. E o amor de Quinn e Rachel era a prova mais pura, bela e viva disso.

— Você não está brava? — Rachel indagou.

— É claro que não, meu amor. — Beijou-lhe o topo da cabeça. — Olhe ali! — Apontou para o monitor. — São nossos bebês.

— Nossos bebês... — A morena explodiu em outra crise de choro.

Quinn sorria enquanto sentia as próprias lágrimas molharem seu rosto. Como um ser humano era capaz de sentir tanta felicidade? Ela achava que já havia ultrapassado o limite quando se casou com Rachel, mas se surpreendeu com a alegria que sentia no coração sempre que pensava que seria mãe.

— Vocês querem mesmo saber o sexo dos bebês através do exame de sangue de sexagem fetal? — A doutora perguntou quando Rachel voltou do banheiro já vestida com as roupas casuais e sentou ao lado da esposa.

— Queremos. — A morena respondeu rapidamente. — Eu estou muito ansiosa com isso.

Quinn assentiu. Ela estava ansiosa também, mas poderia esperar para saber o sexo na ecografia mais adiante, porém, o que a judia decidisse ela apoiaria.

— Então vamos fazer esse exame. — A mulher sorriu. — Ele detecta a presença ou não de células com cromossomo Y, que se trata do masculino. Se houver apenas o cromossomo X, então serão meninas. Entenderam?

Ambas assentiram e a médica levantou para buscar tudo o que era necessário para coletar o sangue da morena.

— A cada dia estamos mais perto de termos nossos bebês para nós. — Quinn disse.

— É bom ir se preparando para ter os mesmos surtos de Frannie. — Rachel respondeu.

Ambas riram e trocaram um selinho amoroso. Estavam radiantes.

Notas finais
Logo mais saberemos o sexo dos bebês e eu estou pensando arduamente nisso. Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. É importante. Bom carnaval e início de semana. =D twitter.com/yasagron