O Preço da Volta - 2ª Fase
27 Capítulo 27 - O dobro de amor...
Notas iniciais
— Eu ainda não acredito nisso!
Brittany andava de um extremo da sala ao outro.
— Britt...
— Não, Santana! — Interrompeu a esposa. — Sabe o quanto eu odeio violência, não sabe? Atitudes assim não resolvem algo. Só acarretam mais violência. É por isso que o mundo está esse caos. Pessoas acham mais prudente resolver tudo com socos ou outros tipos horrendos de atitudes.
Santana franziu o cenho.
— Então você está brava com o fato da violência em si e não por eu ter machucado o babaca do Jesse?
— É claro! — Respondeu rapidamente. — O Jesse não me importa.
Quinn soltou uma risada ao lado de Rachel, mas a cessou ao receber um olhar fulminante.
— O que foi?
— Onde está a pessoa que diz odiar violência? — A morena indagou, cruzando os braços.
— Ela ficou esquecida no fundo da memória quando talvez tenha achado que Jesse mereceu aquilo. — Deu de ombros. — Ele pode ter mudado, mas eu não esqueci tudo o que aconteceu.
Rachel bufou.
— Ouçam, eu também não gosto do Jesse, mas violência não é uma opção a se tomar. Vingança não é uma atitude boa. Vocês sabem disso. Judy é a prova de que um sentimento ruim pode levar até consequências estrondosas. — Disse calmamente.
Quinn suspirou. Judy era algo que sua mente fazia questão de esquecer sempre que era possível. Contudo, quando o nome da mulher vinha à tona, trazia junto todo o sofrimento e violência que ela causara.
No final das contas, Rachel estava certa.
— Tudo bem. Isso não foi o correto. — Quinn disse por fim. — Mas também não podem culpar Santana cem por cento. Ela agiu por impulso, não foi? — Fitou a amiga.
— Bom... — A latina comprimiu os lábios. — Digamos que eu já estava pensando nisso quando saímos da empresa.
Quinn revirou os olhos.
— Só não faça mais isso, tudo bem? — Brittany sentou ao lado da esposa.
— Tudo bem. — Assentiu, um sorriso brincando no canto da sua boca.
A loirinha apenas maneou a cabeça. Conhecia Santana o suficiente para saber que ela faria novamente se tivesse a oportunidade.
...
— Vocês deveriam ter visto. — Santana dizia com a voz animada. — A Brooke quase o carregou nos braços. Saiu com o gelo entre as pernas.
Puck soltou uma gargalhada enquanto ouvia. Frannie não estava diferente. Sorria animada enquanto acariciava o cabelo da filha, que mantinha cabeça no seu colo e mexia distraidamente no tablet em suas mãos.
— Eu pagaria qualquer valor para estar lá. Esperei anos para reencontrar aquele imbecil e quando tenho a oportunidade, não pude vê-lo receber o que merecia.
— Você ainda vai revê-lo. — Quinn disse. — Quando Santana o chutou e logo depois disse que foi uma ''atitude impensada''... — Fez aspas com os dedos. — Jesse pareceu compreender e ainda nos convidou para um jantar no apartamento onde ele está ficando temporariamente. E isso inclui você também. — Apontou para a irmã.
— Isso é estranho. — Puck pareceu pensar. — Ele é acertado no meio das pernas e ainda faz um convite desse?
— Talvez ele tenha realmente mudado? — Frannie sugeriu.
— Eu duvido muito. — A latina cruzou as pernas. — De qualquer forma, esse jantar vai ser no mínimo divertido. — Sorriu.
— Você não vai fazer mais nada! — Brittany exclamou adentrando a sala de estar ao lado de Rachel e Cassandra. — Jesse pode ter merecido dessa vez, mas devemos respeitar a Brooke. Iremos estar no seu apartamento também. E ela se mostrou ser uma pessoa maravilhosa. — Finalizou.
— Ela ainda continua bonita? — Puck indagou curioso.
— Ela está linda. — Rachel respondeu. — E sua simpatia e simplicidade fazem dela alguém muito agradável, por isso devemos manter respeito. Ela saiu assustada e não disse uma palavra.
— Eu também posso chutar um garoto se ele fizer mal para alguma das minhas amigas? — Kate se pronunciou, largando o aparelho no sofá.
— Pode. — Frannie respondeu simples.
— Claro que não! — Cassandra sentou no sofá. — Isso não é coisa que se faça. Nada de chutes aqui. Nunca faça isso. — Fitou a garotinha.
— Nem socos?
— Nem qualquer tipo de violência, Kate. — Foi firme.
— Mas e se alguém tentar machucar a Z? Eu não posso fazer nada? — Tombou a cabeça para o lado.
— Você pode. Vai contar para para Shelby ou algum outro adulto presente o que houve e então providências serão tomadas. — Respondeu suave. — Entendeu?
— Entendi. — Soltou um grunhido frustrado.
— Já sabemos quem vai defender quem no relacionamento. — Santana cantarolou, arrancando risadas dos demais, exceto de Frannie.
— Minha filha não vai defender ninguém em relação nenhuma. — Rosnou na direção da latina.
— Eu não vejo a hora de ficar adulta. — A garotinha pegou novamente o objeto eletrônico.
— Não diga isso. — Frannie a puxou para o seu colo. — Você é o meu bebê.
— Eu não sou bebê, mamãe. — Retrucou.
— É sim e isso não está em discussão. — Apertou a filha contra seu corpo.
Kate sorriu e deixou ser embalada pelos braços de Frannie. Não era um bebê, todavia, nunca iria rejeitar os abraços de urso da mãe.
Eles eram os melhores.
...
Quinn estava nervosa.
Talvez nervosa fosse puro eufemismo. Quem sabe estaria perto de um infarto. Ela realmente não sabia.
Podia sentir o seu coração martelando contra o peito, fazendo um zumbido agudo ecoar em seus ouvidos. Tinha certeza de que seu fluxo sanguíneo estava mais acelerado.
O fato é que sabia que Rachel estava com os seios mais sensíveis e diante de tudo o que soube e pesquisou, era cedo demais para tamanha sensibilidade. Então naquela manhã ambas ligaram para a doutora White para explicar sobre a situação, e a mulher pediu para que fossem até a clínica para adiantar o exame pré-natal. Quinn não entendeu o porquê daquele pedido. Era uma simples dúvida que poderia ser respondida pelo telefone.
E desde então estava quase atingindo uma síncope.
— Bom dia. — A doutora saudou quando ambas entraram na sala.
Rachel sorriu e a cumprimentou. Quinn fez o mesmo, tentando a todo custo desligar dos pensamentos sobre aquela visita à clínica antes da hora.
— Aconteceu algo errado? — Rachel inquiriu assim que sentou na cadeira. — Eu achei que só deveríamos vir semana que vem.
— Realmente deveriam. — A mulher assentiu enquanto sorria. — Mas o que você disse por telefone pode significar algo e eu não quero dar uma afirmação sem ter certeza. Eu prefiro garantir tudo.
— Algo ruim? — Dessa vez foi Quinn quem questionou.
— Não, Lucy. — A doutora soltou uma risada. — Podem ficar tranquilas. — Olhou algo nos papéis sobre a mesa. — Como Rachel está de vestido, ela terá de mudar as vestimentas para fazer a ecografia. Há roupas adequadas da clínica no banheiro, pode ficar à vontade.
A morena apenas assentiu e beijou a bochecha da esposa, levantando e deixando a bolsa sobre a cadeira. Não demorou muito para que saísse do banheiro trajando a roupa da clínica. A doutora se ergueu e Quinn a espelhou.
— Pode se acomodar, Rachel. — Disse suavemente, enquanto ajustava todo o equipamento.
A baixinha se aproximou do divã para a ecografia e deitou lentamente. O ar frio do local a fez estremecer quando repousou as pernas expostas em razão do short da clínica, que fazia par com a bata aberta que cobria apenas os seus seios, deixando a barriga visível.
A doutora pôs o pen drive no aparelho para que o exame pudesse ser gravado e guardado antes de se virar para as duas mulheres.
— Eu vou passar o gel agora, tudo bem?
Rachel maneou a cabeça e Quinn apenas se mantinha ao lado dela, observando minuciosamente a doutora espalhar o produto pela barriga da morena, fazendo-a sobressaltar com a temperatura. A loira não perdeu tempo em segurar-lhe a mão entre as suas.
A mulher ligou o monitor e segurou o transdutor em mãos, passando-o com cuidado no ventre de Rachel.
Aos poucos a tela totalmente escura fora tomada por imagens desconexas, mas que deveriam fazer sentido para a doutora, já que esta sorria.
Quinn não conseguia desviar a atenção. Eram borrões sem sentido, mas eram os borrões que mostravam como seu bebê estava, e isso fazia seu peito aquecer de amor. Era o seu filho ou filha.
Rachel, por outro lado, já possuía os olhos lacrimosos. Ela tinha certeza de que ainda choraria muito durante e depois da gravidez.
— Vocês estão vendo isso? — A doutora parou de mexer o objeto, focando na imagem que a tela mostrava.
Quinn semicerrou os olhos, fitando com curiosidade o que a mulher apontava.
— Essa mancha maior é o saco gestacional, onde o embrião permanece. — Elucidou. — Ainda não é possível ouvir as batidas do coração, mas em breve logo será.
Rachel absorveu a explicação enquanto encarava a imagem sorrindo o máximo que conseguia. Havia de fato uma grande mancha com...dois pontinhos menores dentro.
— Mas há duas manchas menores ali dentro. — Quinn deu voz aos seus pensamentos.
O sorriso da doutora se tornou maior.
— Então aqui está a sua resposta, Rachel. — Fitou a morena. — Seus seios estão maiores antes do esperado porque seu corpo está produzindo o dobro de hormônios. Você está grávida de gêmeos. — Olhou novamente para o monitor. — E como há apenas um saco gestacional abrigando dois embriões, são gêmeos univitelinos. Em termos leigos, gêmeos idênticos.
A morena abriu a boca incrédula. O sorriso desmanchado em uma expressão de puro choque. Dois bebês. Ela teria dois filhos de uma só vez. Com certeza era mais do que ela esperava.
Seus olhos miraram a esposa ao seu lado, que mantinha quase a mesma feição surpresa. A única diferença entre elas era a respiração irregular. Estava hiperventilando.
— Dois... — A voz de Quinn saiu em um murmúrio. — Filhos.
Seria o dobro de responsabilidades. O dobro de cuidados. A realização caía sobre si cada vez mais. O destino realmente levou a sério o desejo de serem mães.
— Amor? — A voz de Rachel pareceu soar de um lugar distante.
Seria uma boa mãe?
A pergunta de repente martelou em sua cabeça.
Não havia parado para pensar nisso antes, mas de repente todas as dúvidas vieram como tijolos, acertando-lhe em cheio. Será que conseguiria ser uma mãe como Frannie? Como Cassandra? Seus dois bebês a amariam mesmo sendo diferente?
— Quinn? — A baixinha tocou o braço da esposa, que focava o monitor sem pestanejar e respirava com rapidez. Estava preocupada.
— Lucy? — A doutora levantou e deu a volta no divã, parando de frente para a Fabray. — Você está bem? Fale comigo. — Pediu.
A empresária só parou de hiperventilar quando sentiu uma pressão no peito e sua visão escureceu. Rachel não acreditou quando o corpo da esposa caiu, sendo segurado desajeitadamente pela doutora.
Quinn havia desmaiado.
...
Os olhos verdes abriram vagarosamente, piscando algumas vezes para se adaptarem à luz do lugar.
— Oh, graças a Deus! — A voz de Rachel se fez presente.
A loira passou as mãos sobre o rosto e tentou sentar, mas sentiu a tontura tomar conta de si e acabou deitando novamente.
— Fique deitada por mais alguns minutos. Sua pressão ainda está baixa. — Dessa vez foi a doutora quem falou.
— O que aconteceu? — Indagou desnorteada.
— Você desmaiou quando descobriu que vai ser mãe de gêmeos. — Rachel respondeu e Quinn virou a cabeça para o lado, fitando a esposa trajando o vestido. Reparou também que estava deitada no divã onde a morena estava antes. — Gêmeos, Quinnie. — Abriu um sorriso iluminado.
— Gêmeos... — Sussurrou para si mesma.
— Não ouse desmaiar novamente ou eu vou acabar tendo um AVC. — Ameaçou. — Você me assustou, eu quase desmaiei também. — Sentou na ponta do divã.
— Desculpe. — Pediu, sentindo o toque da judia no seu rosto. — Foi uma notícia surpreendente. Eu jamais esperaria algo assim. — Pôs a mão na barriga da baixinha.
— Você não gostou? — Perguntou receosa.
— É claro que gostei. Eu amei. — Respondeu rapidamente. — Eu só estou com medo de não ser uma boa mãe para...eles. — Não evitou o sorriso no final da frase.
— Você vai ser uma mãe excelente. — Aproximou o rosto. — Eu vejo como você brinca com a Kate e com a Zoe. Eu tenho certeza de que será uma mãe maravilhosa. — Pincelou seu nariz no de Quinn. — Não fique com medo. Vamos nos sair bem. Iremos dar o dobro de amor para eles.
— Eu amo tanto vocês. — Alisou o ventre da morena.
— E nós amamos você, mamãe. — Deu-lhe um selinho demorado. — Para sempre.
— Para sempre.
Fale com o autor