O Preço da Volta - 2ª Fase
26 Capítulo 26 - Lei de Talião...
Notas iniciais
É claro que aqueles olhos não eram desconhecidos.
Jesse e Brooke estavam ali depois de anos.
Rachel se lembrava claramente de ambos agora. A ruiva era sempre amistosa com todos do orfanato. Carinhosa e atenciosa. Havia sido adotada alguns meses antes de Rachel completar treze anos. Nunca tinham conversado, de fato, por isso a dificuldade em reconhecê-la.
E Jesse.
Jesse fora apagado da memória de Rachel quando este machucou Quinn propositalmente no Strawberry Field. Ainda se recordava em como Santana e Puck praticamente voaram nele quando chutou aquela bola na tentativa de ferir a loira.
Rachel não voltou a falar com ele depois daquele dia, e soube apenas através de seus amigos que o garoto havia levado uma bela surra das crianças que humilhava ali dentro. Após isso, Jesse fora transferido para outro orfanato em outra cidade. Nunca mais tiveram notícias deles.
E agora eles estavam ali. Juntos.
E a aliança que ambos mantinham em seus anelares esquerdos despertou a curiosidade inerente de Rachel.
Aos poucos a morena abriu um sorriso. Em parte forçado e em parte verdadeiro. Ver Jesse fazia Rachel elucubrar do mal que ele fez com Quinn. Porém, Brooke não era má e parecia feliz em revê-la, então Rachel não sabia bem como sorrir na presença dos dois. Talvez uma mistura de sensações.
Mas ela não teve tempo de pensar muito nisso. Principalmente quando a ruiva soltou seu braço de Jesse e veio abraçar a si e a Brittany.
O abraço durou alguns minutos. Rachel ainda conseguia ver a Brooke afetuosa e animada ali. Como se o tempo não houvesse roubado nenhuma de suas características. A morena sentiu bem em abraçá-la, e pelo visto Brittany também, pois sorria de maneira doce.
Jesse fora o próximo. O moreno se aproximou e o sorriso de Rachel diminuiu de intensidade quando ela o fitou vindo em sua direção. O mais alto parou de frente a si e abriu os braços.
— Eu não ganho um abraço?
A morena hesitou bons segundos antes de alargar um sorriso forçado e abraçar o homem. Ela até tentou soltar segundos depois, mas Jesse ainda manteve o contato por mais tempo.
Kurt limpou a garganta percebendo o desconforto da irmã e isso fora uma brecha para a morena quebrar o contato bruscamente. O moreno pareceu não se incomodar e partiu na direção de Brittany, na intenção de também abraçá-la.
As apresentações foram rápidas. Apertos de mãos e beijos no rosto. Brooke praticamente embeveceu Cassandra quando notou o volume visível através do vestido floral.
— Eu não sou a única grávida aqui. — A professora mirou Rachel com os olhos.
A ruiva abriu a boca incrédula.
— Oh meu Deus, Rachel! Você está grávida? — Andou até a judia.
— Estou. — Assentiu, sorrindo animada. — Dois meses de gestação. — Pôs a mão sobre o ventre.
— A Quinn deve estar surtando de felicidade. — Brooke comentou e o sorriso de Jesse vacilou com a menção. Aquilo quase passou despercebido.
Quase.
Cassandra cerrou os olhos brevemente, notando como ele tentou camuflar algum sentimento com aquele sorriso, e se pronunciou.
— E ela está. — Disse. — Elas queriam muito isso. Tentaram várias vezes e finalmente conseguiram. — Sorriu gentilmente, fitando Jesse pelo canto do olho.
O homem, naquele momento, mantinha apenas uma sombra de sorriso nos lábios, e Cassandra confirmou sua suspeita.
Ele não era confiável.
— Eu acho que nós já vamos. — A professora segurou no braço de Kurt. — Kurt disse que iria me acompanhar nas compras. Preciso de mais roupas de gestantes. Vamos? — Fitou o mais alto.
— Claro. — Respondeu gentil. — Em breve será a sua vez de fazer essas compras. — Piscou para a irmã. — Nos vemos depois.
— Pode ter certeza que sim. — Rachel sorriu e jogou um beijo no ar.
Cassandra acenou para as amigas e se despediu dos convidados juntamente com Kurt, saindo logo em seguida.
— Então... — Brittany começou. — Vocês aceitam café, água, suco, qualquer coisa? — Sorriu.
— Nós estamos bem, mas obrigada. — Brooke respondeu educada.
Sugar, que ainda se mantinha na sala, pediu licença para que pudesse voltar ao trabalho.
Rachel sentou no sofá de dois lugares com Brittany e apontou gentilmente para as duas poltronas logo à frente. Jesse e Brooke não hesitaram em se acomodar também.
— Nós vimos as fotos do casamento de vocês em algumas revistas. — A ruiva começou. — Foi encantador. Vocês estavam incríveis. Eu mal acreditei quando vi. Se tornaram mulheres lindas e maravilhosas.
— É muito gentil da sua parte, Brooke. — Brittany sorriu timidamente. — Você também está linda. O tempo fez muito bem para a sua beleza.
— E esse cabelo. — Rachel emendou. — Você manteve a cor natural. É deslumbrante.
A ruiva sorriu agradecida.
— Queríamos ter vindo antes mas nosso contrato nos impediu.
— Nós somos atores na Broadway. — Jesse explicou antes que fosse indagado. — Eu descobri essa vocação quando fui adotado por uma ex-atriz de Nova York. Ela me ensinou tudo o que eu deveria saber e me instigou a tentar a sorte em algumas peças off-Broadway. Foi lá onde reencontrei Brooke. — Sorriu para a mais baixa, que retribuiu.
— Nós ficamos surpresos quando nos vimos depois de anos. É praticamente impossível um reencontro em outro país. Nos tornamos bons amigos depois de algumas conversas. — A ruiva suspirou nostálgica.
— Espera! Vocês são casados, não são? — Brittany perguntou. — Desculpe minha falta de sutileza, mas isso está na minha cabeça desde que eu pus meus olhos em vocês e nessas alianças em seus dedos.
Brooke soltou uma risada.
— Não há problema em perguntar. E nós nos casamos após dois anos de namoro. Nos aproximamos muito nas peças de teatro. Depois disso fomos ganhando notoriedade e chegamos aos palcos da Broadway.
— E você também foi adotada? — Rachel questionou.
— Sim, eu fui. Mas meus pais são professores de uma escola em Liverpool. Não ficaram muito satisfeitos no início quando eu decidi tentar a vida em Nova York e na Broadway, mas hoje eles me apoiam e sentem orgulho de mim. — Apertou a mão de Jesse, que repousava em sua coxa. — E eles adoram o Jess.
Rachel sorriu. A conversa durou por quase uma hora. Brooke era realmente simpática e cada vez mais lembrava a garota do Strawberry Field. Jesse, em contrapartida, apenas falava o essencial e quando lhe era perguntado algo. Na maioria das vezes sobre suas peças na Broadway. Sempre com aquele ar um tanto superior que Rachel não gostava.
A judia ainda se mantinha receosa com o homem, principalmente quando este a fitava por períodos longos de tempo, mas tentava ignorar. O diálogo tomou um rumo mais profissional quando teve de ser interrompida por batidas na porta e a mesma sendo aberta segundos depois.
— Ei! — Quinn saudou quando adentrou o local com Santana ao seu lado.
— Quinn! — Rachel praticamente saltou da cadeira. — O que vieram fazer aqui? — Se aproximou da mais alta enquanto sorria.
— Bom...a reunião acabou mais cedo hoje e então ligamos na recepção perguntando se vocês estavam sozinhas. — Elucidou.
— Mas por que não ligaram para o nosso celular? — Brittany quis saber, caminhando até Santana.
— Porque queríamos aparecer de surpresa. — A latina respondeu rapidamente. — Mas quando Sugar nos respondeu que estavam com dois velhos amigos, decidimos vir do mesmo jeito para matar a curiosidade. — Soltou uma risadinha.
Quinn ainda ficava surpresa com a velocidade em que Santana conseguia formular uma mentira. É claro que nenhuma das duas iria dizer que Cassandra ligou e descreveu tudo o que houve. E quando ambas ouviram o nome de Jesse, praticamente saíram correndo da empresa.
— Oh, Deus! — Brooke se ergueu com um sorriso enorme. — Vocês estão mais lindas pessoalmente. — Chegou perto de Quinn. — E foi graças a você que eu me tornei uma amante de O Senhor dos Anéis. — Abraçou a empresária.
Quinn soltou uma risada enquanto retribuía o afeto, e pôde ver claramente quando Santana revirou os olhos ao ver Jesse se aproximando dela.
— Eu espero que isso seja uma coisa boa. — Comentou ao se separarem. — Porque a trilogia é espetacular.
— É a minha trilogia favorita. — Sorriu. — Eu estou tão feliz em revê-la, Quinn. — Apertou as bochechas da loira, que retribuiu o sorriso.
— Eu também estou feliz, Brooke. Você sempre foi uma garota muito amável.
— Tudo bem, Jesse. Eu não posso dizer que é um prazer revê-lo. — A voz de Santana se fez audível no lugar. — Eu nunca esqueci o que você fez para a Q, e acho que você também não, pois a surra que levou dos outros órfãos foi muito boa para ser apagada da memória. — Cruzou os braços e fitou a ruiva. — Como pôde se casar com ele? Merecia coisa melhor.
— Santana! — Brittany bronqueou. Não é como se ela estivesse contra a esposa. A latina tinha razão. Entretanto, tinha de evitar que ela causasse um clima ruim no lugar.
— Ela está certa. — Jesse suspirou. — Eu sei que fui um idiota, mas eu era apenas uma criança revoltada por ser órfão. Eu peço perdão para todos, principalmente para você, Quinn. — Estendeu a mão para a loira. — Pode me perdoar?
Ela observou Santana manear a cabeça em negação e tomou uma longa respiração. As pessoas podem mudar. Por que com Jesse deveria ser diferente? Todos mereciam uma segunda chance.
No fim, apertou a mão do homem ainda hesitante.
Santana bufou e se aproximou.
— Jesse! — Chamou.
— Sim? — Se virou.
— Eu lembro que no momento em que você acertou a Q com a bola Puck e eu caímos sobre você, mas só deu tempo de acertá-lo com um soco porque a Madre Abbigail logo nos separou. — Começou. — E quando você levou aquela surra das crianças do Strawberry Fiel eu não bati em você porque a Britt não deixou, mas eu sempre quis fazer uma coisa. — Sorriu.
— O que você...
O homem mal teve tempo de concluir a pergunta quando o pé da latina acertou em cheio o meio das suas pernas.
Brooke soltou um gritinho surpresa e observou o marido cair no chão com a mão na frente da calça. O corpo se contorcia em razão da dor latente e o rosto estava ficando vermelho rapidamente.
Brittany levou as mãos até a boca em surpresa. Não diferente de Rachel. E Quinn...Quinn não sabia o que pensar. Estava atônita.
— Isso foi por ter causado essa mesma dor na Q. — Sorriu triunfante.
Quinn jamais seria capaz de fazer tal coisa contra alguém, mas a advogada não. Santana sempre seria Santana.
É a famosa Lei de Talião, onde toda forma de retaliação era recíproca.
Em outras palavras: olho por olho, dente por dente.
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