O Preço da Volta - 2ª Fase

24 Capítulo 24 - Desejo estranho...


Notas iniciais
Dia de capítulo!! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

[5ª semana — Início do segundo mês de gestação]

Quinn estava exausta.

Havia passado o dia todo analisando a fabricação das novas peças de joias, o que significava que não parou por um segundo sequer. Caminhou por toda a empresa, em todos os andares, para ver com seus próprios olhos se tudo estava correndo bem.

Gostava de poder fazer o trabalho por si só, sem ter de mandar alguém fazer isto no seu lugar. Era sua responsabilidade e também aproveitava para conhecer melhor seus funcionários e saber como todos estavam.

Além disso, também passou boa parte da tarde conversando com William e com a Madre Helena para saber como andavam as finalizações do Strawberry Field. A parte externa já estava praticamente pronta e a interna estava sendo modificada, principalmente os quartos, por isso as poucas crianças que residiam ali tinham sido hospedadas em um hotel temporariamente com as noviças e as Madres. Quinn ligava praticamente todos os dias para saber como eles estavam. Até o final do mês o orfanato estaria pronto para ser reinaugurado, e ela estava animada com isso.

E quando enfim chegou em casa, sentindo seu corpo pesando pelo cansaço, passou quase duas horas conversando com os homens Berry, Kurt, Blaine e Shelby após o jantar. Rachel os contou sobre a gravidez no dia seguinte em que descobriu.

É claro que isso não era um desagrado. Hiram e Leroy praticamente embalaram Rachel nos braços enquanto estavam ali, juntamente com a Corcoran. Alisavam a barriga da filha a cada minuto, embora o ventre ainda não possuísse volume, enquanto faziam mil e uma recomendações sobre vitaminas e alimentos para a saúde da morena e do bebê.

Kurt também mantinha os olhos iluminados enquanto divagava sobre como a gravidez era algo elegante e formidável. Comentava sobre as vestimentas de gestante que Rachel teria de usar, enquanto Blaine era o único que manteve um diálogo com Quinn, questionando-a sempre como estava se sentindo. Era um ótimo amigo.

Mesmo exausta, a empresária analisou cada presente ali na sala de estar. Pensou em como há alguns anos jamais imaginaria Hiram e Leroy tão cheios de amor e alegria. Como Kurt aparentava ser tão amargurado e repleto de zelotipia, e agora estava com uma aparência leve e feliz namorando Blaine.

Todos podem mudar, no final das contas.

E agora a loira finalmente ressonava tranquilamente. As cobertas aconchegantes protegendo seu corpo do frio emanando do ar-condicionado.

Nada poderia interromper seu sono neste momento.

Ela achava que não.

Fora tirada bruscamente dos braços de Morfeu por algo cutucando suas costelas repetidas vezes.

— Quinn.

A voz manhosa ecoou na sua cabeça, obrigando-a a abrir os olhos.

Quinn despertou atordoada. Piscou várias vezes apenas para se deparar com o quarto pouco iluminado pelo abajur do lado de Rachel na cama. Passou as mãos pelo rosto e ligou o seu próprio, fitando o relógio digital.

Três e dez da manhã.

Virou e fitou a esposa, que olhava-a com seus grandes olhos castanhos pidões.

— Rach? — Murmurou com a voz rouca, ainda tentando despertar totalmente. — Aconteceu algo? Está se sentindo mal?

— Eu não estou mal, mas estou sentindo uma coisa. — Respondeu com os lábios projetados para frente em um bico.

— O que está sentindo? — Sentou na cama alarmada.

— Eu... — Pegou a mão da esposa entre as suas. — Estou com desejo.

Quinn choramingou só em cogitar a possibilidade de ter de sair da cama. Sabia o que aconteceria.

— Você não pode esperar até amanhã? — Arriscou a pergunta, mas se arrependeu quando o rosto da morena se contorceu em uma expressão raivosa em segundos.

— Não, não posso. Eu estou carregando seu filho, Lucy Quinn, então é melhor levantar essa bunda da cama e fazer o que eu estou pedindo. — Respondeu dura.

A loira abriu a boca incrédula. Realmente Frannie não exagerou ao dizer que a gravidez pode transformar a calmaria de alguém em uma guerra.

— Tudo bem, Rach. — Disse suavemente. — O que você quer que eu traga para você?

Como em uma mágica, o rosto da baixinha se transformou em uma expressão alegre e um sorriso grande se formou nos seus lábios.

— Eu quero um sanduíche. — Respondeu sorrindo.

— Certo, eu posso pedir um para você. — Fisgou o celular em cima da mesinha de cabeceira.

— Mas não é um simples sanduíche. — A judia rebateu. — Eu quero que ele tenha picles, brócolis, beterraba, alho, queijo vegano de macadâmia, muita soja e morangos.

— Morangos também? — A loira fez uma careta de nojo.

— Sim. Morangos também.

A loira engoliu com dificuldade. Alho e morango juntos em um único alimento fizeram seu estômago embrulhar, principalmente o queijo vegano que Rachel adorava. Tinha provado uma vez e odiara.

— Rach, onde eu vou achar um sanduíche assim? — Questionou confusa. — Eu não acho que exista um lugar que venda isso.

— Eu não disse que você iria encontrar, amor. — Deu de ombros. — Mas você pode comprar os ingredientes e fazer para mim caso não tenha na despensa. — Se aproximou da mais alta. — Porque você ama a sua esposa grávida, não ama? — Beijou o pescoço pálido lentamente.

Quinn se sentiu estremecer e assentiu suspirando.

— Eu amo. — Disse. — Mas eu quero dormir, Rach. — Choramingou.

A baixinha se afastou e mirou a face com os olhos brilhando ameaçadoramente.

— Você vai dormir depois de fazer meu sanduíche, Quinn, ou eu chuto você daqui.

A mais alta grunhiu em frustração antes de saltar para fora da cama, calçando o par de sandálias.

— Eu volto já.

— Não demore. — A morena jogou um beijo no ar. — Eu te amo.

— Eu também amo você. — Suspirou e saiu do quarto.

Quinn certamente se arrependera de ter rido da irmã no dia anterior durante o café da manhã.

...

O relógio do celular marcava quatro e quarenta da manhã. Quase todos os ingredientes que Rachel almejara estavam na despensa da mansão, todavia, o maldito queijo tinha acabado, então saiu para comprar mais.

Em uma loja vegana vinte e quatro horas em Columbus que não fazia entrega.

A uma hora e meia de Lima.

Quinn guardou o aparelho na calça moletom e praticamente arrastou o corpo até o caixa, onde uma mulher estava sentada mexendo distraidamente nas suas unhas.

O lugar estava praticamente vazio, exceto pelo faxineiro que encerava os corredores. O silêncio predominava.

Ela colocou o queijo sobre a superfície metálica, esperando a mulher iniciar o seu trabalho para poder pagar e finalmente ir embora.

A funcionária ergueu os olhos quando notou a chegada de alguém, abrindo um sorriso.

Quinn sorriu amarelo, sentindo o olhar da mulher sobre si. Aparentava não ter mais do que trinta anos. O cabelo preto em um rabo de cavalo firme e o crachá no peito deixava evidente o seu nome. Summer.

— Boa noite. — A loira saudou educada. — Ou boa madrugada, no caso?

A tal Summer soltou uma risada.

— Definitivamente boa madrugada, senhora Fabray.

Quinn ainda ficava surpresa sempre que alguém em algum lugar demonstrava conhecê-la. Não deveria, afinal Ohio e parte da América conheciam os Fabray. Constantemente saíam notícias sobre eles, como quando notaram a barriga saliente de Cassandra e logo se espalhou a notícia de que Frannie ganharia mais um herdeiro. Ela se perguntou quanto tempo demoraria até que descobrissem sobre Rachel. Não muito, pensava.

A mulher não conseguia desviar os olhos da loira. Havia visto fotos dela em revistas e jornais, contudo, pessoalmente era ainda mais linda. E mesmo trajando pijama e com as madeixas bagunçadas, ainda era hipnotizante. Sem falar nos olhos.

A empresária limpou a garganta, sentindo suas bochechas corarem e enfim tirou a mulher de seu torpor, fazendo-a se desculpar e passar o produto pelo sistema. Queria indagar porque necessitava daquele queijo vegano em uma madrugada, mas se manteve tácita.

Quinn observava tudo, quando o toque estridente do seu celular chamou sua atenção. Se afastou para atender quando viu o nome de Rachel após pedir licença.

Você já está voltando? — A voz da morena preencheu seus ouvidos assim que atendeu.

— Eu estou pagando. Não foi fácil achar esse queijo, Rach. — Respondeu.

Tudo bem. Só não demore. Ou o nosso bebê vai nascer idêntico ao sanduíche. — Dramatizou.

— Certo, então deixe-me ir antes que nosso filho decida se transformar em um monstro. — Soltou uma risada. — Eu te amo. — Desligou sem esperar uma resposta.

Guardou o aparelho e retornou até o caixa, onde a mulher aguardava com o queijo já embalado. Quinn agradeceu e pagou o valor com uma quantia extra. Summer olhou a nota a mais e franziu o cenho.

— Acho que houve um engano. Há mais dinheiro aqui.

— Não há engano. — Sorriu simpática. — Obrigada e bom trabalho. — Virou e saiu do lugar com a sacola em mãos.

A morena deixou um sorriso largo estampar seu rosto e soltou um suspiro com aquele ato. Era uma extrema gentileza.

...

Rachel analisava seu corpo pelo espelho do quarto. Trajava apenas uma calcinha de renda. O busto totalmente descoberto. Seus olhos vidrados em seus seios. Estavam maiores. Ela sabia disso.

Mas Cassandra dissera que aumentou o número do sutiã apenas no início do terceiro mês, então por que Rachel estava sentindo seus seios doloridos e maiores no começo do segundo? Não era cedo demais?

Lembraria de ligar para a doutora White para questionar sobre isso no dia seguinte.

Sua atenção foi toda voltada para o barulho de motor de carro, e sorriu em saber que a esposa estava de volta. Vestiu rapidamente a camisa larga que a cobria até a metade das coxas e saiu do quarto, descendo a escada rapidamente.

Quinn mal teve tempo de adentrar o hall quando sentiu o corpo pequeno e quente pulando sobre si. Equilibrou a sacola e com a outra mão segurou firme a cintura da morena, enquanto esta rodeou as pernas no seu quadril.

— Você tem sorte por eu ser uma super-heroína, ou então iríamos as duas para o chão. — Sorriu divertida, passando pela sala de estar e a de jantar, chegando na cozinha.

Rachel riu e beijou-lhe a bochecha várias vezes.

— Eu te amo muito. Obrigada por fazer minhas vontades.

— Eu tenho de fazer. — Sentou a esposa sobre o balcão e ligou a luz do lugar. — Eu não deixaria o bebê virar um monstro.

— Idiota. — Empurrou os ombros da loira enquanto esta ria. — Agora faça o meu sanduíche. Eu estou faminta.

— Tudo bem, senhora Fabray. — Roubou-lhe um selinho.

Quinn lavou as mãos calmamente, recolocando a aliança logo depois e indo até a despensa, deixando todos os ingredientes sobre o balcão ao lado da judia, esta que ficou com água na boca apenas em observá-los e imaginar como ficaria o seu sanduíche.

A loira deixou que o queijo derretesse um pouco no fogão e o colocou no pão de aveia, iniciando a montagem do sanduíche de Rachel. O picles foi fatiado e inserido, depois o brócolis, a beterraba, o alho, a soja e finalmente os pedaços de morango sobre todo o resto.

Quando terminou tudo, pôs em um prato e caminhou até a morena, que arrancou o objeto das suas mãos e começou a devorar o alimento.

— Meu Deus. — A loira murmurou, tentando não sentir o estômago embrulhar.

Rachel mantinha os olhos fechados em prazer pelo gosto em sua boca.

— É melhor tirar essa expressão do rosto e fazer outro para mim. Um só não vai me saciar. — Demandou quando fitou a esposa.

Quinn se limitou a aquiescer e iniciou o preparo de mais um. Estava concentrada demais e não percebeu quando a estilista desceu do balcão com uma expressão confusa e se inclinou, pegando um pequeno papel que havia caído da sacola.

Sua boca abriu em incredulidade quando seus olhos passaram pelo nome ali presente e os números logo abaixo. Era um post-it com o logo da loja vegana. Seu sangue esquentou rapidamente. O ciúme vindo de uma forma mais intensa. Com certeza os hormônios tinham culpa nisso.

Quinn virou após preparar o segundo sanduíche e observou a esposa com o rosto vermelho.

— Rach? — Se aproximou. — Está tudo bem?

A morena mirou-lhe os olhos. Estavam escuros e brilhando em pura ira.

— Quem é Summer, Lucy Quinn?

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. É sempre importante. Bom início de semana. =D twitter.com/yasagron