O Preço da Volta - 2ª Fase

21 Capítulo 21 - Namoro?!


Notas iniciais
Dia de capítulo! Para quem estava sentindo falta de Frannie/Cassandra, acho que irão gostar. Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

Frannie saiu do banheiro sentindo o corpo leve e poderia facilmente flutuar se fosse fisicamente possível.

Sorriu assim que pousou os olhos sobre a cama e observou a filha abraçando Cassandra firmemente. Desde que chegaram no início da tarde, Kate não saiu um minuto sequer de perto das mães.

A filha mal pestanejava enquanto ouvia a matriarca lendo sobre a história contada no livro Não Conte a Ninguém, escrito pelo Harlan Coben.

Frannie não soube dizer exatamente quando Kate começou a gostar do escritor, principalmente porque suas obras eram sempre baseadas mistério, mas quando fizera sete anos, a pequenina passou a assistir filmes do gênero com Quinn, Santana e Puck. Quando soube que existia um escritor que se dedicada a fazer obras com esse gênero, se interessou em ler.

Era nítido observar os olhinhos brilhando enquanto Cassandra lia suavemente cada palavra e afagava o cabelo da pequenina com a outra mão, vez ou outra inalando o aroma doce das madeixas douradas.

— Pelo visto está gostando da leitura. — Frannie disse, sorrindo para a garotinha.

A filha desviou os olhos do livro e sorriu para a mãe.

— Sim, mamãe! — Se jogou nos braços da mais velha quando esta sentou na cama.

Frannie sorriu e abraçou o corpinho cheiroso amorosamente. Como sentira saudade do seu bebê, mesmo tendo permanecido fora por apenas duas semanas. Quando se é mãe, cada dia é uma eternidade.

Direcionou um olhar para Cassandra e a esposa entendeu perfeitamente que havia chegado a hora de darem a notícia.

— Filha. — A professora chamou, deixando o livro sobre a mesa de cabeceira e sentado ao lado da loira de olhos azuis. — Sua mãe e eu temos uma notícia para dar.

A mais nova se pôs sentada de frente para as mães e curvou os lábios em um sorriso sapeca.

— A mami 'tá' com um bebezinho dentro da barriga. — Afirmou convicta.

Frannie abriu e fechou a boca várias vezes, sem emitir algum som, chocada demais com a revelação da filha para dizer algo.

Fora Cassandra quem tomou a vez.

— Como você sabe disso, meu amor?

— Prometem que não vão brigar comigo? — Mexeu nos próprios dedos das mãos, de repente o sorriso se convertendo em um semblante nervoso.

— Eu não prometo nada. — Frannie finalmente falou.

— Então eu não conto. — Cruzou os braços.

— Conta sim. — Retrucou.

— Não conto não.

— Conta sim. Somos suas mães.

— Vocês não prometeram.

— Katherine...

— Mamãe...

— Ela é igual a você. — Frannie disse fitando a esposa e bufou.

— Não comecem com essas discussões infantis que vocês têm. — Ralhou para ambas. — Filha... — Encarou a mais nova. — Nós prometemos não brigar.

A empresária estava pronta para rebater mas acabou suspirando diante do olhar da esposa.

— Tudo bem. Nós prometemos. Pode falar, Kate.

— Então... — A garotinha começou hesitante. — A Z e eu brincamos de espiãs no apartamento dela e quando o telefone tocou, nós atendemos na outra linha para ouvir a conversa da tia Shelby. — Soltou tudo de uma vez.

— Katherine! — Cassandra exclamou.

— Desculpe, mami. — Pediu rapidamente. — Nós ficamos entediadas. Então a tia Rach contou para ela que a senhora 'tá' esperando um bebê aí dentro. — Apontou para a barriga da mais velha.

— Isso não é motivo para que você e Zoe fiquem ouvindo a conversa dos outros. É um comportamento muito feio e garotas educadas não fazem isso. — A mãe grávida bronqueou em um tom severo. — Você não vai falar algo? — Fitou a esposa, que permanecia em silêncio.

— Vocês são bem espertas para duas garotas de oito anos. — Comentou, recebendo outro olhar cortante da mais alta. — O que houve?

— É sério? Isso é realmente sério? — Cassandra cruzou os braços.

— Desculpe. — Pediu, sorrindo envergonhada. — O que eu quis dizer é que vocês estão erradas. Muito erradas. — Fitou a filha, adotando uma postura séria.

— Bem melhor assim.

— Vocês vão me deixar de castigo? — Indagou cabisbaixa.

— Não. — Frannie respondeu. — Chegamos hoje e queremos aproveitar nossa filhinha, mas não repitam isso, tudo bem? — Sorriu.

— Sim, mamãe. — Assentiu.

— Mas então, o que achou da notícia de que irá ganhar um irmãozinho ou irmãzinha? — A professora indagou em expectativa.

— Eu gostei. Vou poder cuidar do bebezinho. — Sorriu. — Mas eu vou receber menos amor?

— Claro que não, meu coração. — Cassandra se aproximou e segurou o rostinho da filha, enchendo-a de beijos enquanto Kate ria. — O nosso amor por você é incondicional e infinito.

— Eu quero que seja uma menina. — Disse, abraçando o pescoço da mãe.

— Por que uma menina? — Frannie também chegou perto, afagando a face da mais nova.

— Porque as meninas são muito fortes e corajosas. — Ergueu os braços.

— Ela anda convivendo muito com Santana. — Soltou uma risada, achando adorável que a filha pensasse dessa forma.

— Mamães. — Chamou, atraindo a atenção de ambas. — Posso contar uma coisa?

— Claro, minha princesa. Qualquer coisa. — Cassandra sorriu, acompanhada de Frannie.

Kate novamente sentou de frente para as mais velhas e as encarou.

— Eu tenho uma namorada. — Disse, sorrindo no final.

O sorriso de Frannie morreu no mesmo instante. A cor sumiu do seu rosto na mesma velocidade.

Kate. Namoro. Katherine. Sua garotinha. Namoro.

Essas palavras ecoaram na sua cabeça como gritos deixando-a consciente de que aquilo não era um pesadelo. Sua filha havia realmente dito que estava namorando. Sua filhinha de oito anos pensava em namoro.

— Amor, você está bem? — Cassandra fitou a esposa, que se mantinha estática.

— Eu...eu não estou bem. — Respondeu com um fio de voz. — Oh, meu Deus. — Afundou o rosto nas mãos. — A minha filha está pensando em namoro!

— Fran, acalme-se. — A loira mais alta se distanciou um pouco da borda da cama para que pudesse passear a mão pelas costas da esposa. — Katherine July-Fabray, desde quando você sabe o que é namoro? — Fitou a filha enquanto tentava dissipar a tensão de Frannie.

— Tia Shelby explicou o que era namorar. — Deu de ombros.

— Espera, nos conte esta história do início. — Cassandra pediu.

A empresária apenas continuava com o rosto afundado nas mãos e soltando baixos murmúrios sôfregos.

— A Z e eu assistimos A Família Addams 2 e a Wednesday aceitou namorar aquele garoto do acampamento de verão no final do filme. Então perguntamos para tia Shelby o que era namorar e ela disse que quando duas pessoas são muito amigas e se gostam muito, elas sobem de nível e namoram. Dão abraços e andam de mãos dadas. Só isso. — Elucidou.

— E quem você está namorando? — Frannie questionou com a voz abafada.

— A Zoe, mamãe. — Respondeu. — Eu perguntei e ela aceitou.

— Oh, meu Deus. — A loira de olhos azuis encarou Cassandra. — Nossa filha é lésbica. A nossa casa é uma parada LGBT. — Abriu a boca incrédula.

— O que é LGBT, mami? — A garotinha franziu o cenho.

— LGBT são siglas que representam a diversidade da identidade sexual e identidade de gênero. — Cassandra explicou. — Há um universo inteiro dentro disso mas é algo que você não vai entender agora. Vamos falar sobre tudo isso com você quando estiver mais velha.

Kate assentiu.

— Então eu sou LGBT? — Quis saber.

— Depende, meu amor. Se você descobrir que gosta de garotas ou não se sente bem sendo uma garota então há como você fazer parte disso. Também há outros fatores que fazem você se encaixar mas não quero despejar tantas informações assim agora.

— Eu não gosto de garotas, mami. — Kate disse. — Eu gosto da Zoe. Ela é minha amiga. — Sorriu.

— Você é nova para namorar — Frannie finalmente se pronunciou. — Nova demais. Meu plano é fazê-la ser a minha garotinha até os vinte e cinco anos e prendê-la sob minhas asas. Só quero soltá-la quando decidir se casar com alguém e morar aqui mesmo nessa rua, de preferência em uma das mansões da frente.

— Amor, não exagere. — Cassandra soltou uma risada. — Elas são duas crianças. São amigas. E veja pelo lado bom. Nenhuma delas ficará grávida acidentalmente se esse relacionamento for levado para o futuro. — Tentou amenizar.

— Cassandra! — Esbravejou. — A minha filhinha não vai namorar. — Fitou a mais nova. — Diga à Zoe que o namoro de vocês acabou.

— Mamãe! — Kate cruzou os braços. — Ela é legal.

— Legal demais na minha opinião. — Retrucou. — Nada de mamãe. Vão acabar e fim da história.

Kate bufou e foi até Cassandra, se jogando sobre o corpo da mais velha. Era sempre assim. A loira grávida era o elo mais emocional e sempre cedia à filha, não importava a situação. A empresária era sempre mais pensativa. E por mais que fosse louca por Kate, sabia colocar limites.

A professora apenas abraçou a filha. Conversaria com a esposa no dia seguinte. Não se agradava em contrariar suas ordens na frente de Kate. Nenhuma delas quebrava a autoridade da outra. Possuíam um respeito inabalável.

— Conversamos sobre isso amanhã. — Beijou o topo da cabeça da pequenina. — Vamos dormir? Está tarde e você tem escola no dia seguinte.

A filha apenas grunhiu com o rosto enterrado no pescoço de Cassandra, e juntas as três se acomodaram sob as cobertas.

— Eu amo você. — Frannie disse, mas obteve apenas o silêncio como resposta. — Não vai falar comigo? Hein? — Mordeu de leve a bochecha de Kate.

— Para, mamãe! — Não evitou a risada. — Eu também te amo. — Respondeu por fim.

Frannie sorriu, e mesmo Kate tentado fazer birra, aconchegou a garotinha no meio de ambas com seu braço, fazendo-a dormir em poucos minutos.

— Eu ainda estou chocada. — A empresária sussurrou para a esposa, que observava a garotinha ressonar.

— Eu não entendo o porquê. Isso é normal. Crianças fazem isso. Eu não vou ter uma síncope como você. — Abafou uma risada.

— Pode rir, mas o relacionamento da minha irmã e das meninas também começaram assim. Crianças inocentes. — Manteve o tom baixo, quase inaudível. — Toques suaves passaram para toques indecentes.

— E estão juntas há dez anos.

— Isso é raro, Cassie. — Argumentou. — Relacionamentos assim são raros e não podemos garantir que Kate vai ter igual. Nosso dever é protegê-la. Ainda não acredito que ela realmente possa estar caminhando para entender que gosta de garotas. É tão nova.

— Você não disse certa vez que com sete anos observava a vizinha com seu telescópio? — A loira mais alta arqueou as sobrancelhas.

— Ela era bonita. Não vamos entrar em detalhes sobre mim. O assunto aqui é a nossa filhinha.

— Conversamos amanhã, ou então ficaremos aqui a noite toda e vamos acordar cedo. — Se aproximou do rosto da esposa, selando seus lábios nos dela em um selinho. — Boa noite. Eu amo você.

— Eu também amo você. — Outro selinho. — Boa noite.

Cassandra sorriu e beijou-lhe o nariz, antes de acomodar a cabeça no travesseiro e se entregar nos braços de Morfeu.

Frannie ainda passou quase uma hora velando o sono dos seus dois amores. Ela afagou os dedos suavemente pelo rosto bonito e delicado da filha. Por fim, beijou-lhe a testa suavemente.

Era sua garotinha. E não queria que sua garotinha crescesse.

Notas finais
Já falei o quanto eu amo esses momentos? Estou ansiosa para escrever sobre Faberry e os pequeninos delas também. Enquanto isso, Kate é a minha xodó nesta história. Espero que tenham gostado. No próximo teremos um flashback. Comentem, favoritem, exponham suas opiniões. É importante para mim. Bom fim de semana. =D twitter.com/yasagron