O Preço da Volta - 2ª Fase

19 Capítulo 19 - Ébria...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Espero que gostem e desculpem-me qualquer erro. Boa leitura. =D

Quinn observava o movimento do local com a expressão triste.

Seus olhos passeavam de mesa em mesa para apenas constatar que havia poucas pessoas ali dentro. Exatamente dez, incluindo a si mesma e a latina ao seu lado.

Santana bufou.

— Qual a graça de virmos a um pub vinte e quatro horas se você não vai ficar bêbada enquanto eu ajo como uma babá e cuido de você? — Indagou, apoiando os braços no balcão.

A loira observou o copo de vidro com a latinha de refrigerante ao lado e suspirou.

— A doutora White disse que consumir álcool pode prejudicar meus espermatozoides. — Fez uma careta. — E produzir células defeituosas, então eu preciso evitar isso. Rachel não iria gostar. — Finalizou, bebendo outro gole.

— Oh, Deus! Você pensa na Hobbit até mesmo quando deveria estar com raiva e bebendo rios de bebida alcoólica. — Balançou a cabeça.

— Ela quer um bebê e nós vamos ter um. — Retrucou. — Eu não posso colocar tudo a perder.

— Mas e você? Quer mesmo um bebê? — Santana questionou calmamente.

Quinn interrompeu o percurso do copo até a boca e o depositou sobre o balcão outra vez.

— Eu quero. — Respondeu após pensar por longos segundos. — Nós temos vinte anos, somos casadas e a nossa condição financeira eu nem preciso dizer qual é. — Suspirou. — Temos tudo o que é necessário para dar esse passo, mas a Rachel está obcecada nisso mais do que eu.

— E então ela desconta isso em você. — Santana sorriu fracamente. — Eu sou amiga de vocês há tantos anos que não consigo contar, mas às vezes eu quero muito encher aquela anã de tapas.

Quinn soltou uma risada.

— Você não faria isso. Eu não deixaria.

— É claro que não deixaria, por isso que nunca o fiz. — Pôs a mão no ombro da amiga. — Eu estou aqui com você, e eu não costumo mentir, então ouça bem. Você é uma pessoa maravilhosa, Q. E eu no seu lugar não deixaria que a Britt tomasse aquele medicamento também. Eu estou brava com a Hobbit por ela ter passado quatro dias na cama sem nem sequer abraçar você e ainda ter a coragem de dizer que você quer ver o sofrimento dela. Mas ela te ama, e ela ama muito. Por Deus! Ela é irritantemente apaixonada por você, então vocês precisam conversar. As pessoas dizem coisas da boca pra fora, mesmo que magoe como eu sei que você está magoada agora, mas casamentos são assim. Dialogar é o primeiro passo. — Sorriu.

— Obrigada. — Quinn sorriu com os olhos marejados. — Obrigada, Sant. — Se jogou nos braços da latina.

Santana se equilibrou no banco enquanto abraçava a amiga com força.

— Eu acho que casar me fez ser mais emotiva. Que droga. — Grunhiu.

Quinn riu ainda nos braços da advogada.

— Eu te amo, Sant.

— Eu sei, eu sei. — Se separaram lentamente. — Eu também te amo, rubia. — Abriu um sorriso pequeno.

Quinn enxugou uma lágrima solitária e sentiu o bolso vibrar. Moveu as mãos até retirar o celular da calça e olhou o visor.

— É ela, não é? — Santana arqueou as sobrancelhas.

— Já é a décima terceira ligação. — Encarou o celular sem pestanejar. — Eu não quero conversar agora. Eu sinto como se devêssemos, mas eu simplesmente não quero. Eu apenas quero esquecer que ela disse aquilo para mim. — Suspirou profundamente.

— Você sabe que a bebida é a única capaz de fazer esquecer. — A latina rebateu. — Vamos lá! Faz muito tempo desde o último dia que você tomou um porre por causa dela. Eu não vou deixar que você passe vergonha. — Sorriu confortante.

Quinn passou os olhos pelo aparelho e rejeitou a chamada, desligando-o em seguida.

— Eu acho que quero uma dose de tequila agora. — Acenou para o barman.

— É isso aí! — Santana bateu as mãos no balcão.

...

Rachel caminhava incessantemente pelo quarto com o celular em mãos. Brittany tinha total certeza que em mais alguns minutos a morena abriria uma cratera no chão.

— Rach, você poderia se acalmar? — Pediu novamente. — A Q está bem. A Sant me garantiu isso na ligação.

— Como você quer que eu me acalme, Britt? — A baixinha estancou no lugar e encarou a amiga. — A Quinnie está em um pub e provavelmente vai beber e eu não quero que ela se machuque. — Projetou o lábio inferior para frente. Sentia vontade de chorar. — Eu vou até lá.

— O quê? Rachel, calma! — Brittany levantou da cama. — A Sant está lá e com certeza está cuidando da Q. Ela deve estar bebendo para esquecer a idiotice que saiu da sua boca mais cedo, então aparecer lá só iria complicar mais o seu casamento. Dê tempo à ela.

— Mas... — A morena tentou argumentar.

— Mas nada, Rachel! — A mais alta decretou em um tom sério. — Você sabe mais do que qualquer outra pessoa que cometeu um erro tremendo. O que você disse deveria ser um pecado de tão incongruente. A Q iria preferir morrer do que fazer você sofrer, e mesmo não sendo verdade, magoaria qualquer um que ouvisse isso da pessoa que ama.

— Eu sei, eu sei, eu sei. — A judia disse com lágrimas nos olhos. — Eu sou uma idiota que não mede o que diz. — Sentou na cama. — Se fosse eu no lugar dela com certeza estaria pior. Eu sei que errei, Britt, mas eu quero consertar. Eu a amo tanto, tanto. — Soluçou.

— E ela ama você. — A loirinha sentou ao lado da amiga, abraçando-a. — Mas espere ela chegar. Tudo irá se acertar. Vocês são loucas uma pela outra.

— Mas ela já deveria ter chegado. Ela... — A frase da morena fora interrompida pelo barulho que ecoou no andar de baixo.

Pelo amor de Deus, Q. Levante daí! — A voz de Santana saiu abafada, mas audível.

Rachel levantou no mesmo instante e saiu do quarto, sendo seguida por Brittany. Ao descer todos os degraus da escada, se deparou com a latina erguendo a loira do chão com dificuldade. Quinn com toda a certeza estava bêbada.

— Eu quero deitar, Sant. — A voz da Fabray saía arrastada.

— E você vai deitar. Vamos para o seu quarto. — Pôs o braço da amiga sobre seu ombro.

Brittany ao observar como a esposa estava tendo dificuldade, logo caminhou até o outro lado de Quinn, segurando-a firmemente.

— Você é alta, Britt. — A loira mais baixa apoiou o rosto no ombro da amiga.

— E você está bêbada, Q. — Retrucou, soltando uma risada.

— Só um pouquinho. — Riu no final da frase.

— Ela esvaziou uma garrafa e meia de tequila, então não foi um pouquinho. — Santana começou a caminhar.

— Olívia, leve um café até o nosso quarto, por favor? — Rachel se pronunciou pela primeira vez, fitando a governanta que tinha ido conferir o que estava acontecendo.

— Claro, Rachel. — Respondeu, sem ocultar a preocupação com a loira bêbada.

Subir a escada foi relativamente difícil. Rachel ia na frente, e não falou algo, mas sentia culpada. A culpa era dela por Quinn ter bebido tanto.

Quando enfim chegaram até o quarto, a loira se soltou das amigas e tentou caminhar sozinha até a cama, mas tropeçou no meio do caminho. A judia a segurou com certa dificuldade, mas conseguiu guiá-la até que ela deitasse sobre o colchão macio.

— Você me salvou. — Quinn fitou a morena. — Eu iria cair no chão. — Riu consigo mesma, rolando na cama até ficar de bruços.

— Ei! — Rachel segurou-lhe os ombros, virando-a de costas na cama. — Você precisa tomar banho.

— Banho não. — Resmungou sonolenta.

— Banho sim. — Retrucou e fitou as amigas. — Obrigada por tudo.

— Não precisa agradecer. Estamos aqui pra isso. — Brittany respondeu.

— Agora eu preciso ir tirar esse cheiro de bebida do meu corpo. E Hobbit... — Apontou para a morena. — Faça a coisa certa ou vai se ver comigo. — Ameaçou.

— Eu a amo, Sant, e eu não vou magoá-la outra vez. — Passou a mão pelo rosto da esposa, que mantinha os olhos fechados.

— Acho bom. Vamos, Britt. — Segurou a mão da loirinha, e ambas saíram do quarto.

— Eu bebi, Rachel. — Quinn começou. A voz totalmente embolada. — Eu não deveria beber por causa do nosso bebê. Mas eu bebi. E se não pudermos mais ter um bebezinho?

— Oh, meu amor. — Rachel não pôde deixar de sentir os olhos marejados. Mesmo alcoolizada a loira ainda pensava nela. Isso a fez se sentir pior do que já estava. — Me desculpe por ser uma idiota com você. O que eu disse nunca foi e nunca será verdade. Eu te amo muito, muito, muito. — Chegou perto, segurando o rosto pálido com as duas mãos, afagando-o. — Não se preocupe com essa questão de bebê. Eu fui muito apressada. Nós vamos devagar desta vez. Eu prometo.

Quinn não respondeu. Ela apenas fechou os olhos novamente, desfrutando do carinho na sua pele.

Não demorou muito para que Olívia batesse na porta do quarto anunciando sua chegada com o café. Rachel levantou para pegar a bandeja com uma xícara grande cheia do conteúdo escuro e um bule ao lado das mãos da mulher e agradeceu.

Depositou o objeto sobre a mesa de cabeceira e se virou, encarando a esposa.

— Q, você precisa tomar café.

A loira não respondeu. Apenas soltou um grunhido e tentou virar de bruços novamente, mas Rachel a impediu.

— Dormir, Rach. — Disse lentamente.

— Depois você dorme. — Sentou na beirada da cama, passando a abrir botão por botão da blusa da mais alta.

Tirar as peças de roupa não foi difícil. A dificuldade veio após deixar a empresária apenas de peças íntimas e tentar fazer com que tomasse o bendito café.

Rachel tentou inúmeras vezes, mas quando não obteve sucesso, apenas deixou a xícara de lado e retirou os próprios sapatos, deitando sobre o corpo marmóreo e apoiando a cabeça no ombro de Quinn.

Segundos se passaram até os braços dela ao seu redor, apertando-a. A baixinha sabia que provavelmente era apenas pelo efeito da bebida. Que em um estado de sobriedade a loira não a abraçaria por ainda estar magoada, mas não queria pensar nisso agora. Ela desfrutaria do gesto amoroso enquanto pudesse.

— Eu te amo tanto. — Deslizou as pontas dos dedos pela clavícula marcada da mais alta. — Eu te amo em uma proporção que eu jamais saberia descrever com palavras. E eu quero mais do que tudo um bebê nosso porque ele vai ser o fruto do nosso amor, mas eu acabei agindo com egoísmo. — Falava suavemente. — Eu espero que você me perdoe por ser uma idiota às vezes, mas eu sempre vou provar que o meu amor sobressai. — Beijou o pescoço de Quinn lentamente, aspirando o seu aroma. — É incrível como o odor da bebida não foi mais forte que o cheiro natural que você tem. — Grudou o nariz na pele alva. — Eu amo cada pedacinho seu. Cada pedacinho que compõe quem você é. Eu te amo, Quinnie. — Se aconchegou no corpo quente, fechando os olhos.

Quinn apenas ressonava. Rachel sabia que ela não tinha escutado, mas a verdade é que a morena não se importava com isso.

Porque no dia seguinte ela repetiria tudo o que disse novamente.

Quantas vezes fosse preciso para a loira perdoá-la.

Notas finais
Eu não consigo sentir raiva da Rachel. Eu adoro o jeito carinhoso dela. Faço dela o típico clichê do amor: meloso e exagerado. E não me arrependo disso. Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem e exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron