O Preço da Volta - 2ª Fase
18 Capítulo 18 - Desentendimentos...
Notas iniciais
Quinn prestava atenção em cada palavra dita pela doutora à sua frente.
E a cada dez segundos desviava os olhos para a morena ao seu lado, que ouvia tudo concentrada.
Estava preocupada. Preocupada com Rachel.
A morena passou quase quatro dias sem sair do quarto. A comida era levada diariamente aos seus aposentos e quando finalmente decidiu sair, foi apenas para ir ao consultório da doutora White.
Rachel estava triste, cabisbaixa e sempre com a expressão opaca. Quinn mal conseguiu se concentrar no trabalho durante os dias que passaram. Agradeceu por Frannie voltar na segunda-feira. Seria mais uma ajuda para si, apesar de que Santana estava sendo muito prestativa consigo durante esse tempo.
É claro que a loira desejava ter um filho tanto quanto Rachel. É o sonho de qualquer casal. Mas a judia estava imensuravelmente mais consternada. Quinn tentou animá-la, mas apenas recebia respostas negativas para os seus convites de saírem e tomarem um pouco de ar. A esposa passava a maior parte do tempo sob as grossas cobertas da cama.
A Fabray não sabia o que fazer.
— Paciência é uma virtude, Rachel. — A doutora falava suavemente. — Nada é como desejamos, na hora que desejamos. Um casal totalmente fértil, como você e Quinn, possuem entre vinte e trinta por cento de conceberem um bebê em cada período fértil, e oitenta e cinco por cento dos casais demoram em média um ano para conseguirem. Eu mesma tive de esperar um ano e meio para engravidar. — Finalizou, sorrindo gentil.
— Mas eu não quero esperar tanto tempo assim. — Rachel respondeu de imediato. — Eu quero logo. É tão difícil? Não há algo que possamos fazer?
— Nós podemos coletar os seus óvulos e o esperma da Quinn, fertilizá-los no laboratório e então transferir os embriões para o seu útero daqui a uns meses. — Cruzou as mãos sobre a mesa.
— Não. Dessa forma eu não quero.
— Então não há algo que eu possa fazer a não ser dar dicas que possam acelerar a concepção. — Disse paciente.
— Quais seriam essas dicas? — Rachel arqueou as sobrancelhas.
— Vamos começar pelos alimentos. — A doutora fisgou a caneta do seu jaleco e passou a fazer anotações. — É importante que a Quinn coma alimentos ricos em zinco, ácido fólico, cálcio e vitaminas C e D. Esses alimentos ajudam a produzir espermatozoides mais fortes e velozes. — Anotou tudo rapidamente no papel. — Evite tomar bebidas alcoólicas, pois reduz o nível de testosterona e produz células defeituosas. — Finalizou a anotação e fitou as duas mulheres.
Quinn mantinha o olhar no papel em que a doutora escreveu anteriormente. Seu rosto estava rubro, especialmente suas bochechas. De fato, não era nada confortável ouvi-la falar sobre seu esperma dessa maneira.
Rachel, no entanto, assentia, absorvendo cada palavra dita pela mulher à sua frente.
— As posições sexuais na hora da relação também podem ajudar. — Continuou a explicação. — A famosa posição papai e mamãe é a mais recomendada, pois os espermatozoides irão permanecer mais tempo no seu corpo. — Fitou a morena, que aquiesceu. — Também permaneça pelo menos quinze minutos deitada após as relações. Isso vai ajudar o trabalho dos espermatozoides. Não precisa erguer as pernas, apenas fique deitada.
— Acho que já está bom. — Quinn pronunciou pela primeira vez.
A loira não sabia para onde olhar, e suas mãos sobre seu colo agora pareciam mais interessantes do que fitar o rosto da doutora. Suas bochechas estavam queimando. Ela com certeza não desejava mais ouvir a palavra espermatozoide tantas vezes novamente.
A doutora sorriu ao constatar a vergonha da mais nova.
— Deixe ela falar. — Rachel bronqueou a esposa. — Pode continuar. — Encarou a mais velha.
— Acho que isso é o suficiente. Mas o mais essencial, e por favor, Rachel, evite estresse. Não pense demais e não fique ansiosa na hora das relações. Isso vai bloquear qualquer chance de uma gravidez. Apenas fique calma e não perca a esperança. Você e Quinn são cem por cento férteis. Esse bebezinho vai estar na sua barriga em breve. — Sorriu ao terminar e entregou duas folhas para a morena. — A primeira são os alimentos recomendados para a Quinn e a segunda é uma receita de um Ácido Fólico que vai ajudar seus hormônios e acelerarem a gravidez, mas fique ciente de que os efeitos colaterais não são muito bons.
— Quais efeitos? — Quinn indagou.
— Insônia, enjoos, dores nos seios. Pequenos incômodos que não são confortáveis para alguém.
— Tudo bem. Muito obrigada, doutora. — Rachel agradeceu sincera.
A mulher apenas sorriu e se ergueu da cadeira, sendo espelhada pelo casal e após despedidas, Quinn e Rachel saíram do consultório.
...
— Nós podemos passar em uma farmácia agora e comprar esse Ácido Fólico. — Rachel comentou dentro do carro.
— Eu não acho que seja uma boa ideia, Rach. — Quinn respondeu sem tirar os olhos da estrada.
— Como não? Quinn, isso é para nos ajudar. — Fitou a esposa.
— Rach, os efeitos colaterais não são legais. Nós podemos tentar de novo sem precisar de um medicamento que faça isso acelerar. — Torceu os lábios.
— Eu não entendo você! — Rachel elevou o tom de voz. — Eu estou tentando ter o nosso bebê e você não ajuda!
— Rachel, fale baixo! — Quinn pediu séria ao parar em um sinal vermelho.
— Se você não for em uma farmácia agora, eu saio desse carro e vou andando. — Decretou.
— Eu quero ver você ir. — Trancou as portas do veículo.
A morena abriu a boca incrédula e encarou os olhos verdes fitando-a desafiadoramente.
— Me deixe sair daqui, Quinn! — Ordenou raivosa.
— Nós conversamos em casa. — Foi a única coisa que disse, antes de acelerar novamente o veículo.
Rachel passou o caminho todo em silêncio, não diferente da loira. O clima tenso era quase palpável.
Quando Quinn passou pelos portões da mansão com o carro e estacionou no jardim, destrancou as portas, e Rachel não perdeu tempo em saltar para fora do veículo e entrar na residência a passos duros.
A empresária prontamente a seguiu.
— Você é uma idiota! — Falou alto quando entrou no quarto.
— Eu sou uma idiota? — A mais alta fechou a porta. — Eu sou idiota em não querer que você tome um medicamento que vá te fazer mal? Rachel, nós temos apenas vinte anos. Não há pressa para ter um bebê.
— Então eu finalmente descobri o motivo disso. — A judia jogou a bolsa sobre a cama. — Você não quis que eu fosse ao consultório e tentou tirar a ideia da gravidez da minha cabeça nesses quatro dias. Você não quer ter um filho. — Acusou, se aproximando e apontando o dedo na face da esposa.
— Você está maluca?! — Ergueu a voz. — Eu quero um filho tanto quanto você. Eu tentei tirar essa história de gravidez da sua cabeça nesses quatro dias porque isso está afetando você de uma maneira muito ruim, Rachel. Você está fazendo tempestade em um copo d'água. Nós só tentamos duas vezes e você já quer tomar um medicamento que vai te prejudicar.
— Ele não vai me prejudicar! — Gritou. — Ele vai me fazer engravidar! Eu quero ter um bebê! Eu quero ser mãe, Quinn! Eu não quero ter de esperar por isso! E você é uma idiota por não me apoiar! Até parece que quer me ver sofrer! Parece que...
— Já chega, Rachel! — Quinn também gritou, atingindo o estopim.
A morena se calou no mesmo segundo. Quinn nunca tinha gritado dessa forma. Na verdade, Rachel poderia contar nos dedos os momentos em que a esposa havia gritado daquela maneira. Ela sabia que a loira tinha perdido a paciência, que essa sim era a sua virtude.
— Eu passei esses quatro dias ligando a cada hora para você enquanto precisava estar na empresa, mesmo eu não querendo permanecer lá! — Continuava gritando, respirando fundo. Estava extremamente magoada e encolerizada.
Santana e Brittany ouviam tudo do andar de baixo. A latina tentou ir até o quarto das amigas, mas a loirinha impediu. Isso era algo entre Rachel e Quinn.
Agradeceram o fato de Kate estar com Shelby e Zoe.
— Eu compartilhei da mesma dor que você, Rachel! — A voz continuava alta, mas os gritos cessaram. — Eu posso imaginar que a sua dor foi maior mas eu trocaria com você se fosse possível. Eu nunca fiquei contra você durante esses dez anos em que nos conhecemos e agora você tem a coragem de olhar para mim e dizer que eu estou querendo ver você sofrer? Deus, Rachel! Eu sou tão ruim assim? Eu sou uma esposa ruim? Será que você não consegue perceber que eu faria qualquer coisa por você? Eu tentei sair com você durante esses quatro dias porque corroía dentro de mim vê-la triste e sem querer sair da cama. A sua dor é a minha dor, Rachel. Eu também sofri com o resultado. Eu quero ter um filho com você. É a coisa que eu mais almejo, mas mais do que isso, eu não quero ter de ver você mal para conseguir engravidar, porque você é meu mundo. E mesmo que eu tenha de ouvir você falar coisas que vão me magoar, eu não vou hesitar em cuidar de você acima de qualquer coisa. — Finalizou, sentindo as lágrimas escorrerem.
Rachel já chorava. A morena havia falado tudo aquilo em razão da raiva e da frustração de não poder ter um bebê na hora em que desejava, e então acabou falando mais do que deveria, o que era uma característica inerente nela. Mas havia, de fato, magoado a esposa. Ela podia se sentir quebrando por dentro enquanto fitava os olhos verdes tristes.
Não. Quinn nunca seria uma esposa ruim. Jamais. Em hipótese alguma. A loira era a melhor esposa que alguém poderia ter. Rachel a amava mais do que qualquer coisa no mundo.
— Quinnie, eu... — Caminhou até a mais alta, mas essa se afastou.
— Não, Rachel. — A loira fungou. — Eu não quero ouvir mais nada. Eu...preciso sair daqui.
Dito isso, ela se retirou do quarto rapidamente, descendo a escada em segundos.
— Quinn?! — Rachel a seguiu. — Aonde você vai? Quinn, volta aqui! — Chamou a esposa.
A empresária passou pelo hall e saiu da mansão, e Santana não hesitou em ir atrás da amiga.
Rachel tentou segui-las, mas uma mão delicada segurou o seu braço.
— Dê um tempo à ela, Rach. A Q também está sofrendo, você não vê? — Brittany abraçou a estilista carinhosamente.
E Rachel agora via. Via o quanto a Fabray havia guardado a dor consigo e o quanto tinha sido egoísta com ela. Passou quatro dias recusando qualquer tentativa da esposa em animá-la e apenas permanecia na cama se sentindo frustrada e, principalmente, sem dar carinho à loira, anulando a sua dor. Como pudera ser tão idiota? Não pensou em acalentá-la também. Foi tão mesquinha que sentia vergonha de si mesma naquele instante.
No final daquela história, a idiota era apenas ela e não Quinn.
Fale com o autor