O Preço da Volta - 2ª Fase
17 Capítulo 17 - Resultado doloroso...
Notas iniciais
Frannie estava radiante.
Não. Radiante era puro eufemismo. Quinn podia sentir a felicidade da irmã irradiando através da tela do laptop.
Ambas conversavam por vídeo chamada e a mais velha não parava de sorrir. Estava na Holanda, mais precisamente em Amsterdã. O lugar onde havia se casado, e o lugar onde comemorava a primeira década do seu casamento com Cassandra. E o maior presente que poderia receber é que seria mamãe novamente.
— Então nós estávamos andando pelo Vondelpark ontem à noite e de repente ela parou na minha frente e disse que está grávida. — A voz de Frannie saia animada. — Eu não consegui raciocinar algo mas depois de alguns segundos eu comecei a chorar.
Quinn soltou uma risada enquanto ouvia tudo atentamente.
— Eu fico muito feliz por vocês, Fran. — Disse com sinceridade. — Vocês merecem essa alegria. E eu ainda não acredito que você não desconfiou de algo.
— Ela escondeu bem, certo? — Se defendeu. — Está com dois meses e meio de gestação. Mas e a Rachel? Como está o processo de engravidar?
— Ela não para de pensar nisso. — Suspirou. — O seu ciclo fértil terminou há duas semanas e de acordo com a doutora White, a partir do décimo quarto dia ela já pode fazer o teste de gravidez, ou seja, hoje mesmo é possível que ela faça. — Massageou as têmporas.
— Mas e você? Como você está com tudo isso? — A mais velha inquiriu docemente.
— Eu estou apreensiva. Digo...eu quero muito um filho também. Quero receber a notícia assim como você recebeu. Quero ter um bebê com a Rach, mas se o resultado der negativo ela vai ficar desolada, Fran. — Apertou as mãos.
— Ei, não fique assim. Muitos casais demoram para ter filhos. Judy e o papai demoraram nove anos para que conseguissem outra gravidez e no final conseguiram. Então não se preocupe. Vocês mal completaram vinte anos. Ainda possuem a vida toda pela frente. — Confortou em um tom suave.
Quinn assentiu, se sentindo mais relaxada.
— Obrigada. — Sorriu para a mais velha. — Agora eu preciso desligar porque preciso ir para a empresa. A presidente está comemorando os dez anos de casamento.
A mais velha soltou uma risada.
— Tudo bem. Pode ir. Enquanto isso eu vou aproveitar e passear com a minha esposa nessa cidade maravilhosa. Ainda são duas da tarde. — Sorriu marota.
— Cuidem bem da minha Kate. — Cassandra se pronunciou, aparecendo atrás da esposa. — Não caiam na chantagem emocional dela para que não coma as verduras e diga para ela que estamos com saudades e que a amamos. — A loira mais alta sorriu.
— Pode deixar comigo. — Assentiu. — Aproveitem a comemoração.
— Com certeza iremos. — Frannie disse. — Mande um ''oi'' ao pessoal. Eu amo você, Lucy.
— Eu mandarei, e eu também amo você. Até breve, Fran. — Acenou e finalizou a chamada de vídeo.
Quinn suspirou e fechou o laptop. Sentia o corpo mais relaxado e os pensamentos mais tranquilos. Conversar com Frannie sempre a fazia se sentir melhor. A irmã era como uma figura materna que nunca teve, e os seus conselhos eram os melhores.
Deixou o aparelho sobre a cama e levantou desta ainda de pijama. Ouvia o chuveiro ligado, denunciando que Rachel ainda estava fazendo sua higiene matinal. Estava pronta para entrar no closet quando passos apressados no corredor chamaram sua atenção.
— Vem aqui, sua pestinha! — A voz de Santana ecoou por todo o local.
Quinn abriu a porta apenas para presenciar um vulto loiro com pijama rosa correndo em alta velocidade e a latina logo atrás, tentando inutilmente alcançá-la.
— O que está acontecendo? — Quinn franziu o cenho.
— A Kate. — Brittany saiu do último quarto ofegante. — Ela não quer ir tomar banho. Correu o quarto todo e agora saiu. — Apoiou as mãos nos joelhos. — Deus! Eu preciso me exercitar. Estou me sentindo com quarenta anos.
— Katherine! Eu juro que...
Santana não terminou a frase. A voz estava distante e só conseguiu ouvi-la porque a janela do quarto estava aberta. Quinn temeu pela vida da garotinha, descendo os degraus rapidamente e correndo. Quando saiu pela porta dos fundos, se deparou com a amiga dentro da piscina e a sobrinha rindo perto da mesa onde tomavam café da manhã nos finais de semana ensolarados.
— Kate, o que você fez? — Indagou, segurando o riso.
— Eu não fiz nada. A tia Sant caiu na piscina sozinha. — Apontou para a latina, que praticamente rugiu na sua direção.
— Ela me enganou! Foi isso o que aconteceu. — Santana retrucou.
— O que quer dizer que você caiu sozinha. — A loirinha sorriu orgulhosa.
— Você vai se ver comigo! — Nadou até a borda.
— Tudo bem. Vamos encerrar essa discussão infantil. E Kate, vem. Você precisa tomar banho e ir para a escola. — Chamou a sobrinha.
— Mas eu não quero, tia Lucy. — Correu quando a mais velha se aproximou.
— Kate, pare com isso e vamos logo. Você vai se atrasar. — Correu até a mais nova, que novamente saiu em disparada.
O processo demorou cerca de cinco minutos, e quando Quinn se aproximou em uma distância considerável, a garotinha pareceu se cansar.
— Tudo bem, tia Lucy. Vamos lá. — Ergueu os braços.
A mais velha sorriu para a sobrinha e se aproximou para pegá-la, mas antes de completar o ato, Kate se afastou e Quinn não conseguiu se equilibrar, indo direto para a piscina.
Santana soltou uma gargalhada da expressão da amiga enquanto observava tudo sentada na borda. Kate não estava diferente. A pequenina curvava o corpo devido a crise de risos.
— Agora eu realmente quero matar você. — Quinn ralhou para a mais nova.
— Katherine! — A voz de Rachel ecoou pela vasta área. — O que está acontecendo aqui?
A garotinha cessou o riso rapidamente e fitou a morena a encarando com o semblante sério e impassível. Kate engoliu a seco.
— Elas caíram, tia Rach. — Apontou para as duas mulheres.
— Mentira! — Responderam em uníssono.
— Verdade! — Retrucou.
— Já chega aqui! — Rachel se aproximou. — Você vai entrar comigo agora e eu vou ajudá-la a se trocar. Ou então nada de jogar videogame ou ver televisão até suas mães voltarem da viagem. — Decretou firme. — Estamos entendidas?
— Sim, tia Rach. — Caminhou de cabeça baixa até a morena.
Rachel reprimiu um sorriso, fazendo esforço mara se manter séria diante da garotinha, e segurou na mão pálida docemente.
— Agora se desculpe com a sua tia Lucy e a tia Sant. — Demandou.
Ela virou e ergueu a cabeça, fitando as duas mulheres.
— Desculpa tia Lucy. Desculpa tia Sant. — Pediu com a voz mansa.
— Tudo bem, Kate. — Quinn foi a primeira a se pronunciar.
Santana permaneceu calada, e recebeu um beliscão por parte da amiga.
— Ai! — Massageou a pele. — Tudo bem, tudo bem. Está desculpada, pirralha. — Exibiu um sorriso sincero.
— Agora vamos. — Rachel saiu segurando a mão da pequenina.
— Uau! — A advogada levantou e ajudou a loira a fazer o mesmo. — A Hobbit leva jeito com crianças.
— Ela realmente leva. — Quinn comentou após sair da piscina. — Exceto por Frannie e Cassandra, Kate obedece apenas a Rach. — Torceu a blusa com as mãos. — Esse foi um belo banho logo pela manhã. — Riu.
— Eu tenho que concordar com você. É uma pena não podermos aproveitar mais um pouco.
— Não seja por isso. — Empurrou a latina em direção à piscina.
Santana emergiu bruscamente, tossindo algumas vezes. Quinn não conseguiu segurar a gargalhada. Ela nem queria, na verdade. A expressão da latina era cômica.
— Eu vou matar você lentamente, Fabray! — Esbravejou, saindo da água e partindo para cima da empresária, que correu no mesmo segundo.
...
O primeiro sentimento era a incredulidade. Ela havia feito tudo certo, afinal.
Depois veio a raiva. Raiva daquele resultado.
E por último e em escala de maior intensidade veio a tristeza acompanhada da decepção.
Os olhos marejaram em segundos e o choro explodiu em sua garganta. E a dor era cortante. Cortava cada resquício de esperança que possuía. Cortava e queimava como ácido corroendo sua pele lentamente. Conseguia sentir a dor aumentando aos poucos até atingir o estopim.
Rachel se jogou na cama e abafou os gritos sôfregos contra os travesseiros macios, socando-os em segundos, descontando toda sua fúria. A fúria que a frustração sempre se encarregava de trazer consigo.
Continuava a chorar copiosamente, até que sentiu os braços cederem pelo esforço e caiu novamente sobre o colchão, se curvando enquanto abraçava o próprio corpo, deixando que o choro pudesse levar a dor embora.
Ouviu apenas a porta do quarto sendo aberta, mas não olhou quem era. Ela sabia que pelo horário seria Quinn. Esse era seu plano. Fazer o teste e poder contá-la assim que chegasse com um sorriso no rosto e o coração cheio de felicidade.
Isso realmente não aconteceu.
— Rach? — A loira sentiu o corpo entrar em alerta e largou a pasta e o casaco sobre a poltrona, correndo até a cama. — Rach, o que aconteceu? — Retirou as madeixas que caíam sobre os olhos castanhos opacos.
— Quinnie... — Murmurou em meio a soluços. — Eu não...não consegui. — Explodiu em uma nova onda de choro, agarrando com força na blusa da esposa.
Quinn estava assustada. Do que Rachel estava falando?
Acalantou-a em seus braços fortemente, embalando-a como um bebê.
Bebê.
A realização bateu em sua cabeça e a Fabray moveu seus olhos pela cama até a achar o típico teste de farmácia. Esticou um braço até segurar o objeto em mãos e quando fitou o visor, seus próprios olhos marejaram em dor.
Abraçou Rachel com ainda mais força, ouvindo seus prantos se entrelaçarem, retirando os sapatos em seguida e deitando na cama com ela.
— Eu amo você. — Sussurrou. — Vamos conseguir. Vai dar tudo certo. — Jogou o teste em algum lugar do quarto.
Não precisava olhar a caixa para saber o que diziam os riscos.
Um só significava negativo.
Dois era positivo.
E infelizmente o de Rachel possuía apenas um.
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