O Preço da Volta - 2ª Fase

12 Capítulo 12 - Crianças outra vez...


Notas iniciais
Dia de capítulo! Desculpem-me qualquer erro e boa leitura. =D

Rachel levou uma porção do ceviche de banana até boca e praticamente gemeu em satisfação com o sabor.

Ela achava que tinha provado o melhor ceviche há algum tempo em Ohio mas aparentemente o 45 Park Lane conseguiu se superar.

Tudo naquele hotel era extremamente incrível.

Quinn sorria observando as caras e bocas da esposa ao seu lado. Rachel era maravilhosa e praticamente fechava os olhos a cada mordida. Os olhos verdes novamente analisaram o local majestoso. As mesas eram milimetricamente posicionadas para que houvesse uma boa movimentação entre elas. Tinham as maiores, com seis cadeiras acolchoadas, e as menores, com apenas duas e um sofá de meia lua encostado na parede.

O cheiro do café da manhã preenchia o ambiente, e poderia sentir aquele aroma pelo resto da vida. O aquecedor tornava tudo mais aconchegante, impedindo que o frio da cidade adentrasse o local.

— Eu acho que vou pedir bacon agora. — Quinn encarou a morena.

— Nada disso. — Maneou a cabeça. — Aqui. Coma. — Pegou mais uma porção do ceviche, levando até a boca da esposa.

A loira comeu, e era realmente bom. Ela podia sentir o gosto da banana, do tomate e da cebola em harmonia, mas não aliviou a sua vontade.

— Eu prefiro bacon, Rach. — Choramingou.

— Eu não vou sentir o cheiro de porquinhos fritos, Q. — Falou. — Não no nosso primeiro café da manhã como casadas. — Beijou-lhe a bochecha.

Quinn soltou um grunhido de frustração e observou as duas amigas adentrando o restaurante do hotel de mãos dadas e com sorrisos no rosto.

— Bom dia. — Brittany saudou animada após se sentar de frente para o outro casal.

— Bom dia. — Rachel respondeu no mesmo tom. — Como passaram a noite?

— Bem. Maravilhosamente bem. — Santana respondeu. — Vocês provavelmente não dormiram. Devem ter passado a noite toda aproveitando. Felizmente os quartos têm isolamento acústico e não ouvimos toda a sinfonia que deve ter ocorrido durante a madrugada. — Provocou.

Brittany riu ao seu lado, e Quinn sentiu as bochechas corarem.

— Isso não tem graça. — Rachel revirou os olhos.

— É claro que tem. — A latina retrucou. — Olha, Hobbit, com seu alcance vocal, você poderia ser atriz da Broadway e não ser estilista.

A esposa novamente não segurou a gargalhada e Santana não ficou atrás. Quinn apenas bufou e tomou um gole do seu chá, sentindo o rosto rubro de vergonha, não diferente de Rachel.

Suas amigas eram tão idiotas.

...

Quinn sorriu quando avistou o parque logo à frente. A sensação de nostalgia a atingiu em cheio outra vez, como tudo naquela cidade. As árvores, a grama bem aparada coberta pela camada fina de neve, e principalmente, a pequeno colina que ainda possuía o banco de madeira no topo.

O Hampstead Heath era um lugar marcado apenas pelas lembranças puras de ambas. Quando escapavam do orfanato para irem ali correr e deitar, observando o céu e contando as nuvens, tentando adivinhar o formato delas e com o que se pareciam.

E estar ali, depois de quatro anos, aqueceu o coração da loira mesmo no frio do início de tarde. Ela agradeceu por ter comprado uma câmera fotográfica mais cedo apenas para registrar momentos como aquele. Momentos que fizeram parte da sua infância. Gostaria de guardar cada detalhe quando tivesse de voltar para Lima.

Rachel sorriu quando observou as crianças no alto da colina com pequenas pranchas em mãos, sentando sobre o objeto e deslizando em alta velocidade. Os pais estavam logo abaixo esperando-os, garantindo que não se machucassem.

A morena pensou se um dia poderia fazer isso. Trazer seu filho ou filha para Londres e brincar naquele parque exatamente como aqueles pais estavam fazendo. Ela sorriu mais largamente quando imaginou uma criança correndo para si, efusiva por ter descido a colina, assim como aqueles pequeninos.

Sua mão apertou seu ventre inconscientemente e Quinn percebeu a sua ação.

— Está pensando em quando tivermos filhos, não está? — Arqueou as sobrancelhas.

— Sim. — Encarou a esposa. — Eu só...quero tanto um bebê nosso. Quero poder correr com ele assim como aqueles pais.

— E nós vamos ter um. — Passou o braço pelos ombros da menor. — Quem sabe não há um pequenino bem aí na sua barriga. Você deixou de tomar os anticoncepcionais há algum tempo e eu posso ter filhos, de acordo com a doutora White.

— Você só sabe disso porque eu praticamente a arrastei até o consultório dela para que fizesse aquele exame meses atrás. — Soltou uma risada, apoiando a cabeça no ombro da loira.

— Gozar em um potinho não é agradável, Rach. — Retorquiu. — Mas eu já fiz isso e agora sei que sou super fértil. — Sorriu.

Rachel apenas sorriu e se virou, beijando os lábios da esposa rapidamente antes de caminhar com ela e subir a colina, sentando no banco e observando praticamente todo o parque logo abaixo. A morena sorriu e fisgou a câmera da mão da esposa.

— Olha aqui. — Virou o objeto de frente para ambas, apertando o botão de captura em seguida.

— Você sabe que eu prefiro tirar a foto do que aparecer nela. — Comentou quando observou a fotografia pelo visor da câmera.

— E eu já disse que você é linda demais para não sair em fotos. — Retrucou. — Além disso, nós vamos fazer um porta-retrato dessa e revelar as outras para colocar no nosso álbum.

Quinn assentiu para a menor. Concordava com ela. Precisavam de uma foto emoldurada no lugar que as marcou para sempre. Ela ergueu a câmera e tirou mais algumas fotos. A paisagem era algo inenarrável. Os três lagos estavam congelados e algumas pessoas se atreviam a tentar patinar sobre eles, embora desistissem minutos depois. Talvez pelo receio. As árvores possuíam suas copas brancas em razão da neve.

A imagem das crianças brincando também fora capturada. A alegria dos pequeninos era contagiante. Até mesmo os pais estavam entretidos pelo momento e acabavam descendo a colina de neve com eles. Alguns casais espelhavam o gesto.

— Então... — Quinn começou, sem tirar os olhos das pessoas. — Eu estive pensando...

Rachel seguiu o olhar da esposa e sorriu.

— Em fazer a mesma coisa que esses casais e descermos essa colina também? — Arqueou as sobrancelhas.

A empresária encarou a menor e assentiu.

— É por isso que eu te amo. Você sempre sabe o que eu estou pensando. — Sorriu timidamente.

— Então vá alugar uma dessas pranchas e vamos descer isso. — Lhe deu um selinho demorado.

Quinn entregou a câmera para a esposa e praticamente correu até a pequena loja localizada mais adiante. Era uma construção simples mas que abrigava desde pranchas até lembranças do parque. O seu sorriso já não era tímido e sim extremamente infantil e Rachel não evitou tirar algumas fotos sem que pudesse perceber.

Poucos minutos depois ambas já tinham deixado os grossos casacos sobre o banco e a câmera estava bem guardada dentro da bolsa de Rachel. Os suéteres cobriam-lhe os corpos, mas não reclamavam do frio. O clima não estava insuportável.

Rachel se encaixou na frente da esposa e Quinn a segurou pela cintura antes de tomar impulso e deixar a prancha descer por si só naquela colina repleta de neve.

A judia soltou uma risada enquanto sentia o vento frio contra seu rosto. A mais alta não estava diferente. Sorria a ponto de sentir as bochechas doerem e se sentia uma criança, como aqueles pequeninos que subiam e desciam a colina incessantemente.

Quando a prancha atingiu o solo, as duas saíram rolando pela neve e Rachel mal teve tempo de discernir quando a loira agarrou um punhado e jogou na sua direção, atingindo-a. Sua boca se abriu incrédula.

— Então é assim, senhora Berry-Fabray? — A mão pequena fisgou o máximo de neve que pôde. — Se prepare para a vingança.

Quinn soltou a gargalhada que prendia e se levantou, correndo da morena. Ela corria por entre as árvores com Rachel atrás de si, e quando a baixinha a alcançou, jogou o corpo sobre o seu, fazendo-a cair.

A neve que segurava atingiu em cheio o rosto pálido, enquanto a morena descontroladamente.

— Você vai ver só, senhora Berry-Fabray. — A loira proferiu após retirar o excesso de neve da face.

Ela sorriu, colocando as mãos geladas dentro do suéter da esposa, em contato com a pele quente, a fazendo soltar um gritinho surpresa.

Quinn gargalhou com isso, e aproveitou a situação para jogá-la sobre a neve e sair correndo.

— Eu vou matar você, Quinn! — Rachel levantou, iniciando a sua perseguição.

Elas ainda brincaram por horas.

Eram crianças outra vez.

...

O táxi parou em frente ao local bastante conhecido. Era uma mistura de sentimentos. Nostalgia, melancolia. Elas não saberiam dizer. Quinn agradeceu ao motorista e pagou o valor indicado, saindo com Rachel e parando ao lado das amigas, que estavam em frente ao portão de entrada.

Era possível ver algumas crianças brincando do lado de fora, mesmo com o frio que fazia. As roupas velhas enfeitavam seus corpinhos agitados. Nada tinha mudado, exceto pela aparência mais velha e quase caindo aos pedaços do lugar.

O Strawberry Field estava desmoronando aos poucos.

— Isso está tão...

— Velho. — Rachel completou a esposa.

— Britt e eu estávamos saindo do Museu Britânico quando ouvimos uma conversa. — Santana começou. — Dois homens estavam falando que o Strawberry Field iria ser demolido por falta de contribuições. Quando perguntamos o porquê, disseram que ninguém mais faz doações. Nem livros e nem roupas.

— E essas crianças? — Rachel indagou preocupada. — O que farão com elas?

— Vão ser separadas e mandadas para outros lares adotivos menores. — Brittany respondeu. — O Exército da Salvação, que administra esse lugar, está esperando alguém fazer algo, mas o Primeiro Ministro quer demolir até o final de semana. Ele está quase conseguindo a aprovação do Exército.

— Nós vamos fazer alguma coisa. — Rachel respondeu mais do que rápido. — Não vamos? — Fitou a esposa.

Quinn ainda estava perdida nos seus pensamentos. Havia crianças lá dentro. Muitas delas poderiam ser amigos. Melhores amigos. Como as quatro mulheres e Puck. Quem sabe até casais se descobrindo ali dentro como Quinn tinha se descoberto. A vida daquelas crianças não era fácil e separá-los só iria piorar tudo. Querendo ou não, aquele orfanato era como uma família. Uma família de crianças sem pais, mas que possuíam uns aos outros.

Quinn faria alguma coisa. Ela sabia o que fazer.

— Nós vamos comprar esse orfanato. — Determinou.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Comentem, favoritem, exponham suas opiniões. Bom final de semana. =D twitter.com/yasagron