O Preço da Magia
24 Episódio 24: Le Monde Va Changer Et Va Se Mélanger
Notas iniciais
Sentiu o estalo em seu ombro direito assim que caiu sobre ele. Um único crepitar seco, categórico, ecoando por aquela espécie de caverna com mais potência do que se estivesse a céu aberto. A dor de sentir o osso deslocado, no entanto, não foi párea à visão que se alastrava bem à frente de seus olhos.
Tão verdes quanto inundados.
Reviveu o momento em que o sineiro fora assassinado, percebendo-se incapaz de mover qualquer músculo num primeiro instante. Seu peito quebrado pareceu oprimir-se ainda mais, cansado de tantas derrotas. As batidas frenéticas de seu coração beiravam a desistência, como se a qualquer segundo deliberassem que tamanho esforço não valia a pena...
...Como se a compaixão pelos destroços daquela que um dia fora cigana, soasse mais forte ao órgão pulsante do que o próprio instinto de sobrevivência. Era, afinal, o coração que abrigava a essência da egípcia, uma essência para sempre danificada.
Esmeralda arrastou-se com dificuldade até o corpo sem vida, lutando contra a vontade de vomitar. Desvencilhou-se dos braços de Frollo quase sem perceber, segurando o ombro luxado à medida que as coxas rastejavam com pressa na direção cobiçada.
— Quasi... — os dedos vacilaram sobre a carícia destinada àquele rosto que tanto aprendera a amar, salpicado de rubro, violência e morte. A feição mais amável de toda a França agora apagada, destituída de sua bondade legítima.
Novas lágrimas irromperam na boêmia como se em momento algum houvessem cessado. Ela afastou gentilmente algumas mechas ruivas dos olhos em calombos de seu grande amigo, encostando sua fronte à do sineiro e se permitindo entregar à angústia em mais aquela despedida dolorosa.
E tudo se tornou lembrança, antes que pudesse freá-las.
As memórias, essas dádivas amaldiçoadas, parecem ter um gosto especial por emergirem nos momentos exatos em que seu estrago será maior, aplicadas em contribuir para uma amargura já cruel.
Vivenciou primeiro os instantes no telhado. Aqueles de quando o conheceu, no meio de uma fuga que agora lhe parecia estupidamente trivial, tão distante que sequer parecia fazer parte de sua história. Era apenas o sineiro de Notre Dame que se mantinha vívido. Quase podia reviver o misto de sensações opostas que a abateu quando, pela primeira vez, foi apresentada à singularidade de Quasímodo.
Já ameaçava correr do capitão quando um par de braços a envolveu, suspendendo-a sobre telhas íngremes. Foi arrebatada por surpresa, medo, desconfiança, alívio e por fim gratidão. Até que só restou esse último sentimento somado à admiração daquela que fora a primeira, de tantas vezes, que testemunhou a bondade que jamais encontraria noutros olhos.
As imagens foram avançando ao longo do tempo, desinteressadas do sofrimento que causavam à cigana. Cravando-se nela como ponteiras de flecha.
“— Um monstro como eu lá embaixo?” ele a interrogara certa vez, convencido de que não passava de uma aberração. Sua expressão acompanhava de forma dolorida aquele questionamento. Com a convivência Esmeralda aprendera que tudo o que havia de mais distorcido em Quasímodo não eram seus calombos, tampouco a corcunda, mas sim a imagem que projetava de si mesmo. Tão errada... Tão fora da realidade...
Ainda que coberto das humilhações impostas pelos parisienses, brindou-lhe com o sorriso mais alegre e gentil ao presenteá-la com um vestido.
...E, por fim, aquele último olhar de minutos atrás. Melancólico e significativo, sinalizando o desapreço pela própria vida ao encarar seu término precoce. Aceitando-a de braços abertos e coração ferido. Ao adotar aquela postura passiva diante dos intuitos de seu carrasco, deixava claro que poderia ser ele a rasgar o próprio pescoço, e dor alguma seria maior do que a violência provinda de seu mestre. Seu assassino, que tanto adorara em vida.
— Por que não o impediu? Por que aceitou que ele o destruísse? — Esmeralda o questionou num sussurro ainda dominado pelos soluços, a voz ainda mais fraca do que seu corpo. Apertou-o com mais vontade para junto de si, só naquele instante percebendo que o sangue do amigo encharcara toda a extensão de seu tórax.
Hades revirou os olhos, entediado.
— Ainda que seja tentador perder meu valioso tempo com mais esse momento de autoflagelação humana, e pode acreditar em mim, eu adoraria... — soou irônico, quase agradado com o susto que a percepção abrupta de sua presença causou à cigana — Serei obrigado a interromper. Temos um horário a cumprir, sabem como é... Agenda apertada, muitas guerras ainda pela frente, fim de ano chegando, carnaval, copa do mundo...
— Eu completei minha parte no acordo... — Frollo se adiantou, colocando-se entre o deus (que a ele apenas balbuciava incoerências) e sua menina nitidamente assustada — Cumpra, agora, com a sua.
— Mantenha a calma, meu rapaz. Mal tive a oportunidade de me apresentar à moça, onde foram parar seus bons modos? — sorriu, deixando à mostra os dentes pontiagudos ao levar sua total atenção à humana, a causadora indireta daquele encontro — Deus dos mortos e senhor do submundo, como vai? — ofereceu uma mão em cumprimento, ao que Esmeralda apenas atentou-se ao tom estranhamente azulado de sua pele. Reconheceu a dupla de demônios ao lado da singular figura, percebendo que de todas as inusitadas criaturas ali, era Frollo quem ela mais temia.
— Por que estou aqui? — deixou de lado todo o seu espanto diante da situação, fomentando dentro de si apenas dúvidas acerca do cenário estapafúrdio. Talvez tivesse por fim enlouquecido. — O que querem de mim? — teve o impulso de procurar pelo punhal, engolindo em seco ao relembrar que Frollo o usara para matar Quasímodo.
— Eu, particularmente, nada, mas você conhece os homens, não é? Testosterona, discernimento pobre, o sangue tendo que se dividir entre duas cabeças rivais... — analisou, abanando uma das mãos como se dispensasse o assunto irrelevante — Indo direto ao ponto, eu preciso do padre e você foi o preço cobrado, então basicamente sua função aqui é ser minha moeda de troca. Resumindo, uma barganha. Nada pessoal, eu respeito muito a inclinação do seu povo à morte, verdade, valoriza demais o meu trabalho, mas o padreco aqui é sentimental, o que se pode fazer...?
Esmeralda encarou Claude com fúria, a cólera em seus verdes olhos fazendo com que o sacerdote desviasse o próprio olhar, incapaz de lidar com mais sentimentos adversos provindos da cigana. Naquele átimo de segundo em que os contemplou, contudo, duvidou seriamente que até mesmo Hades pudesse reverter o julgamento que sua menina pagã fazia de si.
Se nem o deus fosse capaz de cumprir com o que lhe prometera, estaria fadado a conviver com o desprezo da estrangeira.
— Teremos bastante tempo para reuniões sociais, quem sabe até trançar os cabelos, mas por enquanto quero apresentar a vocês sua nova morada — abriu um braço ao redor do corpo, apontando amplamente para o covil como faria um anfitrião dedicado — Cores quentes, calor infernal, almas desgarradas, rio tóxico, serviçais estúpidos... Vocês se acostumam, tenho certeza! Agora vamos, tenho um dia cheio pela frente.
Esmeralda sequer se moveu, ainda encarando a perturbadora feição do deus sem ao menos vacilar em sua resposta.
— Eu não vou a lugar nenhum. Não com ele — relanceou um rápido olhar ao arquidiácono, instintivamente se colocando mais próxima do corpo do sineiro. Apenas cogitar abandoná-lo ali já fazia a dor de sua perda muito maior.
Frollo sentiu-se tremer, dominado pela desesperança de novamente habitar o profundo e conhecido vazio que sua alma emanava na ausência da menina pagã. Hades por sua vez suspirou, cerrando as pálpebras ao massagear o vinco cavado entre suas sobrancelhas, tentando reencontrar a paciência já um tanto escassa. Quando voltou a fitar a humana, seus lábios se crisparam num sorriso largo, porém seus olhos gélidos não acompanharam sequer minimamente aquele gesto. Eles apenas denotavam ameaça.
O deus da morte cortou a pouca distância que ainda havia entre ele e a cigana, e num movimento que quase poderia passar como descontraído, pousou a mão de dedos longos sobre seu ombro machucado. Ela notou com estranheza que o contato era frio. Tão frio quanto o corpo de Quasímodo em breve se tornaria. Tal percepção sequer a permitiu notar o incômodo evidente nos olhos calculistas de Frollo.
— Já ouviu falar do Olimpo, criança? No cume da montanha mais elevada da Grécia, tecido por nuvens? Morada divina? Não? Bom, não importa. Deixe-me contar uma breve história... — o deus olhou para nada em específico, parecendo transportar-se ao lugar mencionado — Eu tive o desprazer de viver no Olimpo há uns bons milênios atrás. Lá eu sempre fui visto como o retraído. O calado, discreto... Reservado! Meu irmão era o expansivo. Todos previam com facilidade suas intenções, e não havia um único desejo que ele não tratasse de expressar. Zeus sempre deixou tudo às claras, já eu preferia manter meus pensamentos no anonimato. Apenas para mim. Compreende o que quero dizer? Talvez esse meu... gênio... dificulte um pouco a interpretação das coisas, eu entendo, mas acredite em mim, minha querida... — o deus constringiu o aperto sobre o ombro deslocado da mulher, sentindo-a enrijecer de dor no mesmo instante. A expressão já perturbadora do deus atingiu o ápice do desagrado que até então tentara dissimular — ...eu nunca dou sugestões — avisou num tom ameaçador, indo mais a fundo na compressão que sabia ser dolorosa. Frollo fez menção de que interviria, porém tanto Pânico quanto Agonia o detiveram, mesmo suas consciências rasas cientes de que a intromissão apenas tornaria a situação muito pior. — Nesse caso, a regra a seguir é muito simples, creio que até humanos sejam capazes de compreender. Sempre que me ouvirem expressar uma vontade, mesmo que a seus ouvidos não pareça uma ordem, não esperem que eu seja tolerante com seus chiliques mundanos, ou mesmo que me importe minimamente com isso que vocês chamam de sentimentos. Apenas façam. Façam bem feito, e as consequências podem ser... — Hades imprimiu maior força ao ombro luxado de Esmeralda, num único e certeiro golpe reajustando o osso ao seu devido lugar. De um segundo a outro a dor se transformou em alívio, e só então a cigana percebeu o quanto transpirava — Surpreendentes!
Hades voltou a sorrir, novamente vestindo seu rosto numa expressão de falsa cordialidade quando tornou a falar:
— É muita coisa nova para processar, mas não se preocupem — apontou para os demônios com um traço de divertimento. — Se até esses idiotas entendem como funciona o submundo, vocês logo se acostumarão. Imagino que agora já estejam prontos para ir...
A cigana o encarou de volta, calada. Seus lábios entreabertos chegaram a tremer minimamente, porém não ousaram expressar nova afronta. Estava presa àquele covil de cobras, cercada por inimigos e sem saber como proceder àquela nova realidade. Apenas assentiu brevemente, disposta a entrar no jogo de Hades e Frollo enquanto ainda não decidisse qual seria a melhor forma de agir. Abaixou a cabeça, nunca antes se sentindo tão humilhada quanto naqueles poucos minutos.
— Ótimo! — A empolgação de Hades quase pareceu sincera, porém Esmeralda foi capaz de observar algum grau de ansiedade pela forma com que ele mexia no anel preso em seu menor dedo. — Viu, como eu disse, vocês aprendem rápido! Certamente nos daremos muito bem! — Conduziu-os até uma barca à margem de um rio negro que exalava o mesmo odor desagradável de enxofre, e apenas quando todos embarcaram, o deus da morte se adiantou e começou a remar rio adentro.
A cigana olhou ao redor, só então reparando nos traços brilhantes que seguiam o curso da água. Seu coração vacilou algumas batidas quando se deu conta de que os brilhos preservavam algo similar à forma humana. Somente entendeu o que eram quando identificou os traços inconfundíveis de Quasímodo, imitando a trajetória de todas as outras almas. Focado apenas em seguir o rumo de sua nova existência desencarnada.
O reconhecimento trouxe em si um abrupto sobressalto, forte o bastante para sacudir a barca. Sem se importar, inclinou-se perigosamente à beirada, imaginando se poderia alcançá-lo. Talvez, se o sineiro a visse, pudesse reconhecê-la... Talvez soubesse que não estava sozinho naquele mundo estranho e conseguisse enxergar o quanto ela sentia por ele...
— Não toque aí! — Hades advertiu com aspereza, irritadiço por ter que explicar o óbvio — Essas águas não estão habituadas a nada que é vivo. Apenas a morte lhe diz respeito.
Uma fagulha interessada se acendeu no olhar antes apático da egípcia. Como cigana, ela sempre amou e valorizou a vida, porém foi impossível não se deixar seduzir por aquela ideia. Frollo tirara tudo de si. Sua família, seu orgulho, seu único amigo restante e agora sua liberdade. Tirara, ao que parecia, um pouco do desejo de lutar também. Tornou a olhar o rebanho de almas que se conduzia sozinho na mesma direção, e mesmo depois de tantas agruras vividas foi apenas ali que cogitou se lançar àquele caminho sem volta.
Claude imediatamente pôde ler as intenções ocultas da cigana pelo fascínio com que ela passou a fitar as águas mortíferas. A reação motora veio antes de sua capacidade mental em se imaginar num mundo sem Esmeralda, e ele a trouxe com pressa para o interior seguro da barca. A mão do arquidiácono ainda pousava na cintura da egípcia quando esta lhe lançou um olhar cortante.
— Não volte a me tocar, padre!
— Ainda que me odeie, Esmeralda, não deixarei que faça nada impensado — retorquiu em tom baixo, porém seus dedos afoitos se distanciaram da menina, ainda que se mantivessem por perto, a postos caso a boêmia atentasse contra a própria vida, esta tão cara a Frollo.
— Não se preocupe, monsieur. Viverei essa existência patética que me impôs — “...por enquanto”, completou em pensamento, certa de que era melhor fazer o necessário longe do olhar alheio. Garantindo que ninguém pudesse reverter a situação caso decidisse dar um fim permanente a tudo.
Frollo fez menção de que a responderia, seus traços abatidos quase irreconhecíveis se comparado ao antigo sacerdote — aquele que era conhecido por sua rigidez inabalável, a própria imagem da austeridade cristã. Contudo, o apelo de Claude acabou se perdendo, sobrepujado pelo rosnado alto e constante que dominou a travessia. Petrificados, Esmeralda e Frollo viram diante de si uma enorme besta de três cabeças, mal acreditando em seus olhos.
— Calma lá, rapazes... Nem toda carne fresca que chega aqui pertence a vocês — Hades adiantou-se em falar com a criatura, parecendo divertir-se com o medo que os humanos exalavam. Voltou-se para os dois em seguida — Adoráveis, não? Um pouco temperamentais e famintos, eu diria, mas uma vez que vocês se conhecerem melhor... — fez uma pausa, fingindo refletir — Não, Cérbero tentará comê-los de todo modo!
Cruzaram o resto do rio em silêncio, até que a barca finalmente atingiu a encosta num tranco suave, e Esmeralda de imediato percebeu que Frollo se colocara atrás dela, disposto a evitar qualquer acidente que pudesse acometê-la. Sentiu apenas raiva, mas prosseguiu em silêncio. Ainda que sua vontade fosse sucumbir à fúria, entendia que por enquanto nenhum de seus verdadeiros anseios seria um caminho sábio.
— Espero que se sintam em casa. Até por que, não terão para onde ir caso não gostem... — Sorriu daquela forma cruel, causando arrepios na espinha da cigana. Estava presa. Acorrentada junto a uma trupe de lunáticos, um pior do que o outro, e pela primeira vez na vida ela não fazia ideia de como proceder. Talvez, de fato, a única solução fosse desistir — Terei que pedir licença a você, criança, seu padre e eu temos assuntos sérios a discutir. Pânico! Agonia! Levem a moça ao quarto de hóspedes...
— Vigiem-na... — Frollo disse, não chegando a soar como ordem pelo tom desesperado em sua voz. — Por favor! — Ele implorou num sussurro íntimo e atormentado, e nem ao menos sentiu vergonha por explicitar sua fraqueza com tanta intensidade. Hades o analisou seriamente, ponderando, até que aquiesceu.
— Façam como ele diz. Não a deixem sair até segunda ordem.
Os asseclas concordaram, ambos conduzindo a cigana para longe de seu mestre. Frollo seguiu-a com o olhar, aguardando ansioso pelo momento em que ela voltaria a amá-lo. Mais do que tudo, precisava acreditar que aquilo era possível.
Antes que sucumbisse de vez à loucura.

Os demônios a conduziram por um caminho que parecia sempre o mesmo. Escuro, denso, vazio de esperança. Esmeralda não impôs qualquer resistência contra eles quando quiseram colocá-la dentro de um aposento igualmente sombrio. Apenas se deixou levar, apática. Ainda tinha dificuldade de acreditar em tudo que acontecera, desde o assassinato de Quasímodo até chegar naquele mundo que a todo segundo testava sua sanidade com os mais crassos absurdos.
Mal percebeu quando Pânico e Agonia se retiraram.
Relanceou um olhar desinteressado ao seu cárcere, percebendo o padrão. Escuro, denso, vazio. Escuro, denso, vazio. Ocupado por um único leito modesto, todo o espaço oco ao redor parecia dispensável. Rodeou-o, sentindo nos dedos o material friável ceder de leve à pressão.
Uma melodia de um antigo cântico de seu povo lhe veio à mente, e foi impossível não se entregar ao teor infeliz dos versos que tão bem conhecia. O canto sempre fora uma válvula de escape à miséria dos ciganos, expressando medos, alegrias e tristezas, mas ao longo de sua vida, poucas canções alcançaram a alma de Esmeralda como essa que agora a dominava.
Conforme a desesperança se dispersava na doçura melancólica de sua voz, a egípcia rodeava o ambiente, os dedos de leve roçando ao redor de seu cárcere sujo, sem sequer uma réstia de luz.
— Seul, comme en exil, comme un naufragé sur son ilê. Comme le funambule sur un fil... Seul parce qu´on a tout pris, parce qu´on a eu tort, c´est se croire en vie même quand on est mort, c´est abandonner sa chance à un autre sans jamais pouvoir oublier sa faute.Seul parce que l´amour a changé de camp, c´est des cris de peine, mais qui les entend? Seul parce qu´on n´a pas su lire entre les lignes, qu´on n´a pas voulu regarder les signes. Parce qu´on écoutait sans jamais le croire, quand l´amour s´en va, c´est toujours trop tard... Seul, c´est une nuit qui n´en finit pas, c´est une elle sans lui, c´est un toi sans moi… Seul, comme en équilibre, seul, prisonnier parce qu´on est libre, seul comme une histoire sans son livre. Seul parce qu´on a tout pris, parce qu´on a eu tort, c´est se croire en vie même quand on est mort, c´est abandonner sa chance à un autre sans jamais pouvoir oublier sa faute. seul parce que l´amour a changé de camp, c´est des cris de peine, mais qui les entend? Seul parce qu´on n´a pas su lire entre les lignes, qu´on n´a pas voulu regarder les signes. Parce qu´on écoutait sans jamais le croire, quand l´amour s´en va, c´est toujours trop tard. Seul, c´est une nuit qui n´en finit pas, c´est une elle sans lui, c´est un toi sans moi… Seul, qui n´a jamais été seul? Seul, ma place à ceux qui la veulent. Seul comme un condamné devant l´échafaud, comme un innocent devant son bourreau, seul comme un enfant qui cherche son père, seul comme le mendiant qui s´endort à terre. Parce qu´on a passé sa vie sans la voir on se trouve seul devant son miroir. Seul parce qu´on a tout pris, parce qu´on a eu tort, c´est se croire en vie même quand on est mort, c´est abandonner sa chance à un autre sans jamais pouvoir oublier sa faute. Seul parce que l´amour a changé de camp C´est des cris de peine, mais qui les entend? Seul parce qu´on n´a pas su lire entre les lignes qu´on n´a pas voulu regarder les signes, parce qu´on écoutait sans jamais le croire quand l´amour s´en va, c´est toujours trop tard… Seul, c´est une nuit qui n´en finit pas, c´est une elle sans lui, c´est un toi sans moi. Seul comme un condamné devant l´échafaud, comme un innocent devant son bourreau, seul comme un enfant qui cherche son père, seul comme le mendiant qui s´endort à terre, parce qu´on a passé sa vie sans la voir on se trouve seul devant son miroir… Seul…
A solidão, ela sabia, ia muito além da matéria. Transpassava seu espírito, alvejava sua mente.
Encarcerava-a em seu próprio corpo, que não tinha mais disposição para lutar.
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