O Preço da Liberdade

24 Ouro, Prata e o Juramento


A manhã do casamento surgiu com um céu de azul profundo, como se o próprio universo tivesse decidido conspirar a favor de Aethelgard. Os preparativos, que duraram semanas de uma agitação febril, finalmente haviam se materializado em uma celebração que o reino jamais esqueceria.


​O Grande Salão de vestir estava um caos organizado. Costureiras corriam com alfinetes, e o cheiro de perfume de gardênias preenchia o ar. Mellyssa olhava-se no espelho, quase não reconhecendo a mulher que a encarava. O vestido pérola, bordado com fios de prata que imitavam as constelações, abraçava seu corpo com uma perfeição escultural.

​— Você está deslumbrante — sussurrou a Rainha Carolina, entrando com uma pequena caixa de veludo. — Adrian está no corredor, andando de um lado para o outro como um leão enjaulado. Ele tentou subornar os guardas para te ver antes da hora.

​Mellyssa sorriu, um brilho de confiança que ela nunca sentira antes.

— Ele sempre foi impaciente, Majestade.

​— Chame-me de mãe, querida — Carolina abriu a caixa, revelando o diadema de safiras. — Este reino não está apenas ganhando uma rainha; meu filho está ganhando a alma que ele quase perdeu.

​O Altar e a Promessa

​As portas da catedral se abriram, e o som das trombetas reais fez o chão vibrar. Mellyssa caminhou sobre as rosas de vidro soprado que Adrian mandara fazer. Cada passo dela criava um tilintar cristalino, refletindo as cores dos vitrais em seu vestido de prata.

​No altar, Adrian a esperava. Ele vestia o uniforme de gala negro e dourado da cavalaria real, mas seus olhos, antes gélidos e cínicos, estavam marejados. Quando ela parou ao seu lado, ele inclinou-se e sussurrou:

​— Você é a visão mais perigosa que já tive. Quase me faz esquecer como respirar.

​— Guarde o fôlego, Príncipe — ela respondeu com um sorriso travesso sob o véu. — Você terá que dizer muito mais do que isso agora.

​A cerimônia foi conduzida pelo próprio Cardeal de Roma — um gesto de paz após o julgamento. Quando chegou o momento dos votos, Adrian segurou as mãos de Mellyssa, ignorando o protocolo de ler o papel que o secretário lhe entregara.

​— Mellyssa — a voz dele ressoou como um trovão suave por toda a catedral. — Eu prometi que você nunca ficaria desamparada. Mas hoje, diante de Deus e do meu povo, eu prometo mais. Eu entrego a você não apenas a coroa, mas a minha liberdade. Eu não sou mais um homem que busca prazeres vazios, porque encontrei o meu destino no seu olhar. O meu ouro é seu, o meu sangue é seu, e o meu trono... o meu trono só faz sentido se você estiver sentada nele ao meu lado.

​Mellyssa sentiu as lágrimas caírem. — Adrian, eu troquei a segurança do meu ouro pela incerteza do seu amor, e foi a melhor troca que já fiz. Eu prometo ser sua força quando você fraquejar e o seu porto quando o mundo lá fora for barulhento demais.

​O Banquete e a Celebração Final

​O banquete de núpcias foi uma explosão de alegria. O Rei Alexander brindou repetidas vezes, enquanto Saullo e Sarah puxavam os noivos para danças frenéticas no centro do salão. Não havia sinal de Giulia ou de qualquer amargura.

​Mais tarde, longe dos olhares da corte, Adrian e Mellyssa escaparam para a varanda privativa que dava para o jardim. A luz da lua banhava os dois.

​— Finalmente sós, Rainha de Aethelgard — ele a puxou pela cintura, colando seus corpos.

​— Rainha? — ela riu, passando os braços pelo pescoço dele. — Eu pensei que era apenas a sua "viúva de negócios".

​— Você é tudo — ele respondeu, a voz ficando rouca de desejo. — Você é a única mulher que conseguiu me domar sem usar correntes.

​Ele a beijou com uma paixão que selava não apenas um contrato, mas uma vida. Adrian a pegou no colo, caminhando em direção aos aposentos reais, onde a noite de núpcias os esperava — desta vez, sem fantasmas, sem medo e com a certeza de que o amor deles era o tesouro mais protegido de todo o reino.

​O "Príncipe Devasso" morrera naquela noite; em seu lugar, nascera um Rei que sabia que o maior poder de um homem não estava na espada que ele carregava, mas na mulher que ele escolhia honrar.