O Preço da Liberdade
28 O Eco de Duas Almas
O dia em que Aethelgard mudaria para sempre começou sob um céu de tempestade, com trovões que pareciam ecoar os gritos de dor e força que vinham dos aposentos reais. Do lado de fora da porta maciça de carvalho, Adrian caminhava de um lado para o outro, as mãos inquietas, o rosto pálido de uma forma que nem o campo de batalha jamais conseguira deixá-lo.
Ao seu lado, o Rei Alexander e a Rainha Carolina aguardavam em um silêncio tenso, enquanto Saullo tentava acalmar o primo com palavras que Adrian mal conseguia processar.
De repente, um choro agudo e vigoroso cortou o som da chuva. Adrian parou instantaneamente, o coração martelando contra as costelas.
— É o meu filho... — ele sussurrou, a voz embargada.
A porta se abriu levemente e a parteira-chefe saiu, limpando o suor da testa com um sorriso cansado.
— Um menino, Majestades! Um herdeiro forte e saudável!
Adrian soltou um suspiro que parecia carregar meses de ansiedade. Ele fez menção de entrar, mas a parteira o barrou com o braço, sua expressão mudando subitamente para algo entre o choque e a urgência.
— Espere, Príncipe! — ela gritou, voltando para dentro às pressas. — Tem algo... ainda não acabou!
O silêncio que se seguiu no corredor foi ensurdecedor. Alexander e Carolina se olharam, confusos. Adrian sentiu o medo gelar seu sangue novamente.
— O que ela quer dizer com "não acabou"? Mellyssa está bem?!
Antes que ele pudesse invadir o quarto, um segundo choro — este um pouco mais agudo, mas igualmente determinado — ecoou de dentro dos aposentos. O som era diferente do primeiro, uma harmonia inesperada que deixou todos estáticos.
A Surpresa de Aethelgard
A porta se abriu completamente desta vez. A parteira estava em choque, segurando dois embrulhos de linho fino em vez de um.
— Milagre... — ela murmurou, os olhos arregalados. — Não era um herdeiro, Príncipe Adrian. Eram dois.
Adrian entrou no quarto como se estivesse em um sonho. Mellyssa estava exausta, os cabelos grudados na testa pelo suor, mas seus olhos brilhavam com uma luz que ele nunca vira. Nos braços dela, e nas mãos da assistente, estavam as duas pequenas vidas.
— Um menino... — disse Mellyssa, a voz fraca mas carregada de orgulho, apontando para o pequeno que tinha os traços marcantes de Adrian. — E uma menina, Adrian. Olhe para ela.
O príncipe caiu de joelhos ao lado da cama, as lágrimas finalmente correndo sem controle. Ele olhou para o menino, o futuro Rei, e depois para a menina, que tinha a pele delicada e os lábios de Mellyssa.
— Dois? — Adrian perguntou, rindo e chorando ao mesmo tempo. — Como... como não soubemos?
— Eles estavam bem escondidos, meu filho — a Rainha Carolina disse, entrando logo atrás e abraçando o marido, ambos em estado de graça. — Um príncipe e uma princesa. Aethelgard nunca foi tão rica.
O Juramento do Pai
Adrian pegou a menina no colo com uma delicadeza extrema, temendo que ela pudesse quebrar em suas mãos calejadas. Ela abriu os olhinhos por um segundo, e ele viu o mesmo fogo que o fizera se apaixonar pela mãe.
— O nome dele será Alexander, como o avô — decidiu Adrian, olhando para o pai, que acenou com a cabeça, visivelmente emocionado. — E ela... ela será Diana. Um nome que significa luz. Porque ela é a luz que eu nunca soube que faltava neste palácio.
Mellyssa estendeu a mão, e Adrian a segurou firme, beijando seus dedos.
— Você me deu um império, Mellyssa — ele sussurrou, a voz rouca. — Não de ouro ou terras, mas de vida. Eu juro que nenhum mal tocará essas crianças. Eu serei o rei que eles precisam e o pai que eles merecem.
— E eu serei a rainha que os guiará — completou Mellyssa, encostando a cabeça no ombro de Adrian.
Naquela noite, os sinos da catedral não tocaram apenas para um nascimento. Eles tocaram em dobro. O povo de Aethelgard saiu às ruas, celebrando o nascimento dos gêmeos reais. O príncipe devasso e a baronesa de negócios haviam criado algo que o dinheiro não podia comprar: uma família completa, nascida da superação e de um amor que provara ser capaz de multiplicar a própria felicidade.
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