O Preço da Liberdade
23 O Anúncio Real
O salão estava em polvorosa. A notícia de que a Condessa Giulia Lâfrer fora banida da mesa por um banho de vinho tinto já havia circulado, mas o que ninguém esperava era que Adrian e Mellyssa entrassem no banquete de mãos dadas, com uma serenidade que contrastava com a tempestade da manhã.
Adrian parou diante do trono do Rei Alexander. O silêncio caiu sobre o recinto como uma cortina pesada.
— Majestade, família, nobres de Aethelgard — a voz de Adrian era firme, sem o deboche de antes. — Por muito tempo, busquei o que significava ser um herdeiro. Achei que era sobre poder, depois achei que era sobre dever. Mas hoje, entendi que é sobre escolha. E eu escolhi a mulher que governará ao meu lado.
Ele olhou para Mellyssa com uma devoção que fez a Rainha Carolina levar as mãos ao rosto, emocionada.
— É com honra que anuncio o meu noivado com Mellyssa Solomon. Ela não será apenas a Baronesa das terras do sul; ela será a futura Rainha deste reino.
O Rei Alexander levantou-se, um sorriso largo iluminando seu rosto severo.
— Que as trombetas soem! Aethelgard finalmente tem uma futura Rainha de fibra!
A Revolta de Giulia
A celebração mal começou quando as portas laterais foram escancaradas. Giulia Lâfrer, que deveria estar confinada aos seus aposentos, surgiu como um espectro de fúria. Ela ainda usava o mesmo vestido manchado de vinho, agora seco e escurecido, dando-lhe uma aparência macabra e desequilibrada.
— ISSO É UM INSULTO! — ela gritou, a voz estridente cortando a música da orquestra. — Um príncipe de sangue puro se unindo a uma oportunista de baixo clero? Adrian, você perdeu o juízo ou a dignidade?!
Ela caminhou em direção ao centro do salão, apontando o dedo trêmulo para Mellyssa.
— Você! Você acha que um anel e uma coroa apagam quem você é? Uma viúva que subiu na vida através da cama de um velho! Você não passa de uma usurpadora. Esse trono pertence a uma linhagem de verdade, pertence a MIM!
Adrian deu um passo à frente, protegendo Mellyssa com seu corpo, mas seu olhar para Giulia era de pura lástima.
— O seu tempo de veneno acabou, Giulia — disse ele, a voz baixa e perigosa. — Olhe para você. Você cheira a vinho azedo e inveja. O trono não pertence a quem tem linhagem, mas a quem tem caráter. Algo que você nunca saberá o que é.
— EU VOU DESTRUIR VOCÊS! — Giulia berrou, tentando avançar, mas os guardas reais a cercaram imediatamente. — Roma saberá disso! O Papa não permitirá esse casamento com uma mulher que despreza as leis de sucessão! Adrian, você vai implorar para que eu volte quando o seu reino for isolado pelo clero!
— Roma já ouviu o meu discurso de honra, Giulia — Adrian rebateu, com um sorriso de canto. — Eles preferem um príncipe honesto a uma condessa que não passa de uma nota falsa no tesouro da Igreja. Guardas, retirem essa... mancha do meu salão. E desta vez, certifiquem-se de que ela não pare antes da fronteira.
— ME SOLTEM! VOCÊ VAI SE ARREPENDER, ADRIAN! ELA VAI TE DEIXAR ASSIM QUE O PRÓXIMO COFRE SE ABRIR! — os gritos de Giulia foram diminuindo à medida que ela era arrastada para fora, esperneando e humilhada diante de toda a corte.
O silêncio que se seguiu foi breve. Mellyssa apertou a mão de Adrian, e ele se inclinou para sussurrar no ouvido dela:
— Ela teve o que merecia. Agora, vamos mostrar a eles como uma verdadeira Rainha se comporta.
Mellyssa olhou para a multidão, ergueu o queixo e sorriu.
— Que comece a música. Temos um casamento para celebrar.
O banquete explodiu em vivas. A sombra de Giulia fora finalmente dissipada, e no lugar do medo, Aethelgard via o nascimento de uma nova era, onde o ouro da Baronesa e o fogo do Príncipe finalmente se tornaram uma única e invencível coroa.
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