O Preço da Flor de Ferro
23 Capítulo Final: Onde Floresce o Amor
O tempo, que antes parecia um carrasco para os Martinez, tornou-se o aliado mais gentil de Jasmine e Heitor. Quatro anos se passaram desde aquela noite de cinzas e sangue. A enorme fazenda dos Nóbrega agora era um mar de plantações produtivas e pastos verdejantes, um símbolo vivo de que a terra, quando cuidada com amor, cura qualquer ferida.
O crepúsculo tingia o céu de violeta e laranja sobre as terras da fazenda. No pátio gramado à frente da casa grande, uma fogueira estalava alegremente, mas desta vez, seu brilho não era de destruição, e sim de celebração.
A Nova Geração
— Átila! Volte aqui, seu pequeno bárbaro! — gritou Maurício, rindo enquanto corria atrás de um menino de cabelos escuros e olhos curiosos.
O pequeno Átila, com seus quatro anos e as bochechas coradas, soltava gargalhadas cristalinas enquanto desviava do tio com uma agilidade impressionante.
— Tio Mau-mau não me pega! Eu sou um cavaleiro! — exclamou o pequeno, brandindo um graveto como se fosse uma espada de honra.
Rebekah, agora uma pré-adolescente de 10 anos com um olhar inteligente e uma postura que misturava a graça da nobreza com a força da terra, observava a cena sentada em um tronco.
— Ele tem a teimosia da Jasmine e a mira do Heitor — comentou Rebekah, roubando um pedaço de queijo do prato de Maurício quando ele passou correndo. — Vai ser um problema quando crescer!
União e Perdão
Maurício parou, ofegante, e sentou-se ao lado de Rebekah, bagunçando o cabelo da menina. Ele se integrara totalmente à rotina da fazenda. Longe das intrigas da capital, o irmão mais novo encontrara paz na administração das terras e no convívio com os Nóbrega.
— Deixe-o ser um problema — disse Maurício, olhando com carinho para Heitor, que se aproximava. — Problemas de verdade são aqueles que ficam trancados. Esse menino é só vida pura.
Heitor sentou-se ao lado de Jasmine, envolvendo-a com o braço. Ele não usava mais as vestes pesadas de Duque; vestia uma camisa de linho simples, com as mangas dobradas, revelando a cicatriz no ombro que ele exibia com orgulho, como o selo de sua redenção.
— O que vocês estão tramando agora? — perguntou Heitor, sorrindo enquanto Átila pulava em seu colo.
— Tio Maurício disse que eu posso ganhar um pônei! — anunciou Átila, puxando a barba bem aparada do pai.
— Ah, disse, foi? — Heitor arqueou a sobrancelha para o irmão.
— Eu disse que, se ele aprendesse a ler o alfabeto todo, talvez o pai dele pensasse no assunto — corrigiu Maurício, piscando para Jasmine.
— Ora, Heitor — interveio Rebekah, com seu tom divertido de sempre —, dê logo o pônei ao menino. Se não der, eu mesma ensino ele a montar em um dos touros do papai José, e aí sim você terá um ataque cardíaco!
A gargalhada foi geral, ecoando pelas colinas. Jasmine recostou a cabeça no ombro de Heitor, sentindo o calor da fogueira e a segurança do abraço dele.
O Brinde ao Destino
Jasmine olhou para os pais, José e Açucena, que conversavam animadamente com os criados perto da mesa de banquete. Tudo estava em paz.
— Você está muito silenciosa, minha Duquesa — sussurrou Heitor no ouvido dela, beijando-lhe a têmpora.
— Estou apenas agradecendo — respondeu Jasmine, segurando a mão dele e entrelaçando seus dedos. — Olhe para nós, Heitor. Quem diria que, daquelas cinzas, nasceria algo tão bonito?
Heitor olhou para o filho, para o irmão recuperado e para a mulher que salvara sua alma. Ele apertou a mão de Jasmine contra o peito, onde o coração batia forte e calmo.
— O ferro precisa do fogo para ser moldado, Jasmine. E o meu coração precisava do seu para aprender a bater de novo. Eu te amo, hoje e em todas as vidas que virão.
— E eu amo você, meu Duque — ela respondeu, selando a promessa com um beijo doce, enquanto as estrelas surgiam no céu, iluminando o caminho de uma família que, finalmente, não tinha mais nada a esconder e tudo a celebrar.
FIM
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