O Preço da Felicidade
3 Um pouco de mim - Parte 3
Notas iniciais
Ludmilla
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Estava meio cansada, passei a madrugada inteira estudando para uma prova super importante que eu estava sendo obrigada a fazer, e quando acabei era umas 4h da manhã, levantei da cadeira e fui igual a um zumbi para a cozinha, do jeito que eu estava ia ficar obesa de tanto comer. Bom, comi minhas besteiras e eu iria lavar a louça, mas meu sono não permitiu, até que ouvi passos e vi que era Violetta já acordada. Me escondi e fiquei ali — o porque eu não sei, mas me escondi — por um tempo parada ali, vi que ela ia começar a arrumar a casa já cedo. Fui discretamente para meu quarto e cai no sono, queria dormir até semana que vem, mas querer não é poder.
As 9h da manhã acordei com uma ligação chata da Natty, levantei, a chinguei e desliguei. Mas o sono que eu tanto velava, tinha ido embora, me levantei se arrastando e desci as escadas.
Quando desci ouvi alguns "meios gritos" vindo do banheiro, fiquei apoiada ouvindo o que minha mãe dizia a Vilu, Fechei os olhos bem fortes — eu sei que a gente ouve com os ouvidos mas, ah deixa — e tentei não presenciar aquela cena. Quando minha mãe saiu do banheiro rebolando, eu resolvi passar, estava com medo de ver o que não devia, mas fui assim mesmo. Passei e parei em frente a porta e vi o olhar espantado de Vilu, ela parecia assustada e desabrigada, como precisasse mais que nunca de alguém. Mas ouço minha mãe me chamar e continuo andando:
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– O Papai não esta em casa? — digo me sentando.
– Sabe como ele é ocupado, por quê faz essas perguntas? — ela me encarou.
– Por nada, desculpa.
– Só não pergunte mais estupidezes, um dia você vai saber o que é trabalhar duro. Por enquanto só vive as nossas custas. Gastando com futilidades....
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Qualquer palavra com minha mãe se tornava um discurso, e quem é ela pra falar que sou fútil? Juro que não a intendo, mas por educação sempre fico a ouvindo.
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– E espero que esteja estudando para a prova, não vai viver do meu dinheiro para sempre — diz cantarolando e saindo da cozinha.
– Como eu suporto isso? — pergunto a Olga que estava nos olhando a um tempo.
– Não sei menininha, mas de uma coisa ela tem razão — ela olha para os lados e sussurra — você tem que arranjar seu dinheiro, assim sai de perto dela — rimos e ela volta a aprestar atenção naa panquecas no fogo.
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Subi para meu quarto e tomei um banho bem demorado. Minha mãe saiu e estava quase na hora do almoço, desci e fui para a sala, me sentei de qualquer jeito e não senti fome para almoçar, mas Olga veio com uma bandeja enorme com os pratos de comida — salada e outras coisas separadas, não como igual uma porca, não pretendo parecer uma — e resolvi que iria levar para Vilu, a muito tempo que meus pais a tratam mal, e eu sempre me sinto culpada por isso.
Desci com a bandeja e vi que Vilu escondeu algo, mas não falei nada. Percebi que o lugar — se assim pode ser chamado — era bastante úmido e escuro, como alguém sobrevive ali? A poeira também não era algo agradável, me senti horrível em ver onde ela ficava enquanto eu estava no luxo:
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– Oi Vilu — disse tentando parecer o mais calma o possível
– O que faz aqui Ludmilla? — percebi que a incomodei, mas claro, entrei em sua "área".
– Te trouxe o almoço — digo colocando em uma mesinha que havia ali — você vive nessas condições? — digo com os olhos já vermelhos, pensei que havia caido poeira, mas não, estava quase chorando.
– Sim, sempre vivi. E não é tão ruim assim — disse levantando, percebi que ficou com medo que eu dissesse isso a alguém.
– Não precisa ter medo, não vou contar e muito menos fazer algo — olhei em seus olhos — eu só queria entender porque nossos pais fizeram isso com você, desde pequenas não podemos brincar juntas e te maltratavam — digo com os olhos prestes a desabarem em lágrimas — pena que não posso fazer nada, acredite, eu já tentei — aquelas palavras eram uma forma de conforto que maltratava, sim é estranho.
– Por que não? — diz com a voz meio falhada.
– São famosos e ricos, já tentei fazer queixas no DH, mas eles sempre arranjam um jeito de se livrar. Seja com amigos juizes, policiais ou subornos.
– Eu só queria entender porque eles ficaram assim do nada — diz deixando algumas lagrimas cair e eu também, e chego mais perto e abraço ela forte.
– Eu te prometo que você vai conseguir sair daqui, nem que eu tenha que fazer o impossível — eu saio do abraço e enxugo as lágrimas — tenho que subir antes que meus pais cheguem, coma a comida que Olga vem buscar a louça depois — digo já subindo as escadas.
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Subi triste o bastante para me trancar no quarto, mas quando cheguei na sala vi que minha querida mãe estava lá, sentada na poltrona do meu pai, me encarando. Fui andando meio preocupada até ela, e só vejo um sinal para subir. Subi as escadas e vi que ela vinha atrás, o medo tomou conta do meu corpo no momento, estava gelada e provavelmente mais pálida. Quando cheguei no meu quarto minha mãe entrou e trancou a porta, pronto, vou morrer.
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– O que você pensa que acha que você pode ir lá embaixo? Ou melhor, o que faz pensar que EU deixei você ir lá embaixo? — ela me olhou séria.
– Mas eu não fui lá.
– Tem certeza? Eu tenho câmeras na entrada do porão, eu vi você descendo. E acha bonito mentir para sua mãe? A mulher que te deu a luz?
– Não senhora — digo de cabeça baixa e quase chorando.
– Levanta essa cabeça, não chora. Quem chora é fraco, e demonstre respeito, fale comigo olhando em meus olhos. Você quer realmente se fraca e desrespeitosa? — a olhei e pensei em falar o que sentia, e era o que iria fazer.
– Sim, eu sou fraca, não sou perfeita. E qual o problema nisso? Tenho meus defeitos como qualquer pessoa, tenho sentimentos, diferente de você.
– Só que você não é qualquer pessoa — ela gritou e as lagrimas escorreram — minha filha não vai ser uma qualquer na vida, então para de idiotice e cresça. Seja mulher — meu celular vibrou e ela o pegou — mensagem do seu namoradinho, vocês tem um encontro. Seja melhor, e vê se não arruina pelo menos isso. Esse menino é importante. Agora vá se arrumar — ela jogou o celular na cama — e não quero você perto da Violetta, ouviu bem? — concordei com a cabeça e ela saiu batendo porta.
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Fui me arrumar mesmo sem vontade. Não demorei tanto, estava simples e bonita. Terminei de me arrumar e desci as escadas como uma lesma, na minha feição era notável que eu havia chorado por minutos, e isso se confirmou quando Leon me perguntou o que houve. Murmurei um "nada" e continuamos nosso encontro, ele ainda parou o carro tentando tirar algo de mim, mas não falaria nada.
O jantar pelo menos não foi a pior coisa do dia, foi legal, ele me fez rir algumas vezes e era só isso que eu precisava. Confiava nesse garoto mais que tudo, dessa vez apostei pra valer nele, joguei todas as minhas fichas. E pelo visto acertei.
Depois do jantar ele não tentou praticamente nada comigo, me levou em casa, só me deu abraços e entrou no carro novamente, quando já não estava mais em minha vista eu entrei. Estava péssima pra ouvir qualquer coisa, nem de Olga nem de ninguém.
Subi me arrastando e simplesmente me taquei na cama, dormi na hora, mas não por muito tempo, logo veio a dona Maria me acordando para estudar. É, fazer o quê? Cada um tem a péssima vida que merece.
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